No Canadá, a tradição de ter uma segunda residência no campo é um aspecto profundamente enraizado na cultura nacional. Em Ontário e em partes das Províncias Marítimas, essas segundas residências cercadas pela natureza costumam ser chamadas de "cottages". Em Colúmbia Britânica, Alberta e Saskatchewan, o termo "cabin" é mais comum, ao passo que no Quebec, são conhecidas como "chalets". Independentemente do nome, esses refúgios rurais oferecem às pessoas uma fuga da vida urbana, um lugar para reunir amigos e familiares, reconectar-se com a natureza e desfrutar de atividades ao ar livre durante todo o ano.
A arquiteta hondurenha Angela Stassano vem contribuindo para a paisagem arquitetônica da América Central com sua pesquisa aplicada sobre projetos bioclimáticos. Sediada em San Pedro Sula, em Honduras, seus projetos partem de técnicas do patrimônio local para atender às demandas de ambientes tropicais quentes e úmidos. Stassano desenvolveu sua especialidade ao longo de mais de 30 anos de pesquisa prática, culminando em um guia de arquitetura bioclimática que detalha seus métodos construtivos para essa região. Um de seus projetos mais notáveis, o Las Casitas, é um complexo residencial que materializa essa pesquisa. O projeto engloba várias residências tropicais energeticamente eficientes que tiram proveito do clima local, resultando em baixos custos operacionais e de energia.
Nesse contexto, a adoção dos estilos neogóticos do século XIX e dos estilos neoclássicos do início do século XX tornou-se popular. Hoje, muitos desses edifícios permanecem como marcos proeminentes em todo o país e se tornaram partes integrantes das paisagens urbanas. Esta seleção explora como a arquitetura canadense integra elementos tradicionais a materiais modernos, como vidro e aço. Esses esforços preservam o significado histórico dos edifícios ao mesmo tempo em que os adaptam para atender às demandas funcionais da vida moderna.
As greenways (ou rotas verdes), como tipologia de desenho urbano, tornaram-se um elemento essencial no planejamento das cidades modernas. Elas surgem em resposta à crescente fragmentação das paisagens urbanas por elementos como rodovias. Geralmente, integram espaços naturais e construídos, proporcionando conexões necessárias entre várias partes da cidade. Ao mesmo tempo, promovem a acessibilidade de pedestres, a recreação e a interação social. A Rose Kennedy Greenway, no centro de Boston, nos Estados Unidos, exemplifica essa abordagem de projeto centrada nas pessoas. O projeto, cujas obras começaram em 1991, demonstra o potencial das greenways para reconectar ambientes urbanos e melhorar a vida comunitária. Sendo uma série de parques projetados por diversos escritórios de arquitetura, seu objetivo é criar vínculos físicos e espaços significativos que promovam o desenvolvimento social e o sentido de lugar.
O clima do Canadá é conhecido por seus contrastes drásticos, variando de invernos rigorosos a verões quentes. Grandes áreas metropolitanas como Toronto, Montreal e Vancouver enfrentam uma variedade de condições climáticas extremas: nevascas intensas, tempestades de gelo e temperaturas congelantes são comuns. Em alguns casos, os termômetros podem despencar para menos de -30 °C, especialmente em cidades como Montreal ou Quebec. Por sua vez, essas condições climáticas impõem desafios significativos a profissionais de arquitetura e engenharia ao projetarem com determinados materiais. Nesse cenário, o tijolo continua sendo um material de construção popular, não apenas por sua condutividade térmica relativamente baixa — o que o torna um bom isolante durante o inverno —, mas também por sua profunda ligação com o patrimônio arquitetônico do país.
Se outrora o tijolo era um material estrutural primário, seu papel na arquitetura moderna mudou, passando a ser utilizado predominantemente em vedações e revestimentos externos. Isso permite que profissionais de arquitetura experimentem com o tijolo como elemento de textura e design, em vez de se concentrarem em suas capacidades estruturais. Embora o clima de fato influencie a escolha dos materiais, a importância histórica do tijolo e sua capacidade de criar texturas e padrões complexos em fachadas fazem dele uma escolha atraente para projetos contemporâneos em todo o Canadá. Profissionais da arquitetura contemporânea estão constantemente encontrando novas maneiras de reinterpretar esse material clássico, explorando diferentes paginações e texturas de superfície que agregam riqueza estética, ao mesmo tempo que garantem a resiliência dos edifícios diante das condições climáticas extremas.
Quando pensamos em espaços que estimulam a meditação, nossa mente costuma viajar para os jardins Zen do Japão, onde linhas puras e um paisagismo meticulosamente planejado convidam à quietude, ou para o design escandinavo, com seus tons neutros e tecidos suaves. Esses estilos evocam uma sensação de calma por meio da simplicidade, característica frequentemente associada às linguagens arquitetônicas japonesa e do norte da Europa. No entanto, a quietude e a meditação não se limitam a esse tipo de cenário. As tradições arquitetônicas latino-americanas também oferecem abordagens potentes — embora muitas vezes preteridas — para os espaços de meditação. Com tons terrosos de terracota, texturas ásperas de adobe, pátios íntimos e uma forte conexão com a natureza, esses ambientes convidam à reflexão por meio do aconchego e da riqueza material, criando espaços que transmitem calma sem recorrer ao minimalismo extremo.
Localizada nas montanhas centrais de Honduras, Tegucigalpa se destaca como a maior cidade do país. Com uma população de aproximadamente 1,5 milhão de habitantes, trata-se também de um dos maiores centros urbanos da América Central, cujas origens remontam a 1578, ano de sua fundação por colonizadores espanhóis. Declarada capital em 1880, a cidade consolidou-se desde então como o coração político, cultural e econômico de Honduras. Essa trajetória histórica dotou a cidade de um patrimônio arquitetônico diverso, que evidencia estilos de diferentes épocas e influências.
Estilos que variam do barroco colonial, neoclássico e art déco ao modernismo e pós-modernismo refletem sua história dinâmica. O município abriga também diversos museus que celebram a arte hondurenha tradicional e contemporânea, como o Museu da Identidade Nacional (MIN) e a Galeria Nacional de Arte. Para além de suas atrações urbanas, as montanhas circundantes abrigam as trilhas de caminhada do Parque Nacional La Tigra e diversos povoados históricos de mineração de prata do período colonial, tornando a cidade um destino imperdível em um roteiro pela América Central.
O Córrego Cheonggye, conhecido como Cheonggyecheon (청계천) em coreano, corre em direção ao leste pelo coração de Seul, atravessando 13 bairros em quatro distritos da capital da Coreia do Sul. Ao longo de sua história, o córrego desempenhou diferentes papéis na cidade até ser coberto por uma via expressa elevada na década de 1970. Por mais de 30 anos, essa artéria natural permaneceu oculta. Foi apenas em 2003 que o governo municipal lançou um projeto de restauração para reintegrar esse curso d'água urbano ao tecido da cidade, revitalizar a economia local e resgatar a história e a cultura da região. Os esforços de revitalização foram liderados pelo escritório Mikyoung Kim Design. Desde a conclusão do projeto em 2005, o local tornou-se rapidamente uma das atrações turísticas mais visitadas de Seul. Além disso, transformou-se em ponto focal para extensas pesquisas urbanas, com diversos estudos apresentando avaliações positivas sobre o impacto causado no contexto urbano, econômico e ecológico de Seul.
Localizada às margens do Rio São Lourenço, no sul de Quebec, Montreal é a segunda maior cidade do Canadá. Reconhecida por sua diversidade arquitetônica, seu ambiente construído reflete tanto o passado colonial quanto sua evolução moderna. Como antigo território da "Nouvelle France", a língua e a cultura francesas permanecem dominantes, o que, por sua vez, influenciou o caráter arquitetônico local. Em especial, a Velha Montreal apresenta edifícios bem preservados dos séculos XVIII e XIX, testemunhos, em sua maioria, do crescimento industrial da cidade após a construção do Canal de Lachine. O patrimônio da região tem sido protegido e restaurado graças aos esforços de personalidades como Phyllis Lambert e de organizações como a Heritage Montreal, permitindo que a rica história arquitetônica de Montreal coexista em harmonia com seus desenvolvimentos contemporâneos.
O multiculturalismo de Montreal é evidente em bairros como Little Italy e Little Portugal, uma diversidade que alimenta uma cena cultural vibrante. A cidade sedia uma infinidade de festivais todos os anos, muitos deles realizados em espaços ao ar livre, como a Place des Festivals. O Parc Jean-Drapeau, construído para a Exposição Mundial de 1967 (Expo 67), é outro local popular para grandes eventos, além de oferecer vistas deslumbrantes do horizonte da cidade. Outro ponto de destaque é o Mont Royal, um parque que oferece vistas panorâmicas do centro da cidade e acesso a trilhas, ao Oratório de São José, ao Beaver Lake e a outras áreas de interesse arquitetônico, como o Plateau.
A tipologia dos edifícios de escritórios surgiu da necessidade de reunir milhares de pessoas em um ambiente de trabalho relativamente rígido. Nas grandes cidades, essas estruturas se concentraram em Distritos Centrais de Negócios (CBDs), que se tornaram bairros dedicados a abrigar o comércio e as empresas. No entanto, a pandemia de COVID-19 interrompeu esse modelo, impulsionando a ascensão do trabalho remoto e híbrido. Hoje, quase quatro anos depois, as taxas de ocupação nesses centros urbanos continuam abaixo dos níveis pré-pandemia, sinalizando uma mudança de longo prazo no ambiente de trabalho. Para enfrentar esse desafio, incorporadores/as têm buscado cada vez mais o "reposicionamento" de seus projetos, procurando redefinir sua imagem ao adaptá-los às demandas contemporâneas. Essa tipologia considera a malha urbana circundante, visando expandir o uso do edifício para além de seu propósito original e atrair as pessoas de volta aos CBDs.
Nas primeiras décadas do século XXI, Honduras registrou índices de criminalidade e violência mais elevados que os de seus vizinhos na América Central. Essa situação fez com que o país fosse amplamente evitado por visitantes e investidores. No entanto, isso não impediu que Tegucigalpa, sua capital, vivenciasse uma explosão de empreendimentos residenciais e de escritórios que hoje redesenham seu skyline. Caracterizada por uma topografia singular e clima tropical, a cidade serviu como campo de testes para princípios urbanísticos modernistas que contribuíram para transformar um pequeno vilarejo de mineração em uma das maiores metrópoles da América Central.