Painéis de parede de palha. Imagem cortesia de EcoCocon
Durante muito tempo, a indústria da construção civil seguiu um processo linear: extrair matérias-primas, construir estruturas, demoli-las e, por fim, descartar os resíduos em aterros sanitários. Essa abordagem gera graves impactos negativos sobre o meio ambiente e a sociedade, sendo inerentemente insustentável. Repensar os métodos e fluxos de trabalho tradicionais exige o apoio de todas as partes interessadas e um senso de urgência manifestado pelas autoridades. Nos Estados Unidos, administrações municipais começaram a implementar novas políticas para evitar que os resíduos da construção civil parem em aterros e para apoiar práticas circulares. Diversas cidades, como Seattle e Pittsburgh, começaram a adotar decretos de desconstrução que exigem que edifícios mais antigos sejam cuidadosamente desconstruídos em vez de demolidos. De que maneira suas principais diretrizes podem influenciar as práticas circulares no país?
Riverside Art Studio por Patrizio Maria Puppo & Martina Di Marco (Vencedor). Imagem cortesia de Dar[e]-Europe
O Polo Sustentável em Sevilha surgiu como um conceito inovador por meio de um concurso aberto de ideias de projeto sustentável passivo, lançado em outubro de 2023, com propostas recebidas até fevereiro de 2024. Liderado pela Dar[e]-Europe, uma renomada empresa de pesquisa sediada em Sevilha, Espanha, o concurso teve como objetivo fomentar soluções de design sustentável e, ao mesmo tempo, promover o conforto do público usuário, com dependência mínima de fontes de energia não renováveis e baixo impacto ambiental.
O estúdio alemão de arquitetura e design Beta Realities desenvolveu a iniciativa “Collective Parts”, uma plataforma de projeto e tecnologia voltada a viabilizar a construção de habitações acessíveis impressas em 3D. O projeto foi reconhecido como um dos vencedores do Initiative99, promovido pela ICON, um concurso global de arquitetura que visa repensar a habitação de interesse social construída por menos de US$ 99.000. Os demais premiados na categoria aberta são o MTspace Studio, da Nova Zelândia, e o For Everyday Life, do Reino Unido. O concurso também destaca as contribuições de estudantes em uma categoria separada, apresentando o projeto Casa Fami, do IAAC (Espanha), de Juan Felipe Molano (Colômbia) e de Victoria Roznowski (Alemanha).
Cortesia de Team Cobe | Futuro Parlamento Dinamarquês
O escritório de arquitetura Cobe acaba de revelar seu projeto vencedor para o futuro Parlamento dinamarquês em Copenhague. Com o objetivo de revitalizar o centro administrativo histórico da Dinamarca, o estúdio idealizou um espaço acolhedor e acessível, “onde todas as pessoas possam vivenciar a democracia de perto”. O projeto apresenta um centro de visitantes subterrâneo, que leva a instalações no Pátio do Parlamento, e um percurso interconectado que une edifícios históricos anteriormente utilizados pelo Arquivo Nacional Dinamarquês.
O que é a simetria na arquitetura? Por que ela é utilizada para projetar espaços? Que vantagens e desvantagens ela apresenta em relação a outras ferramentas de projeto, como a rotação, translação e/ou repetição? A arquitetura contemporânea evolui dia após dia, implementando diferentes estratégias para criar espaços habitáveis onde as pessoas possam realizar suas atividades cotidianas, atender às suas necessidades, entre outras funções. Considerando a simetria como um possível meio de organização, distribuição e movimento no plano, a arquitetura se expressa e se comunica em grande parte por meio de recursos gráficos (planimetrias, volumetrias, fotografias, etc.) em uma relação que busca a convivência harmoniosa, na maioria dos casos, entre espaços, proporções e escalas.
Durante séculos, os ambientes áridos solucionaram os problemas de iluminação, privacidade e calor por meio de um elemento marcante da arquitetura islâmica e árabe: o muxarabi. Feito com padrões geométricos tradicionalmente compostos por pequenas peças de madeira torneada, o muxarabi apresenta tramas em treliça que cobrem grandes superfícies. Tradicionalmente, era utilizado para captar o vento e proporcionar resfriamento passivo sob o calor seco do deserto no Oriente Médio. Frequentemente utilizado nas laterais de estruturas edificadas voltadas para a rua, o muxarabi abrigava jarros e bacias de água em seu interior para ativar o resfriamento evaporativo. O ar fresco da rua passava pela treliça de madeira, proporcionando circulação de ar para os/as ocupantes.
Semelhante ao jali indiano, essa linguagem vernacular também oferece um jogo dinâmico com a luz do dia, ao mesmo tempo em que mantém um certo nível de privacidade. Com origens que remontam ao Império Otomano, os painéis perfurados protegiam os/as ocupantes do sol, ao mesmo tempo que permitiam a entrada de luz natural em doses calculadas. Embora o muxarabi fosse uma marca registrada das linguagens arquitetônicas árabe e islâmica, foi apenas em 1987 que esse elemento arquetípico começou a surgir com uma aplicação contemporânea renovada.
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Cortesia de TRANSFER Architecture Video Award 2023
TRANSFER Architecture Video Award 2023 acabou de anunciar os trabalhos vencedores da edição deste ano da competição de curtas-metragens de arquitetura inovadora. Devido à alta qualidade e à diversidade das propostas, o júri decidiu premiar quatro trabalhos ex aequo e conceder duas menções honrosas.
A cerimônia do TRANSFER Architecture Video Award 2023 aconteceu no dia 22 de fevereiro em Lausanne, como parte do festival de cinema Écrans Urbains. É possível assistir aosvídeos vencedores, finalistas e selecionadosnaTRANSFER.
A Black Females in Architecture (BFA) é uma empresa social que apoia uma rede de mais de 450 mulheres negras em profissões do ambiente construído em todo o mundo. Fundado pelas arquitetas Neba Sere, Selasi Setufe e Akua Danso, o grupo defende a diversidade e a equidade racial e de gênero em todos os setores do ambiente construído, incluindo arquitetura, urbanismo, paisagismo, engenharia, design e construção.
Temos o prazer de apresentar a estreia de seu curta-metragem "A Voice for the 450 Plus" para o público global pela primeira vez desde sua exibição na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2023. O filme celebra as contribuições contínuas de mulheres negras nas áreas do ambiente construído, mostrando ao mundo como elas colaboram para moldar o futuro de nossas cidades.
O bambu, conhecido pela sua resistência e ecologia, enfrenta frequentemente um adversário formidável: insetos e fungos. Apesar da sua resiliência, estas pragas podem comprometer a sua durabilidade ao longo do tempo. No entanto, existe uma solução simples, mas eficaz, para aumentar a longevidade e a robustez do bambu. Neste artigo, revelamos o método Vertical Soak Diffusion (VSD) – uma abordagem econômica que garante que seus projetos de bambu resistam ao teste do tempo.
As fachadas de tijolos de vidro surgiram como uma tendência arquitetônica cativante, combinando a elegância atemporal do vidro com a robustez dos tijolos. Além disso, esses elementos podem apresentar maior resistência térmica do que os fechamentos de vidro convencionais.
Essas fachadas criam um efeito pixelado que joga com luz e sombra, transmitindo a luminosidade de forma ideal ao mesmo tempo em que preservam a privacidade. A maneira como as fachadas de tijolos de vidro suavizam e diluem as vistas externas pode aumentar a sensação de tranquilidade e foco. De edifícios comerciais elegantes a projetos residenciais de vanguarda, as fachadas de tijolos de vidro continuam a expandir os limites da inovação arquitetônica, cativando tanto profissionais de projeto quanto o público observador.
Cortesia de HKS Architects, CGI criado por Somewhere | wearesomewhere.net
Sob encomenda da Diriyah Company, o escritório HKS Architects revelou o projeto de uma nova arena multiuso em Diriyah. Concebido como um catalisador para a cultura local e o setor de entretenimento, o espaço com capacidade para 20.000 pessoas ficará no centro de The City of Earth, um empreendimento de 76.000 metros quadrados alinhado à Saudi Vision 2030, cujo objetivo é se tornar um dos destinos turísticos mais atraentes do Oriente Médio.
O Reino da Arábia Saudita agora abriga a primeira estrutura impressa em 3D do tipo mesquita do mundo, com uma área de 5.600 m². Localizada no bairro de Al-Jawhara, em Jidá, a mesquita foi construída em homenagem ao falecido cavaleiro Abdulaziz Abdullah Sharbatly. O projeto da Forsan Real Estate utiliza tecnologia de ponta de impressão 3D da Guanli.
Se você acompanha as políticas de habitação nos Estados Unidos, talvez tenha notado um termo específico surgindo com frequência ultimamente: habitação social. Talvez você tenha lido um longo artigo acadêmico, more em uma cidade que está codificando uma política de habitação social, como Seattle ou Atlanta, ou tenha visto uma das menções recentes no The New York Times, destacando casos de sucesso nos EUA e em Viena. No campo do design, o Dezeen está publicando uma série sobre o renascimento da habitação social.
Cairo, no Egito, será a sede da 12ª sessão do Fórum Urbano Mundial. Crédito: ONU-Habitat
Com o tema “Tudo Começa em Casa: Ações Locais para Cidades e Comunidades Sustentáveis”, a 12ª Sessão do Fórum Urbano Mundial (WUF, na sigla em inglês) será realizada no Cairo, Egito, entre os dias 4 e 8 de novembro de 2024. A conferência retorna ao continente africano depois de mais de 20 anos após sua primeira edição em Nairóbi, Quênia, em 2002.
O evento é convocado pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e coorganizado pelo Governo da República Árabe do Egito, e representa a maior conferência global sobre o futuro das cidades. As sessões serão realizadas no Centro de Conferências Internacional do Egito, e terão transmissão online gratuita.
https://www.archdaily.com.br/pt/1014509/12o-forum-urbano-mundial-debate-acao-local-para-cidades-e-comunidades-sustentaveisArchDaily Team
Al Khuwair Muscat Downtown - ZHA . Imagem cortesia do Ministério da Habitação e Planejamento Urbano de Omã
O escritório Zaha Hadid Architects revelou um projeto de grande escala para a reurbanização da orla de Al Khuwair, no centro de Mascate, capital de Omã. Com um orçamento de US$ 1,3 bilhão, o projeto abrange uma área de 3,3 milhões de metros quadrados. Seu objetivo é revitalizar a região por meio de princípios de design orientados pela sustentabilidade para acomodar o crescimento populacional previsto, que deve quase dobrar até 2040. O plano foi desenvolvido em colaboração com o escritório Buro Happold para incorporar e transformar os edifícios existentes no local, implementar medidas de resiliência costeira e climática e criar uma infraestrutura de transporte eficiente e orientada ao trânsito.
Pioneira em construção avançada e impressão 3D em grande escala, a ICON foi selecionada como uma das Melhores Novas Práticas de 2021 do ArchDaily devido à sua tecnologia inovadora que amplia os limites de capacidade no ambiente construído. A startup sediada no Texas acaba de revelar diversos pacotes de ferramentas e produtos para modernizar ainda mais os processos construtivos. Batizado de “Domus Ex Machina,” o evento apresentou uma série de inovações, como uma inteligência artificial (IA) voltada para arquitetura criada para o projeto e a construção de residências, uma biblioteca digital com mais de 60 projetos residenciais preexistentes, um novo material de construção ecológico e uma impressora robótica que facilita a construção de múltiplos pavimentos. Juntos, esses avanços buscam oferecer uma maneira mais rápida e ecológica de construir moradias acessíveis e de alta qualidade em escala global.
Compreendendo que a urbanização no mundo é um fenômeno constante e crescente, parece que a natureza e os elementos vivos que a compõem são escassos nos centros urbanos contemporâneos. Nessa perspectiva, parece que nos esquecemos coletivamente de que o meio natural é o ambiente primordial dos seres humanos. No entanto, o fato de a sociedade ter optado por se estabelecer em cidades como modelo predominante não significa que a natureza seja obsoleta. Pelo contrário, a busca constante por soluções sustentáveis e orientadas ao bem-estar das pessoas pode nos proporcionar mais e melhores respostas.
A arquitetura biomimética, focada em encontrar soluções sustentáveis no meio natural, surge como uma resposta para integrar a natureza ao ambiente construído. Essa integração vai além da mera imitação ou cópia descontextualizada, fundamentando-se na compreensão e na extrapolação de suas qualidades para edifícios e interiores. Por esse motivo, estratégias específicas de biomimética aplicadas à arquitetura podem se refletir nos revestimentos cerâmicos, abrangendo aspectos como composição mineral, design e estética que se relacionam estreitamente com a natureza.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140272/biomimetica-e-revestimentos-ceramicos-da-composicao-mineral-ao-design-organicoEnrique Tovar
Sendo um material altamente translúcido que resiste a quase todas as condições climáticas, exceto as mais extremas, é facilmente moldado em qualquer tamanho ou forma e, uma vez moldado, dura por milhares de anos, o vidro continua sendo um dos materiais mais inovadores e cruciais utilizados na arquitetura. Embora as práticas construtivas contemporâneas nos permitam criar imensos e brilhantes arranha-céus de vidro que se elevam a centenas de metros de altura, o propósito original desse material milenar — trazer luz para interiores protegidos das intempéries e seguros — continua sendo o mais importante, mesmo mais de mil anos depois.
Por mais importante que o vidro seja para quase todas as tipologias arquitetônicas sob a forma de janelas, quando se trata da cobertura de um edifício, o uso desse material não é tão simples. Compreendemos o poder e o perigo de combinar luz e vidro desde que vimos, nos desenhos animados da nossa infância, uma lupa sendo usada para concentrar o calor do sol em temperaturas incrivelmente altas. Sob uma cobertura de vidro, o ganho de calor solar pode resultar em ambientes internos desconfortáveis se não forem tomadas as precauções de proteção corretas.
O conceito de "olhos da rua" talvez seja o mais famoso dentro da literatura arquitetônica e urbanística quando o assunto é segurança urbana. Jane Jacobs utiliza essa expressão para se referir às pessoas que – de forma consciente ou inconsciente – utilizam os espaços públicos ou os contemplam desde suas casas, gerando uma vigilância natural. Um movimento que, no âmbito da nossa disciplina, é fomentando tanto por meio de espaços públicos de qualidade quanto pela potente relação entre o público e o privado criada através das fachadas das edificações. Defendendo esse controle cotidiano, Jacobs acredita em um modo de fazer arquitetura e cidades que condena a verticalização em excesso, reforçada por edifícios isolados e de uso único os quais negam o contato com rua.
Na semana passada, o arquiteto e ativista social japonês Riken Yamamoto foi anunciado como o laureado do Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2024, tornando-se o nono arquiteto japonês a receber a honraria mais prestigiosa da profissão. Ao longo dos 45 anos de história do Prêmio Pritzker, o Japão se destaca como o país com o maior número de profissionais premiados. Embora a geografia não seja um critério na seleção de laureados e laureadas, a arquitetura japonesa impressiona consistentemente pelo jogo de luz e sombra, pela composição cuidadosa dos espaços, pelas transições suaves entre interior e exterior e pela atenção aos detalhes e à materialidade. Além disso, uma consolidada cultura construtiva celebra a diversidade de projetos e incentiva o diálogo global e o intercâmbio de ideias e melhores práticas. A seguir, relembre os nove nomes da arquitetura japonesa laureados com o Pritzker e conheça um pouco de suas produções.
A Foster + Partners acaba de revelar o projeto do Xicen Science & Technology Center, localizado no coração da Região do Delta do Rio Yangtze em Xangai, China. O empreendimento está estrategicamente posicionado ao longo do eixo de desenvolvimento Xangai – Huzhou, garantindo conexão direta com o centro da cidade por meio de trens de alta velocidade. Inspirado no charme atemporal das históricas cidades d'água da região, o centro integra novos canais aos já existentes para criar uma comunidade de uso misto com espaços residenciais, comerciais e de lazer.
Museu do Forno Imperial de Jingdezhen_Vista do foyer abobadado do auditório. Imagem
De 4 a 6 de abril, a conferência internacional FABRICATE 2024será realizada na Royal Danish Academy, em Copenhague. Desde a sua criação em 2011, o FABRICATE consolidou-se como um fórum global para novas e radicais possibilidades na arquitetura, acolhendo milhares de participantes da prática profissional, da indústria e da pesquisa.
Neste terceiro artigo, conversamos com o/a arquiteto/a Zhu Peique é diretor/a fundador/a do Studio Zhu Pei e decano/a da Escola de Arquitetura da Academia Central de Belas Artes de Pequim. O texto é um trecho do futuro livro FABRICATE 2024 e baseia-se em uma entrevista conduzida pelo/a copresidentePhil Ayres entre Zhu Pei e o/a arquiteto/a Cristiano Ceccato, diretor/a da Zaha Hadid Architects. O livro será lançado na noite de abertura da conferência FABRICATE 2024.
Figura 01: Galpón Complejo Recreativo Funcionarios de la Salud. Comuna de Coyhaique, Sector Lago Frío.. Image Cortesía de Alejandro Muñoz Massoglia
O patrimônio arquitetônico constituído pelos/as primeiros/as habitantes da região de Aysén — inicialmente a expressão mínima do morar, um espaço destinado a proteger o/a usuário/a das intempéries climáticas, e que mais tarde evoluiria de forma intrínseca às transformações das necessidades dos/as residentes — representa, no plano simbólico, uma identidade arquitetônica vernácula em madeira.
Atualmente, salvo raras exceções, as poucas casas ainda de pé dos primeiros anos de colonização espontânea na região apresentam um avançado estado de deterioração. Elas acabam destinadas a depósitos ou espaços anexos à habitação principal devido ao desgaste dos materiais, à inexistência de instalações ou ao seu precário isolamento térmico.
Da mesma forma, embora as residências mais complexas e de maior porte pertencentes a um período mais recente, construídas sobretudo em áreas urbanas, ainda estejam em sua grande maioria habitadas, os processos de desgaste de suas estruturas são evidentes. Essa condição de instabilidade está estreitamente relacionada com seus/suas ocupantes, majoritariamente pessoas idosas que não dispõem de recursos econômicos nem de capacidade física para realizar as reformas necessárias.