
Em A Poética do Espaço, o filósofo francês Gaston Bachelard propõe ler a arquitetura como uma experiência vivida, na qual cada ambiente carrega um significado emocional e simbólico. Ao refletir sobre a casa, ele atribui particular importância aos limiares (janelas, portas, escadas, sótãos, porões) como zonas de transição e ruptura entre o íntimo e o aberto, o conhecido e o desconhecido. Para ele, a janela não é meramente uma abertura funcional, mas um ponto de devaneio e contemplação: é através dela que o/a habitante se projeta no mundo. Essa perspectiva inspira uma abordagem sensível da prática arquitetônica, na qual as fronteiras não se limitam à separação, mas articulam imaginação, memória e desejo.
Especialmente no projeto contemporâneo, a fronteira entre o interior e o exterior tende a se dissolver, tornando-se fluida. Projetar arquitetura significa também criar experiências espaciais que convidam a luz, o ar, as vistas e o movimento a cruzar os limites físicos. A dissolução dessas barreiras torna-se uma estratégia consciente que eleva o conforto, reforça a identidade arquitetônica e estreita a conexão com o entorno. Este artigo explora como essa abordagem se manifesta por meio de princípios fundamentais, ilustrados com as soluções inovadoras da STRUGAL e colaborações arquitetônicas de destaque.







