O termo abóbada na arquitetura refere-se a uma estrutura em arco autoportante que forma um teto ou cobertura, capaz de criar, de forma eficaz, um amplo espaço livre de pilares. Enquanto as abóbadas de alvenaria tradicionais transferem as cargas para paredes e contrafortes, as versões contemporâneas são definidas de forma mais ampla como qualquer teto que acompanha a linha da cobertura, criando um interior alto e curvo. Estes tetos modernos costumam ser estruturados com materiais como concreto, madeira ou aço, que oferecem a flexibilidade estrutural necessária para criar o efeito dramático de uma abóbada sem suas restrições históricas. A abóbada de arco pleno, em particular, parece ser uma das formas prediletas recentemente por sua geometria simples e elegante, bem como por sua capacidade de se adaptar a uma variedade de estilos residenciais contemporâneos.
No design contemporâneo de escolas de educação infantil no Japão e na China, arquitetos e arquitetas estão transformando os espaços internos, deixando de lado o conceito de mero recipiente para criar um ambiente multissensorial ativo. Essa transição parece acompanhar estudos em psicologia do desenvolvimento que sugerem que a experiência espacial da criança começa com um engajamento sensório-motor, por meio do toque e da manipulação. Dessa forma, esses projetos dão grande ênfase ao uso de materiais e à abordagem do aprender brincando. Arquitetos e arquitetas parecem estar indo além das salas de aula tradicionais, criando ambientes táteis, estimulantes e enraizados em seus contextos específicos. Os próprios edifícios se tornam ferramentas pedagógicas, incentivando as crianças a aprender e explorar por meio do engajamento físico direto.
Comparação entre Ghibli e Disneyworld. Imagem via J-LIGHTS / Koichiro Itamura e Theme Park Tourist no Wikipedia sob licença CC BY 2.0
No que diz respeito a projetar para a imaginação infantil, o panorama da arquitetura apresenta duas filosofias distintas. A Disneyland e o Studio Ghibli, ambos mestres na narrativa imaginativa, representam essa divisão fundamental. Suas abordagens, longe de serem casuais, refletem visões divergentes sobre como as crianças vivenciam e interagem com o espaço. Um dos modelos proporciona o espetáculo de uma fantasia construída, ao passo que o outro oferece uma paisagem propícia para uma magia latente. Esses dois modelos colocam os/as arquitetos/as diante de uma escolha fundamental ao abordar esse tipo de projeto: desenhar espaços que atendam à necessidade inata da criança por descobertas sensoriais e pessoais, ou criar uma fantasia que dialogue com sua capacidade crescente de compreender narrativas e espaços mais complexos.
A arquitetura de mercados contemporânea no México frequentemente se inspira em seus precedentes pré-hispânicos. O Mercado de Tlatelolco na antiga Tenochtitlan, por exemplo, caracterizava-se por uma grande praça aberta pavimentada com pedras e "ruas" demarcadas, divididas em seções para mercadorias específicas, servindo como um importante ponto de encontro para o intercâmbio social e econômico. De modo semelhante, a tradição dos Tianguis, uma tipologia de mercado efêmero integrada à ampla tradição mesoamericana, também organizava barracas em corredores dentro de uma praça pública, refletindo os princípios de organização observados em Tlatelolco. Esses modelos históricos estabeleceram as bases para a tradição dos mercados públicos no México e em países da América Central, onde o espaço público se funde ao arranjo estruturado do comércio. Hoje, embora muitos dos espaços comerciais do México — com destaque para a Central de Abasto na Cidade do México e outros mercados tradicionais como Jamaica, Merced e San Juan — tenham adotado um caráter permanente no atendimento às suas comunidades, os tianguis mantêm sua forte presença na sociedade mexicana.
O Memorial de Sardarapat e o esboço original do arquiteto. Imagem via risraelyan.com/en/, cortesia de Aram Ghanalanyan
Em uma época na qual grande parte da arquitetura global parece desconectada da identidade local, a obra de Rafayel Israelyan se destaca por estar profundamente enraizada no lugar, na cultura e na memória. Atuando na Armênia de meados do século XX, Israelyan criou uma arquitetura que vai além do funcional ou do monumental; trata-se de uma obra culturalmente resiliente. O uso de motivos, materiais e formas simbólicas tradicionais da Armênia deu aos seus projetos uma segunda vida após a queda da União Soviética, momento em que muitos edifícios nos Estados pós-soviéticos foram abandonados ou demolidos. A Armênia, por outro lado, preservou muitas de suas obras, provavelmente porque sua abordagem de projeto não apenas atendia a um momento histórico específico, mas também narrava uma história mais ampla. Muito antes de conceitos como sustentabilidade ou regionalismo crítico se popularizarem, Israelyan já compreendia que as edificações ganham significado e durabilidade quando refletem a identidade e as características específicas de seu lugar.
Telhas de argila vermelha estão presentes em diversas tradições arquitetônicas ao redor do mundo, mesmo em culturas geográfica ou historicamente distantes. No entanto, isso não chega a ser uma surpresa. A argila é um material de construção abundante e acessível em todo o mundo, com alguns estudos e outras fontes sugerindo que ela compõe aproximadamente de 10% a 13% dos solos do planeta. As telhas vermelhas, em especial, costumam ser o resultado da composição mineral do solo local e do processo de queima. Seu uso disseminado em regiões sem conexão direta deve-se menos a uma influência cultural compartilhada e mais a uma lógica material: a argila é barata, durável e fácil de trabalhar com ferramentas e técnicas simples. No Vietnã, por exemplo, há uma tradição singular e marcante no uso de telhas de argila que remonta a séculos. Regiões como Vinh Long, apelidada de "reino da cerâmica vermelha", dispõem de uma abundância desse material, o que sustenta uma longa história de fabricação de telhas. Em algumas partes do Vietnã, essas peças são conhecidas como telhas Yin-Yang, devido ao formato côncavo e convexo que assumem durante a produção.
A arquitetura vernacular frequentemente utiliza materiais de origem local e práticas construtivas aprimoradas ao longo de séculos. Essa abordagem levanta questões sobre sua potencial relevância para os desafios do projeto contemporâneo. A prevalência de edifícios altos em escala global, que frequentemente dependem de envoltórias vedadas e climatização mecânica, contrasta com as práticas arquitetônicas históricas. Tradicionalmente, as arquiteturas regionais surgiam das comunidades locais, promovendo identidades culturais distintas e integrando sistemas passivos de ventilação, resfriamento e aquecimento, muitas vezes utilizando elementos naturais. Os hanoks, casas tradicionais coreanas, servem como um estudo de caso. Para além de seu papel atual no turismo, eles também exemplificam como o conhecimento vernacular pode fornecer estratégias passivas de resposta climática que se alinham aos princípios contemporâneos de criação de edifícios de baixo impacto ambiental.
O design escandinavo há muito é admirado por sua estética minimalista e funcionalidade, que valorizam as coisas simples, com raízes profundas no conceito de Hygge. Esta reverência vai além do design de interiores, estendendo-se também ao mundo natural, o que resulta em projetos de arquitetura e instalações paisagísticas de alta qualidade que estreitam a conexão humana com ambientes intocados. Em vez de impor grandes estruturas ao meio ambiente, a abordagem escandinava propõe intervenções sutis e precisas. Estes projetos não buscam dominar, mas sim estabelecer um diálogo com a paisagem existente, valendo-se de um desenho sensível para potencializar suas formas, cores e texturas intrínsecas. O objetivo é complementar e valorizar a natureza, criando espaços funcionais que, ao mesmo tempo, aprofundam a relação de quem os visita com o entorno.
Crianças correndo na escola em Nebaj, Guatemala. Imagem cortesia de Solis Colomer Arquitectos
Fundado em 2002, o escritório Solis Colomer Arquitectos consolidou uma sólida reputação ao longo das últimas duas décadas, projetando e construindo obras com impacto tanto social quanto comercial em toda a América Latina. Com mais de 200 projetos concluídos, a equipe se especializa em arquitetura institucional de impacto social e em arquitetura comercial centrada no usuário. Sua missão é clara: utilizar a arquitetura como uma ferramenta para dignificar la experiencia humana, especialmente para as populações mais vulneráveis.
Vista da réplica do Castelo Animado dentro da área do Vale das Bruxas. Imagem via ghibli-park.jp, sob política de uso justo
Studio Ghibli e seu cofundador Hayao Miyazaki tornaram-se nomes amplamente conhecidos no Ocidente, graças a um impressionante corpo de trabalho que inclui mais de 10 longas-metragens, dois Oscars e mais de 100 prêmios em todo o mundo. Filmes como "A Viagem de Chihiro" e "O Castelo Animado" demonstram sua maestria na construção de mundos, narrativa e apelo visual marcante, o que lhes rendeu aclamação global. Com isso, consolidou-se uma base de fãs dedicada que, até então, contava apenas com o Museu do Studio Ghibli em Tóquio para vivenciar esses universos no mundo real. À medida que a popularidade do estúdio e seu catálogo de filmes cresciam, a expansão para um espaço físico maior tornou-se inevitável. Assim, novembro de 2022 marcou o início de uma nova fase, com a abertura do Ghibli Park em Nagoya, no Japão.
Os tijolos de vidro têm sido amplamente utilizados na arquitetura, tornando-se, com o tempo, uma marca registrada dos estilos arquitetônicos da década de 1980. Entre os exemplos clássicos de construção com este material estão a célebre "Maison de Verre", de Pierre Chareau e Bernard Bijvoet em Paris, e a releitura mais moderna de Hiroshi Nakamura & NAP com a Optical Glasshouse no Japão. Nos últimos anos, os tijolos de vidro vêm ganhando cada vez mais popularidade, deixando de ser associados apenas a uma estética do passado. Em vez disso, eles evoluíram para elementos de design versáteis que trazem luz, textura e personalidade aos interiores contemporâneos. Sua capacidade de difundir a luz natural e artificial mantendo a privacidade reacendeu o interesse de profissionais de design que buscam maneiras inovadoras de valorizar os espaços internos, aproveitando ao máximo a iluminação natural.
Gyumri, capital da região de Shirak na Armênia e segunda maior cidade do país, era historicamente conhecida por sua cultura e patrimônio arquitetônico. Quando integrava a União Soviética, a cidade abrigava diversas fábricas que a transformaram no principal polo industrial da região, alcançando uma população de aproximadamente 225 mil habitantes. No entanto, nas últimas décadas, Gyumri registrou um declínio populacional considerável em decorrência de um terremoto devastador que destruiu a cidade em 1988 e causou a morte de milhares de pessoas. Mais de 30 anos depois, o processo de regeneração de Gyumri ainda está em andamento. Os esforços contínuos da cidade para restaurar seu ambiente construído e impulsionar o desenvolvimento econômico oferecem lições valiosas sobre como conduzir a regeneração urbana após um desastre.
O Pavilhão do Canadá na 19ª Exposição Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia apresentou Picoplanktonics. Uma pesquisa que surgiu como um repensar radical de como a arquitetura pode se tornar uma plataforma que une biologia, computação e fabricação para propor um futuro alternativo — no qual os edifícios não apenas minimizam danos, mas participam ativamente da reparação do planeta. Em seu cerne está um organismo simples: a cianobactéria marinha, capaz tanto de capturar carbono quanto de contribuir para o crescimento material da estrutura que habita. O projeto foi desenvolvido ao longo de cinco anos por uma equipe de pesquisa na ETH Zurich, liderada por Andrea Shin Ling e um grupo multidisciplinar de colaboradores e colaboradoras. Juntos, formaram o Living Room Collective, fundado há um ano para dar continuidade a esse trabalho e apresentá-lo na Bienal de Veneza. A equipe principal inclui Nicholas Hoban, Vincent Hui e Clayton Lee. Esta entrevista com a equipe por trás do projeto compartilha a filosofia, os desafios técnicos e os horizontes especulativos que impulsionaram seu trabalho — desde a impressão de treliças de areia viva até a manutenção da vida microbiana em uma exposição pública. O objetivo do grupo é inspirar as pessoas a reconsiderarem a arquitetura não como um objeto estático, mas como um processo vivo e em evolução; um processo que exige cuidado, paciência e uma mudança radical de mentalidade.
Ao examinar fotos de casas japonesas, frequentemente se nota um espaço recorrente com esteiras de tatame, muitas vezes ligeiramente elevado e integrado às áreas sociais da casa. Trata-se do washitsu, ou quarto de estilo japonês: um espaço tradicional e multifuncional ainda comumente encontrado na arquitetura residencial moderna. Utilizado para atividades que variam da leitura e do sono à acomodação de um altar familiar, sua versatilidade é fundamental para sua relevância contínua. Este artigo explora o layout e o significado do *washitsu*, partindo de suas origens históricas para compreender melhor seu papel e sua interpretação nas residências japonesas contemporâneas.
VARID: Um Kit de Ferramentas de RA-RV para Design Inclusivo. Imagem cortesia de Foster + Partners
Na última década, o projeto de arquitetura baseou-se em métodos bidimensionais de representação, como elevações, cortes e plantas baixas, combinados com renderizações digitais de modelos 3D. Embora essas ferramentas sejam essenciais para transmitir a geometria e a intenção projetual, elas continuam limitadas por seu formato bidimensional. Mesmo as renderizações mais realistas, criadas em softwares como SketchUp, Revit ou AutoCAD, ainda achatam o espaço e distanciam o observador da experiência vivenciada de um projeto. Recentemente, arquitetos/as começaram a explorar tecnologias imersivas como uma forma de encurtar essa distância entre o desenho e a experiência, oferecendo novas maneiras de habitar e avaliar propostas espaciais.
Na maioria dos casos, os/as arquitetos/as enfrentam uma complexa rede de códigos de obras, regulamentos de espaço aéreo e inúmeras outras regras que ditam a forma e a execução de um projeto. No entanto, a arquitetura cultural frequentemente apresenta uma oportunidade única para projetos mais ousados e expressivos. Esses projetos costumam receber apoio dos governos locais, liberando possibilidades de explorações formais que, de outra forma, poderiam não se concretizar. Nesse sentido, a arquitetura cultural cumpre um duplo propósito: enriquecer a comunidade e estabelecer marcos icônicos que definem a identidade de sua cidade ou região. Essa ambição certamente se manifestou em Taiwan. Situado no coração do Leste Asiático, este país insular ostenta uma variedade notável de explorações formais, realizadas tanto por profissionais internacionais quanto por arquitetos/as taiwaneses.
Antes vistos como puramente utilitários, os blocos de concreto aparentes vêm, cada vez mais, fazendo parte de uma transformação arquitetônica. Em regiões de clima quente, onde o isolamento térmico é desnecessário, o material pode ser deixado exposto, livre de revestimentos, acabamentos ou adornos. Com isso, a textura, a paginação e a forma passam a definir a personalidade da edificação e a simplificar a construção, ao mesmo tempo em que abrem novas possibilidades de expressão e identidade. Essa abordagem também serve de plataforma para explorar o conceito de honestidade material. Além de seu valor estético, o uso do material "ao natural" pode reduzir significativamente os custos de construção e minimizar a manutenção ao longo da vida útil do edifício.
Ao se pensar no Japão, as primeiras imagens que vêm à mente são as ruas movimentadas de Tóquio, os antigos castelos fortificados e os rios ladeados por cerejeiras nas áreas urbanas. No entanto, pouco se discute a respeito de um problema atual enfrentado pelo mercado imobiliário do país: as Akiya, termo japonês que se traduz como "casa vazia". Em 2024, o número de Akiya no Japão atingiu a marca recorde de nove milhões de unidades. Aponta-se que a raiz do problema esteja no declínio demográfico. Com a transmissão dos imóveis por herança familiar, eles frequentemente se transformam em fardos, e não em ativos. À medida que as gerações mais jovens migram para os grandes centros ou optam por viver em apartamentos, o interesse em habitar ou manter a antiga residência da família diminui drasticamente, sobretudo se estiver localizada em áreas rurais ou de menor conveniência. Metrópoles como Tóquio apresentam um volume menor de Akiya devido ao alto custo do solo. Contudo, entraves como os elevados custos de adequação às normas de segurança contra terremotos e a maior tributação sobre terrenos vazios ainda levam ao abandono dessas propriedades, mesmo em áreas urbanas.