O verão na SCI-Arc é sinônimo de Tese de Mestrado. Momento culminante de ambos os programas de mestrado, o M.Arch 1 e o M.Arch 2, a Tese de Mestrado propõe que estudantes desenvolvam uma conjectura criativa original que apresente e defenda um posicionamento sobre a arquitetura, articulando-o por meio de um projeto. Há algumas semanas, a instituição realizou sua exposição Miniatures na galeria Hauser & Wirth e as bancas intermediárias das Teses de Mestrado de 2018.
Após se formar no Tecnológico de Monterrey, uma das principais instituições de ensino técnico do México, Francisco Gonzalez Pulido trabalhou em projetos de concepção e construção por seis anos antes de partir para os EUA, onde obteve seu mestrado na GSD de Harvard em 1999. No mesmo ano, o arquiteto começou a trabalhar com Helmut Jahn em Chicago, onde permaneceu por 18 anos — passando de estagiário a presidente da empresa em 2012, momento em que rebatizou o escritório como Jahn. Àquela altura, ele já havia desenvolvido um corpo de trabalho próprio na firma. No ano passado, Gonzalez Pulido fundou o FGP Atelier em sua cidade adotiva.
Hoje, o estúdio conta com uma dezena de arquitetos e arquitetas e supervisiona o projeto de alguns arranha-céus na China, um estádio de beisebol na Cidade do México e edifícios universitários em Monterrey, entre outros projetos. A entrevista a seguir foi realizada no FGP Atelier em Chicago, ocasião em que o arquiteto foi categórico ao transmitir sua visão: “A arquitetura é muito rígida, muito formal. É hora de se libertar... Quero construir de forma mais leve. Quero construir de forma mais inteligente.”
O contato entre as mãos e as maquetes nunca deve ser perdido. Adentrar essa experiência evoca o silêncio, obrigando-nos a refletir sobre o cuidado depositado nas maquetes de concreto. Poucas palavras são necessárias, pois as maquetes costumam revelar tudo o que precisamos saber por meio da beleza e da simplicidade de sua criação e da importância do processo manual no trabalho do/a arquiteto/a.
Larry Kleinkemper, AIA, CTO da Lanmar Services, desenvolve escaneamentos a laser 3D e arquivos de projeto BIM para alguns dos principais escritórios de arquitetura do mundo e seus projetos de grande visibilidade. Devido a esses massivos conjuntos de dados, a Lanmar exige as melhores estações de trabalho CAD disponíveis no mercado. Neste vídeo imperdível, Kleinkemper compara duas workstations recomendadas por seus respectivos fabricantes como soluções ideais para o Autodesk Revit.
Ao longo dos séculos, o verde representou diversas emoções e conceitos: o amor, o ciúme, a saúde e, mais recentemente, o meio ambiente. Especialmente na Idade Média, a cor era associada à riqueza e à opulência, tendo sido escolhida por Leonardo da Vinci para o vestido da Mona Lisa. Além disso, vestir-se de verde é uma tradição marcante nas celebrações do Dia de São Patrício, um costume na Irlanda que remonta a 1640.
Na arquitetura, edifícios na cor verde se destacam em paisagens urbanas habitualmente dominadas pelo tijolo, pelo concreto, pelo aço e por suas paletas monocromáticas. Em 2017, vimos o tom revitalizante de verde, ‘greenery’, ser eleito a Cor do Ano pela Pantone, de modo que não surpreende a grande quantidade de edifícios e interiores que adotam esse tom tão revigorante.
O verde seria o novo preto? A decisão cabe a você ao navegar pelos 18 projetos deslumbrantes a seguir, que ostentam essa cor com absoluto destaque.
Existe uma forma convencional de contar a história da arquitetura e da alimentação. Ela começa com a decisão humana de cultivar, armazenar, distribuir e consumir, e termina com o edifício que essa decisão produziu. Nessa versão dos fatos, o alimento é o pretexto e a arquitetura é a resposta.
Mas e se a história for diferente? E se o tomate tivesse construído Almería? E se o bacalhau tivesse redesenhado o Atlântico Norte? E se a soja estiver, neste exato momento, construindo um porto em Santos e, ao mesmo tempo, devastando uma floresta no Cerrado, sem que o/a arquiteto/a simplesmente tenha sido avisado/a? Trata-se da descrição de processos já concluídos, ou em andamento avançado, que produziram algumas das paisagens contemporâneas de maior impacto espacial. Grande parte do ambiente construído é moldada pelas pressões, metabolismos e ambições territoriais daquilo que comemos. Nisso, a arquitetura costuma ser menos um projeto e mais uma consequência — e a disciplina tem contado sua própria história pelo lado errado.
No campo da arquitetura, entretanto, essa pergunta ainda permanece relativamente marginal. Muitas vezes sabemos quem projetou um edifício, conhecemos seus acabamentos, o fabricante de suas esquadrias, a marca de seus revestimentos e até mesmo seu desempenho energético mas, quase nunca, nos perguntamos de onde vieram as toneladas de matéria que tornaram sua existência possível.
Nas décadas que se seguiram à independência, alguns dos experimentos arquitetônicos mais ambiciosos do mundo não surgiram em museus, monumentos ou palácios governamentais. Eles surgiram por meio de universidades. No Sul da Ásia e na África, nações recém-formadas transformaram seus campi em campos de teste para maneiras inteiramente novas de conceber a vida coletiva. Esses campi funcionaram como muito mais do que simples instituições de ensino. Tornaram-se territórios onde o Estado testava como organizar a modernidade — espaços voltados para a convivência cidadã, o funcionamento das instituições, a definição da arquitetura a partir do clima e a transformação das realidades locais por ideias importadas.
Em 2025, o mercado global de saúde animal movimentou cerca de 70 bilhões de dólares, e a projeção é de que esse número dobre até 2033. Por trás da cifra, no entanto, há também uma transformação silenciosa no espaço construído, sendo o hospital veterinário um exemplo disso. Esse programa que por décadas ocupou fundos de clínicas improvisadas e anexos de petshops, tem ganhado cada vez mais uma linguagem e identidade próprias. É a consolidação arquitetônica de um vínculo que já dura mais de 15 mil anos.
A habitação moderna foi um dos campos em que o modernismo fez sua promessa mais audaciosa: a de que a arquitetura poderia remodelar não apenas a cidade, mas a própria maneira como as pessoas nela viviam. Como argumenta o historiador da arquitetura argentino Ramón Gutiérrez, a habitação popular é "o grande tema pendente, que geralmente não aparece nas histórias da arquitetura". Na América Latina, essa ausência é significativa. Ao longo do século XX, a expansão das cidades transformou a habitação em uma das vias mais evidentes para projetar a mudança urbana, e o modernismo penetrou não apenas em planos e desenhos, mas em apartamentos, bairros, ruas e rotinas domésticas.
No entanto, uma vez construídos, esses projetos inseriram-se em cidades moldadas pela política, pela memória, pela desigualdade e pelas dinâmicas mutáveis de ocupação. Seus significados deixaram de pertencer exclusivamente ao plano original, passando a residir nas formas como foram habitados, alterados e transformados ao longo do tempo. O que essa história revela não é uma mera adaptação, mas sim um atrito: o momento exato em que a arquitetura deixa de ser um modelo idealizado para se deparar com uma cidade que ela não consegue controlar plenamente.
O modernismo é frequentemente vivenciado por meio da forma construída, de fachadas fotografadas, plantas canônicas, manifestos de concreto. Para a maior parte das pessoas, contudo, esse primeiro contato foi muito mais imediato. Foi uma cadeira em um escritório, uma estante em uma sala de estar, um volume compacto que reorganizou o sentar, o guardar ou o dormir. Muito antes de a arquitetura moderna poder ser amplamente encomendada, foi o mobiliário que adentrou o espaço cotidiano, trazendo consigo uma nova lógica de viver. A promessa modernista de transformar a vida era frequentemente cumprida por meio desses objetos menores e replicáveis.
Para compreender essa mudança, o mobiliário precisa ser interpretado como uma forma condensada de arquitetura, e não como mera decoração. Profissionais do design do início do século XX o tratavam exatamente dessa forma. Le Corbusier descreveu o mobiliário como équipement de l'habitation (equipamento da habitação), inserindo-o no sistema operacional do edifício, e não fora dele. Da mesma forma, a Bauhaus abordou cadeiras e mesas como protótipos industriais, incorporando princípios de padronização, eficiência e produção em massa em seus desenhos. Como argumenta a historiadora da arquitetura Beatriz Colomina, a arquitetura moderna não circulava apenas através de edifícios, mas por meio de mídias e objetos que traduziam suas ideias para a vida cotidiana. O mobiliário tornou-se arquitetura em miniatura: portátil, reproduzível e capaz de reorganizar o espaço sem reconstruí-lo.
Ao surgirem em um contexto de profundas transformações políticas e sociais, no qual diversos países buscavam reformular suas capitais como símbolos de progresso, ambas as cidades assumiram um papel estratégico. Por meio da linguagem arquitetônica adotada, reafirmavam narrativas ideológicas e identitárias vinculadas ao poder do Estado.
Tratava-se de cidades criadas em abstrato, seguindo uma visão utópica. Seriam urbes vanguardistas, livres das deficiências que assolavam as cidades de meados do século XX, exemplificando princípios estéticos que refletiriam ideologias políticas progressistas e que abraçariam novas tecnologias – principalmente o automóvel.
No entanto, essa promessa de futuro acabou gerando grandes desafios. Dificuldades que, claro, refletem os percalços sociais e econômicos dos seus países, mas também pode se dizer que são "temperadas" por uma ideia modernista que hoje é colocada em discussão.
A arquitetura costuma ser avaliada pelo que é construído. No entanto, em muitos casos, o que realmente importa acontece depois: a forma como os espaços são usados, adaptados e integrados à vida cotidiana. Para o Región Austral, vencedor do prêmio 2025 Next Practices Awards do ArchDaily, é exatamente aí que o projeto começa. Trabalhando em múltiplos contextos, o escritório aborda o espaço público não como um objeto isolado, mas como algo que precisa ser ativado, negociado e mantido ao longo do tempo. Seus projetos focam menos na definição da forma e mais na criação de condições de uso, fazendo do projeto o ponto de partida.
Essa abordagem se manifesta em diferentes contextos, desde a Praça do Bairro Olímpico até a rede Playón de Chacarita. Embora cada projeto responda a uma situação específica, ambos exploram como o espaço público pode acolher a vida coletiva em áreas marcadas pela fragmentação e pela desigualdade. Em vez de adotar uma abordagem predefinida, o trabalho se adapta a diferentes condições urbanas, utilizando processos participativos e estratégias incrementais para moldar o funcionamento dos espaços ao longo do tempo.
Cada vez mais raramente o patrimônio em interiores resume-se a uma questão de mera preservação. Com mais frequência, ele se manifesta como fricção: o encontro entre o que um edifício já é — a lógica de sua planta, suas cicatrizes, suas inconsistências estruturais — e o que a vida contemporânea dele exige.
Alguns dos projetos mais potentes da atualidade não são aqueles que "restauram" um interior de volta a um momento específico, nem os que apagam o passado sob uma nova pele homogênea. São, antes, aqueles que encenam uma relação entre o antigo e o novo — permitindo que o contraste vá além do mero relato histórico, e fazendo do embate uma ferramenta pragmática de viabilidade construtiva, orçamentária e de execução.
Quando a Cidade do México sediou as Olimpíadas em 1968, foi a primeira vez que os Jogos foram concedidos a um país latino-americano, bem como a primeira vez que uma nação de língua espanhola os sediou. Isso fez dos jogos uma excelente oportunidade para projetar o México e sua cultura internacionalmente, levando o governo a constituir um comitê organizador com grandes talentos locais. Para a presidência do comitê, foi nomeado Pedro Ramírez Vázquez, arquiteto mexicano que exercia grande influência sobre o programa de obras públicas do Estado em meados do século. Sua abordagem era clara: a arquitetura como uma síntese da técnica modernista internacional com referências pré-colombianas e a cultura material local. Sob sua direção, o comitê supervisionou a construção e a adaptação de locais de competição distribuídos pelas zonas sul da Cidade do México, quase todos concebidos e construídos por profissionais locais de arquitetura, engenharia e áreas técnicas.
A imagem é familiar: uma fachada revestida com brise-soleil, a luz suavizada em uma sombra rendilhada, interiores mantidos resfriados sem o uso de máquinas. Apresenta-se como inteligência tornada visível, uma arquitetura que compreende o sol. No entanto, raramente essa imagem é examinada de perto. Os mesmos dispositivos que atenuam o calor também organizam o acesso, distribuem o conforto e dependem de formas específicas de trabalho. O que parece ser uma resposta climática é, na verdade, uma decisão sobre quem recebe alívio do calor, e de que forma. O modernismo tropical, frequentemente reduzido a uma linguagem visual de sombra e porosidade, revela-se, ao contrário, um conjunto de práticas situadas onde o clima, o trabalho e o poder são negociados de maneiras distintas em diferentes contextos.
Na escala do elemento, o modernismo tropical começa como um problema técnico. Em climas quentes, a radiação solar não é incidental, mas constante, exigindo que os edifícios façam a mediação da luz, do calor e do ar antes que estes atinjam o interior. Nomes da arquitetura como Maxwell Fry e Jane Drew abordaram essa questão com um nível de precisão que resiste a qualquer leitura decorativa desses elementos. Dispositivos de sombreamento são calibrados de acordo com os ângulos solares, a orientação e a variação sazonal. Os brises-soleils são dimensionados para bloquear o sol de ângulo alto ao mesmo tempo que admitem luz difusa; os beirais estendem-se o suficiente para evitar o ganho térmico direto nas horas de pico; as aberturas são alinhadas para favorecer a ventilação cruzada. Pesquisas de meados do século XX testaram exaustivamente essas estratégias, medindo reduções de temperatura e melhorias no fluxo de ar. Nesse sentido, a linguagem do modernismo tropical não é simbólica. Ela é performática: cada projeção, vazio e elemento vazado faz parte de um sistema ambiental.
Antes de qualquer desenho ou decisão formal, já pulsava, no lugar onde hoje se encontra a Praça do Mercado, no Parque Realengo, Rio de Janeiro, um espaço em permanente movimento. Barracas improvisadas, encontros informais, música, crianças correndo e adultos reunidos sob coberturas provisórias compunham uma paisagem viva, desenhando uma arquitetura efêmera.
Blur Building, Lago de Neuchâtel, Yverdon-les-Bains, Suíça, 2002. Imagem cortesia de Diller Scofidio + Renfro
A arquitetura é tradicionalmente registrada pela persistência do sólido. Definimos a disciplina pelo peso da verga, pela massa do pilar e pela resistência da parede. Mesmo quando a leveza é invocada, ela costuma ser compreendida como um ato subtrativo — o afilamento de uma seção ou a redução precária de uma carga. No entanto, existe uma história paralela, menos visível e mais difícil de isolar, na qual o principal material de construção não é o que ocupa o espaço, mas o que se move através dele.
Tratar o ar como um meio significa ir além do binarismo do envelope. A fronteira entre o interior e o mundo deixa de ser uma linha de separação absoluta e se transforma, em contrapartida, em um campo de filtragem e pressão. Começamos a ver o edifício como uma válvula térmica, uma série de gradientes nos quais a umidade, a velocidade e o calor não são meras "condições" de fundo a serem mitigadas por sistemas mecânicos, mas as próprias substâncias que estão sendo moldadas.
A arquitetura japonesa contemporânea continua a demonstrar como adaptar as necessidades em constante evolução de seus/suas moradores/as a uma rica tradição construtiva e a um legado artesanal. A madeira sempre foi a alma da arquitetura japonesa. Em muitos projetos residenciais recentes, esse material transcende sua função estrutural para se tornar o principal acabamento de diversas superfícies — de pisos e forros a mobiliários e elementos arquitetônicos. Esses ambientes alcançam um delicado equilíbrio entre elegância e aconchego.
O uso de acabamentos naturais, sem pintura, destaca a honestidade intrínseca da madeira, ao mesmo tempo em que celebra o caráter único de cada peça, seus veios naturais e a diversidade da composição geral. Enquanto algumas casas apresentam madeiras escuras e sóbrias para criar uma atmosfera acolhedora e robusta, outras utilizam espécies mais claras, como o pinus, para promover uma sensação de luminosidade, amplitude e leveza. Essa versatilidade comprova que a madeira pode se adaptar a qualquer estética, do rústico ao ultraminimalista.
Nas cidades contemporâneas, a densidade urbana e a valorização do solo frequentemente impõem uma escolha entre edifícios cívicos de grande escala e espaços públicos abertos. Tradicionalmente, as praças eram tratadas como áreas remanescentes no entorno da projeção de um edifício, mas essa estratégia se transformou com a introdução dos pilotis pelo movimento modernista no início do século XX. Embora a intenção original fosse criar uma sensação de leveza que permitisse a livre circulação e a passagem de luz sob a estrutura, as exigências contemporâneas de cargas sísmicas, rotas de fuga contra incêndio e alta ocupação tornam os pilares delgados insuficientes para as demandas dos grandes projetos cívicos atuais.
Contudo, a busca pela leveza arquitetônica não é um fenômeno estritamente contemporâneo. Após a introdução dos pilotis pelo modernismo, diversos projetos de meados do século passado começaram a experimentar com a ilusão de suspensão para alcançar uma transparência cívica. Em 1953, o Congresso Nacional de Honduras em Tegucigalpa, projetado por Mario Valenzuela, aplicou esses princípios a um contexto legislativo. O edifício consiste em uma sólida câmara de assembleia elevada sobre uma série de pilares delgados. Como o terreno se situa em um terraço ao final de uma rua em declive, o vazio resultante faz mais do que apenas permitir a circulação; ele emmoldura vistas da cidade, criando a impressão de que o pesado volume legislativo flutua delicadamente sobre o tecido urbano.
A enchente não chega de surpresa. Ela retorna, acompanhando os mesmos rios transbordantes e céus de monção, amolecendo a terra e invadindo casas que nunca foram feitas para resistir a ela. Paredes são desamarradas antes de serem perdidas, materiais são recolhidos antes de flutuarem para longe, e as estruturas são reconstruídas com uma familiaridade que sugere que isso não é destruição, mas sequência. Em paisagens onde a água retorna a cada ano, a sobrevivência é definida pela capacidade de recomeçar.
Nas planícies de inundação de Bangladesh, da bacia do Brahmaputra e do Delta do Mekong, a inundação é uma certeza sazonal. Relatórios de instituições como o Banco Mundial e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas frequentemente abordam as enchentes sob a ótica da exposição e do dano, medindo o sucesso através da resistência e da durabilidade. No entanto, em territórios que ficam submersos anualmente, essas métricas descrevem o problema apenas em parte. O próprio solo oscila entre os estados sólido e líquido. Construir como se ele fosse fixo significa projetar contra a própria condição que o define.
Em 1962, o arquiteto Buckminster Fuller imaginou uma cidade flutuante que libertaria a humanidade da dependência da Terra. O projeto hipotético consistia em enormes esferas geodésicas aéreas que levitariam naturalmente no ar quente aquecido pelo sol e que seriam ancoradas no topo das montanhas. Propondo abrigar milhares de pessoas, as Cloud Ninede Fuller tinham como objetivo aliviar a política de propriedade da terra, a escassez de moradias e auxiliar na preservação da natureza.
Passado mais de meio século, seguimos distantes de concretizar a ideia de Fuller. Criar uma estrutura verdadeiramente flutuante na superfície da Terra permanece, até o momento, um ideal inatingível. Enquanto os suportes ainda se impõem como necessidade, manipulamos sua posição, sua intensidade, sua quantidade, desenvolvendo acrobacias para, ao menos, nos aproximarmos da ideia de vencer a gravidade, esse desejo que há tanto tempo fascina a humanidade.
Uma premiação de arquitetura atua como um dispositivo de legitimação, capaz de indicar quais abordagens, materiais e estratégias passam a ocupar uma posição central no discurso disciplinar. Ao reunir projetos com programas, escalas e condicionantes distintos, essas iniciativas tornam visíveis prioridades e direções emergentes no campo. Nesse sentido, o Design Awards da Shaw Contract tem se consolidado como uma plataforma global de reconhecimento no design de interiores e um termômetro das transformações que atravessam a disciplina, ao promover uma reflexão sobre o papel do design na construção de ambientes mais responsáveis, inclusivos e sustentáveis.
Chilean Atacama Desert. Image by European Southern Observatory with known IDsCC-BY-4.0European Southern Observatory Images ESO files uploaded by OptimusPrimeBot licensed under the Creative Commons Attribution 4.0 International license
A arquitetura já não pode ser pensada como um objeto isolado, alheia às redes técnicas que sustentam a vida contemporânea, — um cenário que exige diferentes leituras e abordagens. É nesse contexto que em março, o tema mensal do ArchDaily recaiu sobre A Tecnosfera: Arquitetura na Intersecção da Tecnologia, Ecologia e Sistemas Planetários, tópico amplo e inevitavelmente complexo. A partir do conceito de tecnosfera, cunhado pelo geólogo Peter Haff para descrever o conjunto de artefatos produzidos pela humanidade, delineia-se um panorama em que a vida contemporânea se mostra profundamente entrelaçada a máquinas, dados e redes de energia.