Moises Carrasco

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Subindo em espiral: 6 projetos que utilizam rampas helicoidais para circulação vertical

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Na maioria dos projetos de arquitetura, a circulação vertical é expressa como um elemento puramente funcional, oculta atrás de portas corta-fogo ou de um poço de elevador. No entanto, por vezes as equipes de arquitetura também recorrem a espirais para resolver variações de cota no terreno. Na escala adequada, esses elementos permitem uma expressão formal mais artística que atende a propósitos utilitários e estéticos, sem a necessidade de elevadores ou caixas de escada. Sistemas estruturais como treliças metálicas em balanço e lajes de concreto armado permitem que esses elementos helicoidais se projetem para fora como coberturas de entrada abrigadas ou se desenvolvam em torno de átrios centrais abertos. Funcionalmente, esses caminhos de circulação podem se expressar de diversas maneiras: como escadas, a exemplo do Palácio do Itamaraty em Brasília, ou como rampas, que oferecem a possibilidade de mitigar barreiras de acessibilidade para as pessoas que visitam o local. Em ambos os casos, o desenho helicoidal proporciona transições suaves entre os diferentes níveis de piso, ao mesmo tempo que mantém linhas de visão desimpedidas em todo o programa.

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O Sagrado Cotidiano: Studio Ghibli e o Ritual de Voltar para Casa

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Todas as noites, ao voltarmos para casa, realizamos, sem cerimônia, um pequeno ritual. Nós chegamos a uma porta, a abrimos e cruzamos o limite em direção a um espaço que nos pertence de uma maneira que nenhum outro lugar consegue imitar. Trata-se de um ato tão cotidiano que raramente percebemos sua estrutura; e, no entanto, a filosofia e a antropologia dedicaram livros inteiros à descrição dessas estruturas psicológicas. Curiosamente, obras visuais como os mundos animados do Studio Ghibli parecem refletir essa dinâmica, criando cenários com arquiteturas e arranjos espaciais que oferecem uma via de escape ao evocar nossas memórias de forma legível e, ao mesmo tempo, encantada.

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Guia de arquitetura de Oslo: 12 edifícios que contrastam o design histórico e o contemporâneo

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Oslo é a capital e maior cidade da Noruega, servindo como o centro político, econômico e cultural do país. Situada na cabeceira do Fiorde de Oslo e cercada por colinas florestais, abriga cerca de 700.000 pessoas em sua área urbana, com mais de um milhão de habitantes em sua região metropolitana. Fundada há cerca de mil anos, Oslo tem uma longa história como entreposto comercial e sede administrativa. No entanto, grande parte de seu caráter moderno foi moldada depois que um grande incêndio no século XVII levou a uma reconstrução completa sob o domínio dinamarquês, época em que foi temporariamente rebatizada de Cristiania. Hoje, a cidade figura constantemente entre as mais habitáveis do mundo, valorizada por sua harmonia entre a vida urbana e o fácil acesso à natureza.

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De terrenos residuais a lugares cívicos: 6 parques públicos mexicanos

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O rápido crescimento urbano do México nas últimas décadas deixou muitas cidades enfrentando problemas como bairros fragmentados, altos índices de criminalidade e uma grave escassez de espaços públicos de qualidade. Em muitas áreas urbanas de baixa renda, o desenvolvimento informal ocorreu de forma paralela a infraestruturas básicas, como canais de drenagem, linhas ferroviárias e ravinas íngremes, dividindo comunidades e criando áreas vazias perigosas. Para mitigar essa segregação espacial e a falta de equipamentos urbanos, órgãos públicos e profissionais da arquitetura em todo o México estão intervindo nessas zonas de amortecimento abandonadas para construir parques públicos. Ao converter antigas barreiras físicas em corredores de pedestres acessíveis, esses projetos reconectam bairros segregados, restabelecem linhas de visão seguras e oferecem espaços para convivência comunitária e recreação diária.

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Radicalmente Coletivo: O Legado do Programa Habitacional das Microbrigadas de Cuba

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Na década de 1970, Cuba enfrentou um grave déficit habitacional em todo o país, decorrente do crescimento populacional, da migração campo-cidade e da deterioração do parque habitacional existente. A resposta do governo foi um sistema que afastava trabalhadores comuns de seus empregos habituais para direcioná-los aos canteiros de obras. Esse programa, conhecido como as Microbrigadas, reformulou distritos inteiros de Havana ao combinar a autoconstrução coletiva com o conhecimento técnico apoiado pelo Estado, deixando uma marca na malha urbana de sua capital que persiste até hoje.

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Modernismo sob vigilância: a preservação do Estádio Sardar Vallabhbhai Patel na Índia

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No coração do distrito de Navrangpura, em Ahmedabad, na Índia, ergue-se o Estádio Sardar Vallabhbhai Patel. Muito mais do que um campo de críquete, o estádio representa um dos primeiros experimentos da Índia em arquitetura pública modernista. Construída nas décadas que se seguiram à independência do país, a estrutura tornou-se não apenas um marco da engenharia, mas também um espaço público de destaque na malha urbana de Ahmedabad. Apesar do significado arquitetônico e histórico do edifício, bem como de sua profunda inserção na vida cotidiana da comunidade, a estrutura sofreu uma degradação física significativa devido a décadas de manutenção precária e falta de recursos. Essa fragilidade foi justamente o que atraiu a atenção internacional. Em 2020, o World Monuments Fund (WMF) incluiu o Estádio Sardar Vallabhbhai Patel no World Monuments Watch, uma lista global que destaca sítios de patrimônio cultural que enfrentam desafios urgentes de preservação.

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Artesanato na era da terra impressa em 3D: as ferramentas digitais podem criar um novo tipo de artesão/ã?

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Em 2021, uma colaboração entre o escritório de arquitetura italiano Mario Cucinella Architects e a WASP, uma empresa italiana de impressão 3D, levou ao desenvolvimento da TECLA: uma casa impressa em 3D inteiramente com terra crua. Cinco anos depois, a tecnologia por trás do projeto evoluiu, espalhando-se discretamente por diversos continentes e práticas de projeto. Ao controlar a velocidade, o ângulo e a trajetória do bocal de extrusão, arquitetos e arquitetas conseguem ir muito além da criação de paredes convencionais. Ao longo dos anos, esses/as profissionais vêm experimentando maneiras de moldar o material impresso em 3D em padrões de superfície detalhados, reintroduzindo relevos, texturas e grafismos complexos diretamente na estrutura. Dessa forma, busca-se estabelecer uma ponte entre as tradições da construção com terra e a computação digital, em uma era em que o código começa a influenciar a forma e a expressão material na arquitetura.

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Morar em uma pirâmide: 6 projetos que adaptam uma forma clássica à arquitetura residencial

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Embora a geometria piramidal apareça em estruturas históricas monumentais, sua aplicação contemporânea ainda é limitada. A principal restrição é a envoltória inclinada, que reduz a área de projeção do edifício à medida que este sobe, diminuindo o volume interno útil em comparação com formas ortogonais ou cilíndricas. Sob o ponto de vista estrutural, contudo, essa geometria oferece excelente estabilidade lateral contra cargas de vento e abalos sísmicos devido à sua base ampla, distribuição central de massa e faces triangulares que se autoestabilizam. No entanto, a aplicação dessa forma em escala residencial impõe diversas limitações de layout. As paredes inclinadas restringem as superfícies verticais, o que dificulta a disposição de portas, janelas e divisórias internas padronizadas. Paralelamente, o pé-direito baixo ao longo do perímetro gera áreas subutilizadas nas extremidades dos cômodos.

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Verdade do solo: como a sede do BCIE em Honduras falou através da pedra local

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As nações da América Central ocupam uma estreita ponte de terra entre o México e a Colômbia, mas não nasceram como países separados. Elas surgiram de uma única entidade: a República Federal da América Central em 1823. Essa federação entrou em colapso, mas o ideal de uma região unificada nunca morreu por completo. Em 1951, os governos assinaram a Carta de San Salvador, criando a ODECA, a Organização dos Estados Centro-Americanos. Quatro décadas depois, o Protocolo de Tegucigalpa de 1991 a substituiu pelo SICA, o Sistema de Integração Centro-Americana, a estrutura que norteia a cooperação regional na atualidade. No âmbito desse processo de integração, o Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE) foi fundado em 1960 por Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua, estabelecendo sua sede em Tegucigalpa. À primeira vista, trata-se de um complexo de escritórios convencional do final do século XX; contudo, ao observar sua fachada mais de perto, o edifício se transforma em um manifesto sobre identidade — escrito em pedra de cantaria rosada extraída das próprias colinas que cercam a capital hondurenha.

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Urbanismo Caribenho: Das Raízes Garífunas à Cidade em Camadas de La Ceiba, Honduras

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Na costa caribenha de Honduras, fica o Vale de Leán, uma estreita faixa costeira delimitada pela Cordilheira Nombre de Dios ao sul e pelo Mar do Caribe ao norte. Durante muito tempo, essa foi a última fronteira: selva densa, pântanos, nenhuma infraestrutura e um difícil acesso ao interior. No entanto, esse cenário começou a mudar com a chegada do povo Garífuna, que se estabeleceu na área entre os rios Danto e Cangrejal, lançando as bases do que viria a ser a cidade de La Ceiba. Um polo urbano no Caribe hondurenho cuja história foi definida por ondas migratórias compostas por populações centro-americanas, afro-caribenhas, europeias e o corporativismo norte-americano. Esses fluxos de várias partes do mundo não apenas contribuíram para o crescimento econômico, mas produziram ativamente a lógica espacial, a identidade e a forma arquitetônica da cidade.

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Para além dos abrigos de emergência: arquitetura modular e vernacular na reconstrução pós-terremoto

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Em 24 de junho de 2026, um grave evento sísmico composto por dois grandes terremotos com magnitudes de 7,2 e 7,5 atingiu o centro-norte da Venezuela com apenas 39 segundos de intervalo. A destruição generalizada concentrou-se ao longo da costa norte do país, impactando fortemente a capital, Caracas, e o estado vizinho de La Guaira, onde a infraestrutura urbana frágil e a vulnerabilidade das habitações resultaram no colapso ou em danos graves de milhares de estruturas residenciais. O desastre assemelha-se a eventos devastadores anteriores observados em outros grandes episódios sísmicos, como o terremoto de Wenchuan em 2008 e os deslizamentos de terra em Sichuan em 2011, o terremoto de Ludian em Yunnan em 2014 e o terremoto de 2017 no centro do México. Diante de desastres naturais de grande magnitude que devastam comunidades inteiras, profissionais de arquitetura têm a oportunidade de intervir propondo soluções pós-desastre pautadas por modelos estratégicos de reconstrução. Em vez de recorrer a abrigos de emergência genéricos e padronizados, um projeto arquitetônico consciente pode viabilizar uma infraestrutura residencial de baixo custo e rápida implantação que preserve a dignidade humana por meio de espaços dignos e integrados ao seu contexto cultural.

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Projetando para gradientes de temperatura: 6 projetos na América Central que utilizam espaços de transição para mitigar o calor

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Compreender o gradiente de temperatura em uma edificação é essencial em climas frios ou temperados, onde envoltórias herméticas e isolamento contínuo são utilizados para evitar a perda de calor. No entanto, essa abordagem não é adequada para regiões tropicais como a América Central, onde o clima é marcado por uma alternância constante entre as estações seca e chuvosa, em vez de quatro estações bem definidas. Fatores como a proximidade do mar, a altitude e a topografia local influenciam os microclimas em distâncias curtas, mas a alta umidade continua sendo um desafio comum. Paredes vedadas, herméticas e sem ventilação podem rapidamente se tornar focos de mofo, tornando problemáticas as estratégias térmicas dos climas temperados. Em resposta, profissionais de arquitetura da região desenvolveram abordagens alternativas que acolhem, em vez de resistir, o ambiente externo, permitindo que o fluxo de ar e a evaporação regulem o conforto interno.

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Representação como Argumento: Lyndon Neri sobre o que os júris buscam em concursos de arquitetura

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Em um setor definido por códigos de obras, pela urgência climática e pelas pressões do mercado imobiliário, os concursos de arquitetura tornaram-se, de forma discreta, um dos espaços mais geradores da disciplina. Livres de orçamentos, clientes ou regulamentações municipais, as propostas enviadas a concursos permitem que arquitetos e arquitetas pensem no limite do que o ambiente construído poderia ser. Cada vez mais, esse trabalho especulativo é levado a sério como uma contribuição cultural e intelectual por si só. O Buildner's Unbuilt Award, atualmente em sua segunda edição, é uma dessas iniciativas, ao tratar o projeto não construído como uma plataforma para que profissionais de arquitetura e design compartilhem conceitos que desafiam fronteiras e inspiram possibilidades futuras. Desse modo, premiações como essa permitem que estudantes e profissionais da área apresentem ideias e visões que, mesmo sem serem executadas, refletem o espírito de exploração e engenhosidade na arquitetura.

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A história do Congresso Mundial de Arquitetos da UIA e as cidades que o moldaram

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A cada três anos, o Congresso Mundial da União Internacional de Arquitetos (UIA) desembarca em uma cidade diferente, sob um tema definido com anos de antecedência. Um rápido mapeamento dessas cidades-sede revela um padrão deliberado: ao longo das décadas, a UIA escolheu intencionalmente locais diversos em todos os continentes, transformando cada edição em um retrato do que era prioritário naquele lugar específico, naquele exato momento. Como resultado dessa rotação geográfica, consolidou-se um rico caleidoscópio de debates que analisam a profissão sob múltiplos ângulos e a adaptam às transformações do tempo. No entanto, o ano de 2026 marca um ponto de inflexão; desta vez, a UIA repete uma cidade-sede pela primeira vez em sua história: Barcelona, com o tema "Tornar-se. Arquiteturas para um planeta em transição".

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Construindo na Lua: A estratégia arquitetônica da NASA para a habitação lunar permanente

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Após o retorno da Artemis II à Terra, a NASA revelou um novo plano em fases para estabelecer uma base lunar. Embora a maior parte da atenção da mídia tenha se voltado para foguetes, orçamentos e competição geopolítica, uma questão mais sutil pairava em segundo plano para profissionais de arquitetura: como um ser humano pode realmente viver na superfície da Lua e por quanto tempo? O estabelecimento de uma presença humana permanente na Lua marca uma mudança fundamental na exploração espacial que exige um novo paradigma arquitetônico. Em sua apresentação, representantes da NASA sugeriram que a estratégia deixará de lado ambientes altamente restritos e dependentes de veículos em direção a estruturas autônomas, adaptáveis ao local e, eventualmente, permanentemente habitáveis.

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Do sagrado ao público: 5 igrejas em desuso reimaginadas como espaços culturais

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A conversão de templos religiosos desativados por meio de programas culturais constitui uma das estratégias de reuso adaptativo mais instigantes no planejamento urbano contemporâneo. Essa compatibilidade funcional parece decorrer das características específicas das próprias igrejas: suas naves centrais oferecem plantas livres de grande escala e cortes monumentais que acomodam facilmente as exigências volumétricas de museus, teatros ou centros comunitários. Além disso, as propriedades acústicas inerentes aos seus tetos abobadados, combinadas com uma iluminação natural intencional filtrada por vitrais ou cúpulas, criam as condições espaciais para atividades que vão das artes cênicas à exibição de artefatos culturais. Ao assumirem um papel público e cultural, esses edifícios não apenas evitam a demolição ou o abandono físico, mas também preservam seu status de marcos urbanos e de identidade no tecido da cidade, revitalizando seu entorno imediato sem descaracterizar seu significado histórico.

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Anatomia de uma cidade maia: a estrutura urbana de Copán, em Honduras

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No interior do oeste de Honduras, em um vale próximo à fronteira com a Guatemala, localiza-se a antiga cidade maia de Copán. Tendo florescido durante o período Clássico, entre os séculos V e IX d.C., a cidade desenvolveu-se como um epicentro regional por meio de redes comerciais, políticas dinásticas e uma arquitetura monumental. Hoje, o sítio é reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO devido aos seus extensos remanescentes arquitetônicos, que incluem pirâmides em degraus, estelas esculpidas e um núcleo cerimonial. Mais de um século de pesquisas arqueológicas sistemáticas documentou sua morfologia urbana, revelando distritos residenciais distintos, espaços cívicos e sistemas de circulação e visibilidade.

Esta análise examina a organização espacial de Copán sob a ótica do teórico urbano Kevin Lynch e sua obra "A Imagem da Cidade". Ao aplicar os cinco elementos estruturais de Lynch — limites, bairros, caminhos, nós e marcos — é possível analisar como Copán funcionava não apenas como um centro ritual, mas como uma paisagem urbana legível, projetada para reforçar a hierarquia política e regular o movimento coletivo. Os dados históricos para esta análise foram extraídos de livros e artigos hiperlinkados ao longo do texto, viabilizados pela colaboração do historiador Arnulfo Ramirez de la Costa, professor e coordenador do curso de História no Departamento de História da Universidade Nacional Autônoma de Honduras (UNAH) em Tegucigalpa.

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Além da casca: o Palacio de los Deportes de Félix Candela para os Jogos Olímpicos do México de 1968

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Quando a Cidade do México sediou as Olimpíadas em 1968, foi a primeira vez que os Jogos foram concedidos a um país latino-americano, bem como a primeira vez que uma nação de língua espanhola os sediou. Isso fez dos jogos uma excelente oportunidade para projetar o México e sua cultura internacionalmente, levando o governo a constituir um comitê organizador com grandes talentos locais. Para a presidência do comitê, foi nomeado Pedro Ramírez Vázquez, arquiteto mexicano que exercia grande influência sobre o programa de obras públicas do Estado em meados do século. Sua abordagem era clara: a arquitetura como uma síntese da técnica modernista internacional com referências pré-colombianas e a cultura material local. Sob sua direção, o comitê supervisionou a construção e a adaptação de locais de competição distribuídos pelas zonas sul da Cidade do México, quase todos concebidos e construídos por profissionais locais de arquitetura, engenharia e áreas técnicas.

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