Abordando uma grande variedade de temas, as principais notícias desta semana refletem a amplitude da prática arquitetônica: seu potencial para responder à crise climática, a construção e renovação de infraestruturas culturais pelo mundo e eventos que promovem a reflexão disciplinar contemporânea. Isso também levanta questionamentos sobre a contradição entre as habilidades técnicas e criativas exigidas pela disciplina e o papel que ela passou a ocupar no mercado atual. Além dessas reflexões, apresentamos esta semana projetos que reforçam o significado cultural da arquitetura na preservação do conhecimento, no entretenimento coletivo e no suporte a novas formas de habitar: um museu de histórias em quadrinhos em Taiwan, um clube de membros para famílias em Londres e a renovação de um estádio emblemático em Riade.
Entre o momento em que um material é especificado em um projeto e o momento de sua instalação, existe uma camada invisível que desempenha um papel decisivo no resultado final: a fabricação, a logística e a coordenação. Esses fatores moldam cronogramas e custos, mas, acima de tudo, determinam se a intenção original do projeto será preservada ou diluída na execução. Os sistemas de revestimento, especialmente aqueles que funcionam como componentes visíveis e expressivos do envelope da edificação, tornam essa lacuna particularmente evidente, por serem a camada mais externa de um projeto.
A escolha de um sistema de revestimento nunca é uma decisão puramente estética. Ela ativa uma cadeia de dependências: disponibilidade de perfis, sistemas de fixação, tolerâncias, sequenciamento e conformidade com as normas locais. Quando há desalinhamento entre esses elementos, o impacto raramente é sutil. Sistemas de revestimento integrados — aqueles que antecipam tanto a montagem quanto a aparência — tendem a mitigar essa lacuna, incorporando a coordenação à sua própria lógica e reduzindo a necessidade de improvisação no canteiro de obras.
O que a arquitetura deixa no solo dura mais do que aquilo que ela eleva no ar. Um edifício demolido desaparece da linha do horizonte em questão de dias, mas suas fundações permanecem cravadas na terra por gerações. A contaminação causada por um complexo industrial não se dissipa quando o complexo é posto abaixo. As fronteiras legais inscritas em um território colonial não se dissolvem com o fim da administração colonial. O solo guarda o que a arquitetura rapidamente esquece.
É isso que torna o solo um tema tão desconfortável. A disciplina tende a se orientar para cima, em direção à forma, à fachada, à experiência espacial do habitar. O chão é onde a arquitetura começa e, em certo sentido, onde termina: o ponto em que a edificação se torna geologia, o título de propriedade se torna reivindicação territorial e a construção se torna extração. Tratar o solo como um meio, e não apenas como um referencial abstrato, significa reconhecer que o ato de construir traz consequências que vão mais fundo do que o objeto visível acima do nível do solo.
A Buildner anunciou os resultados da 7ª edição do Museum of Emotions Competition. O Museum of Emotions é um concurso internacional anual de projeto que desafia os/as participantes a explorar até que ponto a arquitetura pode ser utilizada como ferramenta para evocar emoções.
O programa propõe a criação de um museu conceitual com duas salas de exposição: uma projetada para induzir emoções negativas; a outra, para induzir emoções positivas. Os/as participantes têm a liberdade de escolher qualquer local de sua preferência, real ou imaginário, bem como a escala do projeto. O significado de "positivo" e "negativo" fica aberto a interpretações: quais seriam as duas emoções contrastantes na visão de um/a designer? Como um/a arquiteto/a conceberia espaços capazes de suscitar medo, raiva, ansiedade, amor ou felicidade?
O Pavilhão da Islândia na 20ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia apresentará SOAK: Rituals of Collective Belonging, uma exposição que examina a cultura do banho na Islândia sob a ótica da arquitetura, do espaço público e da interação social. Comissionado por Halla Helgadóttir, da Iceland Design and Architecture, o projeto tem curadoria de Marcos Zotes, sócio/a da Basalt Architects, e foi desenvolvido por meio de uma colaboração multidisciplinar entre a Basalt Architects, o estúdio de design Gagarin e a artista Rán Flygenring. SOAK marca a segunda participação islandesa na Bienal de Arquitetura selecionada por meio de um processo de convocatória aberta, sucedendo Lavaforming, do escritório s.ap architects, que representou o país na edição de 2025.
Projeto de renovação do Palácio dos Congressos. Render da escada do terraço. Imagem cortesia de Herzog & de Meuron
Em 3 de junho de 2026, o escritório Herzog & de Meuron foi selecionado para revitalizar o edifício do Palácio de Congressos em Tirana, Albânia. O projeto foi desenvolvido em parceria com Julian Beqiri, Marsela Demaj, Michel Desvigne Paysagistes (MDP), ARUP, LDK, Gentian Shkurti, SUEB Industries sh.p.k., The Space Factory Ltd, MBBM e KLAR sh.p.k. O Palácio de Congressos (ou Pallati i Kongreseve) foi construído durante a República Popular Socialista da Albânia e inaugurado em 1986 para sediar os Congressos do Partido do Trabalho da Albânia e outras atividades oficiais. O Concurso Internacional para a Requalificação do Palácio de Congressos, promovido pelo governo albanês, propôs uma transformação abrangente do edifício, preservando sua identidade histórica. O projeto deve resolver graves problemas de infraestrutura e adequar o Palácio aos padrões contemporâneos de tecnologia, funcionalidade e qualidade dos espaços.
Torre de Observação Siete Colores. Imagem cortesia da Fundación Cosmos
Como o projeto de arquitetura pode se tornar uma ferramenta ativa de conservação? Ao considerar a natureza como uma fonte inesgotável de inspiração, uma conexão harmoniosa com ela contextualiza as inúmeras inter-relações existentes entre seres humanos, organismos vivos e ciclos naturais. Projetar com a paisagem significa aprender a coexistir com suas dinâmicas temporais sem tentar controlar seus processos. Tradições, ecologia e o passado e o presente de um lugar contribuem para criar espaços que interpretam suas comunidades. A arquitetura paisagística pode se inspirar em aves, plantas e outros elementos naturais para moldar a complexa e dinâmica rede de ecossistemas e atividades humanas que compõem o meio ambiente.
O que torna um lar resiliente? Eventos climáticos extremos estão se tornando cada vez mais frequentes em todo o mundo. De apagões, furacões e terremotos a incêndios florestais, enchentes e secas, o mundo passa por um processo de transformação e adaptação que exige a colaboração entre diversas disciplinas. O papel da arquitetura no ambiente construído reflete uma oportunidade de repensar o desempenho das habitações sob condições ambientais em constante mudança — e não apenas antecipando o inesperado. Projetar visando à resiliência significa pensar de forma holística, considerando escolhas de materiais, sistemas de energia, paisagismo e detalhes construtivos que prevejam interrupções e ajudem as residências a se recuperarem rapidamente. Envolve a criação de uma arquitetura que evolui junto com o meio ambiente, que vale a pena ser preservada e que perdura por anos e gerações.
Profissionais de arquitetura estão acostumados a receber o crédito por suas obras muito tempo após o término da construção. Seus nomes permanecem vinculados aos projetos por meio de fotografias, publicações e registros históricos, muitas vezes décadas após a elaboração dos desenhos originais. Os edifícios, por sua vez, raramente permanecem fiéis a essa narrativa por muito tempo. As famílias crescem, as tecnologias mudam, novos negócios surgem e a vida cotidiana impõe demandas que nenhum plano é capaz de prever por completo. Com o passar do tempo, a arquitetura acumula modificações, reparos, acréscimos e improvisações que gradualmente a distanciam de sua forma original.
As escolas de arquitetura costumam deixar marcas duradouras em estudantes, moldando seu estilo e sua capacidade de questionamento crítico muito após o término da formação acadêmica. Por exemplo, o SCI-Arc, fundado em 1972 e sediado no centro de Los Angeles, é uma instituição reconhecida por sua cultura de experimentação, investigação crítica e independência criativa, construindo uma reputação baseada na ideia de que a arquitetura deve ser compreendida como um campo aberto ao diálogo com a arte, a tecnologia, o design e a cultura contemporânea. A diversidade de trajetórias de quem se forma na instituição demonstra como esse ambiente pode gerar abordagens profissionais distintas, porém unidas pela mesma disposição para explorar novas possibilidades.
O OMA concluiu o Hangzhou Prism, um grande empreendimento de uso misto no distrito de Future Tech City, em Hangzhou, na China, após um processo de projeto e desenvolvimento iniciado em 2016. Encomendado pelo Xinhu Real Estate Group e liderado pelo sócio do OMA, Chris van Duijn, com Michael Hadjistyllis como arquiteto/a do projeto, o empreendimento combina unidades residenciais, um hotel, escritórios, espaços comerciais e comodidades públicas em um único volume edificado. Sendo o primeiro projeto concluído do OMA em Hangzhou, o complexo ocupa um terreno central em um dos distritos emergentes de inovação e negócios da cidade.
Ao surgirem em um contexto de profundas transformações políticas e sociais, no qual diversos países buscavam reformular suas capitais como símbolos de progresso, ambas as cidades assumiram um papel estratégico. Por meio da linguagem arquitetônica adotada, reafirmavam narrativas ideológicas e identitárias vinculadas ao poder do Estado.
Tratava-se de cidades criadas em abstrato, seguindo uma visão utópica. Seriam urbes vanguardistas, livres das deficiências que assolavam as cidades de meados do século XX, exemplificando princípios estéticos que refletiriam ideologias políticas progressistas e que abraçariam novas tecnologias – principalmente o automóvel.
No entanto, essa promessa de futuro acabou gerando grandes desafios. Dificuldades que, claro, refletem os percalços sociais e econômicos dos seus países, mas também pode se dizer que são "temperadas" por uma ideia modernista que hoje é colocada em discussão.
Tell the Water What the Clay Kept Secret. Imagem cortesia de Ola Hassanain
Ola Hassanain é uma arquiteta e artista sudanesa atuante nos Países Baixos, que participará da Bienal de Arquitetura Pan-Africana em Nairóbi, Quênia, no final de 2026. Essas três localidades narram histórias sobre a relação do ambiente construído com a água. Elas ilustram os embates contínuos entre as forças amorfas da natureza — personificadas por rios e mares — e as tentativas humanas de moldá-las e controlá-las. Na maioria dos casos, trata-se de esforços de extração. As catástrofes ocorrem como resultado do excesso dessas tentativas, de sua má gestão, ou de ambos os fatores combinados.
À medida que as exigências técnicas das envoltórias dos edifícios evoluíram, o desempenho frente ao fogo tornou-se um critério fundamental no projeto de fachadas ventiladas. Diante desse cenário, as análises não se concentram mais apenas na reação individual dos materiais, mas também na resposta conjunta de toda a envoltória sob possíveis cenários de propagação externa do fogo.
De 10 a 12 de junho de 2026, o 3daysofdesign retorna a Copenhague com uma programação que se estende por toda a cidade, englobando exposições, instalações, palestras e apresentações em showrooms organizadas sob o tema "Make This Moment Matter". Realizado em oito Distritos de Design na capital dinamarquesa, o festival deste ano reúne marcas de design, instituições culturais, estúdios e profissionais para explorar questões contemporâneas que moldam o design e o ambiente construído. Como parte da programação, o escritório Cobe e o ArchDaily realizarão o lançamento público de uma edição especial de Cobe Notes, sob o tema Thresholds, com edição convidada, no Cobe Bookcafé, em Nordhavn, no dia 10 de junho.
O artista, diretor e produtor australiano indicado ao BAFTA Liam Young cria mundos imaginários como uma forma de refletir sobre os futuros que tememos, desejamos e já estamos construindo. Como criador e designer de atmosferas, ele propõe paisagens especulativas que refletem as possibilidades de um mundo por vir, seja ele ideal ou verdadeiramente perturbador. Em sua prática de construção de mundos nas indústrias de cinema, televisão e videogames, a ficção torna-se uma ferramenta para navegar pelas urgências ambientais do presente. Ele é considerado um "futurista" que trabalha na intersecção de estratégias de design, cenários tecnológicos e imaginações coletivas, com base em suas pesquisas acadêmicas, mas alcançando um público mais amplo em exposições como "In Other Worlds" no Barbican Centre, em Londres, e "Age of Nature" no Danish Architecture Center, em Copenhague. Em fevereiro de 2026, ele foi entrevistado por Marc-Christoph Wagner para o Louisiana Channel, onde compartilha suas visões sobre o nosso futuro: desde a consolidação da arquitetura como uma indústria boutique até a necessidade de um novo tipo de punk planetário na escala da crise climática.
Durante grande parte do século XX, a cultura arquitetônica foi moldada pela busca da leveza. Estruturas de aço e peles de vidro reduziram o envelope edificado a uma fina camada que separa o interior do exterior, enquanto as fachadas se tornaram superfícies lisas e contínuas onde as janelas eram recortadas como aberturas precisas em um plano abstrato. No entanto, durante séculos, os edifícios foram concebidos como corpos de massa; as paredes possuíam profundidade, as janelas eram recuadas em alvenarias espessas e o espaço era frequentemente vivenciado como algo esculpido a partir da solidez da construção. Nos últimos anos, diversos projetos contemporâneos parecem revisitar essa antiga lógica espacial, reintroduzindo a espessura como uma condição arquitetônica por meio de aberturas profundas, volumes monolíticos e envelopes pesados.
Essa transição não implica uma rejeição das tecnologias construtivas modernas, tampouco representa um retorno nostálgico a formas históricas. Em vez disso, reflete um interesse renovado na relação fundamental entre material, massa e vazio. Ao reintroduzir a espessura no vocabulário arquitetônico, essas obras reconectam a prática contemporânea a tradições consagradas em que o espaço era indissociável do peso e da profundidade da construção.
Um bloco residencial em Nova Belgrado parece ordenado quando visto de longe. Lajes de concreto se repetem com consistência disciplinada, janelas se alinham em malhas ritmadas e sacadas se sobrepõem com a confiança de um sistema seguro de si. No entanto, a proximidade altera essa leitura. Uma sacada é fechada com esquadrias de alumínio, outra é suavizada por um sombreamento improvisado. O isolamento térmico engrossa parte de uma fachada, enquanto roupas estendidas moldam outra extremidade como um estudo de elevação involuntário. O distrito ainda se revela planejado, embora a ocupação tenha tornado sua ordem menos uniforme. Dentro dessa ordem, a repetição foi gradualmente reescrita pela ocupação.
Em um setor definido por tolerâncias de engenharia e garantia de desempenho, o acabamento de interiores ainda depende de um processo que introduz variabilidade em cada projeto. Mesmo profissionais de aplicação experientes costumam depender de uma mistura baseada no julgamento subjetivo — estimando a proporção de água e ajustando pelo tato até que o material pareça maleável. Embora a habilidade reduza a variabilidade, ela não a elimina. O resultado é uma inconsistência inerente que se transfere diretamente para a superfície acabada.
Enquanto a Europa enfrenta uma das ondas de calor mais precoces e intensas dos últimos anos, o Dia Mundial do Meio Ambiente 2026 chega em meio a discussões renovadas sobre adaptação climática, resiliência urbana e a capacidade das cidades de responder a temperaturas cada vez mais extremas. Em Portugal, na França, na Itália, na Espanha, na Alemanha, na Suíça, na Irlanda e no Reino Unido, as temperaturas subiram muito acima das médias sazonais, provocando alertas de calor, fechamento de escolas, planos de contingência de emergência e uma preocupação crescente com o comportamento das edificações e da infraestrutura pública sob estresse térmico prolongado. A convergência desses episódios evidencia uma realidade cada vez mais global: as mudanças climáticas deixaram de ser apenas uma questão ambiental e passaram a ser um fator que reconfigura profundamente os espaços onde as pessoas vivem, trabalham e convivem.
BIG – Bjarke Ingels Group está perto de concluir o EVE Music Hall em Čepin, no leste da Croácia, projetado em colaboração com o SIRRAH projekt e o Theatre Projects. O projeto de 10.000 m² abriga uma casa de shows, instalações para congressos, áreas de exposição, um café e espaços para eventos na cobertura. O local deve receber concertos, conferências, exposições e atividades culturais, com capacidade para quase 4.000 pessoas em áreas cobertas e até 25.000 ao ar livre. O novo edifício cultural marca o primeiro projeto do escritório na Croácia e deve se tornar sua primeira casa de espetáculos musicais concluída, com previsão de entrega para o início de 2027.
As cidades modernas são movidas por indicadores de desempenho. Elas movem milhões de pessoas todos os dias, concentram capital, separam os usos do solo e sustentam sistemas complexos de logística e consumo. Nesse sentido, a cidade funciona como um sistema a ser continuamente ajustado e otimizado.
As métricas dominantes hoje são familiares e amplamente conhecidas: veículos por hora, tempos médios de deslocamento, coeficientes de aproveitamento, rotatividade de estacionamento, novos projetos habitacionais e receita tributária por lote. Esses números descrevem uma cidade legível por meio da eficiência. São herdados de uma lógica industrial, na qual o espaço urbano é tratado mais como um mecanismo de produção do que como um ambiente vivenciado. Sob essa perspectiva, as cidades começam a mimetizar as necessidades e métricas de uma máquina.
O que acontece quando a materialidade se torna a força motriz do design? Como uma infraestrutura cultural pode expressar sua própria identidade? O Pavilhão de Design da Espanha para a Capital Mundial do Design Frankfurt Rhein-Main 2026 reúne a inovação criativa do país para enfrentar desafios contemporâneos por meio de uma releitura do legado arquitetônico de Gaudí. Concebido como uma infraestrutura cultural reversível, o projeto ativa o espaço público ao mesmo tempo que amplia o debate sobre o uso de materiais, a circularidade e o reúso. Em vez de reproduzir formas históricas, o pavilhão adota uma abordagem contemporânea e operacional, destacando a colaboração entre a indústria, o design e a cultura espanhola aoexplorar princípios estruturais e construtivos enraizados na geometria, na eficiência material e na relação entre forma e sistema.