A produção de vinho há muito tempo está ligada ao local, ao clima e à cultura e, nas últimas décadas, a arquitetura tornou-se parte central dessa relação. As vinícolas já não são compreendidas apenas como instalações funcionais para fermentação, armazenamento e distribuição, mas também como espaços onde a paisagem, a materialidade e a experiência do/a visitante se cruzam. De adegas subterrâneas escondidas sob os campos a marcos escultóricos que se erguem em territórios rurais, esses edifícios moldam a identidade das regiões vinícolas ao mesmo tempo que oferecem aos/às visitantes um encontro cuidadosamente coreografado com o processo de produção.
Na interseção entre agricultura, turismo e cultura, as vinícolas apresentam aos/às arquitetos/as oportunidades únicas de fundir requisitos técnicos com uma narrativa espacial. Devem responder às condições ambientais, gerenciar a temperatura e a umidade com precisão e integrar-se a ecossistemas delicados, ao mesmo tempo que oferecem espaços para degustação, encontros e celebrações. Como resultado, essa tipologia deu origem a uma ampla gama de soluções arquitetônicas. Enquanto algumas estão enraizadas na tradição e no artesanato local, outras exploram tecnologias avançadas e formas contemporâneas.
Ao projetar espaços para contemplar, a arquitetura entra em diálogo com o território na busca por compreender a paisagem e desfrutar da realidade, seja ela natural ou construída. A partir do convite para contemplar o entorno que nos cerca, profissionais de arquitetura na América Latina embarcam no desafio de construir estruturas que interagem com a natureza, reinterpretam certas tipologias edilícias ou fazem parte do aprendizado e do ensino de arquitetura para as futuras gerações. A ampla variedade de paisagens e culturas disponíveis no contexto latino-americano revela as infinitas oportunidades em que a arquitetura desponta com potencial para fomentar o diálogo entre quem observa e o objeto observado, além de aproveitar a conexão com a flora, a fauna e as demais espécies locais que a região oferece.
À medida que as cidades e as paisagens evoluem, a arquitetura é cada vez mais chamada a apoiar o bem-estar, o desempenho e a experiência coletiva. De estádios que honram uma profunda memória cultural a espaços de bem-estar intimistas que promovem a restauração e a conexão, as tipologias de esporte e bem-estar estão se expandindo para além da mera funcionalidade. Elas criam ambientes onde o movimento e a saúde se cruzam com a qualidade do design, a sustentabilidade e o significado social. Hoje, esses espaços vão desde centros de treinamento de elite e clubes recreativos até refúgios contemplativos e instalações públicas inclusivas, moldando a forma como as comunidades se reúnem, se recuperam e celebram sua identidade compartilhada.
Esta seleção de propostas não construídas, enviadas pela comunidade do ArchDaily, ilustra essa diversidade. Em São Paulo, o escritório Luiz Volpato Arquitetura reinventa o histórico estádio do Santos Futebol Clube com uma geometria que preserva a memória da torcida e, ao mesmo tempo, introduz novos usos comerciais e sociais. Em Hanói, a equipe do Van Aelst I Nguyen and Partners traz luz filtrada e ar fresco a um complexo esportivo urbano denso. Em Dubai, o RSP propõe o Haven, um empreendimento residencial ancorado no bem-estar holístico e em experiências voltadas para a natureza, enquanto o escritório indiano Tropic Responses projeta o Aira Club como um centro de lazer consciente em relação ao clima. No alto do Himalaia, o Gadasu + Partners esculpe um spa meditativo na rocha da montanha, e em Isfahan, o Arsh4d Studio repensa os parques femininos segregados para criar um espaço cívico inclusivo e orientado para o futuro.
A arquitetura é moldada não apenas por edifícios, mas pelas ideias que os tornam possíveis. Antes das restrições do capital, das regulamentações e das contratações, existe um momento em que a arquitetura tem a permissão de pensar em voz alta. O primeiro confronto com esse momento fértil costuma ocorrer no ambiente acadêmico, na tese. Não se trata de um mero requisito para a graduação, mas de um espaço de liberdade especulativa onde a arquitetura formula hipóteses, constrói argumentos e testa posicionamentos.
Para muitas pessoas, é também a primeira oportunidade de pensar além da estrutura dos programas acadêmicos — uma chance inédita de explorar algo mais pessoal, irresoluto ou até mesmo irracional. Embora seja frequentemente vista como um ponto de chegada, a tese é melhor compreendida como um ponto de partida: o primeiro engajamento com a arquitetura como uma forma de raciocínio, onde o projeto ainda não é uma resposta, mas uma pergunta.
O Carnaval é uma das maiores expressões culturais do Brasil. Imagem via Shutterstock
O Rio de Janeiro, frequentemente chamado de "Cidade Maravilhosa", é uma tapeçaria vibrante tecida por diversos fios culturais, históricos e sociais. Sua história começa com os povos indígenas Tupi, Puri, Botocudo e Maxakalí, que originalmente habitavam a região. O nome da cidade deve-se aos exploradores portugueses que chegaram à Baía de Guanabara em 1º de janeiro de 1502 e, acreditando erroneamente que se tratava da foz de um rio, batizaram a região.
A humanidade raramente aceita grandes transformações de imediato, sendo muitas vezes freada pelo medo, pelo ceticismo ou pelo apego ao que já funciona. A prensa de Gutenberg despertou o temor da desinformação; a eletrificação urbana gerou alertas por parte de médicos; e a informatização dos escritórios acendeu preocupações sobre a desvalorização da experiência humana. Tais rupturas frequentemente provocam resistência, mas tendem a abrir espaço para a reflexão crítica e para a inovação.
Hoje, com a ascensão da inteligência artificial e a rápida sucessão de inovações tecnológicas, vivemos mais um desses pontos de inflexão. O debate é amplo, inevitável e, como sempre, necessário. Na TRUE Conference 2025, realizada pela Midea Building Technologies (MBT), essa discussão assume dimensões práticas e estratégicas ao articular os avanços digitais a metas tangíveis de sustentabilidade, eficiência e qualidade de vida.
Detalhe da Rede de Quiosques Garifuna. Imagem cortesia de 24 Grados Arquitectura
Como a arquitetura pode devolver a relevância a lugares esquecidos? Que diálogos podem surgir quando edifícios e paisagens são tratados não como telas em branco, mas como camadas de memória, identidade e potencial? Para o escritório de arquitetura hondurenho 24 Grados, essas perguntas moldam uma abordagem enraizada na adaptação, no reuso e no desenho contextual. Seus projetos variam desde a restauração de antigas praças espanholas e centros culturais até intervenções em parques naturais e vilas costeiras em Honduras. Cada projeto se apoia na crença de que o desenho pode tecer novamente as relações entre as pessoas, o lugar e o patrimônio.
Os edifícios são físicos, estáticos e permanentes. Imaginá-los de outra maneira costuma exigir um esforço de criatividade. A indústria tem operado sob essa forte associação entre estruturas e permanência, limitando, sem perceber, as perspectivas sobre o ciclo de vida das construções. Inovações em materiais de construção abriram caminhos para o design circular, desafiando a antiga noção de que os edifícios devem durar indefinidamente. Abordagens emergentes promovem uma arquitetura que acompanha o fluxo e o refluxo da natureza.
Ellisse, local: Armando Cose, Designer: Philippe Malouin
Comunicar uma ideia utilizando apenas o essencial é um desafio muito maior do que costuma parecer. Dos haicais japoneses às esculturas refinadas de Constantin Brâncuși, muitas expressões artísticas têm buscado condensar o máximo de significado com o mínimo de elementos. Essa economia de forma não é um sinal de escassez, mas de intensidade: cada traço, cada palavra, cada silêncio ganha peso. Há algo de intrinsecamente atraente naquilo que se apresenta de forma simples e bem resolvida, seja um texto que não desperdiça palavras, um/a tenista que se move com gestos intencionais ou uma melodia que é ao mesmo tempo direta e inesperadamente profunda.
Esse mesmo princípio, que transcende diferentes linguagens artísticas, reverbera profundamente no design contemporâneo. Ao serem reduzidos ao essencial, móveis ou objetos cotidianos revelam uma beleza que surge da precisão e transcende sua própria função. Isso fica evidente em HUM, a nova coleção de torneiras desenvolvida pelo designer Philippe Malouin para a QuadroDesign, na qual um simples gesto se transforma em uma linguagem completa.
A cada mês de junho, a cidade espanhola de Logroño se transforma em um espaço de diálogo arquitetônico, abrindo suas ruas, praças, margens de rios e rotatórias para estruturas temporárias que redefinem como as cidades são habitadas. Ao longo de dez edições, o Concéntrico tem funcionado não como uma feira especializada ou uma bienal de arquitetura, mas sim como um museu portátil — um gesto curatorial que leva uma coleção dispersa de arquitetura contemporânea para o espaço público. Situado em uma cidade suspensa entre planícies áridas e montanhas distantes, longe dos circuitos das capitais e das grandes instituições culturais, o Concéntrico se apresenta como uma promessa temporária. É um lembrete de que mesmo cidades frequentemente negligenciadas podem acolher uma arquitetura atual, diversa e especulativa. Nesse sentido, o festival trata menos de celebração e mais de ativação.
Contudo, para além de sua lógica curatorial, o Concéntrico opera como uma estrutura política. No sentido clássico da polis, o festival convida cidadãos/ãs, arquitetos/as e instituições a reavaliarem o que o espaço público pode ser. As intervenções oferecem propostas especulativas para a vida urbana que revelam o que falta, o que é possível e o que deve ser questionado. Uma piscina temporária sobre uma fonte, uma casa de banho em uma rotatória ou uma refeição compartilhada em uma grande avenida não são meros gestos espaciais — são manifestações políticas que questionam como a infraestrutura urbana pode ser redirecionada do controle para o cuidado, da eficiência para o encontro. Dessa forma, o festival torna-se não apenas um reflexo da cidade, mas um instrumento para sua transformação.
A trajetória de Romullo Baratto na arquitetura começou cedo, influenciada por um ambiente familiar imerso na prática da engenharia e da arquitetura. Crescendo cercado de plantas e maquetes, ele desenvolveu um apreço fundamental pelos aspectos técnicos e criativos do ambiente construído. Embora seu percurso acadêmico o tenha levado a explorar o cinema e a escrita em paralelo à arquitetura, esses interesses multidisciplinares convergiram naturalmente para o trabalho editorial. Tendo começado como tradutor freelancer para o ArchDaily, a sintonia de Romullo com a missão da plataforma o levou a ingressar como Editor do site brasileiro, onde conduziu a publicação a se tornar o primeiro veículo de comunicação a receber o prestigiado Prêmio FNA.
Atualmente Editor-Chefe no ArchDaily Global, Romullo lidera iniciativas de destaque como o Building of the Year Awards, o ArchDaily New Practices e o ArchDaily Topics. Ele aborda o trabalho editorial com o compromisso de destacar projetos e narrativas que ofereçam novas perspectivas e provoquem discussões profundas—evitando a mera busca por tendências passageiras em favor de uma narrativa crítica e repleta de nuances que aprofunde o entendimento profissional.
Os ambientes de trabalho e de aprendizado passaram por profundas transformações nas últimas décadas. Nos escritórios, as estações de trabalho fechadas e as salas compartimentadas deram lugar a layouts abertos e colaborativos. Em escolas e universidades, as salas de aula tradicionais, com configurações rígidas, lousas e fileiras de carteiras, foram substituídas por espaços mais dinâmicos, flexíveis e interativos. Em ambos os contextos, o objetivo era incentivar a integração, a criatividade e a troca constante. No entanto, essa abertura também trouxe novos desafios: o aumento das distrações, a sobrecarga sensorial e a dificuldade de encontrar momentos de foco ou introspecção. Quanto mais removemos barreiras em prol da fluidez e da colaboração, mais essencial se torna oferecer momentos de quietude, intimidade e equilíbrio sensorial para quem precisa se autorregular. O desafio é tanto espacial quanto psicológico, levantando uma questão fundamental para a arquitetura: como podemos apoiar a conexão e o recolhimento, a atividade e o silêncio, ao mesmo tempo?
À medida que os países da África se libertavam do colonialismo em meados do século XX, muitos expressaram suas identidades independentes por meio da arquitetura. Esse processo continua várias décadas depois, exemplificado por diversos novos museus na África Ocidental, recém-concluídos ou em fase de planejamento. Embora variem em propósito e forma, essas instituições compartilham objetivos comuns: responder à necessidade de restituição de inúmeros artefatos saqueados durante o período colonial e mantidos majoritariamente em museus europeus; e definir um modelo de museu com identidade local, em contraposição a uma importação descontextualizada.
O concreto é frequentemente visto como o material da modernidade, definido por sua resistência estrutural, acabamento bruto e inconfundível tom cinza. Tornou-se a paleta padrão da arquitetura do século XX, um símbolo de funcionalidade e permanência. No entanto, o concreto não está limitado a essa identidade cromática. Sua cor é subproduto do cimento, dos agregados e da composição química utilizados em sua mistura, podendo ser intencionalmente alterada por meio da pigmentação. Entre as muitas tonalidades exploradas, o vermelho se destaca — não apenas por sua intensidade visual, mas por sua capacidade de enraizar os edifícios em seu lugar, evocar referências culturais e imbuir a arquitetura de uma presença material ao mesmo tempo elemental e expressiva.
A pigmentação do concreto envolve a adição de corantes de base mineral — geralmente óxidos de ferro — durante o processo de mistura. Diferentemente de tintas ou revestimentos aplicados à superfície, esses pigmentos são integrados diretamente à massa do concreto, garantindo que a cor permeie o material e permaneça estável ao longo do tempo. Os pigmentos vermelhos, em particular, são frequentemente derivados do óxido de ferro (Fe₂O₃), um composto natural encontrado na argila, na hematita e em outros minerais ricos em ferro. Sua tonalidade terrosa e profunda conecta a construção contemporânea a técnicas ancestrais — das argamassas pozolânicas romanas às construções de terra vermelha da África Ocidental e da América do Sul.
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Vencedor do Primeiro Prêmio: Nest. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner anunciou os resultados do concurso Kinderspace Edition #2 e lançou a terceira edição anual, o Kinderspace Edition #3, com prazo de inscrição até 26 de novembro de 2025. Após o sucesso de sua edição inaugural, este concurso internacional anual convidou mais uma vez arquitetos/as, designers e educadores/as a explorar novas possibilidades para ambientes de aprendizagem na primeira infância.
Os/As participantes tiveram como tarefa idealizar espaços que inspirem a descoberta, estimulem a imaginação e apoiem o desenvolvimento emocional e cognitivo de crianças pequenas. O objetivo foi ir além do design padronizado de salas de aula e propor espaços inovadores, flexíveis e conectados com a natureza, refletindo uma compreensão mais profunda de como as crianças interagem com o ambiente ao seu redor.
O Japão, conhecido por sua elevada longevidade, enfrenta uma transição demográfica crítica. À medida que o envelhecimento populacional avança, cresce também a demanda por espaços bem projetados e concebidos com sensibilidade para apoiar o cuidado de idosos. Tradicionalmente, a atividade de cuidar estava intrinsecamente ligada à vida familiar, recaindo frequentemente sobre as mulheres em uma sociedade patriarcal. No entanto, com a progressiva dissolução das famílias grandes tradicionais e a consolidação da família nuclear como norma, o cuidado de idosos passa a depender cada vez mais de serviços de assistência social e de instalações especializadas.
Esse cenário impõe um desafio arquitetônico profundo e crescente: como os ambientes de acolhimento podem não apenas atender às necessidades médicas e de enfermagem, mas também promover a dignidade individual, o conforto e interações humanas e não humanas? O projeto ideal para instalações de acolhimento de idosos equilibra a funcionalidade clínica com as nuances do cotidiano — para as próprias pessoas idosas, para aquelas que enfrentam dificuldades decorrentes de condições como a demência, para suas famílias e para os profissionais de cuidado que as apoiam.
No passado, as imagens geradas por inteligência artificial costumavam se assemelhar a experiências psicodélicas — repletas de formas e cores estranhas, por vezes inquietantes. No entanto, avanços recentes na inteligência artificial transformaram esse panorama. Hoje, estamos cercados por imagens cujas origens muitas vezes desconhecemos. De colagens lúdicas a retratos transformados em obras de arte, é inegável que a inteligência artificial se consolidou como parte integrante de nossa paisagem visual. Como Yuval Noah Harari observou em uma entrevista de 2023 à revista *The Economist*, "a IA adquiriu habilidades notáveis para manipular e gerar linguagem — seja por meio de palavras, sons ou imagens. Ela, com efeito, hackeou o sistema operacional da nossa civilização."
A arquitetura, naturalmente, não ficou imune a isso. Geradores de imagem baseados em comandos (*prompts*) inundaram o ambiente virtual com renderizações que variam do surreal ao hiper-realista: cidades futuristas, arranha-céus orgânicos e cabanas utópicas empoleiradas em penhascos idílicos. A maior parte dessas criações é gerada por ferramentas de uso geral que priorizam o ineditismo visual em detrimento da lógica projetual. Contudo, nem todas as plataformas seguem esse caminho. O Gendo, por exemplo, foi desenvolvido especificamente para arquitetos/as e designers, oferecendo um controle mais refinado sobre parâmetros como escala, materialidade e intenção espacial. Seu objetivo não é apenas gerar imagens, mas apoiar o pensamento projetual. Ainda assim, essas ferramentas mais intencionais continuam sendo exceções em um vasto oceano de imagens genéricas e descontextualizadas.
Em A Poética do Espaço, o filósofo francês Gaston Bachelard propõe ler a arquitetura como uma experiência vivida, na qual cada ambiente carrega um significado emocional e simbólico. Ao refletir sobre a casa, ele atribui particular importância aos limiares (janelas, portas, escadas, sótãos, porões) como zonas de transição e ruptura entre o íntimo e o aberto, o conhecido e o desconhecido. Para ele, a janela não é meramente uma abertura funcional, mas um ponto de devaneio e contemplação: é através dela que o/a habitante se projeta no mundo. Essa perspectiva inspira uma abordagem sensível da prática arquitetônica, na qual as fronteiras não se limitam à separação, mas articulam imaginação, memória e desejo.
O ambiente interno é o foco deste segundo artigo sobre projetar considerando o ruído para melhorar o bem-estar. Segundo diversos estudos recentes, o ruído nas cidades tornou-se uma ameaça crescente à saúde. O ruído ambiental — ou seja, aquele proveniente do tráfego, de atividades industriais ou de música amplificada que atinge os espaços internos — não é apenas um incômodo. Ele está associado a doenças cardiovasculares, diabetes, demência e problemas de saúde mental. À medida que o mundo se urbaniza, mais pessoas ficam expostas a níveis excessivos de ruído. Em habitações de média e alta densidade, em edifícios de escritórios e em escolas, a poluição sonora pode emanar tanto de fontes internas quanto externas.
A arquitetura vai além de sua função fundamental de definir espaços e proporcionar proteção; ela molda a experiência do/a usuário/a, influenciando sensações de conforto, amplitude e bem-estar. Entre os muitos elementos que compõem uma edificação, as aberturas desempenham um papel crucial na conexão entre interior e exterior, equilibrando privacidade e transparência, além de permitir a entrada de luz natural e ventilação. Em especial, a luz natural transforma ambientes, define atmosferas e realça detalhes arquitetônicos, tornando os espaços mais dinâmicos e convidativos.
Os espaços de hospitalidade refletem a forma como diferentes culturas articulam generosidade, cuidado, pertencimento e identidade. Em contextos urbanos dinâmicos, isso se traduz em hotéis, sistemas de serviços e comodidades selecionadas que moldam diretamente a experiência de quem os visita. Esses espaços traduzem o cuidado em formas mensuráveis, onde o sucesso está associado à eficiência, ao luxo e à identidade da marca.
Na América rural, no entanto, a hospitalidade opera sob outra lógica. Nesses ambientes, o cuidado se fundamenta no trabalho e na comunidade, ao mesmo tempo que responde diretamente às geografias ecológicas e culturais específicas. A distância, a infraestrutura limitada e as redes sociais estreitas exigem formas de arquitetura que sejam flexíveis e autossuficientes. Os projetos respondem às variações climáticas, aos materiais locais e a uma cultura onde o apoio mútuo costuma começar entre vizinhos. Nessa paisagem, os limiares arquitetônicos da hospitalidade emergem de maneiras adaptativas e, ainda assim, inesperadas.
A Bienal de Arquitetura e Paisagismo de Versalhes de 2025 (BAP! 2025) reúne líderes globais de pensamento em arquitetura para discutir o papel fundamental que a disciplina desempenha no enfrentamento das mudanças climáticas, na sustentabilidade e nas demandas urbanas em constante evolução. Por meio de uma série de entrevistas aprofundadas com curadores/as, arquitetos/as e designers de Paris, Cidade do México e Espanha, o evento oferece uma plataforma para diversas perspectivas sobre como a arquitetura pode responder aos desafios contemporâneos.
A curadoria de Sana Frini e Philippe Rahm lidera a apresentação de uma exposição que explora como a arquitetura pode se adaptar às mudanças ambientais previstas para o futuro próximo. De práticas sustentáveis à integração de contextos culturais, as conversas registradas nestas entrevistas destacam abordagens inovadoras para a criação de espaços que não são apenas funcionais, mas profundamente sensíveis às transformações climáticas e às demandas da sociedade.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142972/arquitetura-para-um-mundo-em-transformacao-reflexoes-da-bienal-de-versalhes-2025ArchDaily Team
Um prêmio de arquitetura atua como um dispositivo de legitimação, capaz de indicar quais abordagens, materiais e estratégias começam a ocupar uma posição central no discurso disciplinar. Ao reunir projetos com programas, escalas e condicionantes distintos, essas iniciativas tornam visíveis prioridades e direções emergentes no campo. Nesse sentido, o Design Awards da Shaw Contract consolidou-se como uma plataforma global de reconhecimento no design de interiores e como um termômetro das transformações que atravessam a disciplina, ao promover uma reflexão sobre o papel do design na construção de ambientes mais responsáveis, inclusivos e sustentáveis.
Transcendendo o papel de mera infraestrutura, as pontes há muito servem como potentes manifestações arquitetônicas. Esse potencial expressivo está sendo explorado agora com vigor renovado em todo o Sudeste Asiático, onde um número crescente de arquitetos e arquitetas está reavaliando os materiais tradicionais. Ao priorizar a madeira e o bambu, esses/as profissionais criam estruturas singulares que integram o artesanato local às demandas contemporâneas, resultando em marcos urbanos que são, ao mesmo tempo, funcionais e profundamente enraizados em suas paisagens.