As cidades contemporâneas são vibrantes, complexas e estão em constante evolução. Acima de tudo, são mutáveis, dinâmicas e diversas. Que transformações estão ocorrendo e para onde elas estão nos levando? A urbanização continua a ganhar força em muitas regiões do mundo, gerando transformações visíveis e estruturais. Diante desse cenário, começam a surgir dados sobre a evolução de sua configuração e os desafios que enfrentamos. Segundo o Banco Mundial, a população urbana continuará em trajetória de crescimento, com 90% dos novos moradores urbanos concentrados na África e na Ásia. Esse crescimento levanta questões essenciais: como podemos consolidar uma abordagem de projeto que garanta o acesso equitativo a espaços, recursos e serviços? Como podemos tornar as metrópoles emergentes e consolidadas mais inclusivas e acessíveis?
https://www.archdaily.com.br/pt/1142590/projetando-cidades-inclusivas-o-papel-do-desenho-universal-na-criacao-de-atmosferas-urbanas-acessiveisEnrique Tovar
Projetar o próximo projeto de grande impacto ("uau")? É como tentar engarrafar um raio—exceto que, com o BIG e o D5 Render, você já recebe a garrafa nas mãos. O Bjarke Ingels Group (BIG), líder global em arquitetura, é reconhecido por seus projetos audaciosos e pelo compromisso com a inovação. Sempre explorando novas ferramentas, o BIG desafia os limites da tecnologia de design para otimizar fluxos de trabalho e potencializar a criatividade. Com projetos icônicos em todo o mundo, o escritório redefiniu a narrativa na arquitetura. Ao utilizar a plataforma integrada do D5 Render, a equipe de arquitetura otimizou seu fluxo de trabalho de projeto e visualização em tempo real, combinando renderização, animação e IA do D5 para dar vida a conceitos com velocidade e precisão excepcionais.
No momento em que este artigo é escrito, com a Síria emergindo de mais de uma década de conflitos, surge a oportunidade de redescobrir suas preciosidades arquitetônicas. Logo ao norte de Lataquia, a principal cidade portuária do país, ergue-se uma criação modernista: o Centro de Pesquisas Marinhas. Sua estrutura piramidal está situada em um promontório de destaque, cercado pelo mar em três lados. A leste, encontra-se uma baía com hotéis e praias, ao passo que ao norte e a oeste abre-se o Mar Mediterrâneo, que se estende até a Turquia e o Chipre. Apesar de sua relevância tanto como instituição científica quanto como obra arquitetônica, o edifício encontra-se hoje abandonado e isolado.
É comum que marcos arquitetônicos se concentrem em uma mesma região. Em Tóquio, a icônica Omotesando é um trecho bastante conhecido onde "starchitects" globais construíram lojas-conceito de luxo nos anos 2000. Hong Kong possui uma aglomeração arquitetônica menos conhecida, mas igualmente potente, ao longo da Queensway — embora, historicamente, apresente um caráter mais corporativo e menos voltado ao engajamento público. A partir da década de 1980, esse corredor passou a abrigar uma série de edifícios emblemáticos projetados por alguns dos nomes mais proeminentes da arquitetura mundial: a Sede do HSBC de Norman Foster, a Bank of China Tower de I.M. Pei, o Lippo Centre de Paul Rudolph e, nas proximidades, o Murray Building de Ron Phillips — hoje revitalizado como hotel pelo escritório Foster + Partners. Mais tarde, a região foi ainda mais enriquecida pela renovação do Pacific Place, realizada pelo Heatherwick Studio, e pelo Asia Society Hong Kong Center, projetado por Tod Williams Billie Tsien Architects.
Haut Pays Bigouden / Pierre Brulé. Imagem cortesia de Cupa Pizarras
Inspirada nas casas solares experimentais desenvolvidas após a crise do petróleo dos anos 1970, a certificação Passive House surgiu no final da década de 1980 como uma resposta às crescentes preocupações com a eficiência energética e o impacto ambiental da indústria da construção. Seu objetivo é ao mesmo tempo simples e radical: reduzir as demandas de aquecimento e resfriamento ao mínimo absoluto por meio de estratégias passivas, ventilação mecânica controlada e uma envoltória predial extremamente eficiente — eliminando a necessidade de sistemas complexos ou caros.
A escolha dos materiais de revestimento externo desempenha um papel estratégico para alcançar esse desempenho. Superfícies mal projetadas, pontes térmicas ou falhas de vedação podem comprometer toda a lógica térmica do edifício, especialmente em climas rigorosos. Nesse cenário, os sistemas de fachada ventilada se destacam: ao criarem uma camada de ar ventilada entre o revestimento e a parede estrutural, eles promovem um fluxo de ar contínuo, controlam a umidade e aumentam a estabilidade térmica. Materiais que combinam desempenho, durabilidade e apelo visual são raros — e a ardósia natural da espanhola Cupa Pizarras é uma solução de destaque.
Em um momento em que a prática arquitetônica está cada vez mais atrelada ao clima e ao contexto, a fronteira entre o construído e o natural tornou-se um território crítico de experimentação. A seleção de projetos não construídos deste mês reúne oito propostas conceituais que trabalham nos limites da paisagem. Em Ramia, do João Teles Atelier, a arquitetura inspira-se diretamente na metáfora de uma semente que rompe a terra, utilizando madeira, concreto e água para criar um percurso sensorial pela ecologia de Tulum. Por sua vez, o Mobius Pier, do X Atelier, projeta-se em uma curva suave sobre a margem do rio, funcionando simultaneamente como infraestrutura e ponto de observação. De forma semelhante, o projeto Il mare degli Umbri aborda esse limiar de outra maneira, restaurando a linha costeira histórica do Lago Trasimeno e reintroduzindo as ecologias de áreas úmidas locais. Cada projeto desta coletânea reflete uma postura singular: alguns tratam o limite como uma experiência espacial, outros como uma linha reguladora e, ainda, outros como um ponto de retorno cultural ou ecológico.
À medida que a arquitetura avança para além do design centrado no ser humano, novas práticas repensam a coexistência como uma estrutura ética e ecológica. Das infraestruturas políticas aos habitats, essas abordagens nos convidam a imaginar a arquitetura como um sistema vivo compartilhado.
A arquitetura moderna foi, por muito tempo, escrita sob uma ótica antropocêntrica, colocando o ser humano no centro e tornando invisíveis as demais espécies. Contudo, esse paradigma vem se transformando, à medida que profissionais da arquitetura e da pesquisa redefinem o papel do design em mundos mais-que-humanos. Estúdios como Office for Political Innovation, Studio Ossidiana e Husos Architects questionam as narrativas centradas no ser humano e reformulam o design como uma prática compartilhada entre espécies. Nesse contexto, a arquitetura deixa de ser uma ferramenta de controle para se tornar um meio de coexistência, uma disciplina que media a relação entre espécies, ambientes e culturas.
A Mute, fabricante global de soluções de arquitetura adaptável para locais de trabalho modernos, inaugurou sua nova sede no edifício de escritórios Ambassador, em Varsóvia, administrado pela Hines. Com mais de 840 m², trata-se do primeiro escritório na Europa construído inteiramente com um sistema modular — que pode ser livremente reconfigurado sem gerar resíduos de reforma ou emissões de CO₂.
O legado arquitetônico do Porto é moldado há muito pelo peso da história e pela clareza da forma. Da obra de Álvaro Siza à densa rede de escritórios que emergem das escolas da cidade, o Porto oferece uma mistura única de continuidade e reinvenção. Aqui, a arquitetura não é apenas uma questão de projeto, mas muitas vezes de resistência — de trabalhar sob restrições, desenhar com precisão e navegar por um ambiente construído marcado pela permanência e pela aversão ao espetáculo.
No entanto, diante desse contexto persistente, uma nova geração de profissionais da arquitetura vem redefinindo o campo com discreta determinação. Frequentemente atuando em espaços compartilhados, esses escritórios equilibram autonomia com colaboração, além de um detalhamento meticuloso com preocupações urbanas mais amplas. Seus estúdios costumam refletir esse ethos: modestos em escala, definidos pelo reuso adaptativo e enraizados na realidade material da cidade. Nesses espaços de trabalho, a arquitetura se desdobra como um processo — às vezes especulativo, às vezes pragmático —, mas sempre reflexivo de uma prática profundamente local e cada vez mais global.
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Meeting House Square, Temple Bar. Imagem cortesia de Sean Harrington Architects
O veterano crítico de arquitetura irlandês Shane O'Toole comentou certa vez que, ao viajar pela Europa na década de 1970, "o comentário geral era: existe arquitetura moderna na Irlanda? Agora, em menos de 50 anos, passamos a ter um Prêmio Pritzker e dois laureados com a Royal Gold Medal do RIBA em cinco anos." Ele atribui essa mudança de percepção a um concurso de projeto que impulsionou a carreira de vários dos premiados arquitetos e arquitetas da Irlanda de hoje. Tratava-se do concurso para o Plano Diretor do Temple Bar (Temple Bar Framework Plan) de 1991, no centro de Dublin, capital da Irlanda, que foi vencido por um grupo de profissionais ainda na faixa dos 30 anos, sob o nome de Group 91.
Enel, líder global em energia renovável, lançou o "WinDesign", um concurso internacional que convida profissionais e estudantes talentosos/as das áreas de engenharia, arquitetura e design a imaginarem e projetarem novas turbinas eólicas. O objetivo é desenvolver projetos de turbinas que se integrem de forma mais harmoniosa às paisagens onde serão instaladas, fortalecendo, assim, seu papel na transição energética.
O nicho tem sido um espaço de intenção visível ao longo da história da arquitetura. Na arquitetura romana antiga, servia como um recurso formal esculpido na alvenaria para expor estátuas, vasos ou outros objetos. Esses recuos animavam as paredes de templos, termas e edifícios públicos, conferindo ritmo, profundidade e pontos focais a estruturas que, de outro modo, seriam maciças. Os espaços internos do Panteão emolduravam estátuas de deuses, e as Termas de Caracala utilizavam vazios semelhantes para estruturar salões imensos. Já no Renascimento, o nicho evoluiu para uma moldura arquitetônica refinada. Em Florença, as cavidades externas de Orsanmichele abrigavam estátuas encomendadas por corporações de ofício, enquanto os recuos do Palácio Uffizi exibiam obras escultóricas. Preenchidas ou intencionalmente deixadas vazias, essas aberturas articulavam paredes internas, externas e fachadas, introduziam hierarquia e despertavam interesse visual, funcionando como gestos deliberados feitos para serem vistos.
Por meio de seus projetos não construídos, obras executadas e pesquisas, as ideias de Amancio Williams surgem como resultado de uma profunda compreensão das tendências mais avançadas de seu tempo, refletindo sobre o projeto de arquitetura, o urbanismo e o planejamento urbano. Ao explorar diversos temas, conceitos e até mesmo materiais, ele busca criar um universo pessoal que interpreta o presente com um olhar voltado para o futuro, ao mesmo tempo internacional e marcadamente argentino. Sua proposta "La ciudad que necesita la humanidad" apresenta edifícios lineares e em camadas suspensos a 30 metros do solo, incorporando desde espaços de escritórios até vias e trens magnéticos em diferentes níveis de uma única estrutura. O arquivo de Amancio Williams no Canadian Centre for Architecture (CCA), em Montreal, documenta sua carreira como arquiteto e designer desde a década de 1940 até o final dos anos 1980. O acervo registra sua produção em mais de 80 projetos de arquitetura, urbanismo e design, bem como a administração de seu escritório de arquitetura e suas atividades profissionais. Composto por desenhos e esboços, maquetes de apresentação, registros fotográficos — incluindo fotos de maquetes, obras concluídas, imagens de referência, reproduções fotográficas de plantas e fotos de canteiros de obras —, o arquivo está disponível para consulta, oferecendo mais detalhes.
Paradoxalmente, o banheiro costuma ser, ao mesmo tempo, o cômodo mais compacto de uma residência e o de maior complexidade técnica: é ali que se cruzam as redes de eletricidade, água fria e quente, esgoto, ventilação e, frequentemente, gás. Por essa razão, seu projeto deve ser otimizado para acomodar tubulações, válvulas, ralos e conexões sem comprometer a estética ou a funcionalidade. A disposição estratégica de pontos hidráulicos, acessórios, armários e iluminação deve buscar a eficiência e a funcionalidade do espaço, idealmente transformando essas áreas tipicamente compactas em santuários confortáveis e visualmente atraentes. Cada decisão é fundamental — desde a seleção do produto até a altura de instalação de uma base de chuveiro.
Na Capela de Campo Bruder Klaus, projetada por Peter Zumthor, o processo de construção contou com a participação direta de habitantes do pequeno vilarejo suíço de Mechernich. Utilizando uma fôrma interna feita de troncos de madeira dispostos verticalmente, o concreto foi preparado em pequenos lotes e vertido manualmente, dia após dia, formando camadas marcadas por variações sutis de mistura e aplicação. Ao final do processo, a estrutura de madeira foi reduzida a cinzas, deixando o interior da capela impregnado com marcas de fogo e revelando uma superfície escura e tátil. O resultado foi um espaço silencioso e profundamente significativo, onde a ação coletiva, o tempo e a transformação da matéria se tornaram parte da arquitetura. Centrado em recursos disponíveis localmente e técnicas manuais, esse método construtivo evidencia como a escolha dos materiais e do sistema construtivo pode moldar a experiência de um espaço, revelar o tempo investido e incrustar a cultura de um lugar na própria matéria da arquitetura. Dessa forma, oferece um exemplo de como a própria construção pode se tornar um ato regenerativo, restaurando significados, conectando comunidades e honrando os ciclos da matéria.
Símbolo máximo de Manhattan, o Waldorf Astoria New York reabriu oficialmente ao público este ano após uma ampla reforma. Ao longo de sua rica história, a propriedade passou por inúmeras transformações, desde as suas origens no século XIX até o marco moderno que se ergue entre a Park Avenue e a Lexington Avenue.
Reimaginar um edifício pioneiro na hotelaria moderna — uma joia no horizonte de Nova York — representou um desafio que exigiu uma colaboração estreita entre especialistas em preservação, profissionais de visualização 3D, arquitetura e design. Juntos, esses grupos trabalharam para preservar seu patrimônio arquitetônico tombado, atendendo, ao mesmo tempo, às expectativas contemporâneas de conforto e primor técnico.
Em Veneza, cercada por uma abundância avassaladora de beleza arquitetônica — a imponência de marcos como a Basílica de São Marcos, a Praça de São Marcos e a Ponte Rialto, para citar apenas alguns —, é fácil deixar-se envolver pela imagética icônica e pela imponência espacial da cidade. Com isso, corre-se o risco de perder de vista momentos mais discretos, porém igualmente magistrais, encontrados na execução de detalhes em sua malha urbana. Para além da grandiosidade, a cidade oferece uma riqueza em seus becos sinuosos, canais estreitos e vida urbana vibrante — cada um desses elementos contribuindo para a tapeçaria cultural que torna Veneza tão singular. Em meio a esses elementos consagrados, no entanto, residem detalhes arquitetônicos sutis, mas notáveis, que frequentemente passam despercebidos. Eles merecem uma observação e reflexão mais atentas, pois oferecem um tipo próprio de maestria — fundamentado na precisão material, no fazer artesanal e nos ritmos cotidianos da cidade.
A pouquíssimos passos da icônica Praça de São Marcos, um diálogo arquitetônico silencioso se desenrola entre duas figuras célebres. A menos de um minuto de caminhada de distância, dois projetos meticulosamente executados situam-se em estreita proximidade: o Showroom da Olivetti de Carlo Scarpa, um local de peregrinação há muito reverenciado por profissionais da arquitetura e do design, e a recently reopened Procuratie Vecchie, restaurada pelo escritório David Chipperfield Architects. Um olhar mais atento aos detalhes arquitetônicos incorporados em cada obra revela um intercâmbio fascinante através do tempo — que se desdobra por meio da linguagem material, da precisão espacial e de um compromisso inabalável com o ofício construtivo.
O Global Award for Sustainable Architecture, criado em 2006 pela arquiteta e acadêmica Jana Revedin, reconhece anualmente cinco arquitetos/as — ou escritórios — de todo o mundo cujas práticas se baseiam nos princípios do desenvolvimento sustentável, do design participativo e de uma abordagem voltada para a comunidade. Esse reconhecimento alinha-se à urgência global em torno das questões prementes de hoje — as crises ecológica e climática, bem como os desafios sociais, culturais e econômicos. Reconhecendo o papel fundamental da arquitetura na modelagem do ambiente construído, o prêmio busca destacar o trabalho de criadores/as que enfrentam esses desafios com soluções inovadoras e criativas.
Jafar Centre no Dubai College. Imagem cortesia de Godwin Austen Johnson
Fundado nos Emirados Árabes Unidos em 1989 pelo presidente Brian Johnson e atualmente sob a direção executiva de Jason Burnside, o escritório Godwin Austen Johnson apoia-se em uma tradição britânica de projeto que remonta a 1847, tendo contribuído para o desenvolvimento do ambiente construído do Oriente Médio por mais de três décadas. Seus 110 profissionais de diversas nacionalidades, baseados em Dubai, Abu Dhabi, Sharjah e no Reino Unido, trabalham de forma integrada, combinando rigor técnico, análise contextual e metodologias digitais em um processo de projeto colaborativo.
Diante da rápida urbanização, o espaço tem se tornado um recurso escasso. As cidades estão saturadas, com áreas limitadas tanto para empreendimentos públicos quanto privados. Esse cenário exige uma transição para um planejamento urbano mais eficiente, capaz de aliar estética e alta funcionalidade. O estacionamento robótico da MPSystem surge como a solução ideal ao combinar desempenho prático e liberdade de criação arquitetônica.
A integração de elementos naturais ao projeto arquitetônico é, há muito tempo, uma busca fundamental para a criação de ambientes sustentáveis e confortáveis que melhorem tanto o bem-estar individual quanto a relação entre as edificações e seu contexto circundante. Em áreas de paisagens vastas, a incorporação de elementos naturais é essencial para conectar harmoniosamente a arquitetura ao seu local de implantação. Por outro lado, em ambientes urbanos densos e dominados por estruturas construídas, a introdução de áreas verdes torna-se também cada vez mais vital, reintroduzindo a natureza na chamada "selva de pedra".
Contudo, para além dos elementos paisagísticos convencionais — como fontes de água, paredes verdes, jardins ou pátios —, arquitetos e arquitetas estão redefinindo o que significa construir com a natureza. O foco deslocou-se para uma integração profunda da arquitetura com o seu entorno natural, criando experiências espaciais imersivas que atenuam as fronteiras entre o construído e o orgânico — de certa forma, "domesticando" a natureza. Quando executados com sucesso, esses projetos vão além de promover o bem-estar ou um estilo de vida saudável; eles evocam uma sensação profunda de tranquilidade, força e harmonia, transformando a maneira como percebemos e habitamos o espaço.
Quais transformações urbanas e sociais as nossas cidades demandam na atualidade? Como o planejamento e o desenho urbano podem contribuir para melhorar a experiência de seus habitantes nos espaços urbanos? Como explica Andreea Cutieru, a acupuntura urbana refere-se à melhoria dos problemas sociais e urbanos a partir de intervenções precisas que são capazes de revitalizar certas áreas das cidades e consolidar estratégias de planejamento urbano. O programa +VIDA representa uma estratégia integral de transformação urbana e social de territórios focada estrategicamente em populações vulneráveis do Caribe colombiano, convidando a construir coletivamente as cidades a partir do diálogo de saberes, inteligências e conhecimentos, com o objetivo de transformar o habitat de forma integral.
Na busca por criar um diálogo fluido entre a arquitetura e a paisagem circundante, o estudo da topografia traduz o reconhecimento e a investigación sobre a aplicação de materiais, estratégias autossuficientes, soluções de baixa manutenção e projetos paisagísticos que se integrem ao entorno natural e minimizem o impacto ambiental das obras. Mais do que apenas registrar as diferenças de níveis, orientações solares, ventos predominantes ou inclinações de escoamento dos terrenos, diversos/as profissionais de arquitetura na Argentina demonstram interesse em desenvolver soluções arquitetônicas capazes de se adaptar às geografias naturais e restaurar o vínculo entre a natureza e o ser humano.