As florestas estão entre os ecossistemas mais complexos e vitais da Terra. Elas regulam o clima, sustentam a biodiversidade e mantêm as comunidades humanas. Diante da crescente realidade das mudanças climáticas e da degradação ambiental, profissionais de arquitetura, planejamento urbano e engenharia enfrentam agora um novo imperativo: projetar em áreas florestais de modo a preservar os ecossistemas dos quais dependem.
Historicamente, o conceito de infância como o conhecemos hoje simplesmente não existia e, até a Idade Média, as crianças eram vistas como adultos em miniatura. Segundo o historiador Philippe Ariès, foi apenas a partir do século XVII que a infância começou a ser compreendida como uma etapa distinta do desenvolvimento, que exigia cuidados, educação e proteção específicos. No entanto, essa evolução no reconhecimento não se refletiu de forma consistente no desenho e na organização do espaço urbano.
O desenvolvimento imobiliário tradicional segue um modelo arriscado: projetar, construir em escala real e torcer para que tudo funcione como planejado. Os protótipos de habitação sustentável invertem essa lógica ao criarem microversões funcionais de visões mais amplas. Essa abordagem metódica permite que profissionais de design experimentem novos materiais, tecnologias e sistemas sem os enormes riscos financeiros e ambientais associados ao desenvolvimento em escala real. Protótipos de edifícios sustentáveis funcionam como laboratórios compactos onde teorias podem ser testadas antes de uma implementação mais ampla.
Projetos acadêmicos podem explorar novos rumos e contribuir para o debate público sobre questões globais e locais? O The 2025 Politecnico di Torino Architecture Students Award buscou responder a essas questões, demonstrando como a pesquisa, a formação e a experimentação arquitetônicas podem ser integradas ao currículo acadêmico.
Compreender o gradiente de temperatura em uma edificação é essencial em climas frios ou temperados, onde envoltórias herméticas e isolamento contínuo são utilizados para evitar a perda de calor. No entanto, essa abordagem não é adequada para regiões tropicais como a América Central, onde o clima é marcado por uma alternância constante entre as estações seca e chuvosa, em vez de quatro estações bem definidas. Fatores como a proximidade do mar, a altitude e a topografia local influenciam os microclimas em distâncias curtas, mas a alta umidade continua sendo um desafio comum. Paredes vedadas, herméticas e sem ventilação podem rapidamente se tornar focos de mofo, tornando problemáticas as estratégias térmicas dos climas temperados. Em resposta, profissionais de arquitetura da região desenvolveram abordagens alternativas que acolhem, em vez de resistir, o ambiente externo, permitindo que o fluxo de ar e a evaporação regulem o conforto interno.
A prática de combinar materiais para obter um melhor desempenho acompanha a humanidade desde as primeiras construções. Um dos primeiros exemplos conhecidos surgiu há mais de cinco mil anos, quando civilizações na Mesopotâmia e no Egito misturavam lama e palha para moldar tijolos de adobe secos ao sol. Leve e fibrosa, a palha impedia fissuras e aumentava a resistência, enquanto a lama atuava como aglutinante e proteção. Essa invenção simples, mas engenhosa, pode ser considerada o primeiro compósito da história, ilustrando a intuição ancestral de que materiais distintos, quando combinados, podem se tornar algo mais forte e melhor.
A edição de 2025 da exposição Time Space Existence do European Cultural Centre (ECC) em Veneza é norteada pelo manifesto "Reparar, Regenerar e Reutilizar". Com o objetivo de ir além de soluções superficiais e terminologias desgastadas, a mostra apresenta um grupo de profissionais que interpretam a arquitetura como um agente ativo de reparação. As obras mais instigantes apresentadas em Veneza demonstram que a "reparação" é uma prática multifacetada, operando em registros materiais, sociais e históricos. As diferentes abordagens revelam uma mudança no papel de profissionais de arquitetura, que deixam de ser apenas projetistas de objetos físicos para assumirem a função de restauradores/as, capazes de combinar tecnologia, comunidade e inteligência material para restaurar narrativas e construir sistemas culturais mais robustos.
As etapas iniciais de ideação podem ser, ao mesmo tempo, a parte mais empolgante e a mais desafiadora do processo de projeto. As ideias fluem rapidamente, mas podem ser abstratas e difíceis de comunicar. Isso pode gerar frustração e desperdiçar um tempo precioso.
Hoje, arquitetos/as, designers e artistas podem encurtar a distância entre o primeiro esboço e uma decisão de projeto significativa ao aliar técnicas tradicionais de ideação a ferramentas de visualização baseadas em IA, desenvolvidas para aprimorar — e não substituir — a criatividade humana. As ferramentas da Chaos mantêm as mentes criadoras firmemente no centro do processo, proporcionando agilidade e clareza sem que se perca a autoria ou o controle.
Torres de concreto dominam a silhueta das cidades asiáticas e africanas — edifícios imponentes que personificam o desenvolvimento. Com acesso às ferramentas e materiais da modernidade industrial, o Sul Global entra no cenário mundial exibindo sua prosperidade. No entanto, no âmago de ambições crescentes, esse material construtivo evoca legados coloniais e economias extrativistas que geram desequilíbrios de poder na esfera geopolítica. A crise climática no horizonte apenas intensifica a complexa relação entre materiais de construção, demandas de sustentabilidade e a soberania de muitos países.
Nicolás Valencia conversa com a arquiteta chilena Romy Hecht, decana do College UC e autora de El alma del verdor de Santiago (Orjikh editores, 2025), obra na qual investiga a natureza da paisagem da capital chilena, examinando suas origens e identificando os agentes responsáveis pelo cultivo de espécies exóticas e pela elaboração de geometrias de plantio que, uma vez enraizadas, construíram a identidade e o caráter de Santiago.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143276/a-origem-dos-parques-de-santiago-segundo-romy-hechtArchDaily Team
Um desafio comum conecta todos os escritórios: o ruído. O hushGuide é um novo recurso da Hushoffice que enfrenta esse onipresente problema de projeto de frente, com clareza e riqueza de detalhes. Ele oferece um roteiro para transformar qualquer local de trabalho em um espaço mais silencioso, saudável e produtivo, utilizando cabines acústicas e mobiliários complementares cuidadosamente planejados. De orientações passo a passo a diretrizes técnicas e estratégias de layout visual, o guia conecta a visão à execução, prometendo ajudar arquitetos/as, designers e gestores/as de facilities a trazer equilíbrio acústico aos seus próprios ecossistemas de escritório.
No dia 10 de abril de 2025, a Saint-Gobain revelou os vencedores da 14ª edição do seu International Gypsum Trophy durante uma cerimônia realizada em Paris, na França. Ao todo, 85 projetos de 29 países participaram desta exclusiva competição internacional organizada pela Saint-Gobain.
Das Américas à Ásia, da Europa à África, profissionais mais talentosos e qualificados na instalação de gesso competiram em seis categorias: Forros; Inovação; Residencial; Cultura, Educação e Lazer; Comercial e Institucional; e Fachadas, disputando um dos 14 prêmios. O 1º e o 2º lugar foram concedidos em cada categoria, além do Prêmio do Presidente (o "coup de coeur" do júri) e do Grand Prix (que premia o projeto mais extraordinário entre todas as categorias).
As portas fazem parte da nossa rotina diária, abrindo e fechando de forma tão natural que raramente pensamos em como funcionam. Por isso, ao discutir inovações em seu design, muitos podem pensar: "se não está quebrado, não conserte". Contudo, o fato de algo funcionar bem não significa que não possa ser aprimorado. As portas não são exceção — seus componentes podem ser otimizados para um melhor desempenho sem alterar sua natureza fundamental. Em vez de se apegar ao que é familiar, por que não abrir as portas para o aperfeiçoamento? As portas pivotantes são um exemplo claro disso. Além de oferecerem versatilidade estética e possibilidades de design quase infinitas, seu sistema de abertura sobre um eixo central permite um movimento fluido e controlado, especialmente em ambientes internos. No entanto, resta um desafio em seu design: mantê-las firmes em diferentes ângulos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143260/e-no-entanto-se-sustenta-um-sistema-de-dobradica-pivotante-que-mantem-as-portas-a-cada-angulo-de-90-degreesEnrique Tovar
No restaurante Steirereck am Pogusch, arquitetura e gastronomia parecem falar a mesma língua: a da transformação sensível das matérias-primas. Ingredientes locais, como folhas, raízes e flores, transformam-se em pratos surpreendentes, nos quais a simplicidade é elevada ao extraordinário. Da mesma forma, o edifício, longe de ser uma estrutura estática, oferece uma experiência tátil e visual única. Um dos elementos mais intrigantes é o uso de painéis de alumínio espumado estabilizado que, em vez de evocar a frieza e a rigidez frequentemente associadas ao metal, foram manipulados para transcender suas características convencionais. Eles parecem respirar, com suas superfícies porosas e texturizadas que absorvem e refletem a luz, criando um jogo de sombras e brilho que evoca a leveza e a qualidade orgânica dos materiais naturais.
Leonardo.ai. Imagem gerada por IA pelo ZIGURAT Institute of Technology. Imagem: Cortesia de ZIGURAT
"Estamos à beira de uma revolução na construção civil. A introdução da Inteligência Artificial transformará inevitavelmente um setor que, até agora, tem sido tradicional e pouco digitalizado. Em breve, testemunharemos uma mudança de paradigma na forma como abordamos cada etapa do processo construtivo, e os/as profissionais do setor devem liderar essa mudança", alerta Lilian Ho, BIM & Digital Leader na indústria de AEC.
Os espaços públicos continuam sendo alguns dos cenários mais dinâmicos para a experimentação arquitetônica não construída, revelando como as cidades e os/as arquitetos/as podem conceber a acessibilidade, o encontro e a identidade cívica. Nesta seleção de projetos não construídos, enviada pela comunidade do ArchDaily, as propostas selecionadas examinam parques, corredores de pedestres, paisagens culturais e ambientes urbanos de livre acesso que convidam as pessoas a se encontrar, se movimentar, descansar e participar da vida coletiva. Em vez de tratar o espaço público como um terreno residual, esses projetos o posicionam como uma infraestrutura essencial, moldando a saúde urbana, a memória e a interação social.
A arquitetura é frequentemente definida por sua forma física, materiais e elementos estruturais, mas são a luz e a sombra que realmente moldam a experiência do espaço. Esses elementos influenciam a percepção, guiam o movimento e evocam respostas emocionais, transformando estruturas estáticas em ambientes dinâmicos. Ao longo da história, arquitetos e arquitetas têm explorado o jogo entre luz e sombra, utilizando-o como uma ferramenta de projeto fundamental para criar atmosfera e significado.
Mesclando técnicas vernáculas e experimentação contemporânea, a paisagem arquitetônica do México é moldada por um diálogo contínuo entre tradição, materialidade e modernidade. Sendo o quinto país com maior biodiversidade do mundo, a arquitetura mexicana busca responder a uma vasta gama de ambientes naturais, climas e tradições culturais, tudo dentro de um território marcado por contrastes impressionantes. Refletindo uma dualidade latente, ela é capaz tanto de expressar exclusividade quanto de atuar como catalisadora de transformação social.
Diante dos desafios ambientais, políticos, econômicos e sociais atuais, a experimentação com materiais na arquitetura convida a reconhecer a importância de investigar e analisar as propriedades dos elementos construtivos e compreender o papel do design espacial e de seu entorno imediato. Embora existam diversos tecidos, plásticos e até mesmo resíduos de várias fontes que são reciclados e ganham uma nova vida útil, o debate sobre o uso do sal como material de construção abre espaço para fomentar práticas mais sustentáveis para reduzir o impacto da indústria sobre o meio ambiente, bem como para investigar a nova vida de minerais descartados e resíduos de mineração para aplicação na arquitetura.
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Escuela - taller. Image Cortesía de Erentia
Erentia é um projeto que integra um escritório de arquitetura, um laboratório e uma associação sem fins lucrativos com sede na Espanha. A associação lançou uma iniciativa para divulgar um programa de cooperação em Cuba, focado na reabilitação do parque habitacional rural no Vale do Palmarito de Viñales, em Cuba. Diante da vulnerabilidade desta região a ciclones e furacões, o objetivo primordial é garantir a segurança estrutural das moradias e diminuir a exposição a futuros eventos meteorológicos extremos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143199/erentia-uma-iniciativa-para-a-reconstrucao-sustentavel-da-habitacao-rural-em-cubaEnrique Tovar
A arquitetura, por si só, define a maneira como habitamos um espaço? Está cada vez mais claro que não. Os objetos em um espaço — em especial o mobiliário e outras peças de design — não apenas cumprem funções práticas, mas também moldam ativamente a experiência espacial e humana. À medida que escolas, residências e escritórios evoluem para acomodar novas formas de trabalhar, viver e socializar, o mobiliário acompanha essas transições, estimulando diálogos que vão além do funcional e dialogam com a dimensão corporal implícita em seu uso.
Há várias décadas, a dupla de arquitetura britânica Alison e Peter Smithson já explorava a relação entre o corpo, a experiência cotidiana e o espaço em escala arquitetônica. Desde então, conceitos contemporâneos de flexibilidade e conforto ampliaram esse panorama para abranger outras escalas, como o mobiliário. Essas transformações impulsionaram a consolidação de sistemas de assentos modulares cuja flexibilidade e adaptabilidade respondem a diversas formas de viver e se relacionar com o espaço. Nesse contexto, surgem propostas inovadoras, como a linha completa de assentos e mesas Beau — um sistema expansivo de sofás modulares projetado para múltiplas possibilidades, com forte ênfase no conforto e no apelo sensorial.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143200/um-sistema-expansivo-de-sofas-modulares-reimaginando-o-conforto-para-alem-do-sentarEnrique Tovar
Quando se fala sobre a inteligência futura da arquitetura, grande parte do esforço histórico tem se concentrado em expandir limites — desafiando normas, explorando alternativas e projetando visões ousadas do que a arquitetura pode vir a ser. O advento do modernismo exemplificou essa abordagem: novos materiais e métodos construtivos radicais deram origem a um futuro arquitetônico amplamente reimaginado. Esse impulso continua hoje, com instituições de pesquisa e escritórios de destaque explorando constantemente técnicas inovadoras, materiais e sistemas de manufatura.
No entanto, um método de imaginação dos futuros da arquitetura costuma ser negligenciado: o ato de revisitar o passado de forma crítica. Aprender com, revelar e documentar práticas espaciais e comunitárias menos conhecidas é igualmente essencial. Essas formas mais sutis de conhecimento — como os espaços foram usados, adaptados e habitados — podem revelar percepções duradouras que moldam futuros mais fundamentados e culturalmente ressonantes. Em vez de buscar a novidade pela novidade, talvez um caminho igualmente significativo consista em construir um arquivo arquitetônico coeso que conecte o passado e o futuro.
Uma série de projetos anunciados recentemente na Europa, Ásia, no Oriente Médio e na América do Norte reflete uma mudança contínua no pensamento arquitetônico em direção a abordagens que integram as edificações com suas paisagens, os programas com a vida pública e o design com objetivos ambientais de longo prazo. Em Nantes, na França, um campus de saúde redefine a formação médica por meio de um planejamento consciente do clima, enquanto em San Antonio, no Texas, um novo arboreto transforma um antigo campo de golfe em uma paisagem pública voltada para a pesquisa. Torres residenciais começam a se erguer ao lado do Parque Lumphini, em Bangkok; uma nova comunidade costeira está em desenvolvimento nos Emirados Árabes Unidos; e a ampliação do Museu Nelson-Atkins, em Kansas City, propõe repensar como as instituições culturais se conectam com seu entorno. Juntos, esses anúncios apontam para um interesse crescente em projetos que inserem a arquitetura em sistemas ecológicos e cívicos mais amplos, propondo novos modelos de integração espacial, acessibilidade e resiliência.
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Vencedor do 1º Prêmio: Our Light. Imagem cortesia de Buildner
Buildner anunciou os resultados de sua quarta edição anual do concurso internacional de ideias de arquitetura Hospice - Home for the Terminally Ill. Esta chamada global de ideias continua a explorar como a arquitetura pode apoiar os cuidados de fim de vida com empatia, dignidade e sensibilidade ao contexto. O concurso convidou arquitetos/as e designers a irem além dos requisitos clínicos e a conceberem espaços que ofereçam calor emocional, conexão social e um profundo senso de lugar.