O formato do livro mais recente de Blair Kamin, Who Is the City For?, difere um pouco das compilações convencionais. Kamin agrupa suas colunas por temas (todas as 55 foram publicadas no Chicago Tribune no período em que atuava na crítica de arquitetura) e, na maioria das vezes, acrescenta um pós-escrito que atualiza ou reformula a história diante do nosso atribulado novo normal. Um dos temas recorrentes, tanto nos textos originais quanto nos pós-escritos, é a questão da equidade no design. À medida que a desigualdade de renda, o racismo sistêmico e a crise climática assumiram o centro dos debates culturais e políticos, a equidade tornou-se o prisma crítico essencial para grande parte da crítica de design. Em nossa conversa recente, Kamin defendeu uma definição mais ampla para o termo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140758/blair-kamin-sobre-a-reformulacao-da-questao-crucial-da-equidade-no-designMartin C. Pedersen
A história urbana de Chicago é uma saga dinâmica de inovação, resiliência e maestria arquitetônica. Desde seus primórdios como um movimentado centro comercial às margens do Lago Michigan até sua transformação em uma metrópole global, a "Cidade dos Ventos" tem se reinventado continuamente. Eventos icônicos, como o Grande Incêndio de 1871, catalisaram uma onda de engenhosidade arquitetônica e, hoje, profissionais da arquitetura contemporânea — como a própria Jeanne Gang e o escritório SOM — continuam a moldar seu horizonte com projetos inovadores, enquanto propostas sustentáveis e o reuso adaptativo de edifícios históricos demonstram o compromisso da cidade em conciliar patrimônio com um desenvolvimento urbano voltado para o futuro. Seja pela elegante Aqua Tower ou pelo vibrante Riverwalk, Chicago se mantém como uma prova viva das infinitas possibilidades da inovação e do design urbano.
Uma das conquistas mais notáveis da cidade é o seu papel como berço do arranha-céu. No final do século XIX, nomes da arquitetura como Louis Sullivan e Daniel Burnham foram pioneiros no uso de estruturas de aço, permitindo que os edifícios atingissem alturas sem precedentes. Essa inovação não apenas transformou a silhueta de Chicago, mas também estabeleceu um precedente para centros urbanos em todo o mundo, posicionando a cidade como líder global em design arquitetônico.
A maneira como percebemos o espaço é um aspecto crucial da arquitetura e do design de interiores, influenciando profundamente nossa interação com o ambiente. Nesse sentido, a percepção espacial é moldada por elementos como a disposição do mobiliário, a iluminação, as escolhas de cores e os materiais. Estes últimos são particularmente significativos, pois um mesmo material pode ser empregado de diversas maneiras, resultando em atmosferas com características únicas.
O revestimento canelado é um excelente exemplo do potencial de variação no uso de materiais. Trata-se de superfícies de MDF fresadas com um padrão linear projetado para decorar paredes e tetos internos. Podem ser aplicados em diversas superfícies, embora devam ser utilizados apenas em áreas livres de umidade. O sistema destaca-se por sua capacidade de acentuar o espaço por meio de diferentes configurações. Dependendo de sua disposição e do tipo de canelado, essas configurações podem modificar a experiência espacial ao destacar, direcionar, envelopar e equilibrar visualmente residências, escritórios, espaços comerciais e outros ambientes.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140742/como-usar-revestimento-canelado-em-paredes-internasEnrique Tovar
Na sexta-feira, 26 de julho, Paris deu início aos tão aguardados Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Localizado no distrito de Seine-Saint-Denis, o escritório Dominique Perrault Architecture projetou o masterplan da Vila dos Atletas. Com 2.400 unidades residenciais e 119.000 metros quadrados dedicados a diversas atividades, escritórios e serviços, este masterplan tornou-se uma parte significativa do legado dos Jogos de Paris.
Vencer desníveis com conforto e aproveitar o espaço de forma eficiente é a principal função das escadas. Sua invenção não é atribuída a um único indivíduo ou civilização específica, tendo evoluído de forma independente em várias culturas ao longo da história. As primeiras evidências de escadas são encontradas na antiga Mesopotâmia, no Egito e na civilização do Vale do Indo, com exemplos notáveis como os zigurates da Mesopotâmia e a Grande Pirâmide de Gizé. Os gregos e romanos refinaram ainda mais o design e, durante o período medieval, as escadas em caracol eram comuns nos castelos por suas funções defensivas. O Renascimento trouxe exemplos ainda mais elaborados e decorativos, feitos de pedra, mármore e, mais tarde, de ferro e aço. Na era moderna, surgiram inovações com concreto e componentes pré-fabricados, refletindo avanços nos materiais e na engenharia. As escadas flutuantes, por exemplo, tornaram-se uma tendência ao ampliar visualmente o espaço e melhorar a iluminação natural do ambiente. Elas se caracterizam por um design elegante e minimalista, no qual os degraus parecem flutuar no ar sem suportes visíveis, sendo fixados em uma única parede.
Naturalmente, uma densidade populacional mais elevada evita a formação de cidades-fantasma e comércios abandonados, que podem se tornar focos de criminalidade. No entanto, essas visões positivas sobre ambientes residenciais densos costumam basear-se em premissas otimistas sobre o urbanismo, como o atrito mínimo entre indivíduos, facilidade de manutenção da higiene e a geração espontânea de diversidade.
O marco urbano do Pireu, localizado no coração do maior porto de passageiros da Europa, teve sua construção iniciada em 1972, mas permaneceu inacabado e desocupado por décadas. Finalmente concluído em 2023, após um concurso internacional, ele agora se ergue como o primeiro arranha-céu verde e digital da Grécia. O escritório de arquitetura PILA assumiu o projeto das fachadas, enquanto o escritório ASPA-KST projetou os espaços comerciais, e o novo estudo arquitetônico geral foi confiado à Betaplan. Após mais de quatro anos de reformas, a Torre do Pireu abriu oficialmente suas portas para ocupantes e visitantes no dia 4 de junho com uma noite de celebrações, consolidando-se como um polo dinâmico e injetando vitalidade na região.
Durante décadas, a indústria da construção seguiu um ritmo familiar: o projeto vinha primeiro, os materiais vinham depois. A necessidade urgente de edifícios sustentáveis quebrou essa rotina. A seleção de materiais já não é uma consideração tardia, mas sim uma decisão crítica tomada logo no início, com potencial para reduzir drasticamente a pegada ambiental de um projeto. Essa mudança é ainda mais crucial diante do apetite da indústria da construção por matérias-primas — impressionantes 3 bilhões de toneladas extraídas anualmente. Para navegar por esse novo cenário, as bibliotecas de materiais digitais e as avaliações orientadas por dados surgem como ferramentas poderosas, criando uma cultura na qual a materialidade assume o papel central para moldar um ambiente construído mais sustentável.
O fluxo incessante de desastres climáticos nas manchetes — ondas de calor escaldante, incêndios florestais devastadores, enchentes históricas, secas paralisantes — já não representa uma mera sucessão de anomalias. Como uma nova e sombria realidade em grande parte do planeta, esses eventos climáticos extremos, impulsionados pelas mudanças climáticas causadas pela ação humana, estão se tornando mais frequentes e severos. Em suma, são sintomas evidentes de uma crise ambiental mais ampla e generalizada.
Hoje, a arquitetura e o design não se limitam à expansão urbana ou ao foco exclusivo no projeto espacial; pelo contrário, envolvem a integração de diversos elementos e ideologias que enriquecem o trabalho e o ambiente. É nesse contexto que se insere o "FOAID - Festival of Architecture and Interior Designing", que celebra um legado de 11 anos. O evento reúne tudo: arquitetos/as, designers, marcas, artistas e inovadores de todo o país e do mundo, unidos em uma única plataforma. Com mais de 10.000 visitantes, o evento teve como objetivo dinamizar o universo do design — conectado, mas ao mesmo tempo fragmentado —, apresentando técnicas de vanguarda e celebrando o legado de nomes consagrados e talentos emergentes da comunidade. Além disso, promoveu oportunidades de networking interdisciplinar, fortalecendo o impacto da comunidade arquitetônica na sociedade. Em parceria com CNBC TV18, o evento marcou sua presença marcante em Nova Déli, nos dias 22 e 23 de novembro, no NSIC Ground, e em Mumbai, de 20 a 21 de dezembro, no Jio Convention Centre.
Um relatório recente vindo da Nigéria, elaborado pelo Ministério da Agricultura, prevê que pelo menos 31,5 milhões de pessoas possam enfrentar uma crise alimentar e nutricional entre junho e agosto deste ano. Estes dados alarmantes evidenciam a gravidade da crise de abastecimento que tem escalado progressivamente nos últimos anos. A alta dos preços de frutas e legumes e a consequente escassez nos mercados locais já são evidentes, à medida que alimentos básicos desaparecem das mesas. Essa situação projeta um futuro sombrio para o país, onde a maior parte da população já luta para garantir o sustento básico, mesmo em períodos mais favoráveis.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140708/agricultura-urbana-um-caminho-sustentavel-para-superar-a-crise-alimentar-em-curso-na-nigeriaMathias Agbo, Jr.
Na Cidade do México, a icônica Casa Praxis(1975), projetada pelo renomado escultor, poeta e arquiteto mexicano Agustín Hernández Navarro, tornou-se o palco principal de "El Luchador" (O Lutador), um curta-metragem produzido pela Simon edirigido pelo escritório RA! Arquitectos ao lado dos cineastas René Batista e Tito Sánchez. O filme marca o lançamento da 5ª edição do Living Places-Simon Architecture Prize. A Simon, empresa familiar centenária especializada em iluminação, energia e gestão de espaços, é reconhecida globalmente por seu compromisso com a excelência arquitetônica.
A história do filme acompanha a jornada de um jovem sonhador que entra na casa para viver sua maior fantasia: tornar-se um lutador, enquanto enfrenta acontecimentos inesperados. O curta destaca o poder dos espaços oníricos de realizar os desejos de seus habitantes, ilustrando que, por trás de cada espaço habitado, existe um/a arquiteto/a com uma história para contar.
Após um concurso internacional, o escritório Caruso St John Architects foi selecionado para renovar a icônica Kunsthalle Bielefeld, no noroeste da Alemanha. Projetada por Philip Johnson e concluída em 1968, a estrutura é o único museu de Johnson na Europa. Apesar de esforços anteriores de manutenção, o edifício permanece praticamente inalterado em relação ao seu estado original. A renovação visa modernizar a infraestrutura, o exterior e as áreas internas do museu.
A arquitetura é fruto da paixão, que muitas vezes se transforma em uma jornada de descobertas para toda a vida. Seja investigando lugares, materiais, técnicas, estilos ou programas, nossa série de entrevistas tem revelado trajetórias individuais que evidenciam as múltiplas facetas da arquitetura. Um de nossos principais focos tem sido a Indonésia, onde encontramos uma nova geração de arquitetos/as que enfrentam os desafios de um dos maiores países do mundo, impulsionando uma inovação intrinsecamente conectada a uma natureza sempre presente e a uma cultura singular.
Projeto vencedor do Prêmio de Mérito de Tese de Pós-Graduação 2023 por Mackenzie Champlin com o orientador Ramiro Diaz Granados
Há mais de 50 anos, o SCI-Arc impulsiona estudantes a conduzirem a liderança do design em novas direções. Reconhecido por sua abordagem de vanguarda e por seu compromisso em desafiar os limites da arquitetura, o programa de Mestrado em Arquitetura 1 (M.Arch 1) do SCI-Arc exemplifica essas qualidades por meio de um currículo estruturado de forma singular e voltado para o futuro. Ao promover a competência técnica e o discurso crítico, o programa M.Arch 1 projeta seus/suas egressos/as para o sucesso duradouro não apenas na arquitetura, mas também em setores criativos de ponta, como inteligência artificial, jogos digitais, realidade virtual e construção de mundos cinematográficos.
O Museum of Architectural Drawing apresenta “Lina Bo Bardi - The Poetry of Concrete,” uma exposição com 40 desenhos da prestigiada arquiteta Lina Bo Bardi, destacando seu legado arquitetônico. Apresentadas juntas pela primeira vez na Europa, essas obras incluem croquis e projetos, fotografias dos edifícios da arquiteta e ilustrações. Sediada em Berlim, na Alemanha, a exposição foi aberta em 31 de maio de 2024 e segue em cartaz até 22 de setembro de 2024.
David Basulto é o nome por trás de um dos veículos de comunicação mais importantes e influentes para entusiastas da arquitetura em todo o mundo – o ArchDaily. Fundado em 2008, o portal tornou-se parte integrante do cotidiano de arquitetos/as, designers de interiores e entusiastas do design. No Salone del Mobile deste ano, Basulto visitou o estande da OMNIRES, uma das principais fabricantes do setor de banheiros na Europa. Durante nossa visita ao estande da marca polonesa estreante em Milão, conversamos com representantes da OMNIRES sobre as últimas tendências, inovações e desafios enfrentados pelo mundo da arquitetura.
O compromisso global com as emissões líquidas zero e a mitigação das mudanças climáticas impõe um desafio monumental para a construção civil — um setor que atualmente gera quase 40% das emissões mundiais de CO₂ e cujo índice deve continuar crescendo. Adotar práticas sustentáveis é crucial para melhorar as condições ambientais, e entre os principais objetivos estão otimizar o conforto térmico e reduzir o consumo de energia nas edificações. Como alcançar esse objetivo senão por meio do aprendizado conjunto e da troca de conhecimentos entre diferentes profissionais e trabalhadores do setor?
Existem certos materiais que oferecem múltiplas formas de uso, e um deles é a madeira. Este material nobre pode adotar diversos papéis: na tectônica como elemento estrutural, nos acabamentos como revestimento de pisos, ou inclusive como elemento funcional e decorativo em forma de mobiliário. Dependendo de sua aplicação, a madeira adquire uma narrativa distinta. No projeto de fachadas, sua integração confere um caráter particular, pois, além de contribuir para a identidade e a estética do edifício, também desempenha um papel crucial em sua funcionalidade.
Quando falamos de fachadas e madeira, os brises e o padrão ripado são elementos recorrentes. Através deste conceito — em contraste com os sistemas modulares —, é possível criar combinações personalizáveis para cada projeto, o que transmite uma beleza artesanal única, de acordo com o desenho planejado para seu uso. Além disso, a madeira oferece características notáveis em termos de sustentabilidade, controle solar, resistência às intempéries e eficiência energética. Juntas, essas qualidades permitem que a fachada funcione como uma interface dinâmica entre o interior e o exterior, mediando também a luz e a sombra, bem como as vistas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140749/a-beleza-artesanal-do-ripado-resistencia-estetica-e-controle-solar-em-fachadasEnrique Tovar
Banyan Tree Hotel AlUla por AW2 - Architecture & Interiors. Imagem cortesia de Architecture and Design Commission
O Prêmio da Carta do Rei Salman para Arquitetura e Urbanismo é uma iniciativa concebida para reconhecer e celebrar a excelência arquitetônica alinhada aos valores da Carta na Arábia Saudita. Criado para homenagear a visão do Rei Salman, o prêmio promove o design de alta qualidade ao incentivar profissionais de arquitetura e design a integrarem os princípios da Carta em seus trabalhos.
Para aproveitar o patrimônio histórico de Paris e, ao mesmo tempo, minimizar o impacto dos Jogos Olímpicos, a organização de Paris 2024 planejou um conjunto de arenas e instalações temporárias para sediar diversas competições importantes, que serão desmontadas após o encerramento do evento. Apenas uma arena esportiva foi construída especificamente para os Jogos Olímpicos de 2024, o Centro Aquático de Paris, já que a cidade busca aproveitar ao máximo sua infraestrutura esportiva existente, garantindo uma pegada ecológica menor em comparação com edições anteriores. Além das arenas permanentes, os principais locais temporários incluem o Trocadéro, a Torre Eiffel, o Champ-de-Mars, a Esplanade des Invalides, a Ponte Alexandre III, a Place de la Concorde e a Place de l’Hôtel de Ville, além de arquibancadas adicionais ao longo do Sena para a Cerimônia de Abertura.
A montagem e a desmontagem dessas estruturas temporárias seguirão uma abordagem em etapas para minimizar transtornos. O cronograma geográfico preservará as faixas de tráfego e o acesso aos espaços públicos, enquanto o cronograma temporal ativará e desativará gradualmente as áreas de competição para limitar o impacto das obras e restaurar rapidamente os locais após o término dos Jogos. Essas medidas estão alinhadas ao compromisso de Paris 2024 de realizar um evento responsável e respeitoso, preservando o patrimônio urbano e natural da cidade.
A exploração espacial não é apenas um testemunho da ambição humana ou uma busca por novos territórios e recursos. Nossas incursões além da atmosfera terrestre são movidas por um propósito mais profundo: compreender melhor nosso lugar no cosmos e desenvolver inovações pioneiras capazes de transformar a vida em nosso próprio planeta.
Iluminación sostenible y cumplimiento de la Norma DS1 en proyecto en Colcura, Chile. Image Cortesía de Schréder
A iluminação pública desempenha um papel fundamental nas cidades modernas e evoluiu consideravelmente ao longo da história. Na Antiga Grécia e em Roma, métodos rudimentares como tochas e lamparinas a óleo iluminavam algumas ruas. Durante a Idade Média, castelos e ruas de cidades europeias utilizavam lanternas a óleo e, posteriormente, velas. Um avanço significativo ocorreu com a invenção da lâmpada a gás no final do século XVIII, que foi utilizada pela primeira vez para iluminação pública em Londres em 1807, melhorando la visibilidade nas ruas e contribuindo para a redução da criminalidade. A invenção da lâmpada elétrica por Thomas Edison em 1879 revolucionou a iluminação pública, e as lâmpadas incandescentes começaram a substituir o gás, proporcionando uma iluminação mais eficiente e segura.