O que acontece quando a arquitetura é desafiada a criar um espaço sem limites? Centros de convenções, estádios, fábricas e centros de logística partem do mesmo desafio arquitetônico: criar interiores amplos e contínuos que possam acomodar fluxos, visibilidade e usos dinâmicos. Quanto maior o vão, maiores são as exigências estruturais e, consequentemente, as possibilidades arquitetônicas.
A arquitetura de grandes vãos não é uma ambição recente. Há séculos, arquitetos e arquitetas buscam maneiras de cobrir grandes espaços públicos, desde a cúpula monumental do Panteão até as galerias de ferro e vidro do Palácio de Cristal de Londres. Cada avanço expandiu os horizontes da disciplina, substituindo paredes espessas e sistemas estruturais densos por métodos mais leves e eficientes para vencer grandes distâncias. Hoje, o aço dá continuidade a essa evolução, viabilizando vãos que seriam difíceis de alcançar com sistemas estruturais convencionais, ao mesmo tempo que mantém grandes espaços públicos integrados, flexíveis e adaptáveis. A alta relação resistência-peso do aço permite vencer vãos maiores com menos pilares e sistemas estruturais mais esbeltos, ao passo que componentes pré-fabricados simplificam a construção e reduzem os trabalhos no canteiro de obras.
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Dornbracht Atelier Edition The Knot em colaboração com AB Concept. Imagem cortesia de Dornbracht
Os símbolos sempre transitaram pela arquitetura. Surgem em pedras esculpidas, tecidos entrelaçados, tetos e paredes pintados, ferragens de portas e objetos cotidianos, carregando as crenças, os rituais e as histórias das culturas que os originaram. Em interiores contemporâneos, os/as designers dão continuidade a esse diálogo com o lugar, revisitando símbolos históricos e traduzindo-os por meio de novos materiais, técnicas de fabricação e formas arquitetônicas.
O nó Ruyi é um exemplo emblemático disso. Há séculos, esse motivo entrelaçado faz parte da tradição chinesa de nós, simbolizando continuidade, harmonia e votos de boa sorte. Sua geometria de curvas suaves tem adornado objetos decorativos e peças cerimoniais, demonstrando como as referências culturais podem se integrar a um vocabulário de design que vai muito além do mero ornamento.
Porta de segurança pivotante Di.Big. Imagem cortesia de Porte Blindate
O que transforma um espaço de morar em um lar? Para além da propriedade ou do abrigo, o lar está vinculado a uma sensação mais sutil de certeza: o sentimento de poder se recolher, descansar e se afastar momentaneamente da imprevisibilidade do mundo. Os lares são onde as rotinas se acumulam, as memórias se assentam em espaços e objetos, e onde a identidade pessoal ganha forma física por meio da ocupação e dos rituais cotidianos. No entanto, esse sentimento de pertencimento depende de outra condição que frequentemente passa despercebida até ser interrompida: a segurança. Sentir-se "em casa" implica uma condição de conforto e estabilidade. Quando os ambientes domésticos não conseguem proporcionar isso, espaços projetados para o descanso tornam-se fontes de inquietação, afetando sutilmente as rotinas e o bem-estar.
A promessa original do BIM (Modelagem de Informação da Construção) ia muito além da representação tridimensional de um edifício. Sua ambição era transformar o modelo em uma estrutura de informação coordenada, na qual geometria, componentes, sistemas e dados permanecessem conectados à medida que o projeto evoluía. Alterações em um elemento podiam se refletir nas plantas, cortes, elevações e quantitativos correspondentes; interferências entre diferentes disciplinas podiam ser identificadas antes da construção; e as informações associadas aos componentes do edifício podiam acompanhar o projeto ao longo das diferentes etapas de seu ciclo de vida.
Que narrativas os materiais carregam e como os "rastros" visíveis dos/as artesãos/ãs podem dialogar com os processos de fabricação e com a industrialização?Entre a concepção e a construção, o ato de pensar através do fazer pode se tornar o princípio norteador de uma filosofia de projeto. Combinando madeira, materiais industriais e objetos reaproveitados, a abordagem do Atelier CRAFT está enraizada na arquitetura reversível, guiada por seu manifesto: "Transformar o projeto através do fazer". Sediado em Saint-Ouen, Paris, o escritório explora as relações entre o ser humano e a matéria, o ato de fazer e os processos de fabricação.
Congresso Nacional em construção, visto do STF (Supremo Tribunal Federal), 1958. Imagem do Fundo Agência Nacional, Arquivo Nacional, Domínio Público
Construir uma cidade do zero não é tarefa fácil. Nunca foi e nunca será. A própria ideia de criar de forma planejada o que de outro modo se desenvolveria e cresceria gradualmente exige recursos, organização e, acima de tudo, mão de obra. Foi o que aconteceu em 1958, quando o Planalto Central do Brasil se transformou em um dos maiores canteiros de obras do século XX para a construção de Brasília. Dezenas de milhares de candangos (migrantes vindos predominantemente do Nordeste, muitos sem formação técnica prévia) chegaram para erguer uma capital inteira em pouco mais de três anos, sob o lema do então presidente Juscelino Kubitschek de realizar "cinquenta anos de progresso em cinco". A arquitetura de Oscar Niemeyer e o plano de Lúcio Costa não teriam sido possíveis sem a premissa de que haveria mão de obra suficiente e disposta a suportar baixos salários e condições extremamente severas para transformar concreto e curvas em um símbolo nacional.
Profissionais de arquitetura recebem treinamento para escolher materiais, comparar suas propriedades e decidir como devem ser usados. No entanto, alguns escritórios estão assumindo uma tarefa diferente: desenvolver o próprio material.
Para o Material Cultures, o BC architects e o Studio Ossidiana, esse processo pode começar com o cultivo de cânhamo para a construção civil, terra escavada de canteiros de obras ou misturas de concreto, pigmentos, pedras e conchas. Seu trabalho conecta a pesquisa de materiais com o processamento, a fabricação e a construção.
O trabalho artesanal carrega os vestígios de quem o moldou, revelando como os materiais reagem a diferentes técnicas e oferecendo pistas sobre as ferramentas utilizadas em sua criação. Na experiência arquitetônica, contudo, esse fazer pode se expressar não apenas por meio de materiais e estruturas, mas também pelo próprio espaço. Buscando aprofundar e extrair aprendizados das conexões entre projeto e execução, o amass studio tem explorado a tradução de métodos construtivos informais e cotidianos em sistemas espaciais em diversos de seus projetos. Ao integrar mecanismos, materiais, estruturas e mobiliário, o estúdio cria novas narrativas espaciais nas quais o diálogo entre o artesanal e o industrial se fortalece mutuamente. Para além do fazer artesanal em si, por que não tornar visíveis também os processos que o trazem à existência?
Durante anos, os avanços na visualização arquitetônica foram medidos pela qualidade da imagem. Iluminação fisicamente precisa, sistemas de materiais sofisticados e renderização em tempo real transformaram o fotorrealismo em um padrão do setor. No entanto, a prática da arquitetura tem evoluído em uma direção diferente.
Hoje, a colaboração de clientes, consultorias, profissionais de engenharia e equipes de projeto ocorre de forma cada vez mais precoce e frequente ao longo do processo de projeto. As revisões de projeto não servem mais apenas para apresentar decisões tomadas; elas se tornam, cada vez mais, parte de como essas decisões são construídas.
Vista de pedestres da sede do BCIE em Tegucigalpa. Imagem cortesia do Banco Centroamericano de Integración Económica (BCIE)
As nações da América Central ocupam uma estreita ponte de terra entre o México e a Colômbia, mas não nasceram como países separados. Elas surgiram de uma única entidade: a República Federal da América Central em 1823. Essa federação entrou em colapso, mas o ideal de uma região unificada nunca morreu por completo. Em 1951, os governos assinaram a Carta de San Salvador, criando a ODECA, a Organização dos Estados Centro-Americanos. Quatro décadas depois, o Protocolo de Tegucigalpa de 1991 a substituiu pelo SICA, o Sistema de Integração Centro-Americana, a estrutura que norteia a cooperação regional na atualidade. No âmbito desse processo de integração, o Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE) foi fundado em 1960 por Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua, estabelecendo sua sede em Tegucigalpa. À primeira vista, trata-se de um complexo de escritórios convencional do final do século XX; contudo, ao observar sua fachada mais de perto, o edifício se transforma em um manifesto sobre identidade — escrito em pedra de cantaria rosada extraída das próprias colinas que cercam a capital hondurenha.
O que define a qualidade de um banheiro para além de suas funções básicas? Sendo um dos espaços mais reservados da casa, o banheiro está intimamente conectado aos rituais cotidianos e aos momentos de pausa. Enquanto louças, metais, circulação e requisitos técnicos estabelecem a base prática, a atmosfera do ambiente surge de uma combinação de decisões espaciais: a maneira como o mobiliário toca o piso ou deliberadamente evita tocá-lo, como os materiais interagem com a luz, de que forma o armazenamento é integrado e como a forma e as proporções moldam a nossa percepção.
As imagens dos bancos do High Line Park, em Nova York, correram o mundo quando o projeto foi inaugurado em 2009. Emergindo diagonalmente do mesmo material e padrão modular da pavimentação, eles transitam de forma fluida do concreto para a madeira, evocando os trilhos ferroviários que outrora ocupavam o local. Para resistir a décadas de exposição às intempéries, o projeto exigia uma espécie de madeira de durabilidade excepcional, e o ipê, extraído da Amazônia brasileira, foi o escolhido. Seu crescimento lento produz uma madeira de lei densa e de baixa porosidade, naturalmente resistente ao desgaste, à umidade e à deterioração biológica. Essa escolha, no entanto, gerou polêmica na época devido a preocupações com a certificação do manejo florestal da madeira. Essa perspectiva mais ampla transforma a forma como pensamos os materiais. Sua origem ainda importa, mas o que acontece após o fim da vida útil do edifício também é fundamental.
MTM—Made to Measure desenhado por Herzog & de Meuron para a UniFor, Direção Criativa do Studio Klass. Imagem cortesia de UniFor
O que permite que um único princípio arquitetônico gere tantos resultados diferentes? A resposta está nos sistemas que organizam a arquitetura: geometria, proporção, estrutura e construção. Juntos, esses elementos estabelecem um conjunto de regras capaz de acomodar diferentes programas, contextos e condições espaciais, mantendo uma identidade coerente. Uma malha estrutural, por exemplo, pode organizar uma variedade de usos, assim como um único detalhe construtivo pode ser repetido em todo um edifício sem produzir espaços idênticos. Esse mesmo raciocínio pode ser transposto para o design de mobiliário sem perder sua identidade? A linha MTM—Made to Measure, desenvolvida por Herzog & de Meuron para a UniFor, explora essa questão. Em vez de projetar cada peça de forma independente, a coleção se desenvolve a partir de um único princípio estrutural que pode ser expandido, adaptado e repetido em diferentes funções, preservando sua coerência interna.
O que significa o luxo quando os produtos são projetados para uma obsolescência rápida? Gravado ao vivo na Milan Design Week 2026 em cooperação com a INDX|GLOBAL, o oitavo episódio do podcast Room For Dreams reúne os/as arquitetos/as Priyanka Mehra, Simran Boparai, Ashmit Singh Alag e Adreesh Chakraborty para analisar a relação em constante evolução, e muitas vezes contraditória, entre exclusividade, sustentabilidade e um artesanato com propósito.
Sistema de banheiro Lineadacqua da antoniolupi. Imagem cortesia de antoniolupi
E se os elementos mais avançados de um banheiro fossem aqueles que mal podemos ver? Em espaços onde paredes, tetos e pisos formam superfícies contínuas, os metais e louças recuam, e a própria água passa a ser a matéria-prima que molda a experiência. O posicionamento cuidadoso de componentes em banheiros — como cubas, torneiras, chuveiros e ralos — costuma afirmar sua presença tanto como objeto quanto como função. Mas o que acontece quando esses elementos começam a desaparecer?
Em vez de adicionar elementos sobrepostos ao desenho do banheiro, algumas abordagens operam por subtração. O banheiro deixa de ser composto por objetos visíveis e passa a ser compreendido como uma superfície contínua. Metais e louças embutem-se em paredes e tetos, permitindo que a água, a luz e a atmosfera assumam o protagonismo. O que se delineia é uma forma de minimalismo que vai além: uma arquitetura que absorve inteiramente seus sistemas técnicos, fazendo com que os dispositivos desapareçam e restem apenas seus efeitos. A experiência em si torna-se protagonista, não mais mediada por objetos visíveis, mas moldada diretamente pela água, pela luz e pelo espaço.
Em um setor definido por tolerâncias de engenharia e garantia de desempenho, o acabamento de interiores ainda depende de um processo que introduz variabilidade em cada projeto. Mesmo profissionais de aplicação experientes costumam depender de uma mistura baseada no julgamento subjetivo — estimando a proporção de água e ajustando pelo tato até que o material pareça maleável. Embora a habilidade reduza a variabilidade, ela não a elimina. O resultado é uma inconsistência inerente que se transfere diretamente para a superfície acabada.
Bolete Lounge BIO® por Andreu World x Patricia Urquiola. Imagem cortesia de Andreu World
Ao entrar em um grande espaço de convivência, no lobby de um hotel ou em um ambiente de trabalho em plano aberto, a primeira coisa que se nota não é o que divide o espaço, mas o que o mantém unido. Raramente existem limites claros, salas óbvias ou divisórias rígidas; ainda assim, o espaço parece organizado. Algumas áreas convidam à pausa; outras ditam o movimento; outras promovem a convivência. As transições são sutis, mas legíveis.
Ao mesmo tempo, espera-se mais desses interiores. Eles devem acomodar mudanças constantes, resistir ao uso intenso e responder às pressões ambientais reduzindo o desperdício, prolongando a vida útil e evitando substituições frequentes. A questão não é apenas a aparência de um espaço, mas sim o seu desempenho ao longo do tempo. O que realmente está sustentando essa carga?
Revestimento BIPV com substrato de colmeia de alumínio de borda fechada desenvolvido para o Complexo de Ciências da Saúde Myron e Berna Garron (SAMIH), na Universidade de Toronto Scarborough, demonstrando como a leveza permite uma instalação rápida e sem complicações. Imagem cortesia de Mitrex
O Complexo de Ciências da Saúde Myron e Berna Garron (SAMIH), na Universidade de Toronto Scarborough, foi moldado por uma diretriz clara e inegociável: pelo menos 20% do consumo de energia do edifício deveria ser gerado a partir de fontes renováveis instaladas no local. Para atender a essa exigência ambiciosa, a equipe de projeto investigou como a tecnologia solar poderia ir além da cobertura e se integrar à própria arquitetura, posicionando a obra em um movimento mais amplo em direção a uma arquitetura sustentável de alto desempenho. A instalação de aproximadamente 5.850 metros quadrados (63.000 pés quadrados) abriga programas de ensino, pesquisa e treinamento clínico dedicados à formação de futuros/as profissionais de saúde. Projetado por Diamond Schmitt Architects e MVRDV, o projeto inicialmente seguiu um caminho convencional, combinando uma fachada sóbria com painéis fotovoltaicos na cobertura.