Ankitha Gattupalli

Arquiteta e escritora indiana engajada na interseção entre espaços, ecologias e comunidades.

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Para além das praças da Índia: Onde a democracia pode falar?

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Toda democracia mais cedo ou mais tarde se depara com a mesma questão: onde seus cidadãos e cidadãs podem falar?

Praças públicas, marchas e manifestações historicamente servem como as expressões mais visíveis e impactantes da opinião coletiva. Há um desejo cada vez maior por parte da população de se fazer ver e ouvir no espaço público. As manifestações, por sua própria natureza, são momentos de urgência que surgem quando o diálogo chega a um impasse. Embora sejam essenciais para a democracia, elas não podem ser sua única linguagem.

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O que a informalidade e a incrementalidade revelam sobre o urbanismo sustentável na Índia

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A magia da arquitetura indiana reside em uma ordem invisível em meio ao caos visceral. Quando um futuro incerto bate à porta de profissionais locais, abre-se a possibilidade de olhar para dentro das próprias quatro paredes em busca de uma oportunidade de reinterpretação.

Mumbai, Déli, Bengaluru e outras grandes metrópoles são frequentemente descritas como carentes de soluções habitacionais massivas para milhões de pessoas. A resposta instintiva é previsível — planos diretores, torres densas e unidades padronizadas sobrepostas a um desenvolvimento desordenado. Esse léxico ignora uma verdade mais profunda sobre como as pessoas já vivem, trabalham e constroem na Índia. Os termos simplistas adotados em políticas públicas e no planejamento urbano — favela, assentamento informal, colônia irregular — sugerem um estado temporário a ser corrigido. O olhar do/a designer, contudo, enxerga esses lugares como histórias urbanas em camadas, moldadas pela necessidade.

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O Controle Suave do Espaço: Design para a Tomada de Decisões

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"Não há espaço sem acontecimento, não há arquitetura sem ação." Ao escrever essas palavras, Bernard Tschumi articulava um princípio fundamental da prática da arquitetura. A arquitetura trata de comportamento. Cada traço de caneta em uma planta baixa é uma proposição sobre como os/as ocupantes se moverão ou quais ações se tornarão possíveis.

Desenhar é arquitetar uma realidade. Contudo, apesar desse poder, a arquitetura não comanda. Ela não emite instruções nem impõe conformidade; em vez disso, opera por meio de um controle sutil — um modo de influência que molda o comportamento ao estruturar a percepção e guiar a atenção.

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Arquitetura como plataforma: o que faz um edifício evoluir?

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Não faz muito tempo, em um período recente o suficiente para parecer atual, a arquitetura entrou em um momento no qual os edifícios passaram a ser interpretados como produtos. Essa abordagem trouxe disciplina e uma perspectiva renovada para uma indústria que, frequentemente, valoriza a novidade mais do que a clareza operacional. Ao direcionar os exercícios formais em direção à repetibilidade, experiência do usuário, desempenho e escalabilidade, preparou-se o terreno para que as edificações fossem avaliadas como "produtos". A arquitetura passou a responder de forma mais direta sobre o seu funcionamento, a clareza com que comunica seu uso e a consistência com que entrega a experiência pretendida.

A disciplina do design de produto renova a perspectiva dos profissionais de arquitetura que projetam para um futuro em constante transformação. Além de oferecer um novo vocabulário e parâmetros de projeto, a área traz consigo a responsabilidade: um produto deve funcionar de maneira confiável ao longo do tempo e em diferentes contextos. Ele deve se estruturar como um sistema de decisões, e não como uma mera coleção de partes. Desse modo, a qualidade já não é medida apenas pela singularidade, mas sim pela consistência e pela capacidade de gerar uma experiência previsível para quem o ocupa.

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Espaços que sentem de volta: como os edifícios respondem ao comportamento humano

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A intenção original dos edifícios sempre foi resolver um problema simples: o abrigo. Por meio da forma e da materialidade, eles protegiam seus ocupantes das intempéries e organizavam a atividade humana. A arquitetura moderna, acompanhando a evolução dos estilos de vida, acrescentou novas prioridades — eficiência, densidade, inovação estrutural e estética. Hoje, as pessoas exigem mais dos edifícios. Os/as ocupantes desejam, cada vez mais, ambientes que apoiem ativamente a maneira como vivem, trabalham e se sentem.

O bem-estar tornou-se uma preocupação central na contemporaneidade. Décadas de pesquisa em psicologia ambiental e ciência da construção revelam que as condições internas podem afetar profundamente a saúde e o comportamento humano. A iluminação influencia os ritmos circadianos e os padrões de sono. A qualidade do ar afeta o desempenho cognitivo e a saúde respiratória. A temperatura e a acústica moldam o conforto e a concentração.

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Manifesto da Geração Z: menos é entediante

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Os anos 2020 chegaram, e a Geração Z anuncia sua chegada ao mundo com perspectivas ousadas e uma estética ainda mais audaciosa. Experimentando constantemente suas próprias identidades, esses jovens cresceram em uma internet repleta de opiniões e atravessaram o período caótico dos lockdowns da pandemia, trazendo consigo uma mudança cultural na qual formas orgânicas, elementos coloridos e padrões contrastantes dominam a arte, a mídia, a moda e o design de interiores. Esta tendência afasta-se do minimalismo outrora dominante, transformando a famosa frase de Robert Venturi em seu próprio lema: “menos é tédio”.

As métricas que usamos definem as cidades que construímos: indicadores urbanos e a experiência vivida

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As cidades modernas são movidas por indicadores de desempenho. Elas movem milhões de pessoas todos os dias, concentram capital, separam os usos do solo e sustentam sistemas complexos de logística e consumo. Nesse sentido, a cidade funciona como um sistema a ser continuamente ajustado e otimizado.

As métricas dominantes hoje são familiares e amplamente conhecidas: veículos por hora, tempos médios de deslocamento, coeficientes de aproveitamento, rotatividade de estacionamento, novos projetos habitacionais e receita tributária por lote. Esses números descrevem uma cidade legível por meio da eficiência. São herdados de uma lógica industrial, na qual o espaço urbano é tratado mais como um mecanismo de produção do que como um ambiente vivenciado. Sob essa perspectiva, as cidades começam a mimetizar as necessidades e métricas de uma máquina.

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Edifícios de escritórios vazios nos Estados Unidos: uma oportunidade para investimento público?

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Quatro anos após o início da pandemia de COVID-19, seus reflexos ainda são sentidos nos setores de construção e imobiliário nos Estados Unidos. A aceleração do trabalho remoto e dos modelos híbridos tem provocado uma queda acentuada na demanda por espaços corporativos tradicionais nas cidades do país. Em grandes metrópoles como Nova York e São Francisco, as taxas de ocupação despencaram, o valor dos imóveis diminuiu e os aluguéis caíram significativamente. Enquanto os/as arquitetos/as projetam o futuro do trabalho, o mercado imobiliário divide-se sobre a viabilidade de se investir no crescente estoque de edifícios de escritórios vazios do país.

Fachadas na Economia Circular: Design para Desmontagem

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Os princípios da economia circular têm se mostrado altamente influentes e aplicáveis na indústria da construção civil. Com ênfase no uso eficiente de recursos, modelos baseados no reuso e na reciclagem de componentes e materiais estão sendo cada vez mais implementados de forma pioneira por escritórios de arquitetura globais. O conceito de "design para desmontagem" surge como uma abordagem inovadora, especialmente no caso das fachadas de edifícios. Alcançar um equilíbrio entre as demandas por novas infraestruturas e a transição para a sustentabilidade exige uma revisão do projeto tradicional de fachadas ao longo de todo o seu ciclo de vida.

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Arquitetura Temporária na Índia: Mercados e Bazares

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As paisagens urbanas da Índia são caracterizadas por uma negociação entre o formal e o informal, a permanência e a impermanência. Estruturados em meio a edifícios de concreto e bairros planejados, mercados improvisados e bazares formam o núcleo da vida urbana. Muitas vezes compostos por estruturas sustentáveis, esses centros comerciais transitórios exibem uma forma de arquitetura rudimentar que lança raízes profundas nas tradições culturais e econômicas da Índia.

O coração do urbanismo informal da Índia reside em seus mercados públicos e bazares de beira de estrada que existem há séculos. Essas zonas urbanas carregam uma história que, acredita-se, teve origem na era dos mercadores itinerantes e das relações comerciais imperiais. Hoje, esses ambientes evoluíram para labirintos densos de abrigos temporários feitos de chapas de zinco recicladas, coberturas de lona e postes de madeira. Esses bazares transformam organicamente as vizinhanças em um caos coreografado de comerciantes, mercadorias e o público em geral. Os mercados semanais costumam ter proporções massivas, sendo montados a cada poucos dias apenas para desaparecer novamente.

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Política Sustentável: Como os planos de desconstrução estão revolucionando a gestão de resíduos da construção nos Estados Unidos

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Durante muito tempo, a indústria da construção civil seguiu um processo linear: extrair matérias-primas, construir estruturas, demoli-las e, por fim, descartar os resíduos em aterros sanitários. Essa abordagem gera graves impactos negativos sobre o meio ambiente e a sociedade, sendo inerentemente insustentável. Repensar os métodos e fluxos de trabalho tradicionais exige o apoio de todas as partes interessadas e um senso de urgência manifestado pelas autoridades. Nos Estados Unidos, administrações municipais começaram a implementar novas políticas para evitar que os resíduos da construção civil parem em aterros e para apoiar práticas circulares. Diversas cidades, como Seattle e Pittsburgh, começaram a adotar decretos de desconstrução que exigem que edifícios mais antigos sejam cuidadosamente desconstruídos em vez de demolidos. De que maneira suas principais diretrizes podem influenciar as práticas circulares no país?

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Design de varejo no metaverso: um novo campo de atuação para os/as arquitetos/as

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A evolução do design de varejo demanda uma análise da prática da arquitetura no ambiente digital. Embora os espaços comerciais físicos tenham sido tradicionalmente o centro das experiências de compra, a fronteira emergente do metaverso — uma rede interconectada de ambientes virtuais em 3D — sinaliza uma mudança significativa nas interações entre marcas e consumidores. Para arquitetos e arquitetas, esse espaço liminar apresenta uma tela única, livre das restrições materiais que tradicionalmente moldaram as concepções de projeto. O metaverso é um novo território onde a arquitetura da imaginação pode ser plenamente realizada, convidando a uma reconceituação das possibilidades do design de varejo.

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Habitação Modular: O Equilíbrio entre Padronização e Personalização

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Não mais relegada ao domínio das estruturas temporárias ou da vida meramente utilitária, a habitação modular vem ganhando cada vez mais espaço. As casas pré-fabricadas estão revolucionando o setor da arquitetura com sua construção eficiente, custos previsíveis e redução do impacto ambiental. A habitação modular está enraizada na ideia de rápida replicação e padronização. Em um mundo que prioriza a personalização, como a habitação modular pode atender às necessidades de indivíduos tão diversos?

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Gentrificação Turística nos Estados Unidos: Como os Aluguéis de Curta Temporada Impactam as Cidades Americanas

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O Airbnb, sem dúvida, transformou profundamente o setor hoteleiro, inspirando um ecossistema de empresas que impulsionam a economia compartilhada, como as startups de coliving. Embora essas companhias tenham alcançado um sucesso financeiro impressionante, aponta-se que elas geram efeitos problemáticos na escala urbana. O Airbnb, em particular, é acusado de inflacionar os preços dos aluguéis em cidades que já enfrentam crises de acessibilidade à moradia. De maneira análoga ao impacto do Uber na mobilidade urbana, a rápida expansão do Airbnb trouxe desafios significativos para as administrações locais, exigindo regulamentações abrangentes e uma reavaliação de sua atuação na dinâmica das cidades.

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Habitação de baixo custo na Índia: uma abordagem de múltiplos agentes

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Em uma nação que enfrenta uma grave escassez de moradia para suas parcelas economicamente mais vulneráveis, o conceito de "habitação de baixo custo" curiosamente desapareceu da consciência pública e dos debates políticos. Como uma crise que afeta milhões de pessoas entre as mais pobres do país, a necessidade de moradias acessíveis tornou-se ainda mais urgente à medida que a população da Índia ultrapassa a da China, tornando-se a nação mais populosa do mundo. Se não for resolvida, a crise habitacional poderá resultar em desabrigo em massa e em condições de vida indignas para os cidadãos e cidadãs.

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Arquitetura como produto: o que torna um edifício digno de ser repetido?

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A prática da arquitetura tem se concentrado tradicionalmente em serviços personalizados e baseados em projetos — um modelo consolidado e continuamente preferido por profissionais do setor. Embora essa abordagem resulte em ambientes construídos notáveis, ela enfrenta dificuldades para alcançar escalabilidade e longevidade. O setor de arquitetura tem demonstrado pouco interesse em explorar práticas, processos e modelos de negócios alternativos, especialmente considerando que o modelo tradicional é tão vulnerável aos ciclos de mercado quanto qualquer outra indústria. Soluções de projeto sob medida, a pedra angular da prática convencional, tornam a padronização de processos e a escala de serviços um grande desafio. Esse foco também resulta em fluxos de trabalho fragmentados entre escritórios e parceiros. Além disso, a estabilidade e a consolidação das práticas tradicionais podem gerar uma cultura avessa ao risco, dificultando inovações disruptivas no setor.

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Densidade maximizada: como os espaços de co-living fazem mais com menos

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O crescimento populacional e a alta vertiginosa nos preços dos imóveis impõem desafios significativos à habitação urbana. Em uma busca urgente por opções de moradia acessíveis, os espaços de co-living surgiram como uma solução criativa, oferecendo condições de vida de qualidade por meio de estratégias inteligentes de otimização do espaço. Ao implementar técnicas de design inovadoras, essas comunidades residenciais compartilhadas maximizam cada metro quadrado para criar espaços funcionais dentro de áreas compactas.

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O arranha-terra: uma tipologia de edifício para descentralizar as cidades

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Um arranha-terra (ou groundscraper) é essencialmente o oposto de um arranha-céu — uma grande edificação que se estende horizontalmente em vez de se erguer verticalmente em direção ao céu. Embora não exista uma definição rígida, os arranha-terras são geralmente descritos como edifícios de baixa altura, mas extremamente extensos, com áreas que superam os 90 mil metros quadrados, às vezes chamados de sidescrapers ou landscrapers. O termo ganhou destaque com os planos do Google para sua massiva sede em Londres, orçada em 1,3 bilhão de dólares. Projetado para ter apenas 11 andares, mas mais de 300 metros de comprimento, esse imenso bloco de escritórios sintetiza o uso da expansão horizontal para criar um espaço monumental para milhares de funcionários/as.