A cada ano, o ArchDaily Next Practices Awards destaca escritórios emergentes que estão expandindo os limites da arquitetura por meio de novos métodos, materiais e formas de trabalhar. Selecionadas a partir de um panorama global, essas práticas refletem um distanciamento de definições singulares da disciplina, voltando-se a questões mais amplas de construção, meio ambiente e impacto social. Em vez de operar em categorias rígidas, muitos desses escritórios se posicionam de forma transversal entre diferentes campos, combinando projeto, pesquisa e produção para responder às condições contemporâneas.
Escolhido como um dos vencedores da edição de 2025, o Hand Over é um escritório sediado no Cairo que atua na interseção entre projeto, construção e pesquisa. Fundado por Radwa Rostom, engenheira civil com mais de quinze anos de experiência em desenvolvimento e sustentabilidade, o estúdio trabalha por meio de um modelo integrado de projeto e construção, engajando-se com a construção com terra, materiais locais e processos de base comunitária.
"Minha única preocupação é que meu trabalho tenha um impacto positivo nas comunidades em que está inserido", afirma Francis Kéré em seu livro Francis Kéré: Building Stories. Sua própria história de vida, o contexto em que cresceu e as experiências pelas quais passou moldam sua abordagem da arquitetura. Trata-se de um compromisso que se estende às pessoas e aos lugares que chamam de lar — valorizando a materialidade, o aprendizado coletivo e a troca de saberes. Descobrir as histórias por trás de projetos como a Escola Primária em Gando e a Escola Secundária Naaba Belem Goumma inspira uma reflexão sobre como projetar espaços que verdadeiramente sirvam à humanidade.
A história de Francis Kéré começa em uma aldeia na África Subsaariana e se estende por muitos lugares. Gando foi o cenário de sua formação inicial, onde absorveu a essência e os princípios que mais tarde moldaram os valores fundamentais de sua trajetória profissional, somados a influências de outras culturas. A estrutura de Gando é constituída por diferentes famílias que se organizam, segundo costumes estabelecidos, em pátios espalhados pela savana. Crescer nessa aldeia remota na savana de Burkina Faso fomenta um forte senso de comunidade, tornado tangível pela compreensão de que cada habitante de cada pátio faz parte da vida do todo.
Sistema de banheiro Lineadacqua da antoniolupi. Imagem cortesia de antoniolupi
E se os elementos mais avançados de um banheiro fossem aqueles que mal podemos ver? Em espaços onde paredes, tetos e pisos formam superfícies contínuas, os metais e louças recuam, e a própria água passa a ser a matéria-prima que molda a experiência. O posicionamento cuidadoso de componentes em banheiros — como cubas, torneiras, chuveiros e ralos — costuma afirmar sua presença tanto como objeto quanto como função. Mas o que acontece quando esses elementos começam a desaparecer?
Em vez de adicionar elementos sobrepostos ao desenho do banheiro, algumas abordagens operam por subtração. O banheiro deixa de ser composto por objetos visíveis e passa a ser compreendido como uma superfície contínua. Metais e louças embutem-se em paredes e tetos, permitindo que a água, a luz e a atmosfera assumam o protagonismo. O que se delineia é uma forma de minimalismo que vai além: uma arquitetura que absorve inteiramente seus sistemas técnicos, fazendo com que os dispositivos desapareçam e restem apenas seus efeitos. A experiência em si torna-se protagonista, não mais mediada por objetos visíveis, mas moldada diretamente pela água, pela luz e pelo espaço.
Situado na paisagem montanhosa de Zabbougha, no Líbano, o Capsule Retreat, projetado pelo EAST Architecture Studio, é moldado pelo próprio processo de sua feitura. O projeto se desenrola por meio de decisões materiais, ajustes no canteiro de obras e condições em constante evolução, permitindo que a própria construção guie sua lógica espacial.
O processo de construção desempenhou um papel central na definição do projeto. Construída durante um período marcado pelo colapso econômico, pela escassez de materiais e pela instabilidade contínua no Líbano, a casa se desenvolveu por meio de uma adaptação constante. Sem uma empreiteira geral, a equipe de arquitetura assumiu um papel ampliado, coordenando artífices locais, testando ideias diretamente no canteiro e respondendo a condicionantes em constante mudança. Nesse contexto, as condições sociopolíticas tornaram-se não apenas um desafio, mas um catalisador para repensar o projeto. "Estávamos constantemente testando ideias no canteiro", afirmam os arquitetos e fundadores do EAST Architecture Studio, Charles Kettaneh e Nicolas Fayad, "adaptando essas decisões do ponto de vista econômico e, ao mesmo tempo, explorando o que o artesanato local poderia oferecer."
Em um setor definido por tolerâncias de engenharia e garantia de desempenho, o acabamento de interiores ainda depende de um processo que introduz variabilidade em cada projeto. Mesmo profissionais de aplicação experientes costumam depender de uma mistura baseada no julgamento subjetivo — estimando a proporção de água e ajustando pelo tato até que o material pareça maleável. Embora a habilidade reduza a variabilidade, ela não a elimina. O resultado é uma inconsistência inerente que se transfere diretamente para a superfície acabada.
Quando o edifício original do New Museum, projetado pelo escritório SANAA — uma pilha de caixas opacas deslocadas envoltas por uma pele de malha metálica —, foi inaugurado em 2007, já parecia destinado a algum tipo de expansão para aliviar a pressão vertical criada por sua circulação restrita e área de projeção limitada. Em março, o museu revelou sua aguardada ampliação, projetada por Shohei Shigematsu e Rem Koolhaas, do OMA. O edifício complementar, de linhas angulares e levemente recuado, duplica a capacidade expositiva do museu, ao mesmo tempo em que reconfigura a relação da instituição com a cidade e com a estrutura original do SANAA, projetada por Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa.
Na abertura do edifício para a imprensa, Koolhaas descreveu o projeto "não apenas como uma extensão, mas como um complemento ou contraparte". Shigematsu detalhou posteriormente: "Pensamos em desenhar um par composto por dois edifícios distintos e, ao mesmo tempo, profundamente conectados. Um é mais vertical e introvertido. O outro é mais horizontal e extrovertido."
Nos últimos anos, a construção com terra tem despertado um interesse renovado na arquitetura. Materiais como o adobe, a taipa de pilão e os blocos de terra comprimida, outrora associados principalmente a tradições vernáculas, vêm sendo cada vez mais explorados por arquitetos e arquitetas contemporâneos. Longe de representar um simples retorno ao passado, esse interesse renovado reflete uma revisão mais ampla de como a arquitetura se relaciona com os materiais, os recursos locais e as condições ambientais.
Durante séculos, a construção com terra fez parte do cotidiano construtivo de diversas regiões do mundo. Técnicas como o adobe, a taipa de pilão, o cob e outros sistemas à base de terra desenvolveram-se gradualmente por meio da adaptação ao clima, aos recursos disponíveis e às práticas construtivas locais. Esses métodos respondiam diretamente às condições ambientais ao mesmo tempo em que moldavam modos culturais de construir. Esse conhecimento circulava através de práticas coletivas, e não por meio do ensino formal de arquitetura, permitindo que as técnicas evoluíssem a partir de uma experimentação contínua.
Na Light + Building 2026, em Frankfurt, a OPPLE Lighting celebrou seu 30º aniversário com uma proposta arquitetônica, em vez de uma retrospectiva. Sob o tema "Hi Light!", a empresa revelou a Light as Cloud, um estande projetado pelo OMA. A instalação também serviu como plataforma de estreia internacional para a OLL, a nova marca de design de alto padrão da OPPLE. Longe de funcionar como uma exposição convencional de produtos, o projeto posicionou a luz como um sistema espacial — capaz de moldar a arquitetura, a circulação e a percepção.
Ao passar do calor de Dubai para o saguão de uma torre de vidro, o deserto parece desaparecer. Do lado de fora, as temperaturas ultrapassam os 45 graus Celsius; do lado de dentro, o ar é frio, confinado e perfeitamente controlado. Durante décadas, esse contraste se tornou a imagem definidora da modernidade do Golfo. A arquitetura passou a ser menos uma negociação com o clima e mais uma demonstração de que o clima poderia ser superado. Torres de vidro reflexivo ergueram-se no deserto como símbolos de ascensão, projetando poder financeiro, confiança tecnológica e ambição global. Sob essa imagem urbana, operava uma infraestrutura baseada no petróleo, na energia barata e na contínua supressão mecânica do calor.
É uma tarde de verão, e a nave da Sagrada Família está saturada de cores quentes. Feixes de âmbar e carmesim varrem o piso de pedra, mudam de posição conforme uma nuvem passa sobre Barcelona e, em seguida, ganham intensidade novamente. Ao seu redor, os/as visitantes desaceleram o passo sem perceber. Alguns elevam seus celulares — não para registrar a arquitetura, mas para entrar na própria luz, posicionando-se sob uma projeção laranja ou dourada como se as cores fossem algo que pudessem vestir.
Estão, sem saber, fazendo exatamente o que Gaudí pretendia: entregando-se, ainda que por um breve instante, à sensação de serem banhados por algo maior do que si.
Durante as últimas duas semanas, a comunidade do ArchDaily em Español enviou mais de 17.000 indicações, resultando em 15 finalistas que representam algumas das obras arquitetônicas mais emblemáticas do último ano. O maior prêmio de arquitetura do mundo hispânico, decidido por sua comunidade, o Prêmio Obra do Ano 2026 existe para reconhecer o melhor da arquitetura nos países de língua espanhola.
Estes 15 finalistas, escolhidos por votação pública nesta 17ª edição, reúnem a amplitude da produção ibero-americana recente, ao mesmo tempo que revelam certos deslocamentos compartilhados: uma arquitetura que privilegia decisões construtivas claras, que trabalha a partir de condições e restrições reais e que compreende o projeto como uma forma de adaptação a contextos específicos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093933/os-15-finalistas-do-premio-obra-do-ano-2026-do-archdaily-em-espanholArchDaily Team
Mais um ano, mais uma edição de sucesso do ArchDaily China Building of the Year Awards! Mais uma vez, a premiação se consolida como o maior prêmio de arquitetura baseado na opinião do público. Por meio de uma escolha coletiva, os projetos mais relevantes do ano foram indicados e selecionados pelo nosso público leitor.
O 2026 China Building of the Year Awards acontece graças ao apoio da Dornbracht, marca reconhecida por seu design de ponta voltado à arquitetura, presente em cozinhas e banheiros de todo o mundo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093833/vencedores-do-premio-archdaily-china-obra-do-ano-2026韩爽 - HAN Shuang
Casa do Vinho em Berneck. Imagem Cortesia de Faruk Pinjo + Carlos Martinez Architekten
As portas articuladas inundam os ambientes com luz natural, oferecendo a flexibilidade espacial necessária para estabelecer um diálogo constante com o entorno. A série Woodline da Solarlux integra qualidade de fabricação e conhecimento técnico à liberdade arquitetônica, proporcionando soluções de fachadas transparentes para uma arquitetura versátil e sustentável. Além disso, as superfícies naturais valorizam a envoltória do edifício com uma qualidade tátil marcante.
Em janeiro de 2026, o World Monuments Fund/Knoll Modernism Prize foi concedido ao escritório australianoArchitectus pela conservação do Africa Hall em Adis Abeba, Etiópia. O prêmio reconhece que edifícios modernistas, outrora vistos como vanguarda da arquitetura, estão se deteriorando e são pouco valorizados pelo público. A situação na África reflete esse sentimento global, sendo esta a primeira vez que um edifício no continente foi agraciado com a honraria. O prêmio também coloca sob os refletores o rico inventário modernista da Etiópia, que marca seu papel de protagonismo continental nos meados e final do século XX.
Nos primeiros dias após o nascimento, a abelha permanece dentro do ninho, limpando os alvéolos e sendo alimentada por outras operárias. Com o tempo, ela começa a organizar os estoques de pólen, regular a temperatura da colmeia e guardar a entrada. Apenas nas últimas semanas de vida ela deixa o abrigo para voar. É no momento do voo que sua trajetória começa a se cruzar com a arquitetura e a cidade. Em busca de néctar, ela se move por um território moldado não apenas por sua memória espacial e pela disponibilidade de flores, mas também pela forma como construímos o ambiente edificado. Cada movimento torna-se uma negociação com o espaço urbano: superfícies impermeáveis que interrompem os ciclos naturais, correntes de ar intensificadas entre edifícios, vazios desprovidos de vegetação, fragmentos verdes dispersos entre lotes e coberturas técnicas.
A cada doze anos, as margens do Ganges em Prayagraj tornam-se uma das maiores cidades da Terra — e depois desaparecem. O Maha Kumbh Mela atrai mais de 400 milhões de pessoas em peregrinação ao longo de seis semanas, exigindo a construção de uma infraestrutura urbana completa: pontes flutuantes, hospitais de campanha, quilômetros de vias temporárias e uma malha de cidades de tendas visível do espaço. Ao final do festival, tudo é inteiramente desmontado. Nenhum encontro na história da humanidade produz uma arquitetura do movimento tão completa; construída para a chegada, projetada para a transitoriedade e concebida para não deixar vestígios permanentes. O Kumbh Mela é excepcional em escala, mas não em condição: o movimento se tornou um desafio espacial definidor deste século.
Este mês, o ArchDaily explora Arquiteturas do Movimento: Território, Fronteiras e a Política de Pertencimento, um tema que examina como a mobilidade reformula a relação da arquitetura com o território, a propriedade e a identidade. O assunto não aborda o movimento como uma crise a ser gerida, mas como uma lente fundamental para reconsiderar o papel de edifícios, cidades e fronteiras na prática: quem acolhem, quem excluem e o que tornam permanente.
Da iluminação e dos materiais às cores, texturas e formas, cada decisão de projeto molda a maneira como as pessoas percebem, vivenciam e interagem com a arquitetura. Nos interiores contemporâneos, essas escolhas já não são compreendidas como meramente estéticas ou funcionais, influenciando o conforto, o comportamento, o humor e até mesmo a forma como quem utiliza o espaço avalia sua qualidade. O design de banheiros, em particular, cria hoje ambientes cuidadosamente concebidos e com uma identidade marcante, nos quais cada elemento contribui para a experiência espacial como um todo.
Como o design de banheiros influencia os sentimentos de quem o utiliza? Que intervenções ou inovações técnicas podem transformar a experiência de uso final?
Das grandes coberturas e galerias industriais do século XIX aos átrios contemporâneos de museus e edifícios públicos, o vidro tem sido um material recorrente na configuração de espaços internos amplos e monumentais. Mais do que uma solução tecnológica ou de engenharia, esses planos horizontais envidraçados introduzem uma qualidade luminosa singular: a luz que vem de cima. Diferente da luz natural lateral que penetra pelas fachadas, a luz zenital distribui-se de forma mais uniforme, suaviza sombras marcadas e confere aos espaços uma sensação de continuidade e amplitude difícil de alcançar por outros meios.
Quando se conta a história arquitetônica de Hong Kong, ela é frequentemente reduzida a um punhado de ícones. Muitos lembram de imediato de I.M. Pei—laureado com o Prêmio Pritzker e arquiteto da Bank of China Tower em Central (1990), além de obras globais como o Le Grand Louvre em Paris e o Miho Museum em Shiga. Ampliando o olhar, também se encontra uma longa linhagem de arquitetos/as britânicos/as e internacionais cujas marcas moldaram a silhueta institucional da cidade: das obras cívicas de Ron Phillips—com destaque para o antigo Murray Building (1969), hoje The Murray Hotel, e a Prefeitura de Hong Kong (1962)—aos monumentos corporativos e de infraestrutura de Norman Foster, incluindo a torre do Hongkong and Shanghai Banking Corporation (HSBC) (1986) e o Aeroporto Internacional de Hong Kong (1998) e, mais recentemente, o edifício The Henderson (2024), do escritório Zaha Hadid Architects.
No entanto, no mesmo período de Pei e Foster, arquitetos/as locais também produziam edifícios de relevância duradoura—obras que carregavam o legado da Bauhaus, mas o traduziam para uma linguagem nitidamente calibrada para o clima, a densidade e a vida cívica de Hong Kong. Embora esses projetos nem sempre se configurem como ícones comercialmente proeminentes, eles costumam demonstrar um senso mais agudo de responsabilidade social e agenda pública. Entre as figuras mais importantes dessa linhagem está o falecido arquiteto Tao Ho, cujo trabalho e papel público formaram uma vertente mais discreta—mas não menos fundamental—no patrimônio moderno da arquitetura de Hong Kong.
Alguns tipos de trabalho só se tornam visíveis quando deixam de ser realizados. São discretos, repetitivos, raramente celebrados, mas sustentam silenciosamente o funcionamento de qualquer operação. Na arquitetura, essa dimensão raramente aparece nas imagens que circulam. Ao pensarmos na disciplina, evocamos renders sedutores, perspectivas cuidadosamente iluminadas, plantas precisas, desenhos que prometem futuros possíveis ou até utópicos. No entanto, a camada que sustenta esses gestos formais não se encontra na imagem, mas na especificação, no detalhamento e na documentação.
Desde que a inteligência artificial passou a ocupar o centro do debate arquitetônico, a discussão tem sido amplamente pautada por sua capacidade de gerar formas e atmosferas em segundos. Simulações estilísticas, variações conceituais e experimentações visuais passaram a simbolizar o avanço tecnológico na área. Há algo compreensível nesse fascínio: a arquitetura sempre se relacionou com a representação como uma forma de imaginar o que ainda não existe.
"A história da arquitetura não está errada", argumentou Lesley Lokko em sua introdução para a Bienal de Arquitetura de Veneza 2023, "mas está incompleta." Durante a maior parte do século XX, a história da arquitetura falou uma única língua: uma narrativa singular e dominante, centrada em um punhado de movimentos, nomes e cidades, cujo alcance e influência pareciam universais justamente porque as vozes alternativas eram silenciadas. Os movimentos de design, contudo, raramente cruzavam fronteiras intactos. Eram frequentemente absorvidos, resistidos, reinterpretados e transformados a depender da geografia, da política, da economia, do clima e dos materiais disponíveis. O que chegava a um lugar como doutrina tornava-se, em outro, algo inteiramente diferente.
Este mês, o ArchDaily explora Design do Século XX em Fluxo: Uma Reinterpretação Global da História da Arquitetura, um tema que mapeia as linguagens projetuais do século não como um cânone único, mas como uma constelação de trajetórias em evolução, cruzamento e contínua reinvenção. O tema desafia a premissa de que as arquiteturas regionais e não ocidentais eram meramente derivadas — posicionando-as, em vez disso, como locais de reinterpretação ativa, onde ideias globais eram filtradas por materiais, climas, mão de obra e práticas culturais locais para produzir algo inteiramente singular.
Na virada do século XX, movimentos paralelos, mas interligados, ao redor do mundo inauguraram um novo estilo e uma nova era arquitetônica. Do Arts and Crafts na Inglaterra, passando pelo Art Nouveau e posteriormente pelo Art Deco na França, ao Jugendstil na Alemanha e Áustria, esses desdobramentos artísticos e de design se espalharam globalmente, assumindo diferentes formas de acordo com o contexto local. A premissa básica, no entanto, permaneceu semelhante, com foco no valor artesanal e no fazer manual; no uso de madeira, vidro e diversos metais; na integração de formas orgânicas nas fachadas e na estrutura interna; e na incorporação refinada da ornamentação como elemento arquitetônico, frequentemente sob a forma de motivos vegetais ou padrões geométricos.
As equipes de projeto não sofrem com a falta de ferramentas, mas sim com a falta de continuidade. Os dados dos projetos permanecem fragmentados em diversos arquivos, e as decisões frequentemente perdem o contexto à medida que o trabalho avança do planejamento para o projeto e, finalmente, para a construção. Em decorrência disso, as equipes gastam um tempo valioso reconectando informações em vez de fazer o projeto avançar.
Isso evidencia a necessidade de fluxos de trabalho que preservem a intenção de projeto e levem o conhecimento adiante em cada etapa do processo. Sob essa ótica, a ideia de "design and make intelligence" pode ser compreendida como uma transição em direção à continuidade, na qual dados, decisões e aprendizados do planejamento, projeto, construção e operações permaneçam incorporados ao empreendimento, em vez de se perderem na entrega da obra. Nesse contexto, a inteligência artificial (IA) e a automação operam com maior relevância, apoiando-se em informações acumuladas em vez de insumos isolados.