Uma Bienal Pan-Africana de Arquitetura está prevista para 2026 em Nairóbi, no Quênia. Segundo o curador, o evento "representa uma oportunidade sem precedentes para recuperar a narrativa arquitetônica da África, reafirmando o papel do continente como líder global em resiliência urbana, sustentabilidade e expressão cultural."
Omar Degan, curador em parceria com a Architectural Association of Kenya, é arquiteto atuante, professor e educador. Ele lidera o escritório de arquitetura DO Architecture Group, fundado entre a Itália e a Somália — dois lugares profundamente conectados à sua identidade. Seu trabalho se concentra no que ele descreve como "contextos frágeis" ao redor do mundo, incluindo áreas afetadas por desastres naturais, campos de refugiados, urbanização de favelas e bairros periféricos e desassistidos.
O espaço público há muito tempo ocupa o centro do pensamento arquitetônico, sendo frequentemente estruturado sob a ótica do planejamento, da infraestrutura e da regulamentação. De Paris de Haussmann aos masterplans contemporâneos, arquitetos e arquitetas têm trabalhado para definir e formalizar a vida coletiva por meio de ferramentas espaciais. No entanto, fora dessas estruturas, artistas têm oferecido continuamente formas alternativas de compreender e habitar o espaço público — abordagens que não dependem da construção ou da permanência, mas sim da presença, da percepção e da participação. Por meio de ações, objetos ou atmosferas, artistas abordam a cidade como um território de fricção e imaginação. Esses gestos desafiam as convenções arquitetônicas e convidam a reconsiderar o espaço público não como uma forma resolvida, mas como um processo contingente e aberto.
Nos últimos anos, a arquitetura tem adotado cada vez mais a adaptabilidade, a flexibilidade e a responsividade como princípios fundamentais de projeto. Essa evolução reflete uma transição das noções tradicionais de estruturas estáticas e permanentes para ambientes dinâmicos que conseguem se ajustar a necessidades e condições em constante transformação. No cerne dessa transformação está o conceito de "arquitetura maleável", que utiliza materiais flexíveis e sistemas inovadores para criar espaços funcionais, sustentáveis e centrados nas pessoas. A arquitetura maleável ganha forma por meio de membranas que respiram, fachadas que se movem, estruturas que inflam ou se dobram e superfícies que se curvam em vez de quebrar. Isso envolve projetar para a transformação — não apenas no desempenho ambiental do edifício, mas também em como ele pode acomodar funções dinâmicas, interações de quem o utiliza ou ocupações temporárias. Essa abordagem construtiva contesta as noções tradicionais de durabilidade e controle, propondo, em contrapartida, uma arquitetura mais responsiva e de caráter aberto. Isso reflete uma consciência crescente de que os edifícios, assim como as sociedades que atendem, precisam ser capazes de evoluir.
Rota do Pérola - Muharraq. Imagem via Shutterstock - Kirk Fisher
O Reino do Bahrein tem ganhado grande destaque recentemente por suas contribuições arquitetônicas globais na Expo 2025 em Osaka, com o pavilhão Anatomy of a Dhow, de Lina Ghotmeh; e na Bienal de Veneza, onde a exposição Heatwave recebeu o Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional. Contudo, nos últimos anos, cidades do Bahrein como Muharraq têm servido de palco para que arquitetos e arquitetas regionais e internacionais explorem a arquitetura típica do Golfo Pérsico e deixem suas próprias marcas nos sítios locais. É por meio de projetos de Leopold Banchini, Anne Holtrop ou Valerio Olgiati que o passado ganha nova vida, em consonância com os esforços das autoridades locais e de figuras do meio cultural.
A arquitetura detém um poder que vai além da criação de edifícios — trata-se de uma prática que molda a maneira como as pessoas vivem, interagem e prosperam em suas comunidades. Ela também pode funcionar como uma ferramenta de inovação social. A partir da compreensão de processos centrados no ser humano, do design participativo e das ciências sociais, profissionais da área conseguem abordar desafios societários como a solidão, a desigualdade e a saúde pública, transformando espaços em vetores de equidade social e engajamento. O papel da arquitetura na definição do futuro das comunidades responde diretamente às necessidades humanas e à promoção de transformações sociais ativas.
O Fenix é um novo museu no porto de Roterdã, dedicado a uma coleção de objetos históricos e contemporâneos que exploram a migração por meio da arte. O museu está localizado na península de Katendrecht, na margem sul do rio Maas, em um antigo galpão centenário recentemente renovado pelo escritório MAD Architects e pelo Bureau Polderman. Este projeto marca a primeira comissão do MAD Architects para um edifício cultural público na Europa. Recém-concluído, o edifício tem sua inauguração marcada para esta sexta-feira, 16 de maio, apresentando três exposições: All Directions, com mais de 150 obras de arte e objetos das coleções do Fenix; The Family of Migrants, uma mostra fotográfica de Edward Steichen; e The Suitcase Labyrinth, uma instalação interativa composta por 2.000 malas doadas.
O Qatar anunciou que a arquiteta Lina Ghotmeh, fundadora e diretora do escritório parisiense Lina Ghotmeh — Architecture, foi selecionada para projetar seu pavilhão nacional permanente no Giardini della Biennale, a sede histórica da Bienal de Veneza desde 1895. O novo edifício será construído em um terreno adjacente ao Pavilhão do Livro e foi encomendado por Sua Excelência Sheikha Al Mayassa em nome do Estado do Qatar. Com esta adição, o Qatar torna-se um dos apenas 31 países com um pavilhão permanente no Giardini, unindo-se a um grupo seleto de nações com espaços de exposição dedicados. Apenas dois novos pavilhões nacionais foram inaugurados ali nos últimos 50 anos: a Austrália em 1988 e a República da Coreia em 1996. O novo Pavilhão do Qatar, projetado por Lina Ghotmeh, servirá como uma plataforma permanente para expor as contribuições artísticas e arquitetônicas do país, com exposições rotativas apresentadas a cada edição da Bienal.
À medida que a arquitetura navega por um mundo em rápida mudança, moldado pela urgência ecológica, pela transformação social e pela aceleração tecnológica, a noção de inteligência se transforma. Não mais restrita à cognição individual ou à computação artificial, a inteligência pode emergir da memória cultural, de práticas coletivas e de sistemas adaptativos. Nesse sentido mais amplo, a arquitetura torna-se um campo de convergência onde as inteligências natural, artificial e social se cruzam para oferecer novas formas de projetar e construir.
As tradições vernáculas incorporam gerações de conhecimento ambiental, frequentemente transmitidas por meio de materiais, técnicas de construção e lógicas espaciais finamente sintonizadas com as condições locais; as plataformas participativas expandem a tomada de decisões para comunidades mais amplas para que participem da modelagem de seus ambientes, redistribuindo a agência no processo de projeto; e os processos computacionais simulam e respondem a dados complexos em tempo real, trazendo a capacidade de analisar, simular e responder a variáveis complexas — sejam ambientais, sociais ou comportamentais — oferecendo novas formas de adaptabilidade.
Huizhen High School por Approach Design Studio - Zhejiang University of Technology Engineering Design Group Co.,Ltd_Huizhen High School por Approach Design Studio. Imagem cortesia de WAF23
O World Architecture Festival (WAF) realizará sua 17ª edição em Miami, marcando a estreia do evento nos Estados Unidos. O tema do festival deste ano, anunciado como Hearts and Minds, explorará a interseção entre estratégias de projeto racionais e ressonância emocional. Por meio de uma série de palestras e painéis de discussão, os/as palestrantes examinarão como a arquitetura opera tanto como uma busca intelectual quanto como uma experiência sensorial, envolvendo percepção, memória e afeto. Programado para ocorrer de 12 a 14 de novembro no Miami Beach Convention Center, na Flórida, o festival reunirá arquitetos/as e designers de todo o mundo em uma programação de três dias com palestras, prêmios, exposições e eventos paralelos. O evento destacará práticas internacionais, apresentará novos projetos e facilitará discussões sobre questões fundamentais que moldam o ambiente construído.
Teatros, salas de concerto e casas de ópera são muito mais do que simples locais de apresentação — constituem ambientes meticulosamente orquestrados onde arquitetura, tecnologia e emoção humana convergem. Ao contrário de edifícios convencionais, esses espaços precisam acomodar uma interação dinâmica entre acústica, linhas de visão, engenharia de palco e engajamento do público, mantendo ao mesmo tempo uma identidade arquitetônica capaz de ressoar tanto com os artistas quanto com o público. Seja no acolhimento imersivo de uma sala de concerto em estilo "vinhedo" (vineyard) ou na imponência de um palco italiano, cada decisão de projeto molda a maneira como as apresentações são vivenciadas e lembradas.
A publicação recente SET PIECES: Architecture for the Performing Arts in Fifteen Fragments , do escritório Diamond Schmitt Architects, explora essas complexidades por meio de estudos de caso e reflexões. Inspirado nessas perspectivas, este artigo examina considerações fundamentais de projeto para espaços de apresentação, desde a engenharia acústica até o papel em evolução dos teatros na vida urbana.
A integração de elementos naturais ao projeto arquitetônico é, há muito tempo, uma busca fundamental para a criação de ambientes sustentáveis e confortáveis que melhorem tanto o bem-estar individual quanto a relação entre as edificações e seu contexto circundante. Em áreas de paisagens vastas, a incorporação de elementos naturais é essencial para conectar harmoniosamente a arquitetura ao seu local de implantação. Por outro lado, em ambientes urbanos densos e dominados por estruturas construídas, a introdução de áreas verdes torna-se também cada vez mais vital, reintroduzindo a natureza na chamada "selva de pedra".
Contudo, para além dos elementos paisagísticos convencionais — como fontes de água, paredes verdes, jardins ou pátios —, arquitetos e arquitetas estão redefinindo o que significa construir com a natureza. O foco deslocou-se para uma integração profunda da arquitetura com o seu entorno natural, criando experiências espaciais imersivas que atenuam as fronteiras entre o construído e o orgânico — de certa forma, "domesticando" a natureza. Quando executados com sucesso, esses projetos vão além de promover o bem-estar ou um estilo de vida saudável; eles evocam uma sensação profunda de tranquilidade, força e harmonia, transformando a maneira como percebemos e habitamos o espaço.
David M. Childs, o arquiteto renomado por suas contribuições significativas para a silhueta urbana de Nova York, faleceu em 26 de março de 2025, em Pelham, Nova York, aos 83 anos. Sua carreira, consolidada principalmente no escritório Skidmore, Owings & Merrill (SOM), foi marcada pelo compromisso com os valores urbanísticos e pela dedicação em promover o bem público por meio da arquitetura. Childs deixou uma marca indelével no ambiente construído, equilibrando premissas estéticas com as complexas exigências de projetos urbanos de grande escala.
Criar uma atmosfera que valorize as exposições e enriqueça a experiência de quem visita e frequenta o espaço exige um equilíbrio cuidadoso entre preservar o caráter único de um local e adaptá-lo para atender às demandas da produção artística e cultural. O desafio reside em manter a atmosfera industrial da edificação ao mesmo tempo em que se acomodam as exigências específicas do design de exposições ou os diversos usos que o novo edifício exigirá. Essa delicada tarefa envolve uma reflexão minuciosa sobre a organização espacial, a escolha dos materiais e as soluções de iluminação, fatores que desempenham um papel fundamental na configuração do novo ambiente.
Adoro reunir listas de declarações originais, quase como manifestos, de arquitetos/as em busca constante de novos caminhos. Elas nos instigam a imaginar possibilidades que antes não ousávamos considerar. Questionar convenções deveria ser o principal objetivo de um/a crítico/a ao dialogar com uma mente criativa. Caso contrário, o que haveria para discutir, afinal? É por isso que conversar com Elizabeth Diller sobre o trabalho e as intenções de seu escritório é como um sopro de ar fresco, especialmente hoje em dia, quando tantos/as arquitetos/as parecem satisfeitos/as em se alinhar ao que é esperado. Em uma de nossas conversas anteriores, Diller foi direta: "Não levamos os limites profissionais a sério. Cada vez que recebemos um programa de necessidades, nós o desconstruímos e fazemos novas perguntas continuamente. Nada é fixo." Desta vez, conversamos sobre a nova monografia do Diller Scofidio + Renfro, "Architecture, Not Architecture". O livro, um projeto em si, propõe repensar os próprios limites da arquitetura, reinventando, no processo, o que um livro pode ser. Durante nossa conversa de uma hora e meia pelo Zoom — plataforma que prefiro pelo registro de gravação frontal dupla —, ela disse entusiasmada: "Estávamos sempre criticando; sempre jogando granadas nas coisas."
A arquitetura e suas qualidades atmosféricas há muito são objeto de discussão, mas alcançar um consenso sobre o assunto continua sendo uma tarefa complexa. Isso ocorre, em grande parte, porque a experiência espacial é profundamente pessoal — enraizada em emoções, percepções sensoriais e preferências individuais difíceis de articular apenas com palavras. A maneira como cada pessoa percebe, sente e interage com um espaço adiciona outra camada de complexidade, tornando desafiador definir e concordar sobre seu impacto atmosférico. Ainda assim, arquitetos/as e designers buscam continuamente moldar ambientes que não sejam apenas funcionais e confortáveis, mas também capazes de evocar emoções e deixar uma impressão duradoura em seus ocupantes.
Muitas das principais cidades dos Estados Unidos estão lidando com grandes edifícios industriais em desuso. Essas edificações possuem relevância histórica e arquitetônica e, frequentemente, são protegidas por leis de preservação. Diante disso, profissionais de arquitetura enfrentam o desafio e a responsabilidade de adaptar esses edifícios às funcionalidades contemporâneas. A opção por evitar a demolição reflete uma abordagem sustentável na construção civil e destaca a importância de valorizar o patrimônio edificado.