Fundado como um escritório que atua na interseção entre arquitetura e projetos de base comunitária, o pk_iNCEPTiON está sediado em Maharashtra, Índia. O estúdio, um dos vencedores do prêmio ArchDaily 2025 Next Practices Awards, desenvolve escolas rurais, casas, bibliotecas e edifícios públicos, sempre com foco na organização espacial e na adaptabilidade. Atuando em diversos contextos sociais e climáticos, o pk_iNCEPTiON aborda o projeto com uma atenção minuciosa ao movimento, à escala e à relação entre a forma construída e o espaço livre.
Como principal interface entre os espaços internos e o ambiente externo, as fachadas desempenham um papel central tanto no desempenho quanto na expressão arquitetônica dos edifícios. Cada vez mais, elas deixam de ser vistas como envelopes estáticos para se tornarem mediadoras ativas entre clima, energia, uso e estética. Em contextos urbanos densos, no entanto, elas também ganham relevância por outro motivo: enquanto as superfícies de cobertura costumam ser limitadas, fragmentadas ou já ocupadas por equipamentos técnicos, os envelopes verticais permanecem amplamente subutilizados em termos de produção de energia.
Este artigo faz parte da nossa nova seção Opinião, um formato para ensaios baseados em argumentos sobre questões críticas que moldam nossa área.
Tradicionalmente, a visita a um museu é uma ocasião programada, com uma sequência claramente roteirizada. A chegada é marcada de forma cerimonial — por escadarias monumentais ou limiares, por bilheterias e balcões de informações, por um audioguia e um conciso prefácio institucional sobre missão e história. Esse caráter deliberado de "ocasião especial" decorre da forma como os museus foram concebidos por muito tempo: intencionalmente excepcionais, rigidamente curados e organizados em torno de um arco narrativo específico. Nesse modelo, o museu assume uma voz de autoridade — seu conhecimento é profundo, validado e deve ser respeitado, não contestado —, enquanto a arquitetura e a coreografia reforçam uma maneira única de entrar, aprender e lembrar.
Invenção da cor, de Hélio Oiticica. Imagem via Carlos Reis Wikimedia Commons, CC BY-NC-SA 2.0
Muitas das ideias espaciais que hoje associamos à arquitetura contemporânea, ao uso coletivo e à experiência corporal não se originaram apenas nos edifícios. Na América Latina, esses conceitos foram frequentemente explorados primeiro por meio da arte, em um momento em que artistas questionavam ativamente como o espaço poderia ser ocupado, compartilhado e vivenciado para além das formas tradicionais.
Em meados do século XX, a região passou por uma rápida urbanização e por profundas transformações sociais. Esperava-se cada vez mais que a arquitetura respondesse à vida pública, à coletividade e a novas maneiras de habitar o espaço. Paralelamente, a arte oferecia um campo de experimentação mais flexível, menos condicionado pela função, pelas regulamentações ou pela permanência. Como resultado, muitas questões espaciais foram testadas por meio de práticas artísticas antes de passarem a integrar o pensamento arquitetônico.
Propostas de destaque: Common Spaces. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner, em colaboração com a Cidade e o Condado de Denver e o AIA Colorado, anunciou os vencedores do Denver Affordable Housing Challenge, um concurso internacional de ideias que investiga como a acessibilidade econômica e a excelência no design podem se fortalecer mutuamente dentro do contexto urbano, social e ambiental específico de Denver.
Como a décima nona edição da série Affordable Housing Challenge da Buildner, o concurso convidou profissionais de arquitetura e design de todo o mundo a responderem à crise habitacional de Denver por meio de propostas que operassem em escalas arquitetônica, urbana e sistêmica. O edital não prescreveu um terreno ou tipologia únicos; pelo contrário, incentivou estratégias flexíveis capazes de abordar a acessibilidade econômica, a resiliência climática e o impacto comunitário, ao mesmo tempo em que contribuíssem positivamente para a identidade urbana de Denver.
Duas semanas e mais de 85.000 indicações depois, foram definidos os finalistas do Building of the Year Awards deste ano. A seleção reflete o perfil do próprio público do ArchDaily que a escolheu: geograficamente diversa, generosa em ideias e precisa em suas intenções. Reunindo projetos de 46 países, em uma ampla variedade de tipologias e escalas, a lista apresenta um belo panorama do momento atual da arquitetura.
Convidamos você a navegar pela seleção e votar em seus projetos favoritos. Abaixo, apresentamos os 75 finalistas divididos em suas respectivas categorias. A votação estará aberta até o dia 18 de fevereiro, às 18:00 EST. Agradecemos a sua participação — ela é fundamental para consolidar este como o maior prêmio de arquitetura do mundo decidido pelo público.
Três projetos foram escolhidos pela comunidade do ArchDaily em Espanhol como os vencedores do Prêmio Obra do Ano 2026. Os vencedores, representando o Peru e o Equador, foram selecionados após três semanas de votação pública, entre mais de 800 projetos. O prêmio reconhece o melhor da arquitetura da América Latina e da Espanha, decidido por sua comunidade.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093782/descubra-os-vencedores-do-premio-obra-do-ano-2026-do-archdaily-em-espanholArchDaily Team
Áreas de remediação. Imagem cortesia de Ezequiel Lopez, Maria Victoria Echegaray e Agustina Durandez
Quando se pensa na Argentina, costuma-se imaginar marcos como o Obelisco de Buenos Aires. No entanto, o país se estende por mais de 2.780.400 km², sendo um dos maiores da América do Sul e abrigando uma ampla diversidade de paisagens e realidades que frequentemente passam despercebidas. De fato, a província de Jujuy, no norte da Argentina, está localizada no Triângulo do Lítio: uma região de alta altitude compartilhada com a Bolívia e o Chile que concentra cerca de 54% das reservas mundiais de lítio. Nesse território encontra-se o Salar de Olaroz, um local onde hoje convergem duas dinâmicas conflitantes: a expansão da extração industrial de lítio e a preservação da cultura e das terras ancestrais habitadas pelas comunidades Kolla e Atacama, gerando um embate entre a extração industrial de alta capacidade e as práticas agrícolas tradicionais de baixo impacto.
Diante dessa problemática, uma das equipes vencedoras do ArchDaily Student Project Awards, composta por Ezequiel Lopez, Maria Victoria Echegaray e Agustina Durandez, decidiu investigar o tema. O trabalho foi desenvolvido como projeto de conclusão de curso para a graduação em Arquitetura na Universidade Nacional de Córdoba. A proposta nasce do interesse em dialogar com territórios que permanecem periféricos ao discurso arquitetônico, utilizando o trabalho de conclusão como uma oportunidade para uma pesquisa profunda e contínua. Isso possibilitou a formulação de respostas projetuais embasadas e fundamentadas nas realidades territorial e socioeconômica. Ao rejeitar a oposição binária entre extração e preservação, o projeto aborda o território como um sistema no qual ambas as dinâmicas podem coexistir por meio da mediação espacial e técnica.
Utilizando chapas maciças de aço, muitas vezes com vários centímetros de espessura e pesando toneladas, as esculturas de Richard Serra transmitem uma sensação quase improvável de leveza. Esse efeito não resulta de uma redução de massa, mas de como essa massa é organizada: grandes superfícies curvas se inclinam, passagens estreitas comprimem o corpo e elementos aparentemente instáveis criam uma sensação constante de desequilíbrio. Serra transforma o peso em uma experiência espacial dinâmica.
Na arquitetura, a leveza ocupa um papel central pelo menos desde o período moderno. Se tradições anteriores, como as arquiteturas grega e romana, estavam intimamente associadas à estabilidade, e as grandes igrejas à monumentalidade, o século XX introduziu uma mudança decisiva na forma como a matéria é tratada, sobretudo por meio da separação entre estrutura e fechamento.
Em 1743, uma pequena cabine suspensa por cordas foi instalada em um pátio do Palácio de Versalhes para o uso privado do rei Luís XV. Operada manualmente por servos ocultos aos olhos do público, a chamada "cadeira voadora" permitia o deslocamento entre pavimentos sem o uso de escadas, introduzindo, sem saber, uma das questões centrais da arquitetura moderna: como transportar pessoas verticalmente de maneira eficiente, segura e integrada ao edifício.
A mecanização desse princípio, com l'introdução do elevador de segurança no início da década de 1850, abriu caminho para uma transformação urbana sem precedentes. Sem o elevador, os arranha-céus de Chicago e Nova York na década de 1880 teriam sido inviáveis — não por limitações estruturais, mas por questões de acesso. O elevador não apenas permitiu construir mais alto, mas também definiu a lógica de funcionamento desses edifícios, a localização de seus núcleos, a organização de seus halls de entrada e quem poderia acessar cada espaço.
O terceiro episódio do podcast Room For Dreams enfrenta um dos dilemas mais urgentes do planejamento urbano contemporâneo: como dar nova vida a estruturas antigas sem apagar sua história. Gravada ao vivo na Milan Design Week 2026 em colaboração com a INDX|GLOBAL, esta sessão dinâmica reúne um painel de arquitetos/as — Kiran Gala, Vivek Gupta e Carl Bhesania — para destrinchar as complexas realidades do reuso adaptativo.
Soporte oculto para vigas - CBH. Image Cortesía de Simpson Strong Tie
No campo da arquitetura, a madeira foi um dos primeiros materiais utilizados pelos seres humanos na construção, evoluindo e enfrentando vários desafios ao longo dos anos. Desde a incorporação de novas tecnologias nos processos de produção industrial até técnicas e materiais ancestrais reinterpretados de forma contemporânea, a construção em madeira continua despertando interesse entre profissionais da arquitetura e do design. Além de sua versatilidade, resistência, aparência e sustentabilidade, a madeira contralaminada, conhecida como CLT, apresenta um cenário promissor para o futuro da indústria.
Porta blindada pivotante Di.Big. Imagem cortesia de Porte Blindate
O que transforma um espaço de habitação em um lar? Para além da posse ou do abrigo, o lar está associado a uma sensação mais silenciosa de certeza: a percepção de que é possível se retirar, descansar e se afastar momentaneamente da imprevisibilidade do mundo. Os lares são locais onde as rotinas se acumulam, onde as memórias se assentam nos espaços e objetos, e onde a identidade pessoal ganha forma física através da ocupação e dos rituais cotidianos. Contudo, esse sentimento de pertencimento depende de outra condição que frequentemente passa despercebida até ser interrompida: a segurança. Sentir-se "em casa" implica uma condição de conforto e estabilidade. Quando os ambientes domésticos não conseguem proporcionar isso, os espaços concebidos para o descanso tornam-se fontes de inquietude, afetando sutilmente as rotinas e o bem-estar.
Tanto em cidades quanto em paisagens, essas injustiças estão inscritas no tecido físico dos lugares, revelando, inclusive, disparidades extremas nas condições ambientais entre bairros e distritos. Bairros densos e com pouca cobertura vegetal, por exemplo, absorvem e retêm calor, expondo a população residente a taxas mais elevadas de enfermidades relacionadas ao calor. Rodovias, corredores industriais, portos e instalações de tratamento de resíduos concentram-se próximos a bairros de baixa renda e comunidades racializadas, moldando as condições de saúde, a qualidade do ar e do solo, e a segurança a longo prazo.
Convidamos você a participar do ArchDaily China's 2026 Building of the Year Awards. Pedimos que nos ajude a reconhecer e premiar os projetos que, em sua opinião, estão gerando o maior impacto no ambiente construído e que foram publicados em nosso banco de dados no ArchDaily China em 2025. Ao indicar e votar, você passa a fazer parte de uma rede interdependente, imparcial e distribuída de jurados/as e pares que tem nos ajudado continuamente a celebrar a arquitetura de todas as escalas, propósitos e condições, de países grandes e pequenos, realizada por arquitetos/as de todas as trajetórias. Nas próximas semanas, seus votos farão com que uma lista de 455 projetos seja reduzida a apenas 15 finalistas. Os 15 projetos mais indicados seguirão para a etapa de votação.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093917/ultimos-dias-para-indicacoes-ao-premio-obra-do-ano-2026-do-archdaily-china韩爽 - HAN Shuang
"Até 2050, quase todas as crianças do mundo — cerca de 2,2 bilhões de crianças — estarão expostas a ondas de calor frequentes." O alerta do UNICEF é frequentemente interpretado como uma previsão de saúde pública, mas também constitui um desafio para a arquitetura e para a maneira como as cidades são construídas. À medida que o calor extremo se intensifica pela Ásia, Europa e outras regiões, o conforto térmico não deve ser reduzido a um mero serviço interno fornecido por máquinas. O ar-condicionado tornou-se um sistema de suporte à vida para muitas cidades, especialmente em regiões densas, úmidas e em rápida urbanização. Contudo, depender dele como a resposta padrão significa tratar o calor como algo que pode simplesmente ser transferido para outro lugar (gerando calor adicional no processo) — expulso dos interiores para as ruas, becos de serviço, redes elétricas e a atmosfera. Sua expansão eleva a demanda energética, produz calor residual e reforça a desigualdade no acesso ao conforto.
O calor, no entanto, não se restringe ao corpo humano. Ele reorganiza o ecossistema urbano de forma mais ampla: as árvores sofrem com o solo compactado e pavimentos radiantes; pássaros e insetos perdem seu habitat quando a vegetação é reduzida a um paisagismo decorativo; os sistemas aquáticos se aquecem, a vida microbiana se altera, e os materiais absorvem e liberam calor muito depois de o sol ter se posto. O calor não é meramente um problema climático do qual se possa escapar em ambientes fechados. Trata-se de um agente urbano que remodela o espaço público, o trabalho, a mobilidade, o plantio, as escolhas de materiais e as relações frágeis entre a vida humana e a não humana.
A Buildner anunciou os resultados da 7ª edição do Museum of Emotions Competition. O Museum of Emotions é um concurso internacional anual de projeto que desafia os/as participantes a explorar até que ponto a arquitetura pode ser utilizada como ferramenta para evocar emoções.
O programa propõe a criação de um museu conceitual com duas salas de exposição: uma projetada para induzir emoções negativas; a outra, para induzir emoções positivas. Os/as participantes têm a liberdade de escolher qualquer local de sua preferência, real ou imaginário, bem como a escala do projeto. O significado de "positivo" e "negativo" fica aberto a interpretações: quais seriam as duas emoções contrastantes na visão de um/a designer? Como um/a arquiteto/a conceberia espaços capazes de suscitar medo, raiva, ansiedade, amor ou felicidade?
Ao longo da última década, o conceito de espaço destinado às artes cênicas passou por uma transformação. Não mais vistos como destinos de propósito único, espera-se que os complexos culturais de hoje funcionem como ecossistemas flexíveis, geradores de receita e centrados na comunidade. Essa evolução tem desafiado arquitetos/as, operadores e proprietários a repensarem não apenas o projeto desses espaços, mas também como eles funcionam ao longo do tempo.
A arquitetura sempre dependeu de sistemas de representação para tornar as ideias visíveis antes de existirem. Contudo, se a perspectiva linear de Filippo Brunelleschi no século XV organizava o espaço segundo a percepção humana, hoje os/as arquitetos/as enfrentam uma saturação de imagens sem precedentes. A inteligência artificial gera atmosferas em segundos, e os projetos circulam continuamente muito antes do início da construção. Entretanto, a abundância de imagens não se traduz necessariamente em maior clareza e, à medida que os fluxos de trabalho na arquitetura se tornam mais rápidos e fragmentados, as representações visuais por vezes circulam desvinculadas das decisões, restrições e intenções que as geraram. O verdadeiro valor da visualização moderna já não se resume à renderização de uma imagem final; trata-se de como o projeto e a comunicação visual são compreendidos coletivamente ao longo de todo o processo.
WORKac é um escritório com sede em Nova York fundado em 2003 por Amale Andraos e Dan Wood. A firma sempre acreditou no "poder da arquitetura e do design de engajar-se em questões ambientais e sociais, criando novas possibilidades para o futuro." Nesse sentido, os/as diretores/as do escritório definem sua abordagem da arquitetura como uma evolução constante. Para eles/as, trata-se de um processo contínuo de aprendizado, questionamento e reaprendizado, alimentado pelo envolvimento do escritório com a cultura, os climas e as histórias locais, além do debate nos campos da ecologia, do paisagismo e do urbanismo. Dessa forma, conseguem integrar esses temas com foco em projetos públicos, culturais e cívicos que buscam reinventar a maneira como as pessoas vivem, trabalham e vivenciam o mundo.
In no coastal and jungle regions of Costa Rica, high humidity and intense solar radiation dictate an architectural strategy centered on permeability rather than enclosure. Unlike the airtight envelopes required in cold climates to retain heat, Costa Rican architecture uses the building envelope as a climatic filter to maximize air exchange. The primary mechanism for managing these thermal gradients seems to be the oversized roof overhang. By extending the roof plane significantly beyond the floor plate, architects create a permanent buffer of deep shade that reduces solar gain and lowers the ambient temperature before air enters the structure. This strategy, combined with permeable or non-existent walls, allows for constant airflow. This is a critical technical requirement for humidity control and the prevention of material degradation through mold and rot.
No competitivo cenário atual do design, a Modelagem de Informação da Construção (BIM) já não é apenas uma tendência — tornou-se um requisito básico. Ainda assim, muitos escritórios enfrentam dificuldades para equilibrar a complexidade e o esforço envolvidos com o valor real que obtêm em troca. Mas e se fosse possível colher os benefícios do BIM sem aumentar a carga de trabalho de forma desnecessária? Adotar uma abordagem enxuta (lean) para o BIM — focada em eficiência, clareza e resultados reais do projeto — pode ajudar as equipes de arquitetura a simplificar seus fluxos de trabalho, fortalecer a colaboração e manter o controle criativo desde a concepção até a entrega.
O papel da reabilitação do patrimônio na paisagem arquitetônica contemporânea é moldado por uma ampla gama de pesquisas, crenças, memórias e esforços que visam redefinir e fortalecer o nosso ambiente construído. Ao empreender um projeto de transformação, reforma ou preservação, profissionais da arquitetura podem recorrer a diversas estratégias e ferramentas para incentivar uma coexistência significativa entre o que já existe e o que é recém-introduzido. Junto com três escritórios de arquitetura sediados em Madri — SOLAR, Pachón-Paredes e BA-RRO —, propusemo-nos a dialogar e explorar seus processos criativos e ideais, reconhecendo a complexidade e o valor dos edifícios históricos como repositórios de materiais, estruturas e técnicas construtivas de outras épocas.