Há algo de surpreendente no centro de comando do maior empreendimento imobiliário privado dos Estados Unidos, o Hudson Yards: ele é, na verdade, bastante monótono. A sala — tecnicamente conhecida como Centro de Controle de Energia (ECC, na sigla em inglês) — abriga duas longas mesas repletas de computadores, alguns monitores de TV fixados na parede e um quadro de cortiça cheio de crachás da equipe. O teto é modulado; a iluminação, fluorescente. No entanto, o Hudson Yards, em Nova York, foi anunciado no passado como a primeira “comunidade quantificada” do país: uma rede de sensores coletaria dados sobre a qualidade do ar, níveis de ruído, temperatura e fluxo de pedestres. Isso criaria um ciclo de feedback para as incorporadoras, ajudando-as a monitorar e melhorar a qualidade de vida local. Onde está, então, o centro de controle digno da NASA? A coleta de dados e a infraestrutura avançada ainda orientarão parte das operações do Hudson Yards, mas não (ainda) da maneira inicialmente prometida.
O escritório Svigals + Partners projetou um Jardim Memorial em homenagem às vítimas da violência armada em New Haven, Connecticut. Desenvolvida em colaboração com uma parceria de mães engajadas, a iniciativa surgiu a partir dos esforços de Marlene Miller Pratt, professora de New Haven cujo filho de 18 anos foi assassinado em 1988.
Atuando de forma pro bono desde abril de 2018, a equipe do escritório Svigals + Partners projetou o jardim para ser ladeado por blocos de pedra gravados e sinos de vento instalados em postes de iluminação. Antes de culminar em uma praça circular serena e protegida, o projeto conduz os visitantes por uma escultura original intitulada “The Lost Generation” (A Geração Perdida). À medida que se caminha pelo local, a escultura revela e oculta figuras humanas abstratas, dependendo do ponto de vista do observador.
https://www.archdaily.com.br/pt/1071052/svigals-plus-partners-projeta-memorial-as-vitimas-da-violencia-armada-em-connecticutNiall Patrick Walsh
A Harvard Graduate School of Design (GSD) relançou o seu curso on-line gratuito intitulado "A Imaginação Arquitetônica" (The Architectural Imagination). Dirigido por K. Michael Hays, professor de Teoria Arquitetônica Eliot Noyes na instituição, o programa tem como objetivo ensinar estudantes a "compreender a arquitetura como uma expressão cultural e, ao mesmo tempo, uma realização técnica".
Com duração de 10 semanas, o curso gratuito ficará disponível até julho de 2019 na edX, uma plataforma de cursos on-line abertos e massivos (MOOC) criada em conjunto por Harvard e pelo MIT. Durante as aulas, estudantes irão se aprofundar no contexto social e histórico por trás de importantes obras arquitetônicas, nos princípios básicos de desenho e produção de maquetes, além de conteúdos relacionados à pesquisa acadêmica e à carreira profissional em arquitetura.
https://www.archdaily.com.br/pt/1070407/harvard-gsd-lanca-curso-online-gratuito-the-architectural-imagination-para-compreender-a-arquitetura-sob-a-otica-da-expressao-cultural-e-das-realizacoes-tecnicasNiall Patrick Walsh
O projeto de expansão do Norton Museum of Art, projetado pelo escritório Foster + Partners, celebrou sua inauguração no último fim de semana em West Palm Beach, na Flórida. Dois anos após o início das obras, o museu abre suas portas ao público, apresentando uma nova identidade voltada para a rua com um hall de entrada transparente. A proposta preserva a ala leste do museu, construída em 1941, e a lógica espacial do plano original do arquiteto Marion Sims Wyeth. O projeto visa transformar o edifício existente em um destino cultural de nível internacional inserido em jardins subtropicais.
O arquiteto dinamarquês e sócio-fundador do CEBRA, Mikkel Frost, apresentou uma palestra no TEDx defendendo a relevância do desenho à mão em um mundo cada vez mais virtual. Intitulada “Deixe seus dedos falarem”, a palestra apresenta o desenho à mão “não como um substituto dos renders, mas sim como um complemento dinâmico e mais aberto às visualizações realistas.”
Durante a palestra, Frost explica a inspiração por trás de seu estilo de desenho, originada em parte do universo dos cartuns, onde as mensagens são transmitidas com humor, poucas palavras e expressões simples. Como parte central do processo de projeto de todos os trabalhos do CEBRA, Frost descreve o desenho à mão como uma linguagem visual de fácil compreensão, aberta e menos definitiva do que as visualizações hiper-realistas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1070847/palestra-tedx-do-fundador-do-cebra-mikkel-frost-demonstra-o-poder-do-desenho-a-maoNiall Patrick Walsh
À medida que o varejo migra cada vez mais para o ambiente on-line, vitrines vazias tornaram-se uma cena onipresente em cidades e vilas americanas. Muitas vezes localizadas em imóveis outrora nobres no centro das cidades, essas janelas escuras geram um efeito cascata, minando a vitalidade urbana e, por vezes, levando à deterioração física dos locais. Embora as discussões sobre o declínio de shoppings e espaços de varejo tradicionais continuem ativas, fica claro que uma solução única para todos não é a resposta neste caso.
O escritório Farshid Moussavi Architecture venceu o concurso para projetar o primeiro Centro Ismaili nos Estados Unidos. A ser construído em Houston, no Texas, em um terreno de 11 acres ao longo do Buffalo Bayou, o projeto será desenvolvido em parceria com AKT II, Nelson Byrd Woltz Landscape Architects e DLR Group. A equipe superou concorrentes de peso como David Chipperfield Architects, OMA e Studio Gang. Sendo o sétimo centro construído no mundo, o edifício será um espaço cultural e religioso para a comunidade muçulmana Ismaili de Houston.
Cinco projetos foram selecionados como finalistas do Prêmio de Arquitetura Contemporânea da União Europeia (Prêmio Mies van der Rohe) 2019, concedido conjuntamente pela Comissão Europeia e pela Fundação Mies van der Rohe. O ArchDaily é parceiro de mídia da premiação, que ocorre a cada dois anos com o objetivo de reconhecer a excelência em termos “conceituais, sociais, culturais, técnicos e construtivos” em projetos europeus.
https://www.archdaily.com.br/pt/1070470/anunciados-os-cinco-finalistas-do-premio-mies-van-der-rohe-2019Katherine Allen
Nova York ganhou fama por suas torres monumentais graças a tecnologias de engenharia sem precedentes e à política de direito ao espaço aéreo de Nova York, que permite que incorporadoras adquiram o espaço aéreo vizinho não utilizado e construam grandes estruturas sem qualquer tipo de análise pública prévia. Mas como esses arranha-céus superaltos estão sendo acomodados? Por meio da substituição de antigas estruturas existentes. Essa lógica de "sai o velho, entra o novo" não surpreende, já que a "selva de concreto" está sendo gradualmente eliminada para dar espaço a uma selva ainda maior.
As renderizações hiper-realistas que previam o horizonte de Nova York em 2018 estão ganhando vida à medida que a riqueza da cidade se manifesta fisicamente na próxima geração de arranha-céus. Assim como a geração millennial e sua capacidade de acabar com indústrias inteiras sozinha, continuamos obcecados pelos superaltos: quão altos, quão caros, quantos recordes batidos? A obsessão por essa tipologia se concentra em seu caráter burguês e excessivo, mas — pelo menos entre arquitetos e arquitetas — raramente leva em conta os processos que possibilitam esse fenômeno.
Minsheng Museum of Modern Art / Studio Zhu Pei. Imagem cortesia de Studio Zhu Pei
Desde o início dos anos 2000, a China vem surpreendendo o mundo como o cenário ideal para as criações mais ousadas de arquitetos e arquitetas de prestígio internacional. Isso ainda acontece, mas o elemento surpresa desapareceu e, com a crescente preocupação em construir de forma mais pragmática, eficiente e, acima de tudo, responsável, tornamo-nos muito mais críticos em relação a esses edifícios espetaculares. O cenário mudou: hoje em dia, é a arquitetura produzida localmente, com humildade e relevância social, que atrai as atenções. Em nenhum outro lugar esse processo é tão evidente quanto na China, onde os projetos liderados por talentos locais representam, de longe, a arquitetura mais relevante e significativa sendo construída no país atualmente.
A cada ano, surgem novas ferramentas e técnicas para aprimorar e acelerar a visualização arquitetônica. Os últimos anos têm sido especialmente estimulantes devido aos avanços nos aplicativos de renderização em tempo real. Quando combinada a tecnologias de suporte, como óculos de realidade virtual, projetores e placas de vídeo, a renderização fotorrealista em tempo real coloca ao nosso alcance mídias de visualização dinâmicas e impressionantes — como mundos de realidade mista e aumentada, configuradores interativos e apresentações semelhantes a jogos —, permitindo que profissionais de arquitetura e design contem suas histórias de forma verdadeiramente expressiva.
https://www.archdaily.com.br/pt/1071549/tendencias-em-visualizacao-de-arquitetura-2019-storytelling-com-novas-midiasSponsored Post
Memorial Nacional do Holocausto e Centro de Aprendizagem. Imagem Cortesia de Adjaye Associates
O novo Memorial do Holocausto do Reino Unido, projetado por Adjaye Associates e Ron Arad Architects, está enfrentando críticas quanto à sua localização por parte de moradores/as locais e da Royal Parks. Uma solicitação para a construção do memorial e do centro de aprendizagem está em análise pelo Conselho Municipal de Westminster, e um abaixo-assinado que pede a preservação da área verde já conta com a assinatura de mais de 11 mil pessoas. Planejado para os Victoria Tower Gardens, às margens do Rio Tâmisa e próximo ao Parlamento britânico, o projeto foi concebido para ser dedicado aos 6 milhões de homens, mulheres e crianças de origem judaica, além de outras vítimas assassinadas pelos nazistas.
As torres Grand Avenue, projetadas por Frank Gehry, tiveram suas obras oficialmente iniciadas no centro de Los Angeles. Após mais de uma década de desenvolvimento, o projeto foi concebido a partir de um núcleo comercial central que se desdobra em duas torres escalonadas, combinando comércio, lazer e residências. O complexo de US$ 1 bilhão tem como objetivo transformar a Grand Avenue em um distrito de entretenimento completo. Concebido como uma parceria público-privada, o empreendimento é considerado o ponto culminante da iniciativa de revitalização da Grand Avenue (Grand Avenue Redevelopment) para completar o principal corredor cultural do centro da cidade.
No projeto da “Stump House,” situada nas montanhas de Santa Cruz, na Califórnia, o escritório PARA Project, com sede no Brooklyn, deparou-se com restrições e possibilidades únicas. Com as regulamentações locais impondo um limite de projeção de implantação de 1.200 pés quadrados (cerca de 111 m²), limite de altura de 40 pés (cerca de 12 metros) e a previsão de uma estrutura anexa não habitável de 1.000 pés quadrados (cerca de 93 m²), a equipe de projeto enfrentou o desafio de acomodar um amplo programa de moradia e trabalho com pouca margem de manobra.
Em resposta, a equipe de projeto, liderada por Jon Lott, sobrepôs as estruturas, inserindo um ateliê de arte não habitável no nível inferior, semi-enterrado no terreno inclinado. Integrada ao espaço residencial logo acima, a proposta reúne o programa de moradia e trabalho sob uma única cobertura, respeitando as normas locais de altura e uso. Graças à engenhosidade dessa solução, a Stump House recebeu uma Menção Honrosa no 2019 Architect Magazine Progressive Architecture Awards.
https://www.archdaily.com.br/pt/1118771/a-stump-house-oferece-um-espaco-lirico-e-pragmatico-de-moradia-e-trabalho-nas-montanhas-da-californiaNiall Patrick Walsh
O escritório Schmidt Hammer Lassen divulgou os detalhes de seu segundo projeto nos Estados Unidos: o Seaport World Trade Center em Boston, Massachusetts. Sendo um projeto de reutilização adaptativa que trará nova vida ao Commonwealth Pier de Boston, o empreendimento de uso misto de 68.500 metros quadrados busca reativar um histórico polo marítimo para criar um novo destino à beira-mar.
Considerado o maior edifício sobre píer do mundo quando concluído em 1901, o Commonwealth Pier será reativado por meio da introdução de novos materiais, maior entrada de luz natural e novos pontos de conectividade. A proposta de reutilização adaptativa abrigará espaços de escritórios flexíveis, áreas dinâmicas para eventos, novos comércios, restaurantes e comodidades públicas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1071514/schmidt-hammer-lassen-revitaliza-o-commonwealth-pier-de-boston-por-meio-do-reuso-adaptativoNiall Patrick Walsh
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Light Up, de NH Architecture, Ark Resources, John Bahoric Design e estudantes de arquitetura da RMIT, é o projeto vencedor do concurso de design do Land Art Generator Initiative de 2018 para Melbourne, gerando 2.220 MWh de energia limpa.
O concurso LAGI 2019 oferece a designers e profissionais criativos/as a oportunidade de reimaginar a infraestrutura energética e demonstrar a beleza de um mundo 100% renovável.
Situado em um vale ao norte de Pequim, um edifício que em breve estará concluído parecerá ter sempre estado ali, ou ter surgido e brotado da paisagem rochosa circundante. A Chapel of Sound, projetada pelo escritório OPEN Architecture em Chengde, na China, foi recentemente reconhecida no 66º Progressive Architecture (P/A) Awards, selecionada como um dos dez projetos a receber a premiação. O prêmio P/A Awards foca em trabalhos inovadores e em andamento que promovem novas maneiras de pensar a arquitetura. A Chapel of Sound destacou-se pela criação de um ambiente inédito e progressivo, além de propor uma nova leitura de uma tipologia consagrada.
O escritório Rogers Stirk Harbour + Partners obteve aprovação para a proposta de ampliação e reforma completa da prefeitura de Hammersmith (Hammersmith Town Hall), um edifício tombado como patrimônio de Grau II em Londres. Realizado em parceria com o Conselho de Hammersmith & Fulham e com os parceiros comerciais da a2Dominion, o projeto busca promover a “criação de um novo empreendimento cívico de uso misto de alta qualidade” a partir da estrutura histórica.
Com a demolição de um anexo da década de 1970, a proposta criará uma nova praça pública que valoriza o entorno da prefeitura existente, restabelecendo sua presença na King Street. As principais alterações buscam valorizar o edifício original por meio de uma ampliação na cobertura em formato de caixa de vidro, que abrigará escritórios do conselho municipal.
https://www.archdaily.com.br/pt/1118686/rogers-stirk-harbour-plus-partners-obtem-aprovacao-para-a-reforma-do-hammersmith-town-hall-em-londresNiall Patrick Walsh
O escritório de arquitetura White Arkitekter desenvolveu um “sofá” de 65 metros de comprimento para a Praça Forumtorget em Uppsala, na Suécia. Projetado para oferecer espaço de descanso e interação social, o assento linear ao ar livre é a peça central de uma revitalização mais ampla da praça. O projeto visa atrair mais visitantes para a Forumtorget e seu entorno comercial, reforçando o caráter do local como ponto de encontro.
Sir Nicholas Grimshaw foi anunciado recentemente como o vencedor da Medalha de Ouro de 2019 do Royal Institute of British Architects (RIBA). A honraria, aprovada pessoalmente por Sua Majestade, a Rainha, é concedida em reconhecimento à trajetória profissional em arquitetura. Grimshaw é amplamente conhecido por seus edifícios públicos modernistas e projetos de grande escala em infraestrutura urbana ao redor do mundo.
O ensino de arquitetura sempre foi fundamentalmente influenciado pelos estilos populares de cada época, mas essa relação também flui na direção oposta. Afinal, todos os estilos precisam surgir em algum lugar, e escolas revolucionárias ao longo dos séculos funcionaram como influenciadoras e geradoras de seus próprios movimentos arquitetônicos. Essas escolas, progressistas em seus tempos, costumam ser fundadas por mentes experimentais descontentes, em busca de algo que não era oferecido anteriormente nem na produção nem no ensino da arquitetura. Em vez disso, trilham seu próprio caminho e levam seus estudantes consigo. À medida que esses/as estudantes se formam e seguem para a prática profissional ou se tornam docentes, a influência da escola se propaga e um novo movimento nasce.