The Second Studio (antigo The Midnight Charette) é um podcast franco sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos arquitetos David Lee e Marina Bourderonnet, o programa traz diferentes profissionais de áreas criativas em conversas espontâneas que dão espaço a reflexões profundas e debates pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e bom humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para profissionais de design, análises de edifícios e outros projetos, ou reflexões descontraídas sobre o cotidiano e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina, da FAME Architecture & Design, recebem Robert Gilligan, consultor sênior de tecnologia na Amplified Lifestyles, para conversar sobre sua trajetória em tecnologia audiovisual, os avanços na automação residencial, a gestão de sistemas de áudio e vídeo domésticos, o papel de profissionais de engenharia audiovisual em projetos de arquitetura, sistemas de segurança residencial, o futuro do setor e muito mais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140333/podcast-the-second-studio-design-de-av-na-arquiteturaThe Second Studio Podcast
Como a arquitetura e o projeto de edifícios se adaptaram a usos futuros imprevistos? À medida que as cidades evoluem, suas necessidades em relação às edificações inevitavelmente mudam. Os edifícios podem transitar entre funções culturais, comerciais, industriais e corporativas, dependendo da identidade e da atividade econômica de cada centro urbano. Em um mundo cada vez mais dinâmico e acelerado, torna-se essencial considerar os desafios que as estruturas estáticas enfrentam ao serem demandadas a atender novas necessidades. As cidades têm reaproveitado essas estruturas estáticas de maneiras não previstas em seus projetos originais, com muitos casos de sucesso na reconversão de edifícios industriais. Diferentemente de estruturas projetadas com foco na flexibilidade, a maioria das instalações fabris não foi inicialmente pensada para usos múltiplos. No entanto, de que forma as cidades, as comunidades e os/as ocupantes têm utilizado esses espaços, e quais são os desafios de transformar os usos existentes de um edifício?
Nicolás Valencia conversa esta semana no podcast TERRAZA com a arquiteta chilena Blanca Zúñiga, autora do livro “Espaço público rural”, publicado pela Sa Cabaña em 2021.
Em “Espaço público rural”, Zúñiga desenvolve um trabalho fotográfico que busca capturar e valorizar as diferentes maneiras de habitar o campo chileno na região do Maule.
“Nos povoados rurais da região, você não sabe se a sala de estar da casa é um espaço público ou privado, porque as portas estão sempre abertas”, afirma Zúñiga nesta entrevista.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140543/blanca-zuniga-o-espaco-publico-rural-nao-tem-forma-surge-quando-estao-presentes-seus-habitantesArchDaily Team
Ao abordar a acessibilidade na arquitetura, os códigos estabelecem a base, enquanto o design define o teto. Embora existam inúmeras diretrizes, criar espaços para todos vai além da mera conformidade com padrões. Requer uma compreensão profunda do ambiente e uma perspectiva ampla, reconhecendo que o que projetamos será utilizado por pessoas com corpos diversos, habilidades e condições muito além daquelas tradicionalmente consideradas usuários típicos.
Além disso, projetar ambientes apresenta o desafio da inclusividade, garantindo que indivíduos que não se encaixam no perfil padrão - como pessoas com deficiências, mulheres grávidas, aqueles que usam dispositivos assistivos e indivíduos de diversas idades, tipos de corpo, etc. - não sejam excluídos. Os princípios do Design Universal, estabelecidos em 1997 pela Faculdade de Design da Universidade Estadual da Carolina do Norte e liderados por Ronald L. Mace, oferecem uma perspectiva transformadora nesse contexto. Esta abordagem influencia vários campos de design, incluindo o ambiente construído, produtos e comunicações. Quando aplicado à arquitetura, promove a criação de espaços que funcionam para todos, minimizando a necessidade de adaptações ou design especializado.
https://www.archdaily.com.br/pt/1019701/como-os-7-principios-do-design-universal-nos-ajudam-a-criar-uma-arquitetura-melhorEnrique Tovar
A inspiração para escrever este ensaio veio de uma publicação fascinante sobre a dinâmica social das varandas, de autoria de Patrick Deneen, intitulada A Republic of Front Porches. Lugares sustentáveis devem ser acessíveis por diversos meios, especialmente a pé. Bairros onde as pessoas caminham para diversos destinos têm mais chances de ser seguros, pois os moradores costumam conhecer melhor seus vizinhos e, consequentemente, percebem com mais facilidade a presença de estranhos na área. A caminhabilidade é essencial para que um lugar seja funcional, pois as pessoas não se deslocarão a pé para usufruir desses serviços se a experiência do pedestre for ruim. Assim, a caminhada é um aspecto fundamental para a sustentabilidade de qualquer lugar. As varandas podem desempenhar um papel crucial na caminhabilidade das ruas residenciais de um bairro e, consequentemente, na própria sustentabilidade do bairro.
Qual é a visão de uma biblioteca do século 21? Como os arquitetos podem despertar o interesse das novas e futuras gerações pela leitura? Com o rápido avanço das tecnologias de comunicação, o aumento da informação disponível e a necessidade constante de atualização, surgem novas abordagens educacionais, práticas culturais e atividades comunitárias que exigem espaços mais dinâmicos e versáteis. Esses espaços precisam se adaptar a várias funções simultaneamente. A integração do lúdico, a diversificação de usos e a incorporação de novas tecnologias são elementos essenciais nos interiores das bibliotecas contemporâneas projetadas para o público jovem.
Centros educacionais e culturais funcionam como espaços fundamentais onde as comunidades se conectam com o conhecimento, a criatividade e as experiências compartilhadas. Como programas arquitetônicos, eles oferecem oportunidades únicas para explorar como os ambientes físicos podem promover o aprendizado, a expressão cultural e a interação social. A importância desses projetos reside não apenas em sua função, mas em como refletem os valores e as aspirações da sociedade. Quando escritórios de arquitetura consolidados assumem esses projetos, suas escolhas projetuais tornam-se uma lente pela qual podemos examinar abordagens contemporâneas de espaço, lugar e comunidade, oferecendo um vislumbre do papel em constante evolução da arquitetura na modelagem de paisagens educacionais e culturais.
Entre a seleção desta semana de projetos não construídos enviados por escritórios de arquitetura consagrados, o projeto do fala atelier para uma escola em Broc, na Suíça, destaca-se por sua integração sensível de elementos da arquitetura alpina; o Xylopolis Centre, na Polônia, projetado pelo WXCA, reflete uma profunda contemplação sobre a relação da humanidade com a natureza; enquanto o edifício de ciências da vida do KPF em Londres e o Centro de Educação da Água do Jones Studio no Arizona exemplificam ainda mais como a arquitetura pode responder às necessidades sociais contemporâneas — desde o fomento a ecossistemas de inovação até a educação do público sobre questões ambientais críticas.
A indústria da construção enfrenta uma pressão crescente para adotar práticas mais sustentáveis devido à necessidade de mitigar as mudanças climáticas e proteger os recursos naturais. As construções tradicionais têm um grande impacto ambiental, desde a destruição de ecossistemas até altos níveis de consumo de energia e emissões de gases de efeito estufa. Além disso, a extração e a fabricação de materiais contribuem para a poluição da água ou para a geração de resíduos perigosos. Contudo, surgem produtos que oferecem soluções mais amigáveis ao meio ambiente, sem comprometer a qualidade nem o desempenho, voltados a profissionais de arquitetura que buscam criar projetos sustentáveis.
De fato, uma das maneiras mais eficazes de praticar a construção sustentável é a escolha de materiais adequados que contribuam para a redução do impacto negativo no planeta.
A arquitetura da América Latina é rica e diversificada, e isso também se reflete nos tipos de pedra utilizados ao longo dos séculos em suas diferentes regiões. Esses materiais não apenas refletem a geologia variada da América Latina, mas também mostram como as culturas locais adaptaram seus métodos de construção às condições naturais, criando uma arquitetura única e significativa. Na arquitetura contemporânea, o uso da pedra está alinhado com os preceitos da sustentabilidade por ser um material durável, com baixa pegada de carbono e disponível localmente. Seu apelo também pode ser enaltecido do ponto de vista estético, criando espaços atemporais e que fortalecem a relação com a natureza e a paisagem ao redor.
Localizada ao norte de Dakar, perto do aeroporto da cidade, há uma composição arquitetônica de volumes triangulares conhecida como Centro de Feiras e Exposições Internacionais de Dakar, Senegal. Também conhecido como Foire Internationale de Dakar ou FIDAK, esse complexo é um exemplo icônico do modernismo dos anos 1960 na África Ocidental. A estrutura sintetiza a complexidade de formas simples inseridas em padrões espaciais vernaculares. Concluída em 1974, reflete a ambição pós-colonial do país e consolidou-se como uma estrutura espacial flexível para grandes eventos culturais e exposições.
As paredes há muito tempo deixaram de ser meros elementos estruturais; elas são telas que narram histórias, refletindo desejos de natureza, espiritualidade ou a busca por tranquilidade e estímulo. Com os avanços nos pixels de LED endereçáveis, as paredes evoluíram para superfícies digitais imersivas, capazes de exibir qualquer imagem em grande formato, adaptando-se às necessidades do momento.
No entanto, enquanto as universidades continuam a formar arquitetos/as e designers de interiores para criar edifícios estáticos, a arte de contar histórias significativas por meio de telas digitais — especialmente as dinâmicas — permanece em grande parte inexplorada nos currículos acadêmicos.
As cidades, assim como as pessoas, são dinâmicas e estão em constante evolução para acompanhar e se adaptar às transformações sociais, econômicas e ambientais de seu tempo. Da mesma forma, a visão de como a cidade ideal deve ser planejada tem sido influenciada pelas realidades e correntes de pensamento predominantes de cada época.
A industrialização, a crescente migração do campo para as cidades, o crescimento populacional, o desenvolvimento de novos materiais e tecnologias construtivas, a hegemonia do automóvel como meio de transporte e, mais recentemente, a busca por formas alternativas de ocupar e se deslocar pelo espaço urbano impactaram as teorias de planejamento urbano ao longo da história. Essas influências moldaram a estrutura das cidades contemporâneas — com seus acertos e desafios.
A continuidade do trabalho remoto transformou o dinamismo do centro das cidades e a paisagem tradicional dos escritórios, deixando para trás muitos espaços vazios cujo destino ainda é motivo de especulação. Quatro anos após o início das políticas de trabalho híbrido, as taxas de ocupação de escritórios nos centros urbanos continuam abaixo dos níveis pré-pandemia, sinalizando uma mudança de longo prazo no ambiente corporativo. Algumas incorporadoras buscaram reposicionar esses edifícios, enquanto outras buscam usos alternativos para prédios desocupados em áreas centrais. Embora ambas as abordagens tragam benefícios à sua maneira, o potencial de reconversão de edifícios de escritórios é vasto e promissor. Da habitação residencial a instalações de pesquisa de ponta, profissionais de arquitetura e incorporação exploram as diversas possibilidades e os desafios de transformar essas estruturas subutilizadas em novos espaços vibrantes.
O espaço doméstico é um reflexo das atividades, condutas e comportamentos dos indivíduos, onde convive uma série de dinâmicas e processos que fazem parte do cotidiano. Embora cada residência conte com suas próprias lógicas de distribuição de acordo com o momento de sua concepção, as demandas de seus habitantes, as tecnologias da época, entre outros fatores, as reformas de interiores residenciais muitas vezes expressam o interesse em recuperar estruturas e fachadas antigas, reciclar mobiliário em desuso, restaurar elementos de qualidade em revestimentos e pisos, ou diretamente integrar novas soluções que permitam alcançar maior fluidez espacial, iluminação e otimização de suas superfícies.
Naturalmente, uma densidade populacional mais elevada evita a formação de cidades-fantasma e comércios abandonados, que podem se tornar focos de criminalidade. No entanto, essas visões positivas sobre ambientes residenciais densos costumam basear-se em premissas otimistas sobre o urbanismo, como o atrito mínimo entre indivíduos, facilidade de manutenção da higiene e a geração espontânea de diversidade.
Selecionado pelo ArchDaily como uma das Melhores Novas Práticas de 2024, o IDK está trazendo uma abordagem nova e dinâmica na construção de comunidades com arquitetura de qualidade. Mike Lim, James Pockson e Roddy Bow se conheceram enquanto cursavam o mestrado em Arquitetura no Royal College of Art (RCA) e fundaram seu escritório de arquitetura, o IDK, em Londres, em 2019. O trio, movido por uma forte missão — *ajudar comunidades e instituições, organizações e culturas progressistas a prosperarem* —, vem pesquisando e entregando projetos voltados para a comunidade que incorporam a construção experimental com uma abordagem holística. Seu trabalho se concentra em fomentar o desenvolvimento social, com ênfase na consciência ecológica, uso de materiais locais, gestão inteligente de recursos e orçamentos, reformas respeitosas e no projeto apenas do que é necessário, sem construir em excesso.
Parque Público de Karantina 2020-2023. Imagem cortesia de CatalyticAction
Os espaços públicos nem sempre são moldados pelo planejamento urbano, mas pelas práticas que acolhem. Sua existência decorre de nossa necessidade inerente de conexão com o outro. Como espaços de encontro, essas áreas urbanas, abertas e acessíveis refletem a maneira como interagimos com nosso entorno e uns com os outros, ao mesmo tempo em que oferecem locais para a prática de exercícios, o brincar, a socialização e o lazer.
Reconhecendo que os espaços públicos são mais do que meros ambientes físicos, a CatalyticAction dedica-se a promover um senso de comunidade, segurança e pertencimento, especialmente para as crianças, que estão entre as pessoas mais vulneráveis da sociedade. Sua missão não consiste apenas em criar espaços onde as crianças possam brincar e crescer, mas também em empoderá-las, garantindo que tenham voz ativa na definição de seu entorno. Para saber mais sobre esse trabalho, Christele Harrouk, editora-chefe do ArchDaily, conversou com Joana Dabaj, cofundadora e diretora de programas da CatalyticAction.
NA Structures com AZD Architects e Hemphill Builders. Orchard Lake, Michigan. Imagem de Way Up Media
Na indústria da construção civil, a construção offsite em light wood-frame desponta como uma abordagem transformadora, que promete prazos de execução mais curtos, maior qualidade e menor impacto ambiental. Empresas associadas ao Quebec Wood Export Bureau (QWEB) lançaram uma ferramenta digital que potencializa os benefícios e a versatilidade dos componentes pré-fabricados de light wood-frame em projetos.
A tipologia dos edifícios de escritórios surgiu da necessidade de reunir milhares de pessoas em um ambiente de trabalho relativamente rígido. Nas grandes cidades, essas estruturas se concentraram em Distritos Centrais de Negócios (CBDs), que se tornaram bairros dedicados a abrigar o comércio e as empresas. No entanto, a pandemia de COVID-19 interrompeu esse modelo, impulsionando a ascensão do trabalho remoto e híbrido. Hoje, quase quatro anos depois, as taxas de ocupação nesses centros urbanos continuam abaixo dos níveis pré-pandemia, sinalizando uma mudança de longo prazo no ambiente de trabalho. Para enfrentar esse desafio, incorporadores/as têm buscado cada vez mais o "reposicionamento" de seus projetos, procurando redefinir sua imagem ao adaptá-los às demandas contemporâneas. Essa tipologia considera a malha urbana circundante, visando expandir o uso do edifício para além de seu propósito original e atrair as pessoas de volta aos CBDs.
Novos empreendimentos, empresas e startups do setor imobiliário estão transformando as percepções e necessidades em torno da casa própria e das experiências de locação. Em uma sociedade na qual a propriedade imobiliária é associada ao sucesso pessoal, as inovações no mercado de aluguel residencial buscam aumentar a atratividade da locação. As mudanças nas demandas dos consumidores estão impulsionando uma tendência de modelos de moradia exclusivos e focados na comunidade. Essa transição está redefinindo a forma como as pessoas enxergam seus espaços de convivência, interagem com suas comunidades e percebem o valor de seus lares.