A arquitetura é há muito tempo compreendida como uma ferramenta poderosa para moldar o ambiente físico e as dinâmicas sociais nele inseridas. No entanto, seu potencial para promover a equidade social é muitas vezes negligenciado. O design orientado pela empatia convida arquitetos/as a abordarem seu trabalho não apenas como criadores de espaços, mas como facilitadores de conexões humanas e do bem-estar comunitário. Essa abordagem centra-se na compreensão das experiências de vida, lutas e aspirações das pessoas — particularmente de comunidades marginalizadas — e na resposta às suas necessidades por meio de uma arquitetura inclusiva e atenta. Ela vai além da estética e da funcionalidade, concentrando-se, em vez disso, na criação de espaços que promovam a dignidade, a acessibilidade e a equidade social. Ao priorizar a empatia, arquitetos/as podem projetar ambientes que fortaleçam comunidades, combatam disparidades e criem espaços inclusivos que promovam transformações sociais positivas de maneira tangível e centrada no ser humano.
O Córrego Cheonggye, conhecido como Cheonggyecheon (청계천) em coreano, corre em direção ao leste pelo coração de Seul, atravessando 13 bairros em quatro distritos da capital da Coreia do Sul. Ao longo de sua história, o córrego desempenhou diferentes papéis na cidade até ser coberto por uma via expressa elevada na década de 1970. Por mais de 30 anos, essa artéria natural permaneceu oculta. Foi apenas em 2003 que o governo municipal lançou um projeto de restauração para reintegrar esse curso d'água urbano ao tecido da cidade, revitalizar a economia local e resgatar a história e a cultura da região. Os esforços de revitalização foram liderados pelo escritório Mikyoung Kim Design. Desde a conclusão do projeto em 2005, o local tornou-se rapidamente uma das atrações turísticas mais visitadas de Seul. Além disso, transformou-se em ponto focal para extensas pesquisas urbanas, com diversos estudos apresentando avaliações positivas sobre o impacto causado no contexto urbano, econômico e ecológico de Seul.
Crise, crise, crise... e adivinha? Mais crises. Toda vez que ouvimos essa palavra, tudo parece mais desanimador. No entanto, a questão é a seguinte: a cada desafio surge uma oportunidade. Da escassez de moradia acessível à desaceleração econômica e à emergência climática, há sempre um novo desafio abrindo as portas para novas possibilidades. Contudo, a verdade é que nenhum desses eventos é isolado; eles estão todos interconectados de alguma forma, formando diferentes facetas de uma mesma história. Talvez uma das menos mencionadas, sobretudo no que diz respeito ao ambiente construído, seja a crise alimentar global, que cresce de forma (quase) silenciosa, prestes a assumir o protagonismo. Ela impõe vários desafios para a futura produção de alimentos, especialmente nas cidades.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140783/producao-de-alimentos-voltada-para-o-futuro-integrando-a-agricultura-de-alta-tecnologia-as-cidadesEnrique Tovar
As mulheres desempenharam um papel fundamental na evolução da arquitetura paisagística, superando as limitações de uma profissão dominada por homens para introduzir ideias inovadoras e novas perspectivas. Das primeiras pioneiras às líderes contemporâneas, seu trabalho remodelou a maneira como interagimos com os espaços públicos e privados, entrelaçando estética, funcionalidade e sustentabilidade de formas inovadoras.
No final do século XIX e início do século XX, as arquitetas paisagistas conquistaram seu espaço na profissão, enfatizando a harmonia entre as estruturas construídas e as paisagens naturais. Seus projetos demonstravam um profundo compromisso com a comunidade e o equilíbrio ecológico, pavimentando o caminho para uma abordagem inclusiva e reflexiva de projeto que continua a inspirar a disciplina hoje.
Em Delirious New York, Rem Koolhaas discute de forma vívida o Downtown Athletic Club, um exemplo marcante de como o exterior despretensioso de um edifício pode ocultar uma vibrante mistura de programas distintos e independentes. Por trás da fachada uniforme desse arranha-céu, um clube atlético privado abriga uma gama eclética de instalações — academias de boxe ao lado de bares de ostras e campos de golfe internos sob piscinas —, todas segregadas, porém altamente acessíveis. O Downtown Athletic Club sintetizou o dinamismo dos arranha-céus de Nova York na época, exibindo o fascínio do capitalismo por meio de um mundo de lazer seletivo e voltado para si, repleto de privilégios para um grupo seleto. Essa "máquina de programas" operava de forma independente da cidade externa, como um ecossistema isolado dentro de suas paredes. No entanto, cabe perguntar: poderia um modelo semelhante, projetado para uso público, criar uma experiência de comunidade e vizinhança mais inclusiva e viva? Isso ativaria o edifício em seu interior, em vez de servir apenas a elites selecionadas, além de influenciar e transformar o tecido urbano e as formas ao seu redor. Em Hong Kong, um paralelo distante pode ser traçado com os Edifícios de Serviços Municipais (MSBs) — estruturas financiadas pelo setor público que atendem à comunidade ao integrar diversas funções em uma única e vasta massa edificada, de forma muito semelhante ao Downtown Athletic Club.
Na arquitetura e no design, as tendências surgem devido a diversos fatores, como avanços tecnológicos, mudanças culturais, preocupações ambientais e considerações estéticas. Elas se manifestam por meio de preferências na escolha de materiais, cores e texturas, bem como nas formas de conceber e organizar os espaços.
No caso dos materiais, a presença de elementos naturais como o mármore dá vida ao estilo marmorizado, uma tendência versátil e atemporal que se destaca por conferir uma sensação de aconchego, naturalidade e sofisticação aos espaços. Alinhada às tendências contemporâneas de design de interiores, a Daltile desenvolve soluções de porcelanato polido como uma alternativa que conserva a versatilidade estética do mármore, porém com maior durabilidade e resistência.
Ao longo de nossas vidas, somos expostos a diversos estímulos e agentes poluentes que impactam diretamente o nosso bem-estar. Embora a poluição do ar e da água costumem atrair maior atenção devido aos efeitos visíveis e negativos que provocam, a poluição sonora às vezes é subestimada, mesmo representando um risco para a saúde física e mental, segundo a Agência Europeia do Ambiente.
Parte das estratégias para enfrentar esse desafio tem se concentrado em políticas que controlam o tráfego de veículos e estabelecem horários para atividades específicas. No âmbito da arquitetura, no contexto mexicano, as normas locais abordam cenários concretos relacionados ao ruído produzido por maquinários e usos específicos, como centros de entretenimento e serviços. Essa regulamentação estabelece como limite uma intensidade sonora de 65 dB (decibéis). No entanto, considerando que as residências representam possivelmente a manifestação mais arquetípica da arquitetura e que diversas fontes de ruído podem afetá-las, cabe a pergunta: Como posso isolar acusticamente uma residência? Em resposta a essa questão, a Soprema desenvolveu diversas soluções para criar um ambiente acusticamente isolado por meio dos diferentes elementos que compõem uma casa.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138204/como-isolar-acusticamente-os-elementos-que-compoem-uma-residenciaEnrique Tovar
Durante o período de agosto a novembro, foram realizados os trabalhos de reconstrução de três salas de aula na escola primária Guadalupe Victoria, localizada no bairro Vicente Guerrero, em Villa Corzo, Chiapas, que havia sido fortemente afetada por um terremoto em 7 de setembro de 2017. As paredes sofreram falhas estruturais graves, o que forçou a desocupação completa do edifício. Com a ajuda de pais, mães, responsáveis e professores/as, foram construídas pequenas salas de aula provisórias para que as aulas pudessem continuar. A associação civil un Hogar para Chiapas, em parceria com a organização Arquitetos Técnicos Sem Fronteiras, assumiu a tarefa de elaborar uma proposta de reconstrução da escola. O projeto baseou-se em um sistema híbrido de pórticos rígidos de concreto e paredes autoportantes de pau a pique (sistema construtivo de terra e taquara frequentemente utilizado na região). Reconstrução de salas de aula pela e para a comunidadeOs materiais foram obtidos na região e, por meio de oficinas e diálogos de saberes, foi possível aprimorar tecnicamente os conhecimentos das famílias. Previamente, realizou-se uma análise estrutural e dos materiais disponíveis. Dessa forma, pôde-se recuperar parte das placas que compunham a laje e o aço da estrutura de suporte, os quais foram reutilizados nas novas salas de aula. Com isso, o investimento financeiro pôde ser reduzido de maneira significativa. A iniciativa gerou um impacto positivo na comunidade, uma vez que o processo de construção não contou apenas com mão de obra técnica qualificada; cerca de 20 pais, mães e responsáveis também participaram ativamente dos trabalhos de carpintaria e do revestimento de barro das paredes. Além disso, 30 crianças, em tom de brincadeira, aprenderam e colocaram em prática suas habilidades na construção dos espaços onde agora poderão estudar. Por meio da mobilização dos pais, mães e responsáveis, foram organizados mutirões de trabalho para apoiar a construção, gerando emprego para pessoas da comunidade com habilidades em carpintaria, alvenaria e instalações elétricas. Por parte da associação Un Hogar para Chiapas, priorizamos os/as recém-formados/as no curso de arquitetura. Esse foi o caso de Paola Rojas Díaz, que ficou responsável pela direção da obra, sob a coordenação e a assessoria técnica da arquiteta Mariajose Aguilar e de Erick Ordoñez. Por se tratar de um projeto social, parte do financiamento foi viabilizada pela prefeitura de Villa Corzo, enquanto grande parte da logística, captação de recursos e convênios ocorreu graças à sinergia e colaboração com a Fundación Toledo. O projeto também contou com o apoio de um grupo de engenheiras civis e empresárias coordenadas pela Eng. Alejandra Narcia. Este artigo faz parte de uma colaboração com o site coolhuntermx e foi publicado originalmente sob o título "Reconstrução de salas de aula em Chiapas".
Seja por meio de pequenas amostras de materiais ou de uma colagem digital, o moodboard é uma valiosa ferramenta de design para arquitetos/as e designers, funcionando como um painel de inspiração com cores e elementos que guiarão suas escolhas. A ideia é que os/as profissionais o utilizem como um instrumento de inspiração para compor seus projetos, definindo fundos, texturas predominantes e detalhes de destaque. Nesse sentido, as superfícies desempenham um papel fundamental na definição de um espaço, ditando o seu tom — assim como na música, em que todos os outros elementos podem ou não harmonizar com a paleta escolhida.
Revestimientos porcelánicos. Image Cortesía de Llano de la Torre
O que é inércia térmica e como ela funciona? Pensemos em dois edifícios simples, um construído principalmente de pedra e outro de madeira sem isolamento. Em um dia ensolarado, o edifício de pedra, com alta inércia térmica, absorverá gradualmente o calor solar. Durante a noite, liberará lentamente o calor armazenado, mantendo o interior mais aquecido por mais tempo. Já o edifício de madeira sem isolamento, com baixa inércia térmica, se aquecerá e esfriará mais rapidamente, absorvendo o calor rapidamente durante o dia, mas perdendo-o com facilidade durante a noite.
A partir desse exemplo, podemos notar como o edifício de pedra apresenta uma capacidade melhor de regular la temperatura interna devido à sua maior inércia térmica. Essa propriedade física dos materiais é utilizada por arquitetos/as para otimizar o desempenho térmico dos edifícios e reduzir a necessidade de sistemas de aquecimento ou resfriamento. No entanto, cada caso é diferente e os níveis de inércia térmica necessários podem variar segundo o clima e o uso de cada edificação.
Veremos a seguir como funciona a inércia térmica de alguns materiais em diferentes cenários, bem como a contribuição dos revestimentos cerâmicos ou porcelanatos para alcançar um nível ideal de conforto.
Todos os anos, mais de mil pessoas concluem a Trilha dos Apalaches, com seus 3.528 quilômetros (2.192 milhas) de extensão entre a Springer Mountain, na Geórgia, e o Mount Katahdin, no Maine. Outros milhões de pessoas percorrem trechos menores, aproveitando os inúmeros mirantes, caminhando por cumes arborizados ou passeando pelos centros de pequenas cidades, o que torna essa rede um dos corredores de trilhas mais visitados e reconhecidos do mundo. No entanto, a proposta para esse imenso corredor de trilhas, originalmente apresentada em um artigo de 1921 no Journal of the American Institute of Architects por Benton MacKaye, estava longe de ser um mero recurso de lazer ao ar livre. Esse "projeto de planejamento regional" consistia em uma crítica radical à modernidade industrializadora, que acentuava a divisão entre as metrópoles em expansão da Costa Leste e as cidades em declínio das montanhas dos Apalaches.
O meado do século XX marcou um período de transformação para a África, com a conquista da independência por 29 países entre 1956 e 1964, sinalizando o surgimento do Estado-nação em todo o continente. Essa era ecoou um espírito de libertação e progresso, em paralelo aos movimentos globais da época, como a criação de organizações internacionais como as Nações Unidas (1945) e a Organização da Unidade Africana (1963). Nesse contexto, a arquitetura modernista emergiu como um símbolo potente de identidade nacional, ambição e aspiração coletiva por um futuro melhor. À medida que as nações recém-independentes buscavam se definir além de seus passados coloniais, a adoção dos princípios do Movimento Moderno facilitou a construção de infraestruturas fundamentais — como centros de convenções, edifícios governamentais e hotéis —, além do desenvolvimento do ensino de arquitetura, em um momento em que arquitetos e arquitetas locais começavam a substituir profissionais estrangeiros ou a cooperar com eles.
Este artigo inaugura uma nova série intitulada Redescobrindo o modernismo na África, com o objetivo de explorar o legado arquitetônico do Movimento Moderno no continente, destacando seu papel na construção das nações e na evolução do ensino de arquitetura, ao mesmo tempo em que lança luz sobre os arquitetos, as arquitetas e os movimentos que moldaram essa era de transformações.
O uso de ferramentas, técnicas, materiais e tecnologias inovadoras para moldar o futuro da construção é um tema que cativa profissionais das áreas de arquitetura, engenharia, construção e planejamento, bem como investidores/as e lideranças do setor. Os avanços tecnológicos e as inovações na ciência dos materiais oferecem um cenário fértil para exploração e discussão, gerando debates dinâmicos sobre as transformações em curso nos ambientes urbanos e rurais. Entre os principais focos de atenção estão a gestão de recursos, os desafios impostos pela crise climática e as implicações mais amplas para o ambiente construído.
O Centro Cultural Europeu (ECC) revelou o próximo capítulo de sua aclamada exposição Time Space Existence. Em sua sétima edição, esta célebre bienal de arquitetura transformará mais uma vez Veneza em um polo global de inovação arquitetônica. De 10 de maio a 23 de novembro de 2025, os icônicos espaços do Palazzo Bembo, Palazzo Mora e dos Jardins da Marinaressa servirão como palcos vibrantes para um caleidoscópio de ideias e visões que redefinem a comunidade do ambiente construído.
Ao longo dos anos, por meio de projetos como a Green School e as residências do Green Village, o bambu tem se tornado um material cada vez mais popular em Bali, na Indonésia. Embora escritórios de design na região, como o IBUKU, tenham trabalhado majoritariamente com o bambu em sua forma roliça (colmo inteiro), avanços e testes realizados nos últimos anos buscam expandir o uso de vigas de bambu ripado no campo da construção.
"Provavelmente, em outras épocas, o conhecimento era um segredo, e isso fez com que não se avançasse muito. À medida que o conhecimento se torna público, o conhecimento avança." - Juan Baixas
Este microdocumentário da HOLDER é o resultado de uma iniciativa dedicada a dar visibilidade ao design contemporâneo latino-americano por meio de suas histórias e criações. Neste primeiro episódio, relata-se, em primeira pessoa, a criação e o desenvolvimento da cadeira Puzzle de Juan Baixas, peça que em 2015 foi incluída na coleção permanente do Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York, destacando sua importância no design moderno.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140648/holder-archive-number-01-juan-baixas-cadeira-puzzle-1975ArchDaily Team
À medida que o panorama arquitetônico continua a evoluir em resposta aos desafios globais urgentes, eventos como bienais, semanas de design e feiras desempenham um papel fundamental na definição do futuro da profissão. Esses encontros facilitam o intercâmbio de ideias inovadoras, a exploração de práticas sustentáveis e o fomento da colaboração entre arquitetos/as, designers e urbanistas. Funcionam não apenas como plataformas para a exibição de projetos de vanguarda, mas também como fóruns para um diálogo crítico sobre o impacto do ambiente construído na sociedade e no planeta.
Realizados em todo o mundo entre setembro e dezembro de 2024, diversos eventos de destaque buscam engajar a comunidade da arquitetura. O Fórum Urbano Mundial no Cairo foca em ações sustentáveis locais, ao passo que a Dubai Design Week apresenta o design inovador no Oriente Médio. O World Architecture Festival em Singapura traz apresentações de projetos ao vivo, e o Architecture & Design Film Festival em Nova York oferece narrativas instigantes e fundamentais para o discurso contemporâneo.
Com a valorização crescente do solo nos centros urbanos, observa-se uma forte tendência de deslocar os espaços públicos do nível da rua para posições elevadas, como coberturas ou embasamentos entre edifícios. Do ponto de vista do desenvolvimento imobiliário, maximizar a área útil tornou-se crucial à medida que os ambientes urbanos se expandem. Os espaços no nível do térreo são altamente cobiçados pelo comércio devido à sua localização estratégica, que atrai fluxo de pedestres e potenciais clientes, impulsionando a economia e o desenvolvimento das cidades.
Essa lógica financeira, que frequentemente orienta as atividades construtivas e os rumos dos centros urbanos, contradiz os princípios projetuais defendidos durante a era modernista em prol de melhores espaços públicos ao ar livre, como o conceito de 'liberação do solo'. Arquitetos/as como Le Corbusier defenderam esse conceito em projetos como a Villa Savoye e a Unité d'Habitation. Esses projetos modernistas vislumbravam um futuro em que os edifícios seriam elevados para restituir espaços externos abertos e acessíveis no nível do solo para seus/suas usuários/as. No entanto, pelas razões expostas, muitos projetos contemporâneos buscam, em vez disso, replicar a função dos espaços públicos térreos dentro da própria estrutura do edifício.
A nova sede do Chicago Park District demonstra como uma arquitetura consciente pode aproximar comunidades, ao mesmo tempo em que prioriza a sustentabilidade. Apresentado no episódio mais recente da série Design Matters, produzida pelo Chicago Architecture Center, este projeto exemplifica como o design inovador pode moldar positivamente a vida cotidiana.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140639/por-dentro-da-nova-sede-do-chicago-park-districtArchDaily Team
Local Comunal San Martín de Orúe, en La Balanza, Comas. Image Cortesía de BIAU
Em meio ao dinamismo e à velocidade que caracterizam a nossa vida no mundo contemporâneo, especialmente em relação às nossas cidades e ambientes construídos, torna-se inevitável reconhecer a importância de preservar espaços de pausa e reflexão, essenciais para abordar e debater os temas fundamentais da arquitetura e do urbanismo de que a nossa sociedade necessita com urgência hoje. A última edição da XIII Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo, realizada de 2 a 6 de dezembro em Lima, no Peru, propiciou um encontro único para esse tipo de reflexão e diálogo. Sob o lema 'CLIMAS: Ações para o bem viver', o evento reuniu arquitetos/as e referências do setor, que durante uma semana participaram de mesas-redondas e palestras, nas quais a discussão se concentrou nos desafios do habitar contemporâneo global, especialmente naqueles compartilhados entre a Espanha e a América Latina, atuando, assim, como uma ponte de conhecimento entre ambos os contextos.
A acessibilidade na arquitetura é fundamental para a criação de ambientes construídos que acolham pessoas de todas as idades, desde crianças pequenas até idosos/as. Tanto em edifícios públicos quanto privados — sejam residências, infraestruturas ou instalações —, o projeto de fluxos internos, áreas de circulação e entradas e saídas deve priorizar a segurança, a clareza e a eficiência. Essa abordagem facilita as atividades cotidianas e, em última análise, melhora a qualidade de vida. A ASSA ABLOY Entrance Systems oferece uma ampla gama de produtos, incluindo portas automáticas, industriais e comerciais, além de soluções digitais, para atender às necessidades dos/as usuários/as.
Em áreas urbanas densas, a possibilidade de se conectar com o exterior para lazer e bem-estar torna-se crucial. Isso ficou particularmente evidente durante a pandemia da COVID-19, quando milhões de pessoas em todo o mundo tiveram que permanecer confinadas em suas casas por longos períodos. Independentemente disso, à medida que o mundo se urbaniza cada vez mais, o projeto habitacional de qualidade é vital, o que inclui o acesso ao ambiente externo. Em uma cidade como Londres, essa necessidade foi reconhecida, e garantir um espaço externo em cada habitação tornou-se obrigatório por volta do ano de 2010. Em edifícios multifamiliares de múltiplos pavimentos, a provisão desse espaço externo costuma assumir a forma de uma varanda. As possibilidades de projeto são infinitas; portanto, quais são as principais considerações ao incorporar varandas em um edifício residencial urbano?
As greenways (ou rotas verdes), como tipologia de desenho urbano, tornaram-se um elemento essencial no planejamento das cidades modernas. Elas surgem em resposta à crescente fragmentação das paisagens urbanas por elementos como rodovias. Geralmente, integram espaços naturais e construídos, proporcionando conexões necessárias entre várias partes da cidade. Ao mesmo tempo, promovem a acessibilidade de pedestres, a recreação e a interação social. A Rose Kennedy Greenway, no centro de Boston, nos Estados Unidos, exemplifica essa abordagem de projeto centrada nas pessoas. O projeto, cujas obras começaram em 1991, demonstra o potencial das greenways para reconectar ambientes urbanos e melhorar a vida comunitária. Sendo uma série de parques projetados por diversos escritórios de arquitetura, seu objetivo é criar vínculos físicos e espaços significativos que promovam o desenvolvimento social e o sentido de lugar.