O Pavilhão do Canadá na 19ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia apresentou Picoplanktonics. Uma pesquisa que surgiu como um repensar radical de como a arquitetura pode se tornar uma plataforma que une biologia, computação e fabricação para propor um futuro alternativo — no qual os edifícios não apenas minimizam danos, mas participam ativamente da reparação do planeta. Em seu cerne está um organismo simples: a cianobactéria marinha, capaz tanto de capturar carbono quanto de contribuir para o crescimento material da estrutura que habita. O projeto foi desenvolvido ao longo de cinco anos por uma equipe de pesquisa na ETH Zurich, liderada por Andrea Shin Ling e um grupo multidisciplinar de colaboradores e colaboradoras. Juntos, formaram o Living Room Collective, fundado há um ano para dar continuidade a esse trabalho e apresentá-lo na Bienal de Veneza. A equipe principal inclui Nicholas Hoban, Vincent Hui e Clayton Lee. Esta entrevista com a equipe por trás do projeto compartilha a filosofia, os desafios técnicos e os horizontes especulativos que impulsionaram seu trabalho — desde a impressão de treliças de areia viva até a manutenção da vida microbiana em uma exposição pública. O objetivo do grupo é inspirar as pessoas a reconsiderarem a arquitetura não como um objeto estático, mas como um processo vivo e em evolução; um processo que exige cuidado, paciência e uma mudança radical de mentalidade.
Apesar dos grandes avanços em outros setores, com ferramentas como o Cursor remodelando a forma como softwares são desenvolvidos, ou o AlphaFold revolucionando a previsão de estruturas de proteínas, o setor de AEC ainda espera por seu momento divisor de águas na IA. De fato, muitas ferramentas de visualização causaram grande impacto, especialmente na geração de imagens belas. No entanto, elas se mostram insuficientes quando se trata de compreender o processo de projeto real. Elas não assimilam as restrições, a lógica e as decisões que transformam essas imagens em uma arquitetura real e viável.
E é exatamente aí que reside o caso de uso mais valioso da IA no setor de AEC: não na aparência de um edifício, mas em como ele se articula.
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A mais recente família de cabines da Mute apresenta 30 modelos em 11 tamanhos, projetados para acomodar de 1 a 8 pessoas.
A Mute, pioneira em arquitetura corporativa adaptável, apresenta as Modular Pods—a maior e primeira coleção de cabines acústicas de escritório verdadeiramente adaptáveis do mercado. Ao oferecer uma variedade inigualável de tamanhos, opções ilimitadas de personalização e soluções pioneiras de acessibilidade, as Modular Pods da Mute estabelecem novos parâmetros para toda a categoria de produtos.
Nas salas das Ninfeias no Musée de l'Orangerie em Paris, Claude Monet concebeu uma galeria em 360 graus onde o público visitante se vê envolto por paisagens contínuas, dissolvendo as fronteiras entre pintura e ambiente. Ali, ele buscou não apenas representar a natureza por meio de seu estilo marcante, mas construir uma atmosfera, um estado perceptivo que se habita literalmente. A arquitetura, tradicionalmente associada à materialidade e à permanência, ganha assim uma nova dimensão de tempo, movimento e experiência sensorial.
De maneira semelhante, quando a arquitetura contemporânea transforma seus planos em superfícies ativas, ela expande essa busca por imersão e presença, agora amplificada pela tecnologia. Na entrada da nova Mammut Tower da SOPREMA em Oberroßbach, Alemanha, a arquitetura e a narrativa digital convergem. Projetado e executado por ASB GlassFloor, o recém-concluído saguão é um ambiente imersivo que combina vidro, luz e som em uma experiência espacial e sensorial completa, demonstrando como as tecnologias interativas podem se tornar materiais arquitetônicos por direito próprio.
Quando pensamos em cidades, costumamos assumir que a malha ortogonal é a norma: organizada, previsível e racional. No entanto, muitas áreas urbanas pelo mundo, sobretudo aquelas moldadas por colinas e terrenos acidentados, desafiam essa convenção. Em cidades como Lisboa, em Portugal, as malhas ortogonais aparecem apenas nas zonas mais planas, como a Baixa, ao passo que áreas no entorno, como Alfama, adaptam-se de forma orgânica à topografia. Essas áreas criam formas urbanas mais estratificadas, irregulares e visualmente dinâmicas. Yerevan, na Armênia, oferece outro exemplo urbano dessa adaptação: o Complexo Cascade transforma uma colina íngreme em um espaço público em terraços que conecta diferentes níveis da cidade ao mesmo tempo em que enquadra vistas panorâmicas. Para outros países, essa resposta à topografia torna-se ainda mais crítica. Cidades como Tegucigalpa, em Honduras, ou Valparaíso, no Chile, são definidas por terrenos íngremes e irregulares que exigem que profissionais de arquitetura se envolvam profundamente com o território. Projetar nesses contextos, especialmente em projetos residenciais, exige adaptação técnica e uma compreensão contextual que permite que o declive se torne um elemento gerador no processo de projeto.
Nos últimos oito anos, entrevistei o arquiteto e educador radicado em Pequim, Zhu Pei, várias vezes. Sua busca persistente por combinar princípios tradicionais de planejamento e construção com sensibilidades formais e espaciais inovadoras me intriga. Seus projetos mais recentes, incluindo o Zijing International Conference Camp (2022) e o Museu do Forno Imperial de Jingdezhen (2020), são amplamente publicados e representam suas obras mais maduras. No entanto, ele está convencido de que sua melhor obra ainda está por vir. "Isso vai ser incrível! Estou muito entusiasmado!", disse-me o arquiteto, referindo-se ao Museu de Ruínas e Observatório de Majiayao, atualmente em construção na província de Gansu, no noroeste da China. "Odeio soluções de pilar e viga. Quero espaços sem pilares para o edifício público", continuou ele. Nossa conversa ocorreu no início deste ano por videochamada, acompanhada por dezenas de ilustrações pertinentes.
Este artigo faz parte da nossa nova seção de Opinião, um espaço para ensaios argumentativos sobre questões críticas que moldam nossa área.
Quem projeta a arquitetura hoje? Em um panorama profissional cada vez mais definido por fluxos de trabalho colaborativos, softwares gerativos e equipes distribuídas, a figura do/a arquiteto/a como autor/a criativo/a singular parece tanto anacrônica quanto insuficiente. Este artigo defende que a autoria arquitetônica não é mais um ato individual, mas sim uma condição coletiva e distribuída, moldada por instituições, tecnologias e formas compartilhadas de trabalho. A transição da autoria individual para a coletiva não é mera consequência de escritórios maiores ou de ferramentas digitais; ela sinaliza uma mudança estrutural profunda no modo como a arquitetura é produzida, comunicada e validada.
Por toda a Ásia, os andaimes de bambu simbolizam a interseção entre o conhecimento tradicional e a construção moderna. A silhueta urbana de Hong Kong é moldada por complexos andaimes de bambu, embora esse ofício consagrado pelo tempo esteja desaparecendo gradualmente da região. Por sua vez, as cidades indianas ainda utilizam andaimes de bambu em canteiros de obras por todo o subcontinente, revelando um paradoxo de outra natureza.
Na arquitetura contemporânea, os espaços comerciais deixaram de ser apenas pontos de venda para se tornarem palcos onde identidade, imagem e experiência convergem. Lojas, showrooms e interiores de marcas funcionam frequentemente como laboratórios onde arquitetos/as experimentam com forma, material e luz, traduzindo narrativas corporativas em experiências espaciais. Nesse contexto, o/a arquiteto/a surge como um/a mediador/a do desejo, moldando atmosferas que guiam a percepção, evocam emoções e influenciam o comportamento de forma sutil. Esse papel revela uma complexa intersecção entre design e capitalismo: a criação de espaços que vendem não apenas produtos, mas também aspirações, estilos de vida e significados culturais. Ao transformar o comércio em uma performance arquitetônica, esses projetos convidam à reflexão sobre como a disciplina negocia sua própria agência em um mundo onde a visibilidade e a imagem se tornaram tão essenciais quanto a função.
Dos pavilhões de Osaka e Veneza, às mesas-redondas de Belém, mais um ano chega ao fim. Dezembro nos convida a fazer uma pausa e olhar para trás, revisitando os momentos que definiram a arquitetura e as cidades em 2025. Refletir não é apenas um ato de memória, mas de prospecção — uma forma de compreender por onde passamos para imaginar os caminhos seguintes. Das narrativas culturais em transformação às inovações materiais e tecnológicas, o ano que passou destacou a importância da experimentação e da adaptação em todo o ambiente construído.
Este mês, o ArchDaily explora a Retrospectiva do Ano, reunindo as histórias, ideias e vozes mais marcantes dos últimos meses. Nossa cobertura revisita os projetos, entrevistas e ensaios que moldaram o debate, ao mesmo tempo que reconhece os/as arquitetos/as e pensadores/as que deixaram um impacto duradouro na disciplina. Além disso, lançamos um olhar para o futuro, identificando os projetos e temas mais aguardados para 2026 e os caminhos emergentes que eles sugerem.
A economia circular, o que inclui o reúso de materiais de construção, está se tornando rapidamente um componente fundamental na luta contra as emissões de carbono. Isso pressupõe projetar para minimizar resíduos e utilizar materiais que possam ser reaproveitados ao final da vida útil da edificação. Em contrapartida, o reúso de componentes provenientes de edifícios parcial ou totalmente demolidos também pode reduzir o desperdício e evitar as emissões de carbono que seriam geradas pela produção de materiais virgens. Para além das questões de sustentabilidade, o reaproveitamento de materiais de construção tem uma história secular, motivado tanto por razões simbólicas quanto por pura necessidade.
Historicamente, a arquitetura produziu muitos edifícios icônicos moldados por visões singulares — muitas vezes projetados de forma unilateral para usuários/as, comunidades e cidades. Se por um lado essa abordagem de cima para baixo (top-down) viabilizou uma forte coerência formal e clareza conceitual, por outro, ela priorizou a autoria em detrimento do engajamento. O resultado: projetos que podem ser celebrados como visionários, mas que frequentemente parecem desconectados das realidades cotidianas de quem os habita.
Projetar para o outro é inerentemente complexo. Na condição de arquitetos/as, frequentemente recebemos a tarefa de criar ambientes para comunidades com as quais podemos não ter nenhuma familiaridade pessoal ou cultural. Esse distanciamento, contudo, pode oferecer uma objetividade valiosa. Ele nos permite abordar perspectivas diversas com um novo olhar, analisando criticamente as necessidades e limitações de múltiplas partes interessadas. Por meio desse processo, a disciplina da arquitetura avançou — expandindo fronteiras no pensamento espacial, na inovação de materiais e na experimentação estrutural.
No momento de criar espaços de exposição, o design da experiência, a proposta de percurso ou a transmissão de certas percepções e sentidos contribuem para a criação de diferentes vínculos e conexões entre os objetos exibidos e seus visitantes. Compreendendo o caráter de um showroom como aquele espaço pensado para mostrar produtos e serviços de forma criativa e experiencial, que estratégias de design poderiam melhorar as experiências internas de seus usuários? Como o design de interiores dialoga com a arquitetura de exposição?
A Enel, líder global em energia renovável, lançou o "WinDesign", um concurso internacional que convida estudantes e profissionais talentosos/as das áreas de engenharia, arquitetura e design a imaginarem e projetarem novas turbinas eólicas. O objetivo é desenvolver projetos de turbinas que se integrem de forma mais harmoniosa às paisagens que as abrigam, impulsionando, assim, um papel mais amplo para essa tecnologia na transição energética.
A especificidade ressurgiu como uma linguagem central no discurso arquitetônico. Em um campo cada vez mais globalizado, no qual os projetos muitas vezes seguem modelos conhecidos independentemente do contexto, arquitetos/as voltam-se agora para abordagens enraizadas nas particularidades de cada local. Essa atenção renovada ao contexto reflete pressões sociais, climáticas e políticas mais amplas: as cidades enfrentam calor extremo, desafios ecológicos, mudanças demográficas e novas formas de vida coletiva que exigem respostas fundamentadas em suas condições imediatas.
A arquitetura situada descreve essa mudança. Refere-se a abordagens projetuais nas quais a forma, o programa e a materialidade emergem do ambiente específico que os produz: seus microclimas, estruturas culturais e rituais cotidianos. Em vez de partirem de modelos universais, essas práticas começam com a observação, a prototipagem e o engajamento direto com as dinâmicas locais. Essa lógica é visível nos experimentos climáticos e materiais do TAKK na Espanha, como o Portable Garden e a 10k House, que funcionam como protótipos leves ajustados a gradientes térmicos e ecológicos; no Art Pavilion M do Studio Ossidiana, moldado por camadas de solo e ciclos ecológicos nos Países Baixos; nas reinterpretações de objetos vernaculares por Izaskun Chinchilla e em seus experimentos posteriores com 100 Sillas e 3 Salones Urbanos; nos espaços domésticos guiados por narrativas do Common Accounts; e nas intervenções urbanas do Raumlabor, que respondem diretamente às especificidades da Berlim pós-industrial.
A 19ª edição da Bienal de Arquitetura de Veneza abriu oficialmente suas portas ao público no último dia 10 de maio, tornando-se um grande palco internacional para conhecer a atualidade da arquitetura mundial e propor discussões em torno dos desafios enfrentados hoje pela disciplina, tanto os compartilhados quanto os específicos de cada território. Sob o lema deste ano, "Intelligens. Natural. Artificial. Collective", a proposta do curador-geral, o arquiteto italiano Carlo Ratti, convida a refletir sobre la interconexão da arquitetura com outras disciplinas, como a arte, a inteligência artificial e a tecnologia, destacando também os territórios, as paisagens e, sobretudo, as pessoas que habitam e moldam coletivamente nosso ambiente construído.
No discurso arquitetônico contemporâneo, a escala é frequentemente confundida com influência. Grandes escritórios, projetos emblemáticos e planos diretores dominam a visibilidade, reforçando a ideia de que a ambição na arquitetura é medida por tamanho, alcance ou espetáculo. No entanto, na Índia e em contextos semelhantes, surge uma produção mais silenciosa, mas de igual relevância. Ela é liderada por escritórios pequenos, mas potentes, que atuam com recursos limitados, relações próximas com os clientes e uma compreensão profunda das condições locais.
Durante milênios, a argila tem sido a base de paredes, fachadas e revestimentos. Provavelmente não existe outro material fabricado pelo ser humano com uma história tão extensa quanto o tijolo. Sua permanência na arquitetura não se explica apenas por seus atributos técnicos, mas também por seu impacto social, sua eficiência construtiva e seu profundo enraizamento cultural na forma de construir cidades.
No Chile, a tradição do tijolo acompanhou historicamente o desenvolvimento da habitação, tornando-se um material associado a estabilidade, permanência e segurança para as famílias. Nesse contexto, a Cerámica Santiago celebra 45 anos de trajetória, consolidando-se como uma das referências nacionais no desenvolvimento de produtos cerâmicos para a construção, com um olhar que reconhece o papel social da habitação no desenvolvimento urbano do país. Desde as suas origens, a empresa busca integrar a tradição do ofício cerâmico com processos industriais modernos, inovação em design e novas exigências técnicas.
O modernismo tem uma longa história no Marrocos. Devido à proximidade com a Europa e ao domínio do Protetorado Francês, o país acompanhou de perto os desdobramentos arquitetônicos do movimento. Sua relativa estabilidade após a Segunda Guerra Mundial fortaleceu ainda mais esse papel, atraindo arquitetos e arquitetas europeus que buscavam um polo para novas ideias. No Marrocos independente, os/as arquitetos/as adotaram o modernismo ao assumirem a tarefa de construir a infraestrutura de uma nova nação. O arquiteto Jean-François Zevaco, nascido no Marrocos de pais franceses, atuou ao longo desses períodos formativos, desenvolvendo uma versão própria e expressiva da arquitetura moderna.
Em diferentes geografias e gerações, profissionais da arquitetura estão repensando a ideia de lar, equilibrando expressão pessoal, sensibilidade ao contexto e clareza material. Estas propostas residenciais contemporâneas, enviadas pela comunidade do ArchDaily, revelam como a casa continua a evoluir tanto como manifesto arquitetônico quanto como um cenário íntimo para a vida cotidiana. Do escultórico e futurista ao enraizado e vernáculo, os projetos exploram como a forma construída se equilibra entre identidade, meio ambiente e estilo de vida em um mundo cada vez mais complexo.
A arquitetura vai além de sua função fundamental de definir espaços e proporcionar proteção; ela molda a experiência das pessoas, influenciando sensações de conforto, amplitude e bem-estar. Entre os muitos elementos que compõem uma edificação, as aberturas desempenham um papel crucial ao conectar o interior e o exterior, equilibrando privacidade e transparência, além de permitir a entrada de ventilação e iluminação natural. Em especial, a luz natural transforma ambientes, define atmosferas e realça detalhes arquitetônicos, tornando os espaços mais dinâmicos e convidativos.
As janelas, que outrora eram simples aberturas nas paredes, evoluíram graças aos avanços em materiais e tecnologia, maximizando a eficiência e ampliando seu papel no projeto arquitetônico. Se a arquitetura gótica exibia vitrais maravilhosos através de imponentes janelas altas, a arquitetura moderna migrou para formas horizontais e fachadas totalmente envidraçadas, transformando a maneira como a luz do dia é integrada aos espaços. No entanto, depender exclusivamente do envidraçamento de fachada apresenta uma limitação: a luz natural muitas vezes fica confinada ao perímetro do edifício, deixando as áreas centrais na sombra. As aberturas zenitais, como claraboias e janelas para coberturas planas, superam esse desafio ao canalizar a luz natural para as profundezas dos espaços internos, reduzindo a dependência da iluminação artificial.
Localizado na extremidade do icônico Dakpark de Roterdã, o novo projeto Kop Dakpark, projetado pelos escritórios de arquitetura INBO e h3o, apresenta-se como um modelo inovador de habitação sustentável e inclusiva. Desenvolvido por Woonstad Rotterdam, este complexo residencial inclui 153 habitações acessíveis —63 sociais e 90 de faixa média— que não apenas respondem à demanda por moradia, mas também integram a natureza e a comunidade para qualificar tanto a paisagem urbana quanto a ecológica.