Há uma revolução silenciosa acontecendo no banheiro. Esqueça o mármore brilhante e os metais dourados espalhafatosos; o novo tom do design é de uma confiança serena. Hoje, o luxo é sutil, sensorial e preciso. Valoriza-se o fazer artesanal em detrimento da extravagância, e a autenticidade em vez do espetáculo. O banheiro, outrora o cômodo mais funcional da casa, tornou-se um espaço onde materialidade, toque e luz se orquestram para criar uma sensação de calma.
Balcony House / Ryo Matsui Architects. Imagem cortesia de Ryo Matsui Architects Inc
Caminhamos sobre superfícies "planas" todos os dias e raramente pensamos a respeito — mas quão plano é esse solo, na verdade? Na cidade, os meios-fios são chanfrados, as calçadas se inclinam em direção às grelhas e as vias são abauladas para escoar a água em sarjetas rasas. Nos subúrbios e em caminhos não pavimentados, o terreno irregular é a norma. Dentro dos edifícios, em contrapartida, buscamos uma horizontalidade quase perfeita — estruturas, lajes e acabamentos são todos disciplinados para criar superfícies de circulação niveladas em nome da segurança e da acessibilidade. No entanto, a planaridade é inerentemente incompatível com a água. Um olhar mais atento revela um repertório sutil de adaptações: pequenos caimentos nas entradas, soleiras elevadas alguns milímetros, áreas molhadas com inclinações quase imperceptíveis. O piso é percebido como plano, mas, na verdade, é cuidadosamente ajustado — microtopografias disfarçadas de plano — para gerenciar a água sem chamar atenção.
Quais são as maneiras comuns pelas quais os/as arquitetos/as "mantêm as coisas planas" enquanto gerenciam a água — a eterna inimiga das edificações? Uma forma útil de analisar isso é focar em três condições recorrentes: decks externos ou de cobertura, banheiros e outras áreas molhadas, e planos de piso externos ao nível do solo. Cada uma depende de um conjunto de ferramentas ligeiramente diferente — sistemas de pedestais sobre impermeabilização inclinada, microinclinações para ralos, drenos perimetrais ocultos, caimentos divididos — para manter a ilusão de uma superfície contínua e nivelada. Estudar essas situações de forma comparativa revela o imenso esforço de projeto necessário para conciliar a percepção de planaridade com a realidade complexa da água.
A Snaptrude anunciou o lançamento do Snaptrude Student Plan, uma oferta gratuita que concede a estudantes de arquitetura de todo o mundo acesso total à plataforma profissional da Snaptrude e a fluxos de trabalho inteligentes de IA. A iniciativa reflete o compromisso da Snaptrude em fortalecer o ensino de arquitetura e garantir que profissionais emergentes do design desenvolvam habilidades práticas ainda durante a graduação. O acesso irrestrito à plataforma profissional e às ferramentas de IA permite que estudantes projetem com maior agilidade e criem trabalhos prontos para o portfólio.
No total, ao longo dos três dias de festival, serão apresentadas mais de 460 defesas de projetos ao vivo pelos finalistas de 2025, diante de um júri internacional composto por mais de 160 profissionais. Hoje, os projetos selecionados de diversas partes do mundo competiram em 22 categorias de prêmios divididas entre Edifícios Concluídos, Projetos Futuros e Interiores. Entre os escritórios premiados estão o WOW Architects, o BIG-Bjarke Ingels Group, o Batlleiroig e o Perkins&Will.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142836/world-architecture-festival-2025-anunciados-os-vencedores-do-primeiro-diaEnrique Tovar
Há mais de 125 anos, a Tarkett fabrica pisos de linóleo com base em sua formulação original de 1898. Reconhecido por profissionais de arquitetura em todo o mundo, este revestimento natural é uma referência em sustentabilidade, durabilidade e design atemporal. Hoje, o Linóleo Tarkett é conhecido não apenas por sua tradição, mas também por sua aplicação inovadora na arquitetura contemporânea — especialmente no setor educacional. Saiba mais sobre o impacto de Lino Materiale da Tarkett nos espaços contemporâneos.
Em meio à grade ordenada do Giardini della Biennale, o Pavilhão Suíço surge quase reticente. Seus volumes brancos e baixos, concluídos in 1952 por Bruno Giacometti, parecem se distanciar da exibição de orgulho nacional que o cerca. O edifício encarna uma vertente do modernismo que resiste à monumentalidade, na qual a precisão e a contenção substituem o espetáculo, e a arquitetura se torna menos um objeto e mais uma estrutura para o encontro.
Surgido de uma Europa em reconstrução, o pavilhão reflete um momento em que as nações reimaginavam sua presença no mundo. Para a Suíça, a neutralidade era há muito tempo tanto uma postura política quanto uma condição cultural, e Giacometti traduziu essa identidade em uma sequência de salas comedidas dispostas em torno de um pátio aberto, definidas não pelo que contêm, mas por como acolhem a luz, o movimento e a pausa. O resultado é uma arquitetura que não clama por pertencimento, mas convida à atenção por meio do equilíbrio e do cuidado.
Diante das forças combinadas do crescimento populacional, da prosperidade econômica e da expansão urbana, as cidades vêm registrando um aumento expressivo na circulação de pessoas e mercadorias — reflexo direto da evolução dos sistemas de mobilidade nos ambientes urbanos. Com o avanço das tecnologias e a transformação dos meios de transporte, o reaproveitamento adaptativo de vagões de trem, cabines de avião e outras infraestruturas de serviço revela novas oportunidades para explorar seu potencial criativo. Materiais, tecnologias e ferramentas de projeto convergem em torno de um mesmo propósito: restaurar e ressignificar estruturas desativadas, para dar-lhes nova vida.
Coding Plants: An Artificial Reef and Living Kelp Archive. Cortesia de Terreform ONE
Esta seleção de projetos da Bienal de Arquitetura de Veneza 2025 explora como arquitetos/as e designers estão repensando a relação entre o ambiente construído e a água em resposta à crise climática global. Com o aumento do nível do mar e a intensificação de eventos climáticos extremos, a água deixou de ser uma ameaça distante para se tornar uma condição imediata de projeto. Em vez de resistir a ela, estes projetos investigam como a arquitetura pode coexistir, adaptar-se e até mesmo se regenerar por meio das forças da natureza. Coletivamente, as propostas sugerem uma mudança de perspectiva em direção ao trabalho em harmonia com os elementos, reconhecendo a água não como um limite para a construção, mas como participante ativa na configuração dos ambientes do futuro.
A história dos Jogos Olímpicos, embora celebrada pelos feitos esportivos, é constantemente marcada por desafios de infraestrutura. Em diversas cidades-sede, de Atenas a Rio e Pequim, repetem-se os mesmos problemas: grandes estouros de orçamento e a complexa questão do legado. Surge, então, a grande pergunta: qual é o melhor uso de longo prazo para instalações construídas especificamente para o evento? Os Jogos de Montreal, em 1976, não fugiram a esse padrão após a construção de um Parque Olímpico criticado pelos custos excessivos e pela dívida gerada por obras especializadas. No pós-Jogos, estruturas como o Velódromo de Montreal corriam o risco de se tornar um peso financeiro. No entanto, a cidade reagiu de forma proativa ao propor a transformação do edifício em um ativo cívico dinâmico, hoje reconhecido internacionalmente como um exemplo bem-sucedido de reutilização de instalações olímpicas.
A arquitetura está sendo remodelada pela inteligência artificial, pelas mudanças climáticas e pelas transformações nas estruturas sociais. Na SCI-Arc, estudantes aprendem a enfrentar esses desafios de frente, utilizando o design como ferramenta para moldar um mundo em rápida mutação.
Neste semestre, os Ateliês Verticais (Vertical Studios) de nível avançado da SCI-Arc trazem o mundo para dentro da sala de aula. Cada um é liderado por um/a arquiteto/a atuante no mercado e na vanguarda da profissão — desde a fabricação experimental até o design urbano e ambiental. A partir de projetos reais e de sua experiência profissional, o corpo docente desafia os/as estudantes a se engajarem com as realidades do presente e a projetarem com precisão, empatia e imaginação.
Por trás de camadas de gesso, tinta e acabamentos, esconde-se uma complexa rede de tubulações, conduítes elétricos, vigas e outros elementos estruturais que fazem um edifício funcionar e se manter de pé, mas que permanecem invisíveis aos olhos do dia a dia. Nessas camadas, acumulam-se vestígios de diferentes épocas: sistemas substituídos, adaptações improvisadas e soluções técnicas que um dia responderam a contextos e urgências específicas. No reuso adaptativo, o maior desafio costuma começar antes mesmo do início das obras: compreender o que está por trás das paredes quando há pouca ou nenhuma documentação confiável disponível. Durante uma reforma, surpresas agradáveis ou desagradáveis são inevitáveis. O inesperado faz parte do processo, mas também representa fatores de custo, atraso e risco que frequentemente desestimulam investidores e profissionais a se envolverem nesse tipo de projeto.
Este concurso internacional convidou arquitetos/as a projetar um refúgio de bem-estar boutique ao longo das margens serenas do Rio Vez, no norte de Portugal. O projeto desafiou os/as participantes a proporem um espaço de tranquilidade e renovação que se harmonizasse com seu extraordinário cenário natural e complementasse um moinho de água histórico já restaurado no local. O parceiro do projeto, proprietário do terreno, planeja construir uma das propostas vencedoras.
A biodiversidade, definida pelo World Wide Fund for Nature (WWF) como os diferentes tipos de vida encontrados em uma área, enfrenta uma crise global profunda, marcada pelo declínio acentuado de organismos e pelo risco iminente de extinção de inúmeras espécies. Todos os reinos são afetados, desde plantas e fungos até grandes mamíferos, em um cenário cujo nexo causal com a atividade humana é evidente. Embora os métodos agrícolas modernos e as mudanças climáticas decorrentes das emissões de gases de efeito estufa desempenhem um papel preponderante, as cidades e os edifícios podem ter uma participação modesta, porém crucial, no combate a esse declínio.
A prática de combinar materiais para obter um melhor desempenho acompanha a humanidade desde as primeiras construções. Um dos primeiros exemplos conhecidos surgiu há mais de cinco mil anos, quando civilizações na Mesopotâmia e no Egito misturavam lama e palha para moldar tijolos de adobe secos ao sol. Leve e fibrosa, a palha impedia fissuras e aumentava a resistência, enquanto a lama atuava como aglutinante e proteção. Essa invenção simples, mas engenhosa, pode ser considerada o primeiro compósito da história, ilustrando a intuição ancestral de que materiais distintos, quando combinados, podem se tornar algo mais forte e melhor.
Baseado em Florianópolis, Brasil, Eduardo Souza traz uma perspectiva refinada para a arquitetura, moldada por seu envolvimento de longa data com design, pesquisa e prática editorial. Tendo crescido em um ambiente profundamente conectado à arquitetura — seu pai é engenheiro civil e professor —, Eduardo desenvolveu desde cedo um fascínio pela criatividade, pelo fazer artesanal e pelo pensamento espacial. Essa base o levou naturalmente a cursar arquitetura e, mais tarde, a explorar o campo editorial, onde a escrita e a curadoria se tornaram extensões de sua paixão pela arquitetura.
Eduardo juntou-se ao ArchDaily como tradutor em seus primeiros anos e, progressivamente, assumiu diversas funções editoriais, desenvolvendo um profundo interesse pela interseção entre materiais, tecnologias e sistemas construtivos. Seu trabalho editorial concentra-se em revelar inovações que desafiam os modos tradicionais de se fazer arquitetura, enfatizando a coerência entre conceito, execução e contexto. Ele dedica atenção especial a práticas sustentáveis, como a circularidade, o uso de materiais locais e as reinterpretações vernáculas que respondem aos desafios ambientais e culturais de hoje.
Nos deltas de baixa altitude de Bangladesh, a água define tanto a vida quanto a perda. Todos os anos, milhões de pessoas são forçadas a reconstruir suas vidas após as inundações levarem suas casas, plantações e meios de subsistência. Nesses territórios precários, o ato de construir tornou-se um ato de resiliência. É nesse contexto que o Khudi Bari surge como uma proposta modesta, porém radical. Projetado por Marina Tabassum Architects, o projeto oferece uma habitação leve, modular e acessível para comunidades deslocadas pelas mudanças climáticas. Reconhecido como um dos vencedores do Prêmio Aga Khan de Arquitetura de 2025, ele representa uma forma de arquitetura que capacita em vez de se impor.
Castelo de Edimburgo na capital da Escócia. Imagem de 瑞丽江的河水, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Edimburgo, a capital da Escócia, é reconhecida há muito tempo por sua rica história cultural e por sua intrincada malha urbana. A cidade pulsa através de seus museus, de seus edifícios residenciais tradicionais (tenements) e de seu comércio integrado a edifícios georgianos. Em 2022, a Time Out elegeu Edimburgo como a melhor cidade do mundo, destacando sua eficiência na coesão comunitária e em sistemas urbanos como o transporte público. Contudo, à medida que os efeitos das mudanças climáticas se tornam progressivamente visíveis no nível urbano, a cidade inevitavelmente se depara com um dilema urgente: como sustentar essa qualidade de vida sob condições cada vez mais desafiadoras.
O caminho em direção a esse equilíbrio envolve diversas estratégias interligadas — como o retrofit, o reuso adaptativo, o design circular e a colaboração comunitária —, onde cada uma delas contribui para consolidar a visão em constante evolução de Edimburgo rumo a um futuro urbano sustentável.
O novo edifício da Escola Secundária de Muskiz (Biscaia), projetado pelo escritório BAT Architecture, tornou-se um símbolo de referência em arquitetura sustentável para centros educacionais. Projetado de acordo com os critérios Passivhaus e construído com madeira laminada cruzada (CLT), o projeto alia inovação e conforto ao cuidado ambiental.
Nessa equação, a fachada ventilada cerâmica da Faveker, projetada sob medida tendo como base seu sistema GA16, desempenha um papel fundamental. Essa pele cerâmica precisa e luminosa melhora a eficiência energética do edifício e confere-lhe uma personalidade arquitetônica única que se harmoniza com o entorno natural.
Quase três anos após a inteligência artificial capturar a atenção do mundo, a arquitetura ainda busca um terreno firme nessa discussão. Entre declarações categóricas e testes cautelosos, profissionais da área ainda se questionam se — e como — a IA está de fato transformando a prática cotidiana.
Um novo white paper da Chaos aborda essa questão por meio de entrevistas com profissionais da área e de uma profunda pesquisa interna, revelando como a tecnologia começa a remodelar a produtividade, a autoria e a identidade criativa em todo o setor.
O white paper oferece um olhar aprofundado sobre onde a IA gera valor, onde deixa a desejar e como arquitetos e arquitetas podem navegar pelo que vem a seguir.
Após uma edição marcada pelo dinamismo, inovação e fortalecimento de parcerias estratégicas, a Obra Blanca encerra sua sexta edição com um formato que combina exposição, uma agenda de conteúdos e espaços de negócios. Mais de 20.000 profissionais do setor de acabamentos e produtos de design para a arquitetura se reuniram com o objetivo de transformar a arquitetura e o design no México.
As chaminés estão entre os elementos mais silenciosamente persistentes da história da arquitetura. Ainda assim, sua presença se mantém em quase todos os contextos culturais e climáticos, servindo tanto como recurso técnico quanto como dispositivo espacial, atmosférico e simbólico. Ela povoa os densos horizontes urbanos e ancora as paisagens rurais, com sua silhueta vertical sendo tão comum quanto uma janela ou o portal de uma porta. Essa aparente simplicidade, no entanto, é enganosa. A chaminé é um dos poucos componentes arquitetônicos que conectam a escala íntima da vida interior com as forças expansivas do meio ambiente. Para arquitetos/as e designers, a necessidade da chaminé apresenta uma escolha: deixá-la desaparecer discretamente no tecido funcional do edifício ou amplificá-la como um elemento central e expressivo que molda a identidade de um projeto.