A Comissão Europeia e a Fundació Mies van der Rohe anunciaram os sete projetos finalistas do Prêmio de Arquitetura Contemporânea da União Europeia de 2026 - Mies van der Rohe Awards, viabilizado pelo programa Europa Criativa, da União Europeia. A seleção ocorre após o anúncio das 410 obras indicadas em novembro e de uma lista de 40 projetos pré-selecionados revelada no início de janeiro. Dos sete finalistas, cinco concorrem na categoria Arquitetura e dois na categoria Emergente. De acordo com o júri presidido por Smiljan Radić, as propostas finalistas representam contribuições exemplares para o futuro da arquitetura europeia, demonstrando como a disciplina é capaz de responder de forma simultânea a condições locais específicas e a desafios sociais, culturais e ambientais mais amplos. O conjunto de obras selecionadas abrange desde intervenções em antigas áreas industriais, pequenos povoados e zonas urbanas periféricas até projetos cuidadosamente calibrados em grandes cidades. Em meio a esses diversos contextos, os projetos evidenciam como a arquitetura pode transformar cenários esquecidos ou comuns em espaços inclusivos e de alta qualidade para convivência, aprendizado e troca social.
Ooooh, that's EpiQ! Por Ricardo Orts Ulises. Imagem cortesia dos editores do ArchDaily presentes em Milão
Celebrado anualmente em 22 de abril, o Dia Internacional da Mãe Terra pauta o debate arquitetônico desta semana por meio de um apelo urgente para repensar a relação entre o ambiente construído e os sistemas naturais, destacando temas como o rewilding urbano, a restauração de ecossistemas aquáticos e a integração de saberes ancestrais nas práticas de projeto contemporâneas. Por outro lado, a abertura do Salone del Mobile.Milano 2026 e da Milan Design Week 2026 busca reforçar a relevância global do design como plataforma de intercâmbio e experimentação, movimentando a cidade de Milão com uma rede de exposições e instalações voltadas tanto para o setor quanto para o público geral. Entre os anúncios de projetos premiados nesta semana, o concurso House of No Waste (HØW), promovido pelas Nações Unidas, destaca respostas arquitetônicas emergentes aos desafios climáticos e de recursos. Os projetos premiados demonstram estratégias escaláveis para reduzir o desperdício de materiais e o carbono incorporado, ao mesmo tempo em que promovem uma infraestrutura pública adaptável, socialmente responsiva e consciente do uso de recursos.
A segunda edição do The Bread & Heart Festival será realizada em Tirana, na Albânia, de 3 a 5 de junho de 2026. O evento anual é organizado pela The Bread & Heart Foundation e co-curado com a Cátedra NEWROPE de Arquitetura e Transformação Urbana da ETH Zürich. O objetivo da Fundação é oferecer uma plataforma aberta de diálogo sobre arquitetura, paisagem e desenvolvimento na Albânia, um país que passa por uma rápida transformação e está se tornando um dos ambientes urbanos mais ativos do Sudeste Europeu. O propósito do evento é conectar figuras internacionais da comunidade da arquitetura, como Francis Kéré, Jeanne Gang, Ma Yansong e Sumayya Vally, a profissionais locais, instituições e ao público em geral. Assim como em 2025, o festival ocorrerá no Book Building, projetado pelo escritório 51N4E e localizado na Praça Skanderbeg, reunindo os/as participantes sob o tema "Landscapes of Abundance" (Paisagens de Abundância).
Situada na interseção entre as paisagens do Adriático e a geopolítica dos Bálcãs, Tirana passou por uma das transformações urbanas mais aceleradas da Europa nas últimas três décadas. Outrora definida por um rígido planejamento socialista e pelo isolamento político, a cidade se reorientou progressivamente por meio de uma combinação de crescimento informal, investimento internacional e intervenções urbanas estratégicas que buscam redefinir sua imagem pública e estrutura espacial.
Desde o início dos anos 2000, uma série de políticas públicas urbanas, notadamente aquelas iniciadas durante o mandato de Edi Rama como prefeito (atual primeiro-ministro da Albânia), promoveu o uso da cor, do espaço público e da experimentação arquitetônica como ferramentas de reativação cívica. Em vez de depender exclusivamente de planos diretores, o desenvolvimento de Tirana tem se operado por meio de intervenções, nas quais edifícios individuais e espaços públicos funcionam como catalisadores em um tecido urbano fragmentado.
Ao investigar a envoltória da edificação e como o interior se relaciona com o exterior, a figura das estufas surge como uma oportunidade de gerar vida em um espaço interno a partir de fatores externos (ou não). Conhecida como o espaço revestido por vidro ou qualquer outro material plástico transparente, a estufa permite cultivar hortaliças e plantas ornamentais em épocas cujas condições climáticas externas não permitiriam o cultivo ao ar livre. No entanto, o que envolve projetar para plantas? O clima, as espécies, o projeto estrutural e o tipo de cobertura são apenas algumas das considerações a serem levadas em conta.
A parede Trombe é um recurso de arquitetura solar passiva que aumenta a eficiência térmica das edificações. Posicionada na face da estrutura voltada para o sol, ela consiste em uma parede feita de materiais como tijolo, pedra ou concreto, com um painel de vidro ou chapa de policarbonato instalado a poucos centímetros à sua frente. A radiação solar atravessa o vidro durante o dia e aquece a parede de alvenaria. Essa parede, por sua vez, libera lentamente o calor armazenado para o interior do edifício durante as horas mais frias da noite, mantendo uma temperatura interna mais constante sem a necessidade de sistemas de aquecimento ativo.
“Sick Architecture” foi inaugurada no dia 5o de maio no CIVA, em Bruxelas. Com co-curadoria de Beatriz Colomina, a exposição investiga a relação intrínseca entre arquitetura e doença. O discurso arquitetônico sempre se entrelaça com teorias do corpo e do cérebro, posicionando o/a arquiteto/a como uma espécie de médico/a e o/a cliente como paciente. Há milênios a arquitetura é retratada como uma forma de prevenção e cura. Contudo, ela também costuma ser a causa de enfermidades, desde a criação dos hospitais até o uso de materiais de construção tóxicos e a síndrome do edifício doente. O surgimento da pandemia de COVID-19 evidenciou ainda mais essa questão.
Construir sobre a água significa abrir mão de uma parte da construção que é, literalmente, a base da maior parte do nosso ambiente construído: a própria fundação. Em um ambiente cercado por água, as correntes e a oscilação do nível da superfície são variáveis que simplesmente não podem ser ignoradas, e justamente por isso a característica mais emblemática comum a esses projetos é a sua adaptabilidade.
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) registra que mais de um décimo da população global, cerca de 800 milhões de pessoas, pratica a agricultura urbana em todo o mundo. Nos Estados Unidos, milhões de cidadãos enfrentam dificuldades de acesso a supermercados. Os agricultores urbanos desempenham um papel crucial ao abordar questões de segurança alimentar nas cidades americanas.
A distância entre áreas rurais e urbanas nunca foi tão grande, tornando as fontes de alimentos tradicionalmente rurais inacessíveis. Inicialmente, as cidades se desenvolviam em torno de mercados centralizados que traziam produtos das áreas agrícolas para os centros urbanos. Hoje, a agricultura urbana está revitalizando essa conexão entre os habitantes das cidades e os produtos agrícolas.
Image created using AI under the prompt: An emotive and detailed illustration of the texture of various types of architectural insulation. Image via DALL.E 2
Embora mais relacionada a aspectos evolutivos do que à própria arquitetura, a fragilidade física inerente aos seres humanos tem exigido, desde os tempos pré-históricos, que protejamos nossos corpos e nossos edifícios dos elementos externos. Como exemplo, começando com as cabanas primitivas utilizadas nas primeiras formas de arquitetura doméstica, peles foram empregadas como cobertura externa para restringir o fluxo de ar e, consequentemente, regular o ambiente interior.
Posteriormente, observamos uma evolução que mostra claramente avanços nas técnicas de isolamento, passando de materiais vernaculares como o adobe até um aumento na espessura das paredes usando pedra ou tijolo, finalmente chegando às paredes de cavidade desenvolvidas no século XIX, que deixavam uma pequena câmara de ar entre uma face exterior e interior da parede. Sua posterior popularização levou à introdução de isolamento térmico entre ambas as faces, um sistema que é amplamente reconhecido e utilizado atualmente e que lançou as bases para futuros desenvolvimentos nesse campo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1010629/explorando-a-evolucao-dos-materiais-isolantes-na-arquiteturaEnrique Tovar
Em 30 de novembro teve início em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a COP28, a cúpula climática da ONU. O evento consiste no encontro anual de governos nacionais e tem como objetivo de estabelecer estratégias para limitar a extensão da crise climática e seus efeitos adversos. A cúpula do ano passado definiu várias medidas importantes, incluindo a promessa de um fundo global destinado a fornecer ajuda financeira a países em desenvolvimento afetados por desastres climáticos.
O propósito principal da COP é reforçar os compromissos do Acordo de Paris, assinado em 2015, que busca manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5ºC. Como a indústria da construção é responsável por 39% das emissões globais, a arquitetura desempenha um papel vital na redução da pegada de carbono, tornando a COP28 um evento crucial para os arquitetos.