Buildner, em parceria com o Governo de Dubai, anunciou os resultados do concurso House of the Future 2024/25. Após o sucesso de sua edição inaugural em 2023, esta segunda edição convidou arquitetos/as e designers do mundo todo a desenvolverem um protótipo de residência acessível, expansível e inovador, adaptado às necessidades em constante evolução das famílias dos Emirados.
Organizado em colaboração com o Mohammed bin Rashid Centre for Government Innovation e o Sheikh Zayed Housing Programme, o concurso ofereceu uma premiação total de € 250.000 (1 milhão de AED). As propostas vencedoras estão sendo avaliadas para potencial inclusão no catálogo nacional de projetos habitacionais dos Emirados Árabes Unidos, que oferece à população uma seleção de modelos de residências inovadoras e pré-aprovadas.
A saúde tornou-se uma preocupação central na arquitetura, no planejamento urbano e no design, impulsionada por uma crescente consciência sobre como o ambiente construído influencia o bem-estar físico, mental, social e ambiental. Em 2025, essa percepção foi além de tipologias de edifícios especializados ou de métricas de desempenho, passando a ocupar o centro das decisões arquitetônicas e moldando a forma como os espaços são concebidos, construídos e habitados em diversos contextos. Arquitetos e arquitetas já não tratam a saúde como um requisito externo, mas sim como uma condição fundamental da vida cotidiana.
No design contemporâneo de escolas de educação infantil no Japão e na China, arquitetos e arquitetas estão transformando os espaços internos, deixando de lado o conceito de mero recipiente para criar um ambiente multissensorial ativo. Essa transição parece acompanhar estudos em psicologia do desenvolvimento que sugerem que a experiência espacial da criança começa com um engajamento sensório-motor, por meio do toque e da manipulação. Dessa forma, esses projetos dão grande ênfase ao uso de materiais e à abordagem do aprender brincando. Arquitetos e arquitetas parecem estar indo além das salas de aula tradicionais, criando ambientes táteis, estimulantes e enraizados em seus contextos específicos. Os próprios edifícios se tornam ferramentas pedagógicas, incentivando as crianças a aprender e explorar por meio do engajamento físico direto.
A arquitetura e suas qualidades atmosféricas há muito são objeto de discussão, mas alcançar um consenso sobre o assunto continua sendo uma tarefa complexa. Isso ocorre, em grande parte, porque a experiência espacial é profundamente pessoal — enraizada em emoções, percepções sensoriais e preferências individuais difíceis de articular apenas com palavras. A maneira como cada pessoa percebe, sente e interage com um espaço adiciona outra camada de complexidade, tornando desafiador definir e concordar sobre seu impacto atmosférico. Ainda assim, arquitetos/as e designers buscam continuamente moldar ambientes que não sejam apenas funcionais e confortáveis, mas também capazes de evocar emoções e deixar uma impressão duradoura em seus ocupantes.
Trabalhadores/as domésticos/as em Hong Kong e Cingapura constituem a infraestrutura silenciosa dessas cidades. Apenas em Hong Kong, há cerca de 300.000 profissionais do setor doméstico, atendendo a uma parcela das aproximadas 2,7 milhões de residências. O trabalho de cuidado que realizam sustenta a rotina de famílias em que ambos os cônjuges trabalham fora: cuidados infantis, cuidados com idosos/as, cozinha, limpeza e a logística diária que viabiliza a vida profissional dos/as empregadores/as. No entanto, as pessoas que sustentam esse equilíbrio permanecem amplamente invisíveis nas políticas públicas — e, fundamentalmente, no espaço.
Aos domingos, no distrito financeiro de Hong Kong, essa invisibilidade se torna visível. Passarelas elevadas e praças sob pilotis — subutilizadas nos fins de semana — transformam-se em espaços comuns improvisados. Com esteiras de papelão, pequenas barracas, toalhas, comida, água e uma ou duas caixas de som, trabalhadores/as domésticos/as organizam locais para sentar, descansar e socializar. Esses ambientes improvisados na cidade costumam ser sua única oportunidade de exercer a agência espacial — algo que raramente possuem nos lares que mantêm ou na infraestrutura pública formal. Diante da falta de locais oficiais e estruturados para o descanso, pontes e passagens mais tranquilas tornam-se substitutos práticos.
Pavilhão do Japão na Osaka Expo 2025 / Nikken Sekkei. Imagem cortesia do Ministério da Economia, Comércio e Indústria
Em certas partes do mundo, a construção civil ainda é dominada por sistemas úmidos — concreto, alvenaria e materiais cimentícios que são moldados, curados e fixados no local. Embora isso seja considerado a norma há muito tempo em alguns países do Sudeste Asiático, como Cingapura, Tailândia, Malásia e China, a maioria dessas regiões compartilha uma tendência comum: a mão de obra é relativamente barata. Isso explica, em parte, a viabilidade do concreto, já que uma das desvantagens típicas desse material costuma ser o custo intensivo de mão de obra — o que acaba consolidando o concreto como um sistema construtivo mais barato e eficiente nessas localidades.
No entanto, a região ainda dá pouca atenção ao aspecto da sustentabilidade ao utilizar esses materiais de construção úmidos, frequentemente negligenciando as desvantagens significativas de seu ciclo de vida útil e a dificuldade de reciclagem sem perda de qualidade (downcycling) — o que o torna um dos sistemas construtivos menos sustentáveis disponíveis.
A proposta dos arquitetos argentinos Marco Zampieron e Juan Manuel Pachué para o Pavilhão Argentino da 19ª Bienal de Arquitetura de Veneza 2025 é clara desde o início: ao entrar no Siestário, quem visita o espaço se vê imerso em um ambiente de luz tênue e sons evocativos, deparando-se — no centro, estendido pela sala e como protagonista indiscutível — com um grande bolsão rosa inflado que convida automaticamente ao repouso. Trata-se de um silo-bolsa, elemento utilizado no campo argentino para armazenar grãos e símbolo da economia de exportação nacional. Nesse contexto, o silo-bolsa não é apenas um gesto espacial, mas também temporal: um convite para pausar e refletir em meio ao percurso da Bienal.
No discurso arquitetônico contemporâneo, o planejamento urbano é cada vez mais reconhecido como um meio de conciliar o crescimento com prioridades sociais, culturais e ambientais de longo prazo. Para além de organizar edifícios e infraestrutura, essas propostas de grande escala visam regenerar o tecido urbano, adaptar áreas históricas ou subutilizadas e estabelecer diretrizes para comunidades inclusivas e resilientes. Enviados pela comunidade do ArchDaily, os projetos apresentados nesta edição de Arquitetura Não Construída destacam como os planos diretores podem responder aos desafios contemporâneos enquanto preparam as cidades para um futuro incerto.
Abrangendo diversas geografias, da Europa ao Oriente Médio e às Américas, os projetos selecionados reinterpretam complexos industriais, sítios culturais e bairros residenciais por meio de estratégias que priorizam a sustentabilidade, a mobilidade e a identidade coletiva. Muitos compartilham o foco no design regenerativo: a reabertura de canais históricos, a criação de espaços públicos adaptados ao clima e a introdução de corredores verdes e centros comunitários para reconectar as pessoas com seus ambientes. Juntos, eles demonstram como o planejamento urbano vem se consolidando como uma ferramenta fundamental para repensar a maneira como as cidades crescem, se adaptam e sustentam a vida cívica.
O revestimento de fachadas é um elemento essencial na arquitetura, combinando funcionalidade, tecnologia e estética para proteger e valorizar as edificações. Entre os diversos materiais disponíveis, como pedra, madeira e compósitos, o revestimento metálico destaca-se por sua durabilidade, baixa manutenção e flexibilidade de projeto. Além de oferecer resistência às intempéries e segurança contra incêndios, sua capacidade de reciclagem o torna uma solução sustentável e econômica para projetos de todos os portes. Para atender a essas demandas com eficiência e sofisticação, a Parallel Architectural Products oferece uma gama de revestimentos metálicos e outros produtos inovadores projetados para otimizar a instalação, reduzir os custos de mão de obra e garantir acabamentos de alta qualidade.
Quando o Hudson Yards foi inaugurado em Manhattan em 2019, prometia um novo bairro urbano construído do zero. Foram erguidas 16 torres com 4.000 unidades residenciais na esperança de criar uma comunidade forte. Apesar de suas comodidades luxuosas e grandiosas praças públicas, um vazio peculiar persistiu. O empreendimento transmitia uma sensação de anonimato, evidenciando uma verdade fundamental sobre a capacidade social humana.
A Casa Áurea é um projeto de Elías Rizo e do Taller Elías Rizo Arquitectos, com design de interiores assinado por Cristina Grappin. Localizada em Santa Catarina, no estado de Nuevo León, a residência faz parte do Programa Líderes del Mañana do Tecnológico de Monterrey, no contexto do 218º Tradicional Sorteo Tec, cujo objetivo é fortalecer uma iniciativa focada na transformação, na mobilidade social e no desenvolvimento de jovens de excelência acadêmica.
Cercada pelas formações da Sierra Madre Oriental, a casa foi concebida para priorizar a privacidade desde o seu acesso principal. Conforme se percorre o espaço, a transição entre as áreas sociais do térreo e os níveis superiores define diferentes hierarquias de privacidade: o segundo pavimento abriga espaços mais reservados, enquanto no rooftop o ambiente se abre gradualmente em direção ao cenário montanhoso, integrando-se visualmente à paisagem.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142603/a-arquitetura-e-uma-segunda-pele-a-bolha-onde-a-vida-transcorre-casa-aureo-projetada-por-elias-rizo-arquitectosEnrique Tovar
O We Design Beirut retorna em sua segunda edição, de 22 a 26 de outubro de 2025, reafirmando o papel da cidade como um nó vital no debate global sobre design. Tendo como cenário alguns dos locais de maior relevância histórica do Líbano, o evento de cinco dias entrelaça arquitetura, artesanato e cultura para refletir sobre temas como legado, renascimento e continuidade.
Pautado pelo empoderamento, pela preservação e pela sustentabilidade, o We Design Beirut fomenta a colaboração entre designers, artesãos/ãs, estudantes e arquitetos/as — criando uma plataforma vibrante para trocas, conexões e expressão criativa. Trata-se de um espaço voltado à cura, à inovação e à projeção dos crescentes talentos do design regional em um cenário internacional.
Sediado na Cidade do México, Enrique Tovar traz uma abordagem multidisciplinar à arquitetura e ao trabalho editorial, moldada por seu interesse em história, sociedade, arte e artesanato. Suas primeiras experiências em um contexto onde a arquitetura é frequentemente autoconstruída ou negociada lhe proporcionaram uma compreensão refinada do ambiente construído como algo fluido e em constante evolução com o uso. Essa perspectiva o levou naturalmente ao trabalho editorial, que ele vê como uma extensão da prática arquitetônica — capaz de capturar complexidades e tensões que talvez não sejam visíveis nos processos tradicionais de projeto.
Como editor de conteúdo patrocinado no ArchDaily, Enrique explora as interseções críticas entre materiais, sistemas construtivos, tecnologia e softwares. Ele se interessa especialmente por como esses elementos influenciam as práticas arquitetônicas contemporâneas e pelas maneiras como os princípios do desenho universal e inclusivo podem expandir o alcance do campo profissional. Seu foco editorial incentiva ambientes que respondam a diversos corpos, experiências e modos de habitar o espaço, promovendo uma arquitetura que desafia as normas convencionais e abraça preocupações sociais mais amplas.
Foto de Brasília. Créditos: Ana Volpe/Agência Senado
O que é melhor: uma cidade planejada do zero ou uma que se forma espontaneamente? No imaginário popular, existe a crença de que, se uma cidade foi planejada desde o início, ela deve ser melhor ou mais organizada que as outras. Na prática, contudo, isso não garante o sucesso de uma cidade.
Cidades como Tamansourt, no Marrocos, Songdo, na Coreia do Sul, e a King Abdullah Economic City, na Arábia Saudita, servem de alerta sobre o planejamento de novas cidades do zero que, posteriormente, enfrentam dificuldades para atrair o número esperado de moradores. Esses projetos demandaram investimentos significativos (tanto operacionais quanto financeiros) em desenho urbano, espaço e infraestrutura, mas negligenciaram as razões econômicas fundamentais pelas quais as cidades existem.
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Meeting House Square, Temple Bar. Imagem cortesia de Sean Harrington Architects
O veterano crítico de arquitetura irlandês Shane O'Toole comentou certa vez que, ao viajar pela Europa na década de 1970, "o comentário geral era: existe arquitetura moderna na Irlanda? Agora, em menos de 50 anos, passamos a ter um Prêmio Pritzker e dois laureados com a Royal Gold Medal do RIBA em cinco anos." Ele atribui essa mudança de percepção a um concurso de projeto que impulsionou a carreira de vários dos premiados arquitetos e arquitetas da Irlanda de hoje. Tratava-se do concurso para o Plano Diretor do Temple Bar (Temple Bar Framework Plan) de 1991, no centro de Dublin, capital da Irlanda, que foi vencido por um grupo de profissionais ainda na faixa dos 30 anos, sob o nome de Group 91.
As casas coloridas de Assuã, no sul do atual Egito, atraem turistas que se aventuram até aquela região do Rio Nilo. Acessíveis por pequenos barcos fluviais, ilhas como Suheil West abrigam comunidades núbias, algumas das quais tiveram que se deslocar após a construção da Grande Barragem de Assuã na década de 1960. Por trás das vistas pitorescas de paredes rebocadas e cobertas por murais e grafismos, empoleiradas em colinas rochosas com vista para o Nilo, esconde-se uma técnica construtiva utilizada localmente há séculos. Ela utiliza materiais de origem local, preserva a natureza e regula a temperatura interna contra o calor do dia e o frio da noite.
A Unité d'Habitation de Le Corbusier imaginava um "bairro vertical", um edifício capaz de integrar habitação, comércio, lazer e espaços coletivos em um único organismo estrutural. Na mesma época, Jane Jacobs defendia que a diversidade de usos é o que gera segurança, identidade e vida social ao nível da rua. Mais tarde, Rem Koolhaas, em Delirious New York, descreveu o arranha-céu como um experimento pioneiro de "urbanismo vertical", capaz de empilhar programas incompatíveis sob o mesmo teto. Em cidades como Tóquio e Hong Kong, essa ambição amadureceu em edifícios híbridos complexos, onde diferentes usos — como terminais de transporte, comércio, escritórios, hotéis e habitação — coexistem e interagem continuamente.
A Mute, fabricante global de soluções de arquitetura adaptável para locais de trabalho modernos, inaugurou sua nova sede no edifício de escritórios Ambassador, em Varsóvia, administrado pela Hines. Com mais de 840 m², trata-se do primeiro escritório na Europa construído inteiramente com um sistema modular — que pode ser livremente reconfigurado sem gerar resíduos de reforma ou emissões de CO₂.
A arquitetura — um dos poucos artefatos culturais feitos para serem vividos publicamente, preservados e, muitas vezes, capazes de resistir por séculos — contribui significativamente para a identidade cultural de lugares e povos. Historicamente, os edifícios expressaram atitudes institucionais, influência e poder; são manifestações claras de cultura. No entanto, a longevidade complexifica a preservação: quando uma estrutura é reconstruída, reparada ou totalmente remontada, em que sentido ela ainda é o mesmo edifício?
Há o clássico enigma do Navio de Teseu, de Plutarco: se as tábuas de um navio forem substituídas uma a uma ao longo do tempo, ele continua sendo o mesmo navio? Thomas Hobbes acrescenta um elemento complicador — se as tábuas originais forem remontadas em outro lugar, qual navio é "o original"? O paradoxo põe à prova o que fundamenta a identidade: a matéria física, a continuidade de uso e história, ou o reconhecimento compartilhado. Na arquitetura e na conservação, isso redefine a preservação como uma escolha entre conservar a matéria, manter a forma e a função, ou perpetuar as histórias e práticas que dão significado a um lugar.
Balcony House / Ryo Matsui Architects. Imagem cortesia de Ryo Matsui Architects Inc
Caminhamos sobre superfícies "planas" todos os dias e raramente pensamos a respeito — mas quão plano é esse solo, na verdade? Na cidade, os meios-fios são chanfrados, as calçadas se inclinam em direção às grelhas e as vias são abauladas para escoar a água em sarjetas rasas. Nos subúrbios e em caminhos não pavimentados, o terreno irregular é a norma. Dentro dos edifícios, em contrapartida, buscamos uma horizontalidade quase perfeita — estruturas, lajes e acabamentos são todos disciplinados para criar superfícies de circulação niveladas em nome da segurança e da acessibilidade. No entanto, a planaridade é inerentemente incompatível com a água. Um olhar mais atento revela um repertório sutil de adaptações: pequenos caimentos nas entradas, soleiras elevadas alguns milímetros, áreas molhadas com inclinações quase imperceptíveis. O piso é percebido como plano, mas, na verdade, é cuidadosamente ajustado — microtopografias disfarçadas de plano — para gerenciar a água sem chamar atenção.
Quais são as maneiras comuns pelas quais os/as arquitetos/as "mantêm as coisas planas" enquanto gerenciam a água — a eterna inimiga das edificações? Uma forma útil de analisar isso é focar em três condições recorrentes: decks externos ou de cobertura, banheiros e outras áreas molhadas, e planos de piso externos ao nível do solo. Cada uma depende de um conjunto de ferramentas ligeiramente diferente — sistemas de pedestais sobre impermeabilização inclinada, microinclinações para ralos, drenos perimetrais ocultos, caimentos divididos — para manter a ilusão de uma superfície contínua e nivelada. Estudar essas situações de forma comparativa revela o imenso esforço de projeto necessário para conciliar a percepção de planaridade com a realidade complexa da água.
Haut Pays Bigouden / Pierre Brulé. Imagem cortesia de Cupa Pizarras
Inspirada nas casas solares experimentais desenvolvidas após a crise do petróleo dos anos 1970, a certificação Passive House surgiu no final da década de 1980 como uma resposta às crescentes preocupações com a eficiência energética e o impacto ambiental da indústria da construção. Seu objetivo é ao mesmo tempo simples e radical: reduzir as demandas de aquecimento e resfriamento ao mínimo absoluto por meio de estratégias passivas, ventilação mecânica controlada e uma envoltória predial extremamente eficiente — eliminando a necessidade de sistemas complexos ou caros.
A escolha dos materiais de revestimento externo desempenha um papel estratégico para alcançar esse desempenho. Superfícies mal projetadas, pontes térmicas ou falhas de vedação podem comprometer toda a lógica térmica do edifício, especialmente em climas rigorosos. Nesse cenário, os sistemas de fachada ventilada se destacam: ao criarem uma camada de ar ventilada entre o revestimento e a parede estrutural, eles promovem um fluxo de ar contínuo, controlam a umidade e aumentam a estabilidade térmica. Materiais que combinam desempenho, durabilidade e apelo visual são raros — e a ardósia natural da espanhola Cupa Pizarras é uma solução de destaque.
Em um momento em que a prática arquitetônica está cada vez mais atrelada ao clima e ao contexto, a fronteira entre o construído e o natural tornou-se um território crítico de experimentação. A seleção de projetos não construídos deste mês reúne oito propostas conceituais que trabalham nos limites da paisagem. Em Ramia, do João Teles Atelier, a arquitetura inspira-se diretamente na metáfora de uma semente que rompe a terra, utilizando madeira, concreto e água para criar um percurso sensorial pela ecologia de Tulum. Por sua vez, o Mobius Pier, do X Atelier, projeta-se em uma curva suave sobre a margem do rio, funcionando simultaneamente como infraestrutura e ponto de observação. De forma semelhante, o projeto Il mare degli Umbri aborda esse limiar de outra maneira, restaurando a linha costeira histórica do Lago Trasimeno e reintroduzindo as ecologias de áreas úmidas locais. Cada projeto desta coletânea reflete uma postura singular: alguns tratam o limite como uma experiência espacial, outros como uma linha reguladora e, ainda, outros como um ponto de retorno cultural ou ecológico.