O nicho tem sido um espaço de intenção visível ao longo da história da arquitetura. Na arquitetura romana antiga, servia como um recurso formal esculpido na alvenaria para expor estátuas, vasos ou outros objetos. Esses recuos animavam as paredes de templos, termas e edifícios públicos, conferindo ritmo, profundidade e pontos focais a estruturas que, de outro modo, seriam maciças. Os espaços internos do Panteão emolduravam estátuas de deuses, e as Termas de Caracala utilizavam vazios semelhantes para estruturar salões imensos. Já no Renascimento, o nicho evoluiu para uma moldura arquitetônica refinada. Em Florença, as cavidades externas de Orsanmichele abrigavam estátuas encomendadas por corporações de ofício, enquanto os recuos do Palácio Uffizi exibiam obras escultóricas. Preenchidas ou intencionalmente deixadas vazias, essas aberturas articulavam paredes internas, externas e fachadas, introduziam hierarquia e despertavam interesse visual, funcionando como gestos deliberados feitos para serem vistos.
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A Unidade de Serviços Básicos, um protótipo habitacional em escala real desenvolvido pela ELEMENTAL e Holcim, apresentado em Veneza durante a Bienal de Arquitetura de 2025. Imagem Cortesia de Holcim Awards
Durante a exposição Time Space Existence, organizada pelo European Cultural Centre em Veneza, a empresa de soluções construtivas Holcim e o arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker Alejandro Aravena, junto com seu escritório ELEMENTAL, apresentaram um protótipo em escala real que introduz uma nova abordagem para soluções de habitação incremental.
O protótipo habitacional — The Basic Services Unit — foi construído com a recentemente lançada tecnologia de biochar da Holcim, que transforma edifícios em sumidouros de carbono ao capturar permanentemente o carbono em um material de base biológica chamado biochar. Esse material é utilizado como componente em concretos, cimentos e argamassas de baixo carbono.
Ao redor da Europa — e além dela — arquitetos enfrentam um ponto de inflexão. À medida que metas de redução de emissões colidem com a escassez de materiais e com a urgência crescente dos compromissos climáticos, o ambiente construído é forçado a encarar, de forma mais profunda, como consome, circula e descarta recursos. O que antes era tratado como resíduo revela-se agora como um arquivo arquitetônico adormecido, um ecossistema urbano de materiais à espera de serem recuperados, revalorizados ou reimaginados. Nesse movimento, os arquitetos começam a assumir um papel radicalmente diferente — não apenas como autores de edifícios, mas como orquestradores dos fluxos que os sustentam.
Essa mentalidade emergente está remodelando as bases da prática. Em vez de depender de longas e extrativas cadeias de suprimento, designers começam a construir redes de ciclo fechado, criando bancos de materiais, negociando protocolos de desconstrução e participando de novas formas de mineração urbana.
Como o setor da construção molda o futuro das cidades? Quais desafios ele enfrenta? No cruzamento de pressões demográficas, sociais, energéticas e climáticas, o setor da construção está mudando rapidamente. Profissionais, instituições e cidadãos/as trabalham em conjunto para construir ambientes que promovam a saúde e o bem-estar, incentivem soluções duráveis e sensíveis ao contexto local, reduzam as emissões de carbono, resistam aos riscos climáticos e ofereçam moradia acessível e de alta qualidade.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142704/vagas-em-xangai-atelier-xy-contrata-designer-de-interiores-especialista-em-marketing-e-midia-estagiario-a韩爽 - HAN Shuang
Encontrar as ferramentas certas para representar a ideia de um projeto ou executar uma obra continua sendo um desafio constante para profissionais de arquitetura e design. Embora softwares de desenho, modelagem 3D e cálculo tenham aumentado a precisão e a eficiência, muitos/as arquitetos/as continuam utilizando ferramentas legadas aprendidas na academia ou na prática — ferramentas que parecem familiares, mas que não oferecem necessariamente a melhor experiência de projeto. De interfaces sobrecarregadas e fluxos de trabalho travados a plug-ins infinitos e ao vaivém constante entre softwares desconectados, as ferramentas tradicionais de projeto costumam revelar sua complexidade e fragmentação.
Atenas destaca-se como uma cidade onde o legado da Antiguidade está entrelaçado em sua paisagem urbana moderna e vibrante. Marcos de renome mundial da Grécia Antiga, como a Acrópole e o Partenon, erguem-se como símbolos duradouros da arquitetura clássica e do rico passado da cidade. Estas estruturas refletem os princípios fundamentais de simetria e equilíbrio que influenciaram gerações de arquitetos e arquitetas e continuam a atrair estudiosos de todo o mundo. No entanto, Atenas é também uma metrópole próspera onde a arquitetura contemporânea coexiste com as suas contrapartes históricas. Desenvolvimentos recentes, liderados por escritórios internacionais e arquitetos e arquitetas locais, focam em sustentabilidade e inovação, ao mesmo tempo em que respeitam o rico patrimônio cultural de Atenas. Esta dualidade — preservar o antigo enquanto acolhe o novo — reflete as aspirações urbanas mais amplas da Grécia, tornando Atenas um ponto focal no discurso arquitetônico global. A evolução arquitetônica da cidade também se estende à sua cena de arquitetura contemporânea e design de interiores, que vem ganhando reconhecimento internacional.
Para celebrar essa evolução arquitetônica, este guia de cidades apresenta os marcos históricos de Atenas ao lado da seleção de projetos do ArchDaily com foco na arquitetura contemporânea e da curadoria do Designboom de designs de interiores inovadores. Juntos, eles destacam o papel de Atenas como um polo de inovação em design.
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Geração de conceito arquitetônico alimentada por IA. Imagem cortesia do AIRI Lab
À medida que as ferramentas de inteligência artificial avançam sobre as indústrias criativas, a arquitetura se depara com um momento decisivo: como adotar sistemas que ampliem o pensamento de projeto sem desgastar a autoria ou o ofício. Para compreender como a profissão está reagindo, o AIRI Lab realizou uma pesquisa com designers e lideranças de escritórios como LWK+P, MVRDV, Gensler, Büro Ole Scheeren, CUBE, HUAYI, entre outros. Suas respostas revelam uma visão nuançada e pragmática: a IA atua como colaboradora, e não como um substituto.
Por muito tempo, a arquitetura foi entendida como uma atividade essencialmente individual, dependente da figura de um gênio criativo e centrada na habilidade de resolver problemas por meio do desenho. Com o tempo, essa imagem começou a se desgastar. O protagonismo outrora concentrado em poucos nomes atingiu seu auge na era dos *starchitects* e, gradualmente, passou a se distribuir entre escritórios, coletivos e equipes multidisciplinares. Hoje, profissionais da arquitetura expandem suas fronteiras para outros campos, como gastronomia, música, design e o ambiente corporativo, aplicando o pensamento espacial para enfrentar desafios de diversas naturezas. À medida que as crises sociais, ambientais e políticas se aprofundam, o papel do/a arquiteto/a continua a evoluir, deixando de lado a autoria solitária para se consolidar em uma atuação baseada na mediação, no ativismo e na agência coletiva de transformação. Essa mudança reflete um despertar ético e o reconhecimento de que o projeto, a regulamentação e o cuidado são dimensões indissociáveis da prática contemporânea.
Símbolo máximo de Manhattan, o Waldorf Astoria New York reabriu oficialmente ao público este ano após uma ampla reforma. Ao longo de sua rica história, a propriedade passou por inúmeras transformações, desde as suas origens no século XIX até o marco moderno que se ergue entre a Park Avenue e a Lexington Avenue.
Reimaginar um edifício pioneiro na hotelaria moderna — uma joia no horizonte de Nova York — representou um desafio que exigiu uma colaboração estreita entre especialistas em preservação, profissionais de visualização 3D, arquitetura e design. Juntos, esses grupos trabalharam para preservar seu patrimônio arquitetônico tombado, atendendo, ao mesmo tempo, às expectativas contemporâneas de conforto e primor técnico.
A construção residencial moderna nos Emirados Árabes Unidos demonstra a necessidade de soluções avançadas de envelope térmico em climas quentes e áridos, onde o resfriamento pode representar até 70% do consumo de pico de eletricidade. Imagem cortesia de Terraco
A Terraco, líder global em Sistemas de Acabamento e Isolamento Térmico pelo Exterior (EIFS), demonstrou por meio de estudos independentes que, ao planejar a reforma de edifícios, é essencial adotar uma estratégia de retrofit profundo que inclua medidas de eficiência energética, tais como o isolamento térmico de paredes externas e coberturas.
Os estudos mostram que o consumo de energia para resfriamento de edifícios pode ser reduzido em até 47% ao ano em climas do Oriente Médio e do Sul da Ásia, como resultado direto da aplicação combinada dos sistemas EIFS e de Isolamento de Coberturas da Terraco, em comparação com estruturas cujas paredes externas e coberturas não possuem isolamento.
O município de Cunha, localizado no estado de São Paulo, é uma região conhecida por sua paisagem interiorana, terreno montanhoso e, especialmente, uma grande produção de cerâmicas de renome nacional. É nesse contexto que o escritório messina | rivas vem atuando desde 2017, com um conjunto de projetos localizados em uma fazenda. Seu trabalho, que integra design e construção de forma indissociável, resulta em intervenções que revelam uma abordagem sensível às condições preexistentes e ao ambiente ao seu redor.
A relação entre o escritório, liderado pelos arquitetos Francisco Rivas e Rodrigo Messina, e o local começou com uma pequena reforma de uma casa de hóspedes para receber amigos. O projeto resultou na transformação de dois quartos existentes em suítes e na criação de uma cozinha externa. Desde então, as demandas crescentes e a necessidade de adaptar os edifícios existentes impulsionaram o design de outros projetos distribuídos pelo mesmo local.
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ARCHISONIC® Cotton MOSAIC e ARCHISONIC® Felt CIRC moldando espaços com elegância sustentável. Imagem cortesia de Impact Acoustic
O que define um espaço primeiro ao entrar: o som ou a impressão visual? A arquitetura é frequentemente comunicada através de estruturas e superfícies, mas um de seus componentes mais essenciais move-se de forma invisível pelo ar: o som. Ele molda a sensação de um espaço muito antes de uma parede ou teto serem percebidos. O design computacional une essas dimensões, permitindo que arquitetos/as e designers criem estruturas exclusivas onde a acústica e a estética se complementam mutuamente, em vez de existirem em paralelo. Ao fazer uso de algoritmos avançados, processos complexos de projeto se transformam em soluções intuitivas e acessíveis que moldam destaques acústicos e visuais sob medida para cada projeto. Esta abordagem combina lógica paramétrica com inovação material, equilibrando eficiência, sustentabilidade e design expressivo na mesma medida.
Com ênfase no impulso a novas ideias, criações e propostas que definam um novo padrão na arquitetura contemporânea, cada edição do Projeto 10 de 10 da Porcelanosa México é concebida como uma plataforma para explorar e aplicar materiais em projetos de inovação. Projetando a partir do essencial e criando sem impor, a busca se concentra em uma arquitetura que respeita o ritmo do entorno, evolui com o tempo e se conecta desde a sua origem ao criar lugares que respiram por meio de materiais naturais, respeitando sua essência, textura e procedência. Para além da estética dos materiais, a fusão com o entorno, as texturas, as cores e até mesmo sua relação com a luz natural fazem parte da experiência sensorial dos espaços.
No design de sanitários públicos, a inovação vai muito além da estética — ela transforma toda a experiência de uso. Uma das tendências mais interessantes da atualidade é a integração de todos os elementos funcionais — secadores de mãos, torneiras, dispensers de sabão e de papel — atrás do espelho.
Essa abordagem cria uma estética mais limpa e minimalista, ao mesmo tempo em que otimiza o espaço e melhora a higiene. Todos os dispositivos permanecem totalmente funcionais, porém ocultos: basta aproximar as mãos do local indicado no espelho para que o equipamento seja ativado automaticamente — sem necessidade de contato físico.
Misturador Meta em Matte Black. Imagem cortesia de Dornbracht
Os espaços residenciais estão encolhendo? À medida que as cidades se tornam mais densas e a população global continua sua migração constante em direção aos centros urbanos — com projeção de atingir cerca de 70% até 2050 —, o espaço doméstico torna-se cada vez mais reduzido. O aumento dos preços dos terrenos, os altos custos de construção e o crescimento de domicílios de uma única pessoa impulsionam as incorporadoras a criar unidades menores e plantas mais enxutas. Ao mesmo tempo, mudanças culturais em direção à eficiência de recursos e a um estilo de vida minimalista apoiam esse movimento. Espaços residenciais reduzidos exigem menos materiais, consomem menos energia e incentivam as pessoas a viver de forma mais equilibrada com seus recursos.
Embora o reuso adaptativo venha sendo cada vez mais reconhecido como uma estratégia arquitetônica vital em todo o mundo, sua discussão e implementação na Ásia ainda estão em expansão — impulsionadas por uma crescente consciência ecológica e por uma mudança na compreensão do conhecimento arquitetônico. Em vez de acelerar um modelo desenvolvimentista centrado na demolição e em novas construções, profissionais da arquitetura hoje se deparam com uma abordagem diferente em relação ao ambiente construído: tratar a estrutura existente como um recurso — um arquivo de materiais, organizações espaciais e histórias informais.
O reuso adaptativo é frequentemente associado à preservação de edifícios históricos e patrimônios de relevância cultural. No entanto, o vasto campo de estruturas aparentemente "menos valorizadas" — casas abandonadas, residências comuns embora antigas, edifícios de escritórios fora das normas vigentes e vazios urbanos negligenciados — tornou-se um terreno fértil para a experimentação. Esses locais desafiam profissionais de arquitetura e design a reconsiderarem os padrões vigentes de eficiência e desenvolvimento orientados pelo mercado, bem como a imaginarem práticas espaciais e ecológicas que evitem a perda contínua de material incorporado e do conhecimento cultural inerente à reconstrução constante.
O espaço arquitetônico há muito é moldado pela permanência: cômodos com funções fixas, fachadas que definem claramente onde o exterior termina e o interior começa. No entanto, a vida contemporânea é definida pela sobreposição e pela transição: entre o trabalho e o morar, o interior e o exterior, a privacidade e a comunidade. As necessidades espaciais evoluem continuamente, exigindo uma arquitetura capaz de responder, adaptar-se e permanecer relevante ao longo do tempo.
Nesse contexto, a adaptabilidade surge não apenas como uma ambição de projeto, mas como uma necessidade sustentável. Edifícios que se ajustam a usos dinâmicos, climas em transformação ou novas formas de habitar prolongam sua vida útil e reduzem a necessidade de demolições ou grandes reformas (retrofits). A flexibilidade torna-se uma medida de resiliência, permitindo que as estruturas mantenham sua vitalidade ao longo de décadas. Mas de que maneira a arquitetura pode responder às formas em constante evolução como habitamos e vivenciamos o espaço?
Em meio a uma era de novos paradigmas, a arquitetura hoteleira contemporânea repensa a adoção de novas tecnologias, a incorporação de princípios de sustentabilidade e eficiência energética, bem como a personalização das experiências de seus usuários. Redefinindo o design dos espaços interiores e exteriores dos hotéis, integram-se desde soluções de projeto adequadas ao clima de cada região até a aplicação de materiais reciclados e projetos bioclimáticos, buscando gerar o menor impacto ambiental possível.
As cidades reúnem o melhor e o pior da condição humana. Elas concentram oportunidades de trabalho, redes sociais e produção cultural, mas também expõem profundas desigualdades sociais. Entre as muitas formas de exclusão urbana estão o acesso limitado ao transporte, à moradia, ao lazer ou a questões de segurança. Uma vertente raramente debatida é a desigualdade térmica. Em bairros de menor renda, onde há menos árvores, parques e superfícies permeáveis, o calor se acumula e o desconforto térmico predomina, resultando em maior consumo de energia e riscos à saúde. À medida que cresce a preocupação com a crise climática, essa discussão se torna mais urgente: o calor extremo já não é apenas um fenômeno climático, mas também uma expressão espacial da desigualdade.
Jurong Lake Gardens é um dos mais novos jardins nacionais de Cingapura, um oásis urbano de 90 hectares para a comunidade. A membrana EPDM PondGard da Elevate foi utilizada para impermeabilizar o lago. Imagem cortesia de Holcim
O futuro do planejamento urbano e da arquitetura é promissor se o mundo, coletivamente, olhar além do conceito de mera sustentabilidade e, em vez disso, adotar uma abordagem positiva para a natureza. À medida que o crescimento populacional global impulsiona uma rápida urbanização — exigindo que a humanidade construa o equivalente a uma cidade do tamanho de Madri a cada semana pelas próximas décadas —, o setor da construção enfrenta um desafio decisivo: como construir ambientes urbanos duráveis, energeticamente eficientes e resilientes em harmonia com os ecossistemas naturais.
Este concurso internacional convidou arquitetos/as, artistas e designers a criarem esculturas públicas visionárias que refletissem o rico patrimônio cultural e as ambições futuras da Arábia Saudita. À medida que o Reino passa por uma profunda transformação sob a chancela da Vision 2030, esta iniciativa — organizada em parceria com a Iniciativa Mujassam Watan — buscou propostas que dialogassem tanto com a história quanto com o futuro, a tradição e a inovação no espaço público.
Como parte do contexto da experiência, o conceito de exposição na arquitetura está estreitamente ligado à percepção. Compreender a jornada do/a usuário/a, reconhecer as propriedades e características de cada elemento e revelar a metodologia por trás de seu funcionamento são aspectos vitais do processo de projeto e desenvolvimento desses espaços. De equipamentos, mobiliário e obras de arte a materiais e tecnologias de construção, a arquitetura e o design de interiores demonstram um potencial criativo cada vez mais significativo para desenvolver soluções que fundem perspectivas históricas, paisagísticas e sociais.