Quais materiais assumiram o papel de destaque no discurso arquitetônico de 2025? Quais projetos redescobriram novas práticas e métodos construtivos por meio da inovação material? Embora o futuro dos materiais de construção ainda pareça incerto, ano após ano, a experimentação e a pesquisa continuam a revelar diversas práticas, iniciativas e esforços dedicados a compreender seu valor e responsabilidade no ambiente construído. Desde resíduos agrícolas que reduzem a pegada de carbono até plásticos reciclados que ganham uma nova vida, passando por materiais vivos que dialogam com tecnologias emergentes ao mesmo tempo em que se reconectam com a natureza, o ano de 2025 destacou e fortaleceu o papel de arquitetos/as como mediadores/as entre materiais, disciplinas, saberes e interesses de diversas origens.
Em meio a ajustes econômicos globais e a um foco nacional no desenvolvimento de alta qualidade, Xangai implementou uma mudança estratégica em sua abordagem de desenvolvimento urbano — transitando da "expansão incremental" para a "qualificação intrínseca". Orientada pelo conceito de uma "cidade voltada para as pessoas", a metrópole elevou a construção urbana de uma mera agregação de espaços físicos para um esforço abrangente voltado a otimizar a qualidade funcional, revitalizar a vitalidade espacial e impulsionar a resiliência residencial por meio de iniciativas de renovação urbana. Essa transformação se configura não apenas como uma resposta à escassez de recursos, mas também como uma abordagem intencional em relação aos princípios de desenvolvimento urbano. Sua proposta central consiste em: sob o marco político de controle rigoroso do uso incremental do solo, como liberar o potencial de desenvolvimento através da "reprodução" dos espaços existentes.
Portas estão entre os elementos arquitetônicos mais utilizados em qualquer edificação habitada, funcionando como limiares móveis que articulam a transição entre os espaços privados e públicos. Elas facilitam tanto a conexão quanto a separação entre coabitantes. Contudo, apesar de seu papel fundamental, as portas costumam ser um dos elementos de projeto mais negligenciados, especialmente pelos/as clientes. Em diálogos com profissionais do setor sobre diversos projetos de interiores, surge um consenso comum: os/as clientes geralmente prestam pouca atenção aos tipos e detalhes de portas, desde que o sentido de abertura corresponda às suas expectativas. No entanto, o universo do design de portas é complexo, oferecendo uma infinidade de possibilidades de acabamentos, métodos de instalação e modos de funcionamento — cada um deles capaz de moldar significativamente a experiência espacial, indo muito além da simples direção de abertura.
A escolha do tipo de porta e de seus detalhes pode definir ou redefinir completamente um espaço. Algumas portas oferecem um isolamento acústico superior, ao passo que outras permanecem abertas para conectar ambientes, potencializando a fluidez espacial de forma contínua. Certos modelos exigem uma instalação minuciosa e manutenção constante, enquanto outros são praticamente livres de manutenção. Além disso, o tipo de porta selecionado — especialmente o tipo de dobradiça — influencia não apenas a construção da parede, mas também as camadas de piso e as transições de acabamento, acrescentando uma camada extra de complexidade ao processo de projeto.
O termo abóbada na arquitetura refere-se a uma estrutura em arco autoportante que forma um teto ou cobertura, capaz de criar, de forma eficaz, um amplo espaço livre de pilares. Enquanto as abóbadas de alvenaria tradicionais transferem as cargas para paredes e contrafortes, as versões contemporâneas são definidas de forma mais ampla como qualquer teto que acompanha a linha da cobertura, criando um interior alto e curvo. Estes tetos modernos costumam ser estruturados com materiais como concreto, madeira ou aço, que oferecem a flexibilidade estrutural necessária para criar o efeito dramático de uma abóbada sem suas restrições históricas. A abóbada de arco pleno, em particular, parece ser uma das formas prediletas recentemente por sua geometria simples e elegante, bem como por sua capacidade de se adaptar a uma variedade de estilos residenciais contemporâneos.
No coração do Cairo, em meio a seus marcos históricos e a uma malha urbana em evolução, um movimento arquitetônico modernista singular tomou forma nas décadas de 1950 e 1960. Essa vertente refletia a resposta da cidade às rápidas transformações políticas, econômicas e sociais. Em sua chegada, o modernismo no Cairo não foi mero estilo importado, mas sim uma "resposta pragmática às necessidades de uma cidade em crescimento". Os/as arquitetos/as concentraram-se na funcionalidade, na eficiência e na adaptação dos projetos ao clima e ao contexto cultural local. Após a revolução de 1952, o Egito passou por transformações significativas sob a liderança do presidente Gamal Abdel Nasser. De fato, o governo buscava construir uma nova identidade nacional que refletisse o progresso e a autossuficiência do país. A arquitetura desempenhou um papel crucial nesse esforço, com forte ênfase na modernização e no desenvolvimento. O Estado investiu em projetos de grande escala para atender às demandas de uma população em rápido crescimento e de indústrias em expansão. Este período marcou uma transição das influências da era colonial em direção à busca por uma identidade arquitetônica própria, alinhada às aspirações políticas e sociais da época.
Os espaços públicos são mais do que meros vazios físicos no tecido urbano — constituem palcos para a interação social, a expressão cultural e a memória coletiva. Em tempos de fragmentação social e estresse ambiental, esses espaços podem atuar como catalisadores de cura, oferecendo ambientes seguros onde as comunidades podem se reconectar. Por meio de um desenho atento e de processos participativos, as intervenções no espaço público têm o potencial de reconstruir a confiança, promover o bem-estar mental e fomentar um sentimento renovado de pertencimento entre integrantes da comunidade.
Em distritos históricos de Praga a Paris, uma contagem regressiva começou: o tempo restante para que incontáveis tesouros arquitetônicos se tornem, literalmente, sem valor. Não pela erosão lenta do tempo ou pelas mudanças erráticas do gosto cultural, mas pela matemática inevitável da química atmosférica. Em UrbanDecarbonisation: Destranding Cities for a Post-fossil Future, Paolo Cresci, Francesca Galeazzi e Aurel von Richthofen introduzem o conceito de "carbon stranding" (desvalorização por emissões de carbono), um cenário no qual edifícios se tornam financeiramente inviáveis devido ao endurecimento das regulamentações de carbono. Isso ameaça tornar distritos históricos inteiros financeiramente obsoletos antes mesmo de completarem seus centenários.
Nicolás Valencia conversa no Centro Cultural FIESP de São Paulo com a artista brasileira Giselle Beiguelman sobre inteligência artificial, data centers e golpistas, a partir de seu livro Políticas da imagem, de sua exposição Venenosas, Nocivas e Suspeitas e de sua pesquisa Domingo no Golpe.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143117/giselle-beiguelman-brasilia-inteligencia-artificial-e-plantas-venenosasArchDaily Team
Coding Plants: An Artificial Reef and Living Kelp Archive. Cortesia de Terreform ONE
Esta seleção de projetos da Bienal de Arquitetura de Veneza 2025 explora como arquitetos/as e designers estão repensando a relação entre o ambiente construído e a água em resposta à crise climática global. Com o aumento do nível do mar e a intensificação de eventos climáticos extremos, a água deixou de ser uma ameaça distante para se tornar uma condição imediata de projeto. Em vez de resistir a ela, estes projetos investigam como a arquitetura pode coexistir, adaptar-se e até mesmo se regenerar por meio das forças da natureza. Coletivamente, as propostas sugerem uma mudança de perspectiva em direção ao trabalho em harmonia com os elementos, reconhecendo a água não como um limite para a construção, mas como participante ativa na configuração dos ambientes do futuro.
Na busca por fomentar o sentido de pertencimento de seus habitantes, valorizar suas culturas ancestrais e preservar sua identidade, o território latino-americano reconhece uma arquitetura com amplas nuances e características regionais. O uso de técnicas construtivas e materiais locais, ou o diálogo entre o modular e o vernáculo, entre outras questões, revelam a intenção de promover a participação de comunidades nativas, estudantes e suas famílias, povos originários e construtores locais durante o processo de projeto e construção de uma grande variedade de escolas rurais ao longo de toda a América Latina.
Ao longo dos últimos anos, o discurso arquitetônico tem sido moldado pela emergência de novas vozes, territórios redescobertos e por um compromisso crescente com formas compartilhadas de conhecimento. Essas preocupações permanecem plenamente presentes em 2025 como debates contínuos que ganham cada vez mais densidade e nuance. Questões sobre quem produz arquitetura, a partir de quais contextos e sob quais condições continuam centrais, cada vez mais informadas por práticas que operam de forma coletiva, interdisciplinar e para além da autoria individual.
Essa continuidade se reflete em como a arquitetura é entendida menos como um objeto acabado e mais como um processo contínuo integrado a sistemas sociais, culturais e ambientais. Persistem as discussões sobre agência, participação e produção de conhecimento, acompanhadas de uma atenção contínua a contextos rurais, periféricos e historicamente marginalizados. Em vez de privilegiar uma única escala ou geografia, a arquitetura é abordada como uma prática que transita entre territórios, reconhecendo as condições desiguais que moldam como os espaços são projetados, construídos, mantidos e habitados.
Al agua patos de K37.lab (Carlos Iraburu Elizalde, Álvaro Oriol, José Rodríguez-Losada, Carlos Iraburu Bonafé), España.. Image Cortesía de k37.lab
O consolidado festival de arquitetura efêmera e cidade, Concéntrico, prepara-se para sua décima primeira edição, que, como todos os anos, acontecerá na cidade de Logroño. Em 2025, o encontro será de 19 a 24 de junho, com uma programação que incluirá diversas atividades, conferências e percursos para refletir sobre o espaço público, as cidades e nossa forma de intervir e interagir com elas.
As pedras guardam o tempo. Algumas são formadas pela solidificação repentina do magma, como o basalto, cuja estrutura densa e cor escura resultam do resfriamento rápido na superfície. Outras, como o granito, nascem lentamente em profundas câmaras magmáticas, onde o resfriamento gradual permite o crescimento de cristais visíveis, criando padrões e cores únicos. Há também as rochas sedimentares, formadas pela compactação de detritos minerais e orgânicos ao longo de milhões de anos, com tons que refletem sua composição química e o ambiente em que foram depositadas. Ao transformar essa diversidade geológica em uma superfície contínua única, o terrazzo surge como um composto cimentício ou mineral no qual fragmentos de mármore, granito, quartzo, basalto e outras litologias são incorporados a uma matriz aglutinante e, em seguida, polidos para revelar a estrutura e o brilho de cada partícula. Diferentemente de uma superfície homogênea, o terrazzo atua como uma vitrine mineralógica, onde cada agregado preserva sua identidade ao mesmo tempo em que contribui para um todo coerente, podendo se transformar em pisos, revestimentos de parede ou até mesmo mobiliário.
Projetado por Barozzi Veiga, o Musée des Beaux-Arts em Lausanne está equipado pela Arbonia com portas corta-fogo, portas de madeira embutidas e elementos de isolamento acústico feitos de madeira.
Sob a marca suíça Arbonia, estão representadas 14 marcas individuais e duas subsidiárias. Embora a marca, que agora faz sua há muito esperada estreia pública, possa parecer nova, o portfólio de projetos realizados certamente não o é. Um olhar sobre o arquivo de referências, apresentado com destaque pela Arbonia, comprova isso. Entre eles estão projetos de construção para o setor de saúde, escritórios e administração, edifícios históricos, instituições de ensino, hotelaria e empreendimentos residenciais. Três destaques específicos se sobressaem por personificarem de forma única o lema da Arbonia: 'aberto às aspirações'.
A famosa atriz Mae West certa vez descreveu a curva como "a distância mais encantadora entre dois pontos". Embora ela estivesse se referindo ao corpo humano, essa observação vai além da aparência física e toca no cerne daquilo que conforta e acalma a psique humana no design da natureza.
Colinas ondulantes, o arco de uma onda no oceano, o brilho intenso do amanhecer no horizonte—essas formas naturais evocam paz e serenidade a quem as observa. Ao projetar ambientes de trabalho e espaços comuns, é importante que os/as profissionais de design se lembrem de que existem pouquíssimas linhas retas na natureza. Quando bordas suaves, tetos em arco e paredes curvas são aplicados ao interior de um edifício, o design da natureza é trazido para dentro.
A arquitetura nunca se limitou ao ato de construir. Ela negocia constantemente entre a prática material e a reflexão intelectual; no entanto, ao longo dos séculos XX e XXI, muitos/as arquitetos/as sentiram que o projeto construído, por si só, era insuficiente para responder à totalidade das questões que se colocavam à disciplina. Pressões econômicas, contextos políticos e exigências programáticas frequentemente limitavam o escopo da prática profissional.
Em contrapartida, as exposições e plataformas curatoriais criaram espaços de experimentação e crítica, abrindo arenas onde a arquitetura podia interrogar a si mesma, onde seu passado podia ser reinterpretado, seu presente desafiado e seu futuro projetado. Nessa tensão, surgiu a figura do/a arquiteto/a-curador/a, tratando a própria curadoria como uma forma de projeto — não de paredes ou fachadas, mas de discursos, narrativas e estruturas de significado.
O futuro da indústria da arquitetura reserva inúmeras possibilidades à medida que as pesquisas na área avançam. Entre as inovações está a capacidade de tornar estruturas acusticamente invisíveis, absorver a energia de terremotos ou captar eletricidade a partir dos sons ao redor. Atributos dessa natureza podem ajudar a redefinir a funcionalidade e a sustentabilidade das edificações. Profissionais de arquitetura e cientistas estão na vanguarda dessa criação. O que torna isso viável são metamateriais que podem oferecer métodos alternativos para projetar edifícios de qualidade.
A BoConcept combina herança, simplicidade, artesanato, funcionalidade e qualidade no cerne de sua filosofia de design
As origens modestas da BoConcept – empresa de mobiliário fundada em 1947 pelos jovens marceneiros Jens Ærthøj e Tage Mølholm na pacata cidade de Herning, na Jutlândia – contrastam fortemente com sua posição como um ícone do design dinamarquês. Ao resgatar e refinar os pilares da tradição, simplicidade, marcenaria artesanal, funcionalidade e qualidade ao longo de 70 anos, a marca tornou-se o nome de mobiliário dinamarquês mais reconhecido globalmente. Esse sucesso se materializa em peças atemporais como a poltrona Imola, de estilo mid-century (inspirada na forma de uma bola de tênis desconstruída), e no minimalismo acolhedor de seu sofá Bellagio – sem mencionar a presença de mais de 300 lojas em mais de 65 países.
O Museum of Emotions é um concurso internacional de projetos anual que desafia os/as participantes a explorar até que ponto a arquitetura pode ser utilizada como ferramenta para evocar emoções. O edital propõe o projeto de um museu conceitual com duas salas de exposição: uma projetada para induzir emoções negativas; a outra, para evocar sentimentos positivos. Os/As participantes têm total liberdade para escolher qualquer terreno, real ou imaginário, bem como definir a escala do projeto. O significado de "positivo" e "negativo" fica aberto à interpretação: quais duas emoções um/a designer consideraria opostas? Como um/a arquiteto/a poderia conceber espaços que despertem medo, raiva, ansiedade, amor ou felicidade?
O Museum of Emotions é um concurso "silencioso": ou seja, os/as participantes devem comunicar suas ideias sem o uso de textos, utilizando apenas imagens. Nenhuma forma de texto é permitida — sejam memoriais descritivos, anotações ou mesmo legendas de diagramas.
As soluções modulares da BoConcept transformam o espaço em uma experiência positiva e diversa, aprimorando o ambiente de trabalho
Qual é o sentido do espaço arquitetônico se ele não for usado e vivenciado? Essa reflexão ampla toca no propósito essencial e na sustentabilidade da própria arquitetura. Trata-se de uma questão que talvez seja ainda mais relevante hoje para escritórios que correm o risco de ficarem vazios em uma era de trabalho remoto e híbrido. Diante disso, um desafio fundamental para o design contemporâneo é aprimorar o ambiente de trabalho de modo a incentivar a presença física das pessoas.
A ilha de Taiwan apresenta um contexto natural e topográfico variado, caracterizado por uma área territorial de 36.197 quilômetros quadrados e uma alta densidade populacional de 644 habitantes por quilômetro quadrado. Sua localização geológica, situada na divisa entre as placas tectônicas da Eurásia e do Mar das Filipinas, resulta em uma topografia predominantemente montanhosa e acidentada. Embora essa condição force a maioria dos 23 milhões de habitantes a residir em grandes centros urbanos nas planícies costeiras ocidentais, a ilha mantém um setor agrícola ativo, com cerca de 22% de suas terras destinadas ao cultivo.
Entre as ruas tradicionais de Antuérpia, onde sobrados centenários resistem como remanescentes de uma histórica cidade europeia, um volume branco e austero afirma discretamente sua presença. A Maison Guiette, projetada por Le Corbusier em 1926, é uma anomalia em seu entorno — uma afirmação ousada de modernidade em um contexto que ainda não a havia abraçado.
Embora hoje seja ofuscada pelas obras mais famosas do/a arquiteto/a, esta casa ocupa um lugar único na história: foi o primeiro projeto construído de Le Corbusier fora da França, um precursor de seus experimentos arquitetônicos posteriores e uma manifestação de seus princípios modernistas emergentes. Apesar de sua escala modesta, tratava-se de um manifesto em forma construída — uma casa que encapsulava a essência de uma revolução arquitetônica.