Qual é a visão de uma biblioteca do século 21? Como os arquitetos podem despertar o interesse das novas e futuras gerações pela leitura? Com o rápido avanço das tecnologias de comunicação, o aumento da informação disponível e a necessidade constante de atualização, surgem novas abordagens educacionais, práticas culturais e atividades comunitárias que exigem espaços mais dinâmicos e versáteis. Esses espaços precisam se adaptar a várias funções simultaneamente. A integração do lúdico, a diversificação de usos e a incorporação de novas tecnologias são elementos essenciais nos interiores das bibliotecas contemporâneas projetadas para o público jovem.
Centros educacionais e culturais funcionam como espaços fundamentais onde as comunidades se conectam com o conhecimento, a criatividade e as experiências compartilhadas. Como programas arquitetônicos, eles oferecem oportunidades únicas para explorar como os ambientes físicos podem promover o aprendizado, a expressão cultural e a interação social. A importância desses projetos reside não apenas em sua função, mas em como refletem os valores e as aspirações da sociedade. Quando escritórios de arquitetura consolidados assumem esses projetos, suas escolhas projetuais tornam-se uma lente pela qual podemos examinar abordagens contemporâneas de espaço, lugar e comunidade, oferecendo um vislumbre do papel em constante evolução da arquitetura na modelagem de paisagens educacionais e culturais.
Entre a seleção desta semana de projetos não construídos enviados por escritórios de arquitetura consagrados, o projeto do fala atelier para uma escola em Broc, na Suíça, destaca-se por sua integração sensível de elementos da arquitetura alpina; o Xylopolis Centre, na Polônia, projetado pelo WXCA, reflete uma profunda contemplação sobre a relação da humanidade com a natureza; enquanto o edifício de ciências da vida do KPF em Londres e o Centro de Educação da Água do Jones Studio no Arizona exemplificam ainda mais como a arquitetura pode responder às necessidades sociais contemporâneas — desde o fomento a ecossistemas de inovação até a educação do público sobre questões ambientais críticas.
A indústria da construção enfrenta uma pressão crescente para adotar práticas mais sustentáveis devido à necessidade de mitigar as mudanças climáticas e proteger os recursos naturais. As construções tradicionais têm um grande impacto ambiental, desde a destruição de ecossistemas até altos níveis de consumo de energia e emissões de gases de efeito estufa. Além disso, a extração e a fabricação de materiais contribuem para a poluição da água ou para a geração de resíduos perigosos. Contudo, surgem produtos que oferecem soluções mais amigáveis ao meio ambiente, sem comprometer a qualidade nem o desempenho, voltados a profissionais de arquitetura que buscam criar projetos sustentáveis.
De fato, uma das maneiras mais eficazes de praticar a construção sustentável é a escolha de materiais adequados que contribuam para a redução do impacto negativo no planeta.
A arquitetura da América Latina é rica e diversificada, e isso também se reflete nos tipos de pedra utilizados ao longo dos séculos em suas diferentes regiões. Esses materiais não apenas refletem a geologia variada da América Latina, mas também mostram como as culturas locais adaptaram seus métodos de construção às condições naturais, criando uma arquitetura única e significativa. Na arquitetura contemporânea, o uso da pedra está alinhado com os preceitos da sustentabilidade por ser um material durável, com baixa pegada de carbono e disponível localmente. Seu apelo também pode ser enaltecido do ponto de vista estético, criando espaços atemporais e que fortalecem a relação com a natureza e a paisagem ao redor.
Localizada ao norte de Dakar, perto do aeroporto da cidade, há uma composição arquitetônica de volumes triangulares conhecida como Centro de Feiras e Exposições Internacionais de Dakar, Senegal. Também conhecido como Foire Internationale de Dakar ou FIDAK, esse complexo é um exemplo icônico do modernismo dos anos 1960 na África Ocidental. A estrutura sintetiza a complexidade de formas simples inseridas em padrões espaciais vernaculares. Concluída em 1974, reflete a ambição pós-colonial do país e consolidou-se como uma estrutura espacial flexível para grandes eventos culturais e exposições.
As paredes há muito tempo deixaram de ser meros elementos estruturais; elas são telas que narram histórias, refletindo desejos de natureza, espiritualidade ou a busca por tranquilidade e estímulo. Com os avanços nos pixels de LED endereçáveis, as paredes evoluíram para superfícies digitais imersivas, capazes de exibir qualquer imagem em grande formato, adaptando-se às necessidades do momento.
No entanto, enquanto as universidades continuam a formar arquitetos/as e designers de interiores para criar edifícios estáticos, a arte de contar histórias significativas por meio de telas digitais — especialmente as dinâmicas — permanece em grande parte inexplorada nos currículos acadêmicos.
As cidades, assim como as pessoas, são dinâmicas e estão em constante evolução para acompanhar e se adaptar às transformações sociais, econômicas e ambientais de seu tempo. Da mesma forma, a visão de como a cidade ideal deve ser planejada tem sido influenciada pelas realidades e correntes de pensamento predominantes de cada época.
A industrialização, a crescente migração do campo para as cidades, o crescimento populacional, o desenvolvimento de novos materiais e tecnologias construtivas, a hegemonia do automóvel como meio de transporte e, mais recentemente, a busca por formas alternativas de ocupar e se deslocar pelo espaço urbano impactaram as teorias de planejamento urbano ao longo da história. Essas influências moldaram a estrutura das cidades contemporâneas — com seus acertos e desafios.
A continuidade do trabalho remoto transformou o dinamismo do centro das cidades e a paisagem tradicional dos escritórios, deixando para trás muitos espaços vazios cujo destino ainda é motivo de especulação. Quatro anos após o início das políticas de trabalho híbrido, as taxas de ocupação de escritórios nos centros urbanos continuam abaixo dos níveis pré-pandemia, sinalizando uma mudança de longo prazo no ambiente corporativo. Algumas incorporadoras buscaram reposicionar esses edifícios, enquanto outras buscam usos alternativos para prédios desocupados em áreas centrais. Embora ambas as abordagens tragam benefícios à sua maneira, o potencial de reconversão de edifícios de escritórios é vasto e promissor. Da habitação residencial a instalações de pesquisa de ponta, profissionais de arquitetura e incorporação exploram as diversas possibilidades e os desafios de transformar essas estruturas subutilizadas em novos espaços vibrantes.
O espaço doméstico é um reflexo das atividades, condutas e comportamentos dos indivíduos, onde convive uma série de dinâmicas e processos que fazem parte do cotidiano. Embora cada residência conte com suas próprias lógicas de distribuição de acordo com o momento de sua concepção, as demandas de seus habitantes, as tecnologias da época, entre outros fatores, as reformas de interiores residenciais muitas vezes expressam o interesse em recuperar estruturas e fachadas antigas, reciclar mobiliário em desuso, restaurar elementos de qualidade em revestimentos e pisos, ou diretamente integrar novas soluções que permitam alcançar maior fluidez espacial, iluminação e otimização de suas superfícies.
Naturalmente, uma densidade populacional mais elevada evita a formação de cidades-fantasma e comércios abandonados, que podem se tornar focos de criminalidade. No entanto, essas visões positivas sobre ambientes residenciais densos costumam basear-se em premissas otimistas sobre o urbanismo, como o atrito mínimo entre indivíduos, facilidade de manutenção da higiene e a geração espontânea de diversidade.
Selecionado pelo ArchDaily como uma das Melhores Novas Práticas de 2024, o IDK está trazendo uma abordagem nova e dinâmica na construção de comunidades com arquitetura de qualidade. Mike Lim, James Pockson e Roddy Bow se conheceram enquanto cursavam o mestrado em Arquitetura no Royal College of Art (RCA) e fundaram seu escritório de arquitetura, o IDK, em Londres, em 2019. O trio, movido por uma forte missão — *ajudar comunidades e instituições, organizações e culturas progressistas a prosperarem* —, vem pesquisando e entregando projetos voltados para a comunidade que incorporam a construção experimental com uma abordagem holística. Seu trabalho se concentra em fomentar o desenvolvimento social, com ênfase na consciência ecológica, uso de materiais locais, gestão inteligente de recursos e orçamentos, reformas respeitosas e no projeto apenas do que é necessário, sem construir em excesso.
Parque Público de Karantina 2020-2023. Imagem cortesia de CatalyticAction
Os espaços públicos nem sempre são moldados pelo planejamento urbano, mas pelas práticas que acolhem. Sua existência decorre de nossa necessidade inerente de conexão com o outro. Como espaços de encontro, essas áreas urbanas, abertas e acessíveis refletem a maneira como interagimos com nosso entorno e uns com os outros, ao mesmo tempo em que oferecem locais para a prática de exercícios, o brincar, a socialização e o lazer.
Reconhecendo que os espaços públicos são mais do que meros ambientes físicos, a CatalyticAction dedica-se a promover um senso de comunidade, segurança e pertencimento, especialmente para as crianças, que estão entre as pessoas mais vulneráveis da sociedade. Sua missão não consiste apenas em criar espaços onde as crianças possam brincar e crescer, mas também em empoderá-las, garantindo que tenham voz ativa na definição de seu entorno. Para saber mais sobre esse trabalho, Christele Harrouk, editora-chefe do ArchDaily, conversou com Joana Dabaj, cofundadora e diretora de programas da CatalyticAction.
NA Structures com AZD Architects e Hemphill Builders. Orchard Lake, Michigan. Imagem de Way Up Media
Na indústria da construção civil, a construção offsite em light wood-frame desponta como uma abordagem transformadora, que promete prazos de execução mais curtos, maior qualidade e menor impacto ambiental. Empresas associadas ao Quebec Wood Export Bureau (QWEB) lançaram uma ferramenta digital que potencializa os benefícios e a versatilidade dos componentes pré-fabricados de light wood-frame em projetos.
A tipologia dos edifícios de escritórios surgiu da necessidade de reunir milhares de pessoas em um ambiente de trabalho relativamente rígido. Nas grandes cidades, essas estruturas se concentraram em Distritos Centrais de Negócios (CBDs), que se tornaram bairros dedicados a abrigar o comércio e as empresas. No entanto, a pandemia de COVID-19 interrompeu esse modelo, impulsionando a ascensão do trabalho remoto e híbrido. Hoje, quase quatro anos depois, as taxas de ocupação nesses centros urbanos continuam abaixo dos níveis pré-pandemia, sinalizando uma mudança de longo prazo no ambiente de trabalho. Para enfrentar esse desafio, incorporadores/as têm buscado cada vez mais o "reposicionamento" de seus projetos, procurando redefinir sua imagem ao adaptá-los às demandas contemporâneas. Essa tipologia considera a malha urbana circundante, visando expandir o uso do edifício para além de seu propósito original e atrair as pessoas de volta aos CBDs.
Novos empreendimentos, empresas e startups do setor imobiliário estão transformando as percepções e necessidades em torno da casa própria e das experiências de locação. Em uma sociedade na qual a propriedade imobiliária é associada ao sucesso pessoal, as inovações no mercado de aluguel residencial buscam aumentar a atratividade da locação. As mudanças nas demandas dos consumidores estão impulsionando uma tendência de modelos de moradia exclusivos e focados na comunidade. Essa transição está redefinindo a forma como as pessoas enxergam seus espaços de convivência, interagem com suas comunidades e percebem o valor de seus lares.
Diseño Tulum y Copal de Arauco Melamina. Image Cortesía de Arauco
O que o amianto, as tintas com chumbo e os produtos plásticos têm em comum? Todos eles estão na lista de materiais que provavelmente desaparecerão no futuro. Essa mudança não ocorre por acaso; pelo contrário, reflete uma crescente preocupação com os impactos negativos das substâncias que os compõem. À medida que nossa consciência sobre a sustentabilidade ambiental e o bem-estar pessoal aumenta, começamos a analisar com mais atenção a escolha e a composição dos materiais que utilizamos para construir o nosso entorno, o que impulsiona a adoção de alternativas mais saudáveis.
Hoje em dia, ao buscar opções saudáveis na arquitetura de interiores, uma das melhores estratégias é optar por materiais que minimizem ou eliminem substâncias tóxicas e melhorem a qualidade do ar. Nesse contexto, os ambientes internos, especialmente em residências, enfrentam um desafio significativo devido às altas concentrações de formaldeído nas resinas de MDF e nos painéis de partículas de madeira utilizados em móveis e revestimentos. Essa preocupação tem levado a uma visão mais responsável na escolha dos materiais, como os painéis de melamina da Arauco, que evoluíram para abordagens mais seguras, beneficiando tanto fabricantes quanto as pessoas usuárias.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140636/arquitetura-responsavel-com-melamina-como-escolher-o-material-adequado-para-evitar-a-exposicao-a-substancias-toxicasEnrique Tovar
Ao longo da história, a pedra tem sido um material de construção fundamental devido à sua resistência, beleza e apelo intrínseco. O material é utilizado há séculos para erguer construções duradouras, de monumentos históricos a residências contemporâneas. Sua resiliência a torna adequada tanto para projetos de design de interiores quanto de exteriores, proporcionando uma ampla variedade de aparências. Existem inúmeras variedades de pedras, cada uma com textura e coloração distintas, incluindo o mármore, o granito e o calcário. Graças a essa diversidade, o material pode ser usado de forma criativa por arquitetos/as e construtores/as para criar detalhes de destaque ou edifícios inteiros. Esta seleção de projetos não construídos,enviada pela comunidade do ArchDaily, mostra como a pedra continua sendo um material de construção confiável e adaptável, capaz de aliar o artesanato tradicional ao estilo contemporâneo.
Oct Art Center, Foto por Xia Zhi. Imagem cortesia de Zhu Pei Studio
“Isso vai ser incrível! Estou muito entusiasmado,” diz Zhu Pei sobre o Museu e Observatório das Ruínas de Majiayao, atualmente em construção em Lintao, na província de Gansu. O arquiteto, baseado em Pequim, projetou o edifício como um espaço cavernoso profundamente inserido no solo, que evoca um fragmento gigante de cerâmica antiga, assemelhando-se a um sítio arqueológico do Período Neolítico descoberto no local há um século. A edificação é tão incomum que não pode ser descrita em termos arquitetônicos convencionais. Por exemplo, uma vasta casca hiperbólica de concreto moldado in loco repousa sobre o solo, bloqueando o vento frio do noroeste no inverno. O arquiteto utilizou areia e cascalho do rio Tao local para produzir um concreto bruto especial com ranhuras horizontais na superfície, simbolizando os vestígios de milhares de anos de erosão. Todos os edifícios de Zhu são notáveis. Ainda assim, apesar de suas inovações, estão enraizados na cultura, na natureza e no clima. São projetados com base em sua filosofia arquitetônica, a "Arquitetura da Natureza", articulada em cinco pontos fundamentais: integridade incompleta, arquitetura esponja, caverna e ninho, postura de assentamento, e estrutura e forma.
A primeira vila olímpica da história foi construída para os Jogos Olímpicos de Verão de 1924 em Paris. Antes disso, os atletas se hospedavam em hotéis, albergues, escolas, quartéis e até mesmo nos barcos em que viajavam para as cidades-sede. Pierre de Coubertin, co-fundador do Comitê Olímpico Internacional (COI), foi o idealizador da vila inaugural ao perceber que seria economicamente mais viável abrigar atletas em estruturas novas e temporárias do que em hotéis, enquanto as vilas poderiam incutir também um senso de comunidade entre os competidores internacionais.
Em novembro de 2022, a cidade costeira de Sharm El Sheikh, no Egito, sediou a 27ª edição da Conferência das Partes das Nações Unidas, conhecida como COP27. Desde a assinatura do Acordo de Paris em 2015, a conferência, que ocorre quase anualmente, ganhou força como um fórum global de liderança no compartilhamento de conhecimento e no desenvolvimento de diretrizes para mitigar as mudanças climáticas em todo o mundo. Enquanto a mais recente COP28, realizada em Dubai em 2023, concentrou-se nos debates sobre produção de energia, esta edição anterior focou nos contextos urbanos e na necessidade urgente de incorporar perdas, danos e reparações climáticas aos planos de ação climática. Passados dois anos desde a COP27, torna-se fundamental revisitar essas discussões e cobrar dos órgãos governamentais a responsabilidade pelas promessas feitas e pelas metas estabelecidas para a mitigação das mudanças climáticas. Um dos planos mais ambiciosos da COP27 joga luz sobre um debate urgente em nossos ambientes urbanos: como definiremos perdas, danos e reparações climáticas no século XXI?