
Torres de concreto dominam a silhueta das cidades asiáticas e africanas — edifícios imponentes que personificam o desenvolvimento. Com acesso às ferramentas e materiais da modernidade industrial, o Sul Global entra no cenário mundial exibindo sua prosperidade. No entanto, no âmago de ambições crescentes, esse material construtivo evoca legados coloniais e economias extrativistas que geram desequilíbrios de poder na esfera geopolítica. A crise climática no horizonte apenas intensifica a complexa relação entre materiais de construção, demandas de sustentabilidade e a soberania de muitos países.
A segunda metade do século XX testemunhou a maioria dos países do Sul Global romper laços com seus colonizadores, processo após o qual a construção nacional se desdobrou naturalmente. Estruturas cívicas e projetos de infraestrutura buscavam a grandiosidade, encontrando um propósito para além da funcionalidade: projetar a imagem da própria nação. O concreto tornou-se a escolha predileta. Padronizado e industrializado, ele era, no entanto, frequentemente controlado por potências estrangeiras, perpetuando assim relações de dependência colonial.








