Onde rios, reservatórios e o regime de chuvas já não oferecem um abastecimento confiável, a busca por água volta-se cada vez mais para a atmosfera. Neblina, umidade atmosférica e condensação oferecem caminhos distintos para essa captação. À medida que a arquitetura passa a extrair água do ar, superfícies, estruturas e espaços abertos integram-se ao sistema hídrico.
De acordo com o UNICEF, a Estratégia Nacional de Água da Jordânia estima que a disponibilidade anual de água renovável seja de apenas 61 metros cúbicos por habitante — patamar muito aquém dos 500 metros cúbicos usualmente adotados como limite para a escassez absoluta de água. Cerca de metade da população local recebe água encanada apenas uma vez por semana, ao passo que os aquíferos subterrâneos são explorados em um ritmo mais acelerado do que sua capacidade natural de recarga.
Arquiteta: Tina Hočevar. Imagem cortesia de VELUX Group
O que acontece com o espaço sob a cobertura? Em muitas casas, a resposta é simples: ele se torna um sótão, um depósito ou um volume amplamente subutilizado entre o último pavimento e o telhado. No entanto, esse mesmo espaço pode se transformar em um dormitório, home office, sala de brinquedos ou área de estar adicional se a cobertura e o ambiente abaixo dela forem pensados de forma conjunta.
Esse potencial é relevante tanto em edifícios existentes quanto na arquitetura residencial de modo geral. A conversão de um sótão pode adicionar área útil sem ampliar a projeção da edificação, ao passo que projetar uma casa nova já prevendo o aproveitamento do espaço sob a cobertura a torna mais adaptável ao longo do tempo. Portanto, a questão não é apenas como converter um sótão, mas sim como reconhecer o potencial arquitetônico de um espaço subutilizado criado por uma cobertura inclinada.
O diploma de arquitetura fornece as bases da disciplina, mas a transição para a prática profissional muitas vezes vai muito além da sala de aula. Adquirir experiência, desenvolver um portfólio e navegar pelas realidades dos escritórios de arquitetura são desafios que muitos/as jovens profissionais enfrentam em seus primeiros anos de prática.
Paisagens de Sal Regenerativas, proposta vencedora do ArchDaily Student Project Awards 2026. Imagem via ArchDaily Student Project Awards
Em tese, participar de um concurso de arquitetura é um dos maiores desafios na trajetória de um/a estudante de arquitetura. O grande atrativo para os/as estudantes é a oportunidade de experimentar, abordando um programa vagamente definido que abre espaço para testar ideias não convencionais e ferramentas desconhecidas fora do ritmo do semestre letivo. Esse distanciamento das avaliações formais é um desdobramento relativamente recente, já que os concursos outrora desempenhavam um papel central no ensino de arquitetura.
Na École des Beaux-Arts, o ensino dividia-se entre o ateliê — onde os/as estudantes desenvolviam projetos sob a orientação de um/a arquiteto/a atuante — e o concurso, no qual um júri de professores/as avaliava o trabalho sem ter acompanhado seu desenvolvimento. Esse modelo foi posteriormente levado a escolas como o MIT, a Penn, e a Cornell por docentes com formação francesa. Com o tempo, a maioria das escolas manteve o ateliê, que se transformou no estúdio de projeto, e relegou os concursos às margens do currículo acadêmico.
Breidablikk Gården / Asplan Viak e revestimento de fachada por SolarLab. Imagem cortesia de SolarLab
Painéis solares costumam ser tratados como equipamentos adicionados a um edifício. Mas o que acontece quando eles passam a integrar a própria arquitetura? Uma vez incorporada ao envelope, a tecnologia fotovoltaica pode gerar energia e, ao mesmo tempo, influenciar a forma, a construção e o desempenho ambiental da edificação.
As coberturas costumam ser o local mais óbvio para painéis fotovoltaicos; no entanto, outras partes do edifício também podem gerar energia enquanto desempenham funções arquitetônicas adicionais. Fachadas podem proporcionar sombreamento, brises podem controlar a luz solar e fachadas ventiladas podem aliar a proteção contra intempéries à geração de energia. Com isso, sua orientação, posicionamento e integração ao envelope do edifício passam a fazer parte do partido arquitetônico, em vez de se limitarem a uma decisão técnica isolada.
Usar contêineres marítimos como base para uma estrutura — prática também conhecida como "cargotectura" — parece ser uma abordagem simples para a construção. Uma impressão que, no entanto, pode ser enganosa. Embora seja verdade que os contêineres são um material de construção rápido, econômico e que frequentemente exige menos esforço, além de durável e personalizável, as conversões dessas estruturas também trazem desafios. Sem um planejamento minucioso, o processo de obra pode ser desgastante e os resultados, frustrantes.
Para entender se os contêineres são a escolha certa para um projeto de construção, é importante olhar além de seu apelo industrial e encarar a realidade e as limitações das caixas de aço como material construtivo.
Caminhar ao longo de um rio em quase qualquer cidade da América Latina revela trechos que foram retificados, canalizados em concreto, soterrados por avenidas ou relegados aos fundos de áreas industriais e bairros residenciais. Ao longo do século XX, a expansão urbana ocupou gradualmente as margens dos rios e as antigas planícies de inundação, enquanto os cursos d'água eram desviados ou confinados em infraestruturas destinadas a controlá-los. Contudo, a água continuou a retornar. Há décadas, as inundações representam o desastre natural mais frequente na América Latina e no Caribe, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Algumas cidades começaram a reconsiderar o que acontece ao longo dessas margens. No Chile, no México e no Brasil, parques vêm sendo desenvolvidos em leitos de rios, canais de drenagem e outros territórios expostos a inundações. Esses espaços acolhem a água durante as fortes chuvas, ao mesmo tempo que oferecem áreas de lazer, circulação e convivência na maior parte do ano. O projeto desses espaços também transforma a forma como as comunidades do entorno acessam territórios antes associados a enchentes, poluição ou uso público restrito.
Criado por surfistas da Califórnia que queriam trazer as linhas do surfe para o asfalto, o skate logo superou seu papel de mera alternativa para os dias sem ondas. Estabeleceu-se como uma prática que lê a cidade sob uma lógica diferente, reinterpretando degraus, corrimãos, muros e espaços intersticiais como possíveis linhas, desafios e oportunidades. Ao longo do tempo, evoluiu para uma cultura urbana global, uma forma de habitar e transformar o espaço público por meio do movimento. O que antes era marginal tornou-se um catalisador para a coesão comunitária e para novos usos em espaços negligenciados. Em sua essência, o skate revela como diversas cidades coexistem dentro de uma mesma cidade, a depender de quem se desloca por ela e de como cada pessoa é capaz de reinterpretar o que está ao seu redor.
Laab Is More / Sifah Studio. Tailândia. Imagem cortesia de NS BlueScope
Embora a arquitetura frequentemente responda a um programa de necessidades específico, considerando áreas, contextos e diversas condicionantes econômicas e técnicas, os edifícios raramente permanecem os mesmos ao longo de sua vida útil. Programas, dinâmicas espaciais e as necessidades dos/as usuários/as se transformam, assim como as condições ambientais, econômicas e tecnológicas, exigindo intervenções que provavelmente não foram previstas no início do projeto. Estruturas de aço tornam possível conceber uma arquitetura capaz de crescer, se transformar, ser desmontada e remontada. Sua precisão dimensional, componentes industrializados e o potencial de conexões mecânicas viabilizam o projeto de sistemas abertos preparados para futuras intervenções.
Cidade do México. Imagem por Eduardo Enriquez, via Unsplash
A Cidade do México é uma vasta metrópole de temporalidades sobrepostas, onde a arquitetura atua como uma negociação contínua entre uma história profundamente enraizada e uma intensa mutação urbana. Construída sobre os vestígios aquáticos de Tenochtitlán, a malha urbana é um diálogo contínuo entre eras: a escala monumental do Templo Mayor pré-hispânico e a arquitetura vice-reinal da Catedral Metropolitana coexistem com os impulsos modernos e contemporâneos que definem seu perfil urbano. Essa justaposição densa cria um cenário urbano único, onde a geografia sagrada, a imposição colonial e a ambição do século XX se cruzam.
Os meados do século XX marcaram uma era definitiva de experimentação, forjando um modernismo mexicano que sintetizou com maestria o racionalismo estrutural internacional com a identidade e a materialidade locais. Essa síntese é simbolizada pela vasta integração plástica entre arte e arquitetura na Ciudad Universitaria, pela poesia estrutural das cascas paraboloides hiperbólicas de Félix Candela e pelo brutalismo cru e monumental de Teodoro González de León e Abraham Zabludovsky. Paralelamente, o domínio íntimo e introspectivo de Luis Barragán e Juan O'Gorman redefiniu o espaço doméstico, experimentando com a luz, as cores vernáculas e a honestidade tectônica para criar espaços de profunda quietude espacial.
Uma cor tem uma biografia. Ela pode ter uma origem, mas também se transformar. Pode transitar entre materiais e disciplinas, de uma prática local para a arquitetura, do ordinário ao simbólico. Pode perder uma associação e adquirir outra, ou persistir sem que ninguém a considere conscientemente como algo cultural. Sua vida se desenrola a partir das condições em que é produzida, utilizada, repetida e habitada. À medida que essas condições mudam, transformam-se também os significados que ela pode carregar.
O interior é o local onde essas histórias convergem. A cor dentro de um cômodo pode carregar vestígios de um território, de uma prática material, de um clima ou de uma história de habitação. Sua presença não depende necessariamente de uma intenção de representar qualquer um desses aspectos.
A cor pode passar a integrar um lugar pela continuidade dos materiais e dos modos de vida, adquirindo um significado que extrapola a superfície na qual se apresenta.
Vivos xPoint, EUA. Imagem por VigilanteScout, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Invertendo a narrativa convencional, esta história começa pelo fim: o dia seguinte ao colapso do mundo. Enquanto quase toda a população luta para sobreviver a chamas e tempestades solares, uma fração ínfima é recebida por um guarda fortemente armado na entrada do Survival Condo Project, um antigo silo de mísseis no Kansas convertido há alguns anos em apartamentos de luxo.
Esqueça, portanto, a figura do eremita que estoca comida enlatada no porão ou o profeta do fim dos tempos. Nos últimos anos, o sobrevivencialismo expandiu-se para círculos mais abastados, criando raízes no Vale do Silício entre profissionais de tecnologia de nível executivo e da gestão de fundos de hedge. O que antes poderia ser visto meramente como excentricidade tornou-se também uma forma de pensar o futuro e, para algumas pessoas, uma oportunidade de investimento.
Ondas de calor estão se tornando cada vez mais frequentes em todo o mundo, levando arquitetos e arquitetas a reconsiderarem como as envoltórias dos edifícios são concebidas e projetadas. O foco não está mais apenas em limitar a perda de calor durante os meses mais frios, mas também em controlar a quantidade de calor que entra nas edificações durante períodos de radiação solar intensa. Ao compreender o sombreamento solar como uma decisão de projeto — e não como um elemento meramente decorativo ou de condicionamento interno —, ele passa a integrar as estratégias passivas de eficiência energética, que podem contribuir para o conforto térmico e visual ao mesmo tempo em que reduzem a demanda por resfriamento.
Conforme as cidades se transformam, nossas expectativas sobre elas também mudam. Cada vez mais, as pessoas demandam espaços de acolhimento: locais públicos abertos a todas as idades e gêneros, a natureza ao alcance de todas as classes sociais e ambientes que promovam o convívio. Poucas premissas de projeto sintetizam tão bem esses anseios quanto os espaços voltados para a infância. Esta seleção de projetos não construídos, enviados por leitores e leitoras do ArchDaily, apresenta diferentes abordagens para uma arquitetura baseada no cuidado. Escolas, creches, uma biblioteca, um centro de juventude e um novo modelo de orfanato assumem a missão de proporcionar um ambiente seguro e estimulante para as crianças em todas as etapas de seu desenvolvimento. Ainda não construídas, mas cuidadosamente projetadas, essas propostas oferecem um vislumbre de espaços de brincar, aprender e acalmar que alimentam a criatividade no design para pessoas de todas as idades.
As terras conquistadas à água são frequentemente apresentadas como um novo solo: plano, disponível e pronto para a arquitetura. Elas prometem mais espaço às cidades onde a terra é escassa, permitindo-lhes estender frentes de água e construir distritos culturais. Em alguns casos, essas novas áreas conquistadas também se convertem em centros financeiros, dão origem a parques e projetam futuros além dos limites do território existente. No entanto, a terra conquistada nunca é apenas terra. Trata-se de uma superfície de engenharia, produzida por meio de aterros, diques, sistemas de drenagem e estabilização do solo — uma negociação de longo prazo com a água que ela afirma ter deslocado.
Isso faz da conquista de terras uma das fantasias espaciais mais poderosas e ambíguas da arquitetura. Por um lado, oferece liberdade: uma tábula rasa onde ruas e edifícios podem ser planejados praticamente do zero. Por outro, essa aparente liberdade esconde uma dependência. A terra construída deve constantemente se provar como solo firme. Ela precisa resistir a inundações, suportar fundações, nutrir árvores e sustentar a vida pública sobre um terreno que antes simplesmente não existia.
A arquitetura tradicional da água raramente era um objeto isolado. Em Ahmedabad, a gestão dos recursos hídricos estava integrada à própria organização da cidade. Nos pols históricos (bairros residenciais tradicionais), poços, pátios e as Tankas subterrâneas faziam parte de um sistema distribuído de armazenamento de água doméstico e comunitário. Um estudo de 2026 publicado na revista Built Heritage estima que quase 10.000 Tankas ainda possam existir em Ahmedabad, muitas localizadas sob pátios residenciais.
Centro de Saúde e Bem-Estar Beijing Taikang Yanyuan. Imagem Cortesia de Serge Ferrari
Na história dos Três Porquinhos, a escolha do material determina o destino de cada casa. O sopro do lobo derruba as estruturas feitas de palha e madeira, enquanto a casa de tijolos permanece de pé. A moral é que, quanto mais sólida a construção, maior sua capacidade de resistência. Um edifício, no entanto, precisa responder a questões muito menos simples. Permanecer de pé continua sendo essencial, mas calor, luz, ar e som não são forças que necessariamente precisam ser bloqueadas. Às vezes, a luz solar deve ser evitada; em outras, a luz natural precisa entrar. Reter o calor pode ser desejável no inverno e contraproducente no verão. O ar precisa circular, o som pode precisar ser absorvido, e as condições que determinam essas respostas mudam ao longo do dia, das estações e da própria vida útil da edificação. Mais material não significa necessariamente um melhor desempenho. Em alguns casos, pode simplesmente adicionar complexidade sem melhorar a forma como o edifício responde.
Design House. Image Cortesía de Design Week Mexico
Até 11 de outubro de 2026, a Cidade do México se transforma mais uma vez em um epicentro global de inovação e excelência criativa com a abertura da Design Week México 2026 (#DWM26). Esta edição adota uma visão curatorial mais ampla e diversa, convidando tanto o público quanto profissionais do design a refletirem sobre a disciplina a partir de perspectivas globais, fluidas e inclusivas que vão além das abordagens tradicionais.
Muito além do simples transporte de mercadorias de um ponto a outro, os contêineres marítimos se tornaram um material de construção recorrente nos EUA, servindo de base para tudo, desde minicasas e piscinas até escritórios de canteiro de obras e oficinas. No entanto, dada a extensão territorial do país e a diversidade de climas em suas fronteiras, as abordagens para a arquitetura de contêineres podem variar significativamente de estado para estado, e até mesmo de município para município.
A conversão de um contêiner no sudoeste desértico enfrenta condições muito diferentes daquela realizada na Nova Inglaterra, ao passo que projetos ao longo da Costa do Golfo precisam lidar com umidade, tempestades e maresia. Essas disparidades regionais influenciam desde o isolamento e a ventilação até a cobertura, as fundações e a proteção externa. A seguir, analisamos em detalhes essas abordagens regionais, os desafios climáticos locais a serem considerados antes da construção e as adaptações necessárias para superá-los.
O Portão Norte de Taipé, também conhecido como Beimen, ergue-se não apenas como um lembrete da complexa história da cidade, mas também como testemunha das transformações da paisagem urbana ao seu redor e da mudança de atitude em relação aos espaços urbanos no entorno de edifícios de patrimônio histórico. Inicialmente uma fronteira imperial chinesa, poupado da demolição durante o domínio colonial japonês e espremido por viadutos e rodovias nos esforços de modernização do pós-guerra, o portal recuperou recentemente seu status de destaque graças ao desenvolvimento da praça que hoje o emoldura. A resiliência do monumento diante das oscilações nas prioridades urbanas e nas políticas arquitetônicas revela que a preservação do patrimônio ocorre não apenas através da forma construída, mas também pelos espaços abertos que a circundam.
Diante da crise climática e no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, o reuso de materiais ganhou destaque nos campos da construção e da arquitetura nos últimos anos. Da "mineração urbana" às avaliações de ciclo de vida (ACVs), profissionais, organizações e pesquisadores/as exploram diferentes soluções e estratégias para enfrentar esse mesmo desafio global. O Project (Un)Build é uma iniciativa de pesquisa que desenvolve métodos de construção reversível em madeira com o uso de cintas e placas de fricção para facilitar o reuso de materiais. A iniciativa contribui para o debate e a reflexão contínuos sobre o próprio ato de construir.