
-
Arquitetos: Drucker Arquitetos Associados
- Área: 870 m²
- Ano: 2025
-
Fabricantes: Almaligth Curitiba, Alubauen Paraná, Roca


Em muitas cidades latino-americanas, os bairros periféricos historicamente têm menos acesso aos recursos que tornam a vida urbana algo mais do que apenas habitável. Habitação, transporte e serviços públicos são os marcadores habituais dessa lacuna. No entanto, existe outra disparidade que é mais difícil de quantificar: a ausência de lugares onde as pessoas possam se reunir, aprender, descansar e participar da vida coletiva. Quando esses espaços não existem, a cidade não apenas deixa de prestar um serviço, mas também falha em reconhecer uma presença.
Nas últimas décadas, um número crescente de projetos tem tentado enfrentar essa ausência de forma direta. Em vez de se concentrarem apenas na infraestrutura física, essas iniciativas investem em espaços projetados para apoiar a educação, a cultura, o lazer e a vida comunitária, muitas vezes integrando várias dessas funções em um único edifício, em bairros onde tais espaços costumam ser escassos.

Antes da virada digital, a memória da arquitetura era predominantemente tangível. Vivia no peso dos desenhos, na pátina das maquetes e na espessura dos livros. Preservar a arquitetura significava preservar seus vestígios — os documentos, esboços e fotografias por meio dos quais os edifícios podiam ser lembrados muito depois de sua forma material ter se alterado ou desaparecido. O arquivo de arquitetura moderno, tal como se desenvolveu no século XX, era ao mesmo tempo um refúgio e um dispositivo de legitimação. Instituições como o Canadian Centre for Architecture, a Casa da Arquitectura ou o Deutsches Architekturmuseum foram erguidas sobre a convicção de que preservar a arquitetura era o mesmo que preservar seus documentos.
No entanto, esses arquivos não se limitavam a armazenar conhecimento. Eles determinavam o que era considerado arquitetura, quem pertencia ao seu cânone e como a história seria contada. Arquivar é editar o passado — decidir o que entra, o que é omitido e como será interpretado. O arquivo, teorizado por Michel Foucault e, posteriormente, por Jacques Derrida, nunca é neutro; é um instrumento de poder, um espaço que seleciona e exclui. Na arquitetura, essas dinâmicas são especialmente evidentes, pois registram o visível ao mesmo tempo em que silenciam o que escapa às suas categorias. O ato de colecionar sempre foi, implicitamente, um ato de julgamento.

Em toda a América do Sul, a arquitetura resiste através dos materiais que utiliza, aqueles que persistem ao longo do tempo. O bambu, o tijolo, a madeira e o concreto surgem em diferentes regiões, conectando clima, trabalho e cultura de maneiras que garantem sua permanência através das gerações. Sua continuidade não depende exclusivamente de preservação ou tombamento. Depende do uso.
Sob essa perspectiva, a memória cultural não reside primordialmente em monumentos ou imagens, mas sim na prática. Ela sobrevive em gestos repetidos: no assentamento de tijolos, na amarração de nós de guadua, na montagem de estruturas de madeira, na concretagem de lajes que antecipam um novo pavimento. Essas ações são transmitidas menos por manuais do que pela participação direta. Com o tempo, formam sistemas de conhecimento integrados ao hábito e à necessidade. Os materiais perduram não por simbolizarem o passado, mas porque continuam cumprindo sua função.

Refletir sobre a moradia contemporânea pode ser um dos temas mais instigantes e relevantes do nosso tempo. Em um mundo que muda a um ritmo vertiginoso, no qual as tecnologias avançam a passos largos, a população cresce e os recursos se tornam escassos, é vital refletir sobre como habitamos e como podemos fazer isso melhor.

A moradia não é apenas o lugar onde vivemos. É um reflexo da nossa sociedade, da nossa cultura e das nossas aspirações. É um espaço que influencia nossa qualidade de vida, nossa saúde e nosso bem-estar. E em um mundo que muda a ritmos sem precedentes, no qual as tecnologias avançam a passos largos, a população cresce e os recursos escasseiam, é fundamental refletir sobre como habitamos e como podemos tornar nossas moradias melhores.
O ArchDaily abriu o debate sobre o tema da habitação contemporânea durante todo o mês de abril. Fizemos um convite a nossos leitores e leitoras para que se somassem à discussão sobre seu estado atual e seu futuro. Após analisar uma imensa quantidade de comentários e opiniões, tanto de profissionais da construção civil quanto de estudantes e pessoas interessadas em arquitetura, foi uma surpresa encontrar pontos em comum sobre como, antes de mais nada, a habitação contemporânea diz muito tanto sobre adaptabilidade, inovação e diversidade, quanto sobre especulação imobiliária, falta de políticas públicas adequadas e desigualdade econômica. Conheça em detalhes os principais pontos de vista a seguir.

As casas-pátio representam uma das tipologias arquitetônicas mais perenes, sintetizando a dualidade entre abertura e reclusão ao mesmo tempo em que promovem uma profunda conexão com a natureza. Embora o termo também seja utilizado no mercado imobiliário norte-americano contemporâneo para descrever residências térreas de baixa manutenção em lotes pequenos, seu significado arquitetônico clássico refere-se a um projeto introvertido, organizado em torno de um pátio central privado. É essa forma tradicional, tema deste artigo, que remonta a milhares de anos. As casas-pátio surgiram de forma independente em várias regiões do mundo, respondendo universalmente a necessidades humanas fundamentais: privacidade, adaptabilidade climática e coerência espacial. Apesar das diversas expressões geográficas e culturais, os princípios fundamentais de introversão, abertura controlada e sensibilidade ambiental permanecem notavelmente consistentes ao longo da evolução dessa tipologia.

Torres de concreto dominam a silhueta das cidades asiáticas e africanas — edifícios imponentes que personificam o desenvolvimento. Com acesso às ferramentas e materiais da modernidade industrial, o Sul Global entra no cenário mundial exibindo sua prosperidade. No entanto, no âmago de ambições crescentes, esse material construtivo evoca legados coloniais e economias extrativistas que geram desequilíbrios de poder na esfera geopolítica. A crise climática no horizonte apenas intensifica a complexa relação entre materiais de construção, demandas de sustentabilidade e a soberania de muitos países.

Na busca por fomentar o sentido de pertencimento de seus habitantes, valorizar suas culturas ancestrais e preservar sua identidade, o território latino-americano reconhece uma arquitetura com amplas nuances e características regionais. O uso de técnicas construtivas e materiais locais, ou o diálogo entre o modular e o vernáculo, entre outras questões, revelam a intenção de promover a participação de comunidades nativas, estudantes e suas famílias, povos originários e construtores locais durante o processo de projeto e construção de uma grande variedade de escolas rurais ao longo de toda a América Latina.

O reuso adaptativo tornou-se uma palavra de ordem na arquitetura. Apresentada como uma solução sustentável e econômica para a decadência urbana, a prática tem sido adotada por cidades que enfrentam as pressões das mudanças climáticas, restrições imobiliárias e a necessidade de preservação cultural. Profissionais de arquitetura são cada vez mais contratados/as para reabilitar o antigo em vez de construir o novo. No âmbito desse discurso, surge uma reflexão crescente sobre quem tem o direito de reutilizar e como.

Globalmente, a arquitetura contemporânea continua investigando ferramentas e metodologias de projeto para integrar a natureza nos espaços habitáveis, dados os seus comprovados benefícios e contribuições para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Embora existam diferentes crenças religiosas ao redor do mundo, a arquitetura religiosa geralmente vai além de seus usos e funções para conectar-se com o sagrado. Sentidos, memórias e emoções são transmitidos nesses espaços a partir do uso de certos materiais, organizações espaciais e até sons e aromas que potencializam as experiências em atmosferas de espiritualidade, divindade e reflexão. No México, Chile, Equador, Brasil ou Uruguai, projetos de espaços de culto abertos para o exterior revelam uma arquitetura capaz de se adaptar a diferentes ambientes naturais, mantendo a premissa de que cada religião está ligada a uma identidade social e exige um vínculo particular com sua comunidade e a paisagem circundante.

A identidade de uma região está profundamente vinculada aos seus espaços comunitários. Esses locais — sejam parques, praças públicas ou centros comunitários — refletem a cultura, a história e os valores das pessoas que os frequentam. Eles não apenas preservam a identidade regional, mas também moldam ativamente a interação das comunidades com o seu entorno, promovendo uma relação dinâmica entre as pessoas e o lugar. Mais do que simples localizações físicas, os espaços comunitários funcionam como polos sociais vitais que fomentam o engajamento, a expressão cultural e o sentimento de pertencimento. Esses ambientes simbolizam uma identidade e um propósito compartilhados.

O conceito de arquitetura inclusiva tem ganhado destaque à medida que o ambiente construído evolui para refletir e atender às diversas necessidades da humanidade. Essa abordagem prioriza a empatia, a acessibilidade e a equidade, buscando criar espaços que ressoem com indivíduos de diferentes perfis demográficos, habilidades e contextos culturais. O conceito vai além do mero cumprimento de normas de acessibilidade ou da incorporação de elementos de desenho universal; em vez disso, representa uma mudança de paradigma que humaniza a arquitetura e a alinha a valores sociais fundamentais. Sob essa ótica, a arquitetura inclusiva estimula conexões, acolhe a diversidade e garante que os espaços físicos contribuam para o bem-estar coletivo.
Este artigo explora quatro temas interligados — Empatia, Arquitetura Inclusiva, Equidade Espacial e Acessibilidade — por meio de artigos selecionados publicados em 2024. Juntos, esses temas revelam como a arquitetura pode responder aos desafios e aspirações da sociedade, ilustrando seu potencial como catalisadora de transformação social. Desde projetar para a conexão emocional até enfrentar as desigualdades espaciais, as lições de 2024 enfatizam a responsabilidade de profissionais de arquitetura em criar espaços que transcendam a funcionalidade, promovam a inclusão em todas as escalas e fomentem ambientes onde todas as pessoas se sintam vistas, valorizadas e integradas.


Construir sobre a água significa abrir mão de uma parte da construção que é, literalmente, a base da maior parte do nosso ambiente construído: a própria fundação. Em um ambiente cercado por água, as correntes e a oscilação do nível da superfície são variáveis que simplesmente não podem ser ignoradas, e justamente por isso a característica mais emblemática comum a esses projetos é a sua adaptabilidade.
Em vez de bases robustas e profundas — como estacas ou tubulões — , responsáveis por fincar a arquitetura no chão, arquiteturas flutuantes frequentemente utilizam soluções como pontões de concreto e tonéis plásticos para impedir que o edifício afunde, usualmente somados a elementos de ancoragem para "fixá-las", mesmo que temporariamente, a determinado local.

