Jardim Botânico Guangzhou Yunxi / AECOM + Architectural Design & Research Institute of SCUT + Guangzhou Landscape Architectural Design & Research Institute. Imagem cortesia de Yunxi Botanical Garden
Embora a vida humana dependa fortemente das plantas para medicamentos, materiais de construção e combustíveis, elas também desempenham um papel vital em diversos processos ecológicos. Da regulação climática por meio da absorção de dióxido de carbono à fertilidade do solo e purificação do ar e da água, a diversidade vegetal oferece oportunidades para enfrentar alguns dos desafios mais urgentes deste século, incluindo a segurança alimentar, a disponibilidade de energia, as mudanças climáticas e a degradação de habitats. Nesse contexto, os jardins botânicos atuam como refúgios vivos que fomentam a inovação, a adaptação e a resiliência humana. Mas o que a prática arquitetônica pode aprender com a botânica e seus métodos?
Em climas temperados e frios, a arquitetura geralmente começa com um gesto defensivo. A envoltória do edifício é um limite vedado, projetado para resistir ao ambiente externo por meio de isolamento, barreiras de vapor e controle mecânico.
A arquitetura costuma tratar o design ecológico como se fosse uma descoberta recente. Corredores de biodiversidade, paisagens regenerativas, cidades-esponja e o urbanismo mais-que-humano são apresentados como respostas emergentes às crises ambientais contemporâneas. No entanto, na Índia e na região SWANA (Sudoeste Asiático e Norte da África), paisagens moldadas por práticas religiosas há muito tempo estruturam as relações entre pessoas, água, vegetação e animais. Muito antes de o desempenho ecológico se tornar uma métrica de projeto, os reservatórios dos templos armazenavam as águas das monções, os bosques sagrados protegiam a biodiversidade e os assentamentos em oásis sustentavam a vida em alguns dos ambientes mais áridos do mundo. Poucos desses lugares surgiram de agendas ambientais explícitas; pelo contrário, formaram-se a partir de práticas culturais e espirituais. Ainda assim, sua lógica ambiental continua extremamente relevante hoje. Diversas condições que hoje são discutidas sob o conceito do design mais-que-humano já existiam há séculos em paisagens que arquitetos e arquitetas raramente estudam como infraestrutura ecológica.
Nos últimos anos, a alimentação assumiu um papel renovado na arquitetura, não apenas como um programa ou tipologia, mas como uma prática espacial compartilhada. Para além do design de restaurantes ou de espaços de refeição, as áreas destinadas ao comer coletivo são cada vez mais compreendidas como ambientes onde a presença, o ritual e o tempo se cruzam, permitindo que as pessoas se reúnam, permaneçam e coexistam. Nesses contextos, o ato de comer não ocorre apenas dentro de um espaço; ele o molda ativamente, transformando temporariamente ambientes comuns, emprestados ou improvisados em locais de troca.
Essa mudança é visível em uma ampla gama de projetos construídos, instalações e espaços comunitários que utilizam as refeições coletivas como meio de aproximar as pessoas. Iniciativas como o Fondo Supper Club estruturam o ato de jantar como uma plataforma social, usando a comida para conectar artistas, designers e comunidades locais por meio do diálogo e da colaboração. Da mesma forma, a sit.feast, apresentada durante a Semana de Design de Milão de 2024, abordou a mesa como uma instalação espacial na qual sentar-se e comer juntos se tornaram os meios primordiais para a produção coletiva do espaço.
O desenvolvimento costeiro em grandes cidades há muito tempo se configura como um terreno de oportunidades e disputas—moldado, a um só tempo, pela busca por capital (vistas privilegiadas, escassez de terras e a promessa de aterros), pelas demandas cívicas por acesso público e por uma vida coletiva à beira-mar, e pelas aspirações contemporâneas de sustentabilidade e de uma identidade urbana marcante. Justamente porque essas agendas raramente se alinham, extrair o potencial máximo de áreas de orla nunca é uma tarefa simples.
Contudo, em Nova York e em Hong Kong, é possível traçar as ambições de cada cidade—a despeito de suas diferentes estratégias, prioridades e lógicas políticas—por meio de um conjunto de projetos fundamentais que ancoram suas linhas costeiras. Lidos em conjunto, esses projetos revelam não apenas o que cada cidade escolhe valorizar, mas também do que está disposta a abrir mão para construir no limite.
Na tradução da realidade tridimensional para um plano bidimensional, a axonometria se consolida como um dos sistemas gráficos de representação que fundamentam a linguagem utilizada por profissionais de arquitetura e design. Ao lado de plantas, cortes e elevações, suas vistas explodidas frequentemente se destacam pela capacidade de estudar as múltiplas camadas que compõem um projeto. Embora a axonometria também seja empregada em outras disciplinas, como a engenharia e o planejamento urbano, ela demonstra constantemente sua capacidade de funcionar como algo que vai além de uma mera ferramenta de representação. Com isso, ela não apenas reforça a compreensão dos processos construtivos, materiais e sistemas estruturais de uma obra, mas também amplia a comunicação das ideias e processos de projeto que a moldam.
Lu Wenyu—cofundadora do Amateur Architecture Studio com o laureado com o Pritzker Wang Shu—moldou muitas das obras mais emblemáticas do escritório na China, incluindo o Museu de História de Ningbo e o Campus Xiangshan da Academia de Arte da China em Hangzhou. Trabalhando frequentemente fora dos holofotes, sua liderança é inequívoca na disciplina da execução e nas funções que assumiu: em 2003, junto com Wang Shu, fundou o Departamento de Arquitetura da Academia de Arte da China, onde também atua como diretora do Centro de Construção Sustentável. Sua prática e ensino formam um ciclo de reciprocidade: as pesquisas realizadas nos estúdios da Academia de Arte da China alimentam continuamente as estratégias de construção no canteiro de obras, ao passo que as lições aprendidas em campo retornam à sala de aula como inteligência material, e não como teoria abstrata.
Em 23 de dezembro de 1972, Manágua, capital da Nicarágua, foi atingida por um terremoto de magnitude 6,3. Em questão de minutos, seu núcleo urbano, que por décadas funcionara como um centro político e econômico compacto, ruiu abruptamente. No processo de reconstrução que se seguiu, as autoridades buscaram não apenas reconstruir, mas reorganizar. O objetivo era descentralizar a cidade e evitar uma paralisia futura ao dispersar as funções por múltiplas zonas. Entre os resultados arquitetônicos mais significativos dessa mudança esteve a nova Catedral Metropolitana. Sua linguagem modernista simbolizava tanto a continuidade institucional quanto a transformação urbana. Com isso, ela personificou a transição de Manágua de uma malha urbana centralizada, de estilo espanhol, para uma metrópole contemporânea e descentralizada.
Vila dos Atletas dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 (HARUMI FLAG). Imagem via Wikimedia Commons CC 2.0
Com os Jogos Olímpicos de Inverno de Milano–Cortina 2026 em andamento, vale a pena analisar como a Vila Olímpica evoluiu de uma solução puramente funcional para um projeto urbano estratégico. De complexos habitacionais improvisados a peças-chave de regeneração urbana, as Vilas Olímpicas têm funcionado repetidamente como experimentos em grande escala sobre como partes de uma cidade podem ser construídas em um curto espaço de tempo.
Projetados sob intensa pressão de tempo e para uma população altamente específica, esses ambientes revelam transformações nas ideias de habitação, vida coletiva e no legado urbano de megaeventos. Ao longo de diferentes edições, a Vila Olímpica reflete as maneiras mais amplas pelas quais eventos, habitação e cidades se cruzam em condições de urgência.
A ergonomia no ambiente de trabalho há muito tempo é definida pela estabilidade: posturas fixas, suporte lombar, ângulos cuidadosamente calculados e a busca incessante pela maneira "correta" de sentar. O conforto era amplamente associado à manutenção de uma postura apoiada em cadeiras projetadas para reduzir o movimento, alinhar a coluna e sustentar o corpo durante longos períodos sentado. Hoje, à medida que os espaços de trabalho contemporâneos se tornam cada vez mais flexíveis e híbridos, surgem questionamentos sobre se o conforto está realmente atrelado à permanência estática ou, pelo contrário, à própria possibilidade de movimento.
Embora as cadeiras ergonômicas tenham evoluído significativamente, muitas ainda operam sob uma lógica "corretiva", gerenciando o desconforto por meio de mecanismos e regulagens sem de fato reconsiderar a relação fundamental entre o corpo e o movimento. Pesquisas recentes sobre comportamento sedentário e ergonomia ativa têm desafiado a ideia da imobilidade como a condição ideal para o conforto. Em vez disso, transições posturais sutis e micro-movimentos contínuos são hoje entendidos como importantes aliados da circulação, da saúde musculoesquelética e do bem-estar geral. Nesse cenário, a ergonomia contemporânea começa gradualmente a se afastar de modelos baseados na contenção, direcionando-se a abordagens focadas na adaptabilidade, no equilíbrio e no movimento fluido.
Ao longo dos anos, a arquitetura de cinemas tem se reinventado continuamente. De experiências cinematográficas que aguçam múltiplos sentidos a tecnologias materiais que reinterpretam a estética de eras passadas, o conceito da sala de cinema tem viabilizado a recuperação, a revitalização e a renovação de inúmeros espaços obsoletos, em ruínas ou mesmo protegidos pelo patrimônio histórico. Assim como o Majestic Cinema reflete uma importante função comunitária em Zanzibar, na Tanzânia, muitos edifícios do século XX encontraram no reuso adaptativo uma oportunidade para restaurar e preservar culturas, memórias e tradições que permanecem significativas para suas comunidades.
Sentados em bancos baixos, conversando informalmente, vestindo roupas confortáveis e cercados por livros, objetos de design e obras de arte, Charles e Ray Eames aparecem em uma das imagens mais emblemáticas da domesticidade moderna do pós-guerra nos Estados Unidos. A casa não se apresenta como um manifesto arquitetônico explícito, mas sim como um espaço habitado, apropriado, cotidiano. Ainda assim, quase tudo nessa cena funciona como a síntese de um ideal cuidadosamente construído: a informalidade moderna, a integração entre arquitetura e vida cotidiana aliada à coexistência da produção industrial. Mais do que representar uma residência, a fotografia projeta um modo de vida. E talvez essa tenha sido, desde o início, a ambição central por trás das Case Study Houses.
Sistema de armários inteligentes da Gantner e Salto
Como os elementos mais estruturados da arquitetura podem dar origem a formas não planejadas da vida cotidiana? A "ordem espontânea" descreve como sistemas estruturados podem gerar padrões de comportamento não planejados, porém coerentes. No discurso urbano, o termo é frequentemente utilizado para descrever as cidades: malhas de ruas, lotes e edifícios que são projetados, enquanto o cotidiano não o é. Movimentos, encontros, rotinas e usos informais emergem de regras espaciais simples, e não de uma programação explícita. Nas cidades, isso fica evidente na dinâmica de calçadas, estações e limiares. A estrutura é fixa, mas a ordem social é fluida, estabelecendo condições para o comportamento humano em vez de determiná-lo.
Uma lógica semelhante pode ser observada em microinfraestruturas arquitetônicas, como os sistemas de armários. Assim como as cidades, os armários baseiam-se em estruturas organizadas que não prescrevem como a vida se desenrola em seu entorno. Um sistema de armários é altamente controlado sob a ótica da arquitetura: módulos repetitivos, grelhas rígidas, dimensões padronizadas, acesso controlado. No entanto, uma vez em funcionamento, gera comportamentos espontâneos. Pessoas fazem pausas nos corredores, retornam em horários irregulares, demoram-se perto das zonas de armários ou interagem brevemente com quem faz o mesmo. O que parece ser um sistema de armazenamento puramente infraestrutural começa a gerar comportamentos sociais e espaciais informais.
Qbiss Notch, uma nova edição de design desenvolvida pela Pininfarina para o sistema de fachadas Qbiss da Trimo, recebeu o Red Dot Design Award. Baseado na tecnologia de fachadas Qbiss da Trimo, o projeto introduz painéis modulares Qbiss instalados verticalmente, um alfabeto de curvas gravadas (Glyphs) e elementos Notch com iluminação integrada. Juntos, esses elementos permitem a projetistas criar composições de fachadas exclusivas. Apesar de sua flexibilidade visual, o sistema foi projetado com foco na eficiência e na precisão da construção pré-fabricada.
A maioria das pessoas raramente se lembra de uma passagem. Elas se lembram da sala de aula, do apartamento, da galeria ou da praça ao final dela. As passagens costumam ser projetadas para desaparecer em segundo plano, guiando o movimento de um destino ao outro. No entanto, algumas das experiências mais memoráveis da arquitetura acontecem justamente durante o deslocamento por um lugar, e não ao chegar a ele.
A circulação costuma ser tratada como um dos elementos mais práticos da arquitetura. Corredores conectam salas, galerias oferecem acesso e passarelas organizam o movimento pelo edifício. Seu propósito parece simples: ajudar as pessoas a irem de um ponto a outro. Por conta disso, os espaços de circulação há muito tempo são considerados secundários em relação aos programas que atendem. A atenção tende a se concentrar nos destinos, enquanto os espaços intermediários passam, em grande parte, despercebidos.
Vana Vasa Resort por MJ Kanny Architect, vencedor do Steel Architectural Awards ASEAN 2024. Imagem cortesia de NS BlueScope
O Steel Architectural Awards ASEAN 2026 é um prêmio regional de arquitetura promovido pela NS BlueScope para reconhecer projetos construídos que demonstram excelência arquitetônica por meio do uso de soluções em aço revestido. Sob o tema Shaping Resilient Futures: Timeless Design with Coated Steel, o programa destaca projetos na Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã, progredindo das etapas nacionais (Country Awards) ao reconhecimento em nível regional (ASEAN). Este artigo explica como funciona a dinâmica em duas etapas, quais categorias estão incluídas e como os projetos são avaliados em termos de Excelência em Design, Inovação e Sustentabilidade.
Para o DB Studios, a arquitetura não consiste apenas em construir, mas em pertencer. Trata-se de criar uma prática situada, que responda ao seu contexto, ao seu povo e à sua identidade local, expressa por meio de materiais, cores e decisões espaciais. Nesse sentido, o design torna-se uma forma de articular uma linguagem enraizada em seu contexto e moldada pelas pessoas a quem serve.
Essa postura torna-se especialmente evidente no Vision Pakistan, projeto do DB Studios recentemente reconhecido com o Prêmio Aga Khan de Arquitetura 2025. Para além do reconhecimento das qualidades arquitetônicas da proposta, a premiação destaca um compromisso mais amplo: a criação de um ambiente de acolhimento para jovens em situação de vulnerabilidade, no qual a educação, a capacitação profissional e o projeto espacial atuam em sinergia para fomentar a independência e a mobilidade social. Por meio de sua forma, fachada e organização interna, o edifício responde de maneira direta ao seu contexto, reforçando o sentimento de apropriação por parte de quem o frequenta, ao mesmo tempo em que desperta orgulho na comunidade do entorno e entre profissionais locais emergentes.
A inteligência artificial não é mais um conceito distante na prática profissional da arquitetura. Ela está se tornando rapidamente uma ferramenta prática utilizada por escritórios em todo o mundo para acelerar os fluxos de trabalho de projeto, gerar visualizações e explorar novas possibilidades criativas.
De acordo com uma nova pesquisa do setor realizada pela Chaos em colaboração com o Architizer, arquitetos, arquitetas e designers já estão integrando a IA em seu trabalho diário. Quase 800 profissionais de arquitetura e design de todo o mundo participaram do estudo, compartilhando perspectivas sobre como usam as ferramentas de IA, quanto tempo a tecnologia economiza e como acreditam que a inteligência artificial moldará o futuro da arquitetura.
Em tempos de emergência ecológica, a arquitetura não pode ser separada dos sistemas extrativos de que depende. À medida que a tecnosfera se expande, interligando fluxos de materiais, consumo de energia e infraestruturas digitais, a prática projetual torna-se cada vez mais enredada nesses processos. Como o design pode intervir em sistemas antropocêntricos e transformar o processo e a estética da arquitetura por meio de uma investigação sobre a inteligência material? De forma mais ampla, de que maneira a arquitetura se relaciona com a agência e a inteligência de entidades não humanas para reequilibrar o impacto ambiental?
Sistema de banheiro Lineadacqua da antoniolupi. Imagem cortesia de antoniolupi
E se os elementos mais avançados de um banheiro fossem aqueles que mal podemos ver? Em espaços onde paredes, tetos e pisos formam superfícies contínuas, os metais e louças recuam, e a própria água passa a ser a matéria-prima que molda a experiência. O posicionamento cuidadoso de componentes em banheiros — como cubas, torneiras, chuveiros e ralos — costuma afirmar sua presença tanto como objeto quanto como função. Mas o que acontece quando esses elementos começam a desaparecer?
Em vez de adicionar elementos sobrepostos ao desenho do banheiro, algumas abordagens operam por subtração. O banheiro deixa de ser composto por objetos visíveis e passa a ser compreendido como uma superfície contínua. Metais e louças embutem-se em paredes e tetos, permitindo que a água, a luz e a atmosfera assumam o protagonismo. O que se delineia é uma forma de minimalismo que vai além: uma arquitetura que absorve inteiramente seus sistemas técnicos, fazendo com que os dispositivos desapareçam e restem apenas seus efeitos. A experiência em si torna-se protagonista, não mais mediada por objetos visíveis, mas moldada diretamente pela água, pela luz e pelo espaço.
Situado na paisagem montanhosa de Zabbougha, no Líbano, o Capsule Retreat, projetado pelo EAST Architecture Studio, é moldado pelo próprio processo de sua feitura. O projeto se desenrola por meio de decisões materiais, ajustes no canteiro de obras e condições em constante evolução, permitindo que a própria construção guie sua lógica espacial.
O processo de construção desempenhou um papel central na definição do projeto. Construída durante um período marcado pelo colapso econômico, pela escassez de materiais e pela instabilidade contínua no Líbano, a casa se desenvolveu por meio de uma adaptação constante. Sem uma empreiteira geral, a equipe de arquitetura assumiu um papel ampliado, coordenando artífices locais, testando ideias diretamente no canteiro e respondendo a condicionantes em constante mudança. Nesse contexto, as condições sociopolíticas tornaram-se não apenas um desafio, mas um catalisador para repensar o projeto. "Estávamos constantemente testando ideias no canteiro", afirmam os arquitetos e fundadores do EAST Architecture Studio, Charles Kettaneh e Nicolas Fayad, "adaptando essas decisões do ponto de vista econômico e, ao mesmo tempo, explorando o que o artesanato local poderia oferecer."
A cada ano, o ArchDaily Next Practices Awards destaca escritórios emergentes que estão expandindo os limites da arquitetura por meio de novos métodos, materiais e formas de trabalhar. Selecionadas a partir de um panorama global, essas práticas refletem um distanciamento de definições singulares da disciplina, voltando-se a questões mais amplas de construção, meio ambiente e impacto social. Em vez de operar em categorias rígidas, muitos desses escritórios se posicionam de forma transversal entre diferentes campos, combinando projeto, pesquisa e produção para responder às condições contemporâneas.
Escolhido como um dos vencedores da edição de 2025, o Hand Over é um escritório sediado no Cairo que atua na interseção entre projeto, construção e pesquisa. Fundado por Radwa Rostom, engenheira civil com mais de quinze anos de experiência em desenvolvimento e sustentabilidade, o estúdio trabalha por meio de um modelo integrado de projeto e construção, engajando-se com a construção com terra, materiais locais e processos de base comunitária.
Bolete Lounge BIO® por Andreu World x Patricia Urquiola. Imagem cortesia de Andreu World
Ao entrar em um grande espaço de convivência, no lobby de um hotel ou em um ambiente de trabalho em plano aberto, a primeira coisa que se nota não é o que divide o espaço, mas o que o mantém unido. Raramente existem limites claros, salas óbvias ou divisórias rígidas; ainda assim, o espaço parece organizado. Algumas áreas convidam à pausa; outras ditam o movimento; outras promovem a convivência. As transições são sutis, mas legíveis.
Ao mesmo tempo, espera-se mais desses interiores. Eles devem acomodar mudanças constantes, resistir ao uso intenso e responder às pressões ambientais reduzindo o desperdício, prolongando a vida útil e evitando substituições frequentes. A questão não é apenas a aparência de um espaço, mas sim o seu desempenho ao longo do tempo. O que realmente está sustentando essa carga?
"Minha única preocupação é que meu trabalho tenha um impacto positivo nas comunidades em que está inserido", afirma Francis Kéré em seu livro Francis Kéré: Building Stories. Sua própria história de vida, o contexto em que cresceu e as experiências pelas quais passou moldam sua abordagem da arquitetura. Trata-se de um compromisso que se estende às pessoas e aos lugares que chamam de lar — valorizando a materialidade, o aprendizado coletivo e a troca de saberes. Descobrir as histórias por trás de projetos como a Escola Primária em Gando e a Escola Secundária Naaba Belem Goumma inspira uma reflexão sobre como projetar espaços que verdadeiramente sirvam à humanidade.
A história de Francis Kéré começa em uma aldeia na África Subsaariana e se estende por muitos lugares. Gando foi o cenário de sua formação inicial, onde absorveu a essência e os princípios que mais tarde moldaram os valores fundamentais de sua trajetória profissional, somados a influências de outras culturas. A estrutura de Gando é constituída por diferentes famílias que se organizam, segundo costumes estabelecidos, em pátios espalhados pela savana. Crescer nessa aldeia remota na savana de Burkina Faso fomenta um forte senso de comunidade, tornado tangível pela compreensão de que cada habitante de cada pátio faz parte da vida do todo.