
O reuso adaptativo tornou-se uma palavra de ordem na arquitetura. Apresentada como uma solução sustentável e econômica para a decadência urbana, a prática tem sido adotada por cidades que enfrentam as pressões das mudanças climáticas, restrições imobiliárias e a necessidade de preservação cultural. Profissionais de arquitetura são cada vez mais contratados/as para reabilitar o antigo em vez de construir o novo. No âmbito desse discurso, surge uma reflexão crescente sobre quem tem o direito de reutilizar e como.
O antropólogo Claude Lévi-Strauss distinguiu, de forma célebre, o engenheiro e o bricoleur, argumentando que ambas as formas de prática são inteligentes, mas operam dentro de estruturas distintas. No campo da arquitetura, a analogia pode ser aplicada ao identificar o bricoleur como quem "coleta materiais descartados e os reúne em uma colagem" — um processo que, ao contrário da atuação convencional de arquitetos/as, não é hierárquico nem finalizado, mas sim uma negociação contínua com as limitações.








