À medida que os países da África se libertavam do colonialismo em meados do século XX, muitos expressaram suas identidades independentes por meio da arquitetura. Esse processo continua várias décadas depois, exemplificado por diversos novos museus na África Ocidental, recém-concluídos ou em fase de planejamento. Embora variem em propósito e forma, essas instituições compartilham objetivos comuns: responder à necessidade de restituição de inúmeros artefatos saqueados durante o período colonial e mantidos majoritariamente em museus europeus; e definir um modelo de museu com identidade local, em contraposição a uma importação descontextualizada.
O concreto é frequentemente visto como o material da modernidade, definido por sua resistência estrutural, acabamento bruto e inconfundível tom cinza. Tornou-se a paleta padrão da arquitetura do século XX, um símbolo de funcionalidade e permanência. No entanto, o concreto não está limitado a essa identidade cromática. Sua cor é subproduto do cimento, dos agregados e da composição química utilizados em sua mistura, podendo ser intencionalmente alterada por meio da pigmentação. Entre as muitas tonalidades exploradas, o vermelho se destaca — não apenas por sua intensidade visual, mas por sua capacidade de enraizar os edifícios em seu lugar, evocar referências culturais e imbuir a arquitetura de uma presença material ao mesmo tempo elemental e expressiva.
A pigmentação do concreto envolve a adição de corantes de base mineral — geralmente óxidos de ferro — durante o processo de mistura. Diferentemente de tintas ou revestimentos aplicados à superfície, esses pigmentos são integrados diretamente à massa do concreto, garantindo que a cor permeie o material e permaneça estável ao longo do tempo. Os pigmentos vermelhos, em particular, são frequentemente derivados do óxido de ferro (Fe₂O₃), um composto natural encontrado na argila, na hematita e em outros minerais ricos em ferro. Sua tonalidade terrosa e profunda conecta a construção contemporânea a técnicas ancestrais — das argamassas pozolânicas romanas às construções de terra vermelha da África Ocidental e da América do Sul.
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Vencedor do Primeiro Prêmio: Nest. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner anunciou os resultados do concurso Kinderspace Edition #2 e lançou a terceira edição anual, o Kinderspace Edition #3, com prazo de inscrição até 26 de novembro de 2025. Após o sucesso de sua edição inaugural, este concurso internacional anual convidou mais uma vez arquitetos/as, designers e educadores/as a explorar novas possibilidades para ambientes de aprendizagem na primeira infância.
Os/As participantes tiveram como tarefa idealizar espaços que inspirem a descoberta, estimulem a imaginação e apoiem o desenvolvimento emocional e cognitivo de crianças pequenas. O objetivo foi ir além do design padronizado de salas de aula e propor espaços inovadores, flexíveis e conectados com a natureza, refletindo uma compreensão mais profunda de como as crianças interagem com o ambiente ao seu redor.
O Japão, conhecido por sua elevada longevidade, enfrenta uma transição demográfica crítica. À medida que o envelhecimento populacional avança, cresce também a demanda por espaços bem projetados e concebidos com sensibilidade para apoiar o cuidado de idosos. Tradicionalmente, a atividade de cuidar estava intrinsecamente ligada à vida familiar, recaindo frequentemente sobre as mulheres em uma sociedade patriarcal. No entanto, com a progressiva dissolução das famílias grandes tradicionais e a consolidação da família nuclear como norma, o cuidado de idosos passa a depender cada vez mais de serviços de assistência social e de instalações especializadas.
Esse cenário impõe um desafio arquitetônico profundo e crescente: como os ambientes de acolhimento podem não apenas atender às necessidades médicas e de enfermagem, mas também promover a dignidade individual, o conforto e interações humanas e não humanas? O projeto ideal para instalações de acolhimento de idosos equilibra a funcionalidade clínica com as nuances do cotidiano — para as próprias pessoas idosas, para aquelas que enfrentam dificuldades decorrentes de condições como a demência, para suas famílias e para os profissionais de cuidado que as apoiam.
No passado, as imagens geradas por inteligência artificial costumavam se assemelhar a experiências psicodélicas — repletas de formas e cores estranhas, por vezes inquietantes. No entanto, avanços recentes na inteligência artificial transformaram esse panorama. Hoje, estamos cercados por imagens cujas origens muitas vezes desconhecemos. De colagens lúdicas a retratos transformados em obras de arte, é inegável que a inteligência artificial se consolidou como parte integrante de nossa paisagem visual. Como Yuval Noah Harari observou em uma entrevista de 2023 à revista *The Economist*, "a IA adquiriu habilidades notáveis para manipular e gerar linguagem — seja por meio de palavras, sons ou imagens. Ela, com efeito, hackeou o sistema operacional da nossa civilização."
A arquitetura, naturalmente, não ficou imune a isso. Geradores de imagem baseados em comandos (*prompts*) inundaram o ambiente virtual com renderizações que variam do surreal ao hiper-realista: cidades futuristas, arranha-céus orgânicos e cabanas utópicas empoleiradas em penhascos idílicos. A maior parte dessas criações é gerada por ferramentas de uso geral que priorizam o ineditismo visual em detrimento da lógica projetual. Contudo, nem todas as plataformas seguem esse caminho. O Gendo, por exemplo, foi desenvolvido especificamente para arquitetos/as e designers, oferecendo um controle mais refinado sobre parâmetros como escala, materialidade e intenção espacial. Seu objetivo não é apenas gerar imagens, mas apoiar o pensamento projetual. Ainda assim, essas ferramentas mais intencionais continuam sendo exceções em um vasto oceano de imagens genéricas e descontextualizadas.
Em A Poética do Espaço, o filósofo francês Gaston Bachelard propõe ler a arquitetura como uma experiência vivida, na qual cada ambiente carrega um significado emocional e simbólico. Ao refletir sobre a casa, ele atribui particular importância aos limiares (janelas, portas, escadas, sótãos, porões) como zonas de transição e ruptura entre o íntimo e o aberto, o conhecido e o desconhecido. Para ele, a janela não é meramente uma abertura funcional, mas um ponto de devaneio e contemplação: é através dela que o/a habitante se projeta no mundo. Essa perspectiva inspira uma abordagem sensível da prática arquitetônica, na qual as fronteiras não se limitam à separação, mas articulam imaginação, memória e desejo.
O ambiente interno é o foco deste segundo artigo sobre projetar considerando o ruído para melhorar o bem-estar. Segundo diversos estudos recentes, o ruído nas cidades tornou-se uma ameaça crescente à saúde. O ruído ambiental — ou seja, aquele proveniente do tráfego, de atividades industriais ou de música amplificada que atinge os espaços internos — não é apenas um incômodo. Ele está associado a doenças cardiovasculares, diabetes, demência e problemas de saúde mental. À medida que o mundo se urbaniza, mais pessoas ficam expostas a níveis excessivos de ruído. Em habitações de média e alta densidade, em edifícios de escritórios e em escolas, a poluição sonora pode emanar tanto de fontes internas quanto externas.
A arquitetura vai além de sua função fundamental de definir espaços e proporcionar proteção; ela molda a experiência do/a usuário/a, influenciando sensações de conforto, amplitude e bem-estar. Entre os muitos elementos que compõem uma edificação, as aberturas desempenham um papel crucial na conexão entre interior e exterior, equilibrando privacidade e transparência, além de permitir a entrada de luz natural e ventilação. Em especial, a luz natural transforma ambientes, define atmosferas e realça detalhes arquitetônicos, tornando os espaços mais dinâmicos e convidativos.
Os espaços de hospitalidade refletem a forma como diferentes culturas articulam generosidade, cuidado, pertencimento e identidade. Em contextos urbanos dinâmicos, isso se traduz em hotéis, sistemas de serviços e comodidades selecionadas que moldam diretamente a experiência de quem os visita. Esses espaços traduzem o cuidado em formas mensuráveis, onde o sucesso está associado à eficiência, ao luxo e à identidade da marca.
Na América rural, no entanto, a hospitalidade opera sob outra lógica. Nesses ambientes, o cuidado se fundamenta no trabalho e na comunidade, ao mesmo tempo que responde diretamente às geografias ecológicas e culturais específicas. A distância, a infraestrutura limitada e as redes sociais estreitas exigem formas de arquitetura que sejam flexíveis e autossuficientes. Os projetos respondem às variações climáticas, aos materiais locais e a uma cultura onde o apoio mútuo costuma começar entre vizinhos. Nessa paisagem, os limiares arquitetônicos da hospitalidade emergem de maneiras adaptativas e, ainda assim, inesperadas.
A Bienal de Arquitetura e Paisagismo de Versalhes de 2025 (BAP! 2025) reúne líderes globais de pensamento em arquitetura para discutir o papel fundamental que a disciplina desempenha no enfrentamento das mudanças climáticas, na sustentabilidade e nas demandas urbanas em constante evolução. Por meio de uma série de entrevistas aprofundadas com curadores/as, arquitetos/as e designers de Paris, Cidade do México e Espanha, o evento oferece uma plataforma para diversas perspectivas sobre como a arquitetura pode responder aos desafios contemporâneos.
A curadoria de Sana Frini e Philippe Rahm lidera a apresentação de uma exposição que explora como a arquitetura pode se adaptar às mudanças ambientais previstas para o futuro próximo. De práticas sustentáveis à integração de contextos culturais, as conversas registradas nestas entrevistas destacam abordagens inovadoras para a criação de espaços que não são apenas funcionais, mas profundamente sensíveis às transformações climáticas e às demandas da sociedade.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142972/arquitetura-para-um-mundo-em-transformacao-reflexoes-da-bienal-de-versalhes-2025ArchDaily Team
Um prêmio de arquitetura atua como um dispositivo de legitimação, capaz de indicar quais abordagens, materiais e estratégias começam a ocupar uma posição central no discurso disciplinar. Ao reunir projetos com programas, escalas e condicionantes distintos, essas iniciativas tornam visíveis prioridades e direções emergentes no campo. Nesse sentido, o Design Awards da Shaw Contract consolidou-se como uma plataforma global de reconhecimento no design de interiores e como um termômetro das transformações que atravessam a disciplina, ao promover uma reflexão sobre o papel do design na construção de ambientes mais responsáveis, inclusivos e sustentáveis.
Transcendendo o papel de mera infraestrutura, as pontes há muito servem como potentes manifestações arquitetônicas. Esse potencial expressivo está sendo explorado agora com vigor renovado em todo o Sudeste Asiático, onde um número crescente de arquitetos e arquitetas está reavaliando os materiais tradicionais. Ao priorizar a madeira e o bambu, esses/as profissionais criam estruturas singulares que integram o artesanato local às demandas contemporâneas, resultando em marcos urbanos que são, ao mesmo tempo, funcionais e profundamente enraizados em suas paisagens.
Yale Art + Architecture Building. Imagem cortesia de Gwathmey Siegel & Associates Architects
Em meados do século XIX, as universidades norte-americanas começaram a distinguir formalmente a arquitetura da engenharia civil e das ciências aplicadas. A arquitetura emergia como uma disciplina definida tanto pela competência técnica quanto pela investigação conceitual, pela imaginação espacial e pelo papel cultural ativo. À medida que essa identidade disciplinar evoluía nas décadas do pós-guerra, sua expressão construída se consolidou na linguagem arquitetônica emergente do Brutalisme.
Em toda a China, um legado de imensas estruturas industriais encontra-se desativado, como resultado direto da transição econômica do país para novas formas de indústria. Esses edifícios caracterizam-se por sua altura colossal e robusta capacidade estrutural. Atualmente, representam um desafio arquitetônico para a renovação urbana contemporânea e um novo campo de debate para a preservação do patrimônio. À medida que são absorvidos pelo crescimento das cidades, arquitetos e arquitetas têm o desafio de transformá-los em ativos funcionais de uso público. Diante disso, intervenções recentes vêm tirando proveito de elementos marcantes, como fornos e chaminés, para reposicionar esses complexos monumentais como marcos urbanos fundamentais.
Segundo diversos estudos recentes, o ruído nas cidades tornou-se um risco crescente para a saúde. O ruído ambiental, ou seja, o ruído proveniente do tráfego, de atividades industriais ou de música amplificada que atinge os espaços internos, não é apenas um incômodo. Ele está associado a doenças cardiovasculares, diabetes, demência e problemas de saúde mental. À medida que o mundo se urbaniza, cada vez mais pessoas ficam expostas a níveis excessivos de ruído. Como o desenho urbano e as estratégias de arquitetura podem ajudar a prevenir esse cenário?
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Segundo Lugar: Branch. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner anunciou os resultados do concurso de arquitetura Howard Waterfall Retreat, um desafio internacional de projeto desenvolvido em estreita colaboração com o Howard Family Trust. O concurso convidou arquitetos/as e designers a proporem um refúgio familiar multigeracional inserido em uma paisagem florestal de propriedade privada no noroeste da Pensilvânia, centrado na presença marcante das quedas d'água Howard Falls e do desfiladeiro circundante.
Em vez de prescrever uma solução arquitetônica única, o programa enfatizou um diálogo cuidadoso entre arquitetura e natureza. Solicitou-se aos/às participantes que considerassem como um refúgio poderia equilibrar a vida compartilhada e a privada, responder à topografia íngreme e aos sistemas hídricos, e integrar-se de forma sustentável em um ambiente ecológico sensível. O projeto também pedia uma interpretação do legado familiar, incentivando os/as designers a reconhecer a história do local e do chalé de verão original, ao mesmo tempo em que imaginavam um refúgio capaz de evoluir ao longo das gerações.
Os materiais podem carregar memória. Mais do que simplesmente dar acabamento a um espaço, eles são capazes de ancorá-lo, moldar sua atmosfera e conectar os interiores a narrativas culturais e materiais mais amplas. Alguns/as arquitetos/as e designers exploram técnicas locais, recursos naturais e tradições artesanais para equilibrar a preservação cultural com a funcionalidade moderna, introduzindo contexto e profundidade. Não se trata necessariamente de um retorno ao passado, mas sim de uma reinterpretação do conhecimento herdado para criar uma arquitetura que ressoe com as necessidades contemporâneas.
A relação sinérgica entre o projeto arquitetônico e a descoberta científica costuma ser pouco abordada, embora represente uma proposta altamente promissora. O ambiente construído possui um imenso potencial para apoiar avanços em pesquisa, inovação e a comunidade científica. Essa influência vai além dos espaços físicos, abrangendo tanto a dinâmica interna quanto o engajamento externo por meio de intervenções estratégicas de projeto que conectam diferentes esferas de impacto, desde pesquisadores/as individuais até a comunidade em geral.
Como se manifesta o otimismo em cidades que já não podem contar com a perfeição como sua ambição máxima? Em todo o mundo, os ambientes urbanos carregam o peso de pressões sobrepostas: instabilidade climática, desigualdade espacial, fragmentação política, desconfiança pública e desinvestimento crônico em infraestrutura. Essas realidades tornam a ideia de uma cidade ideal cada vez mais distante da experiência vivida. Ainda assim, a esperança de construir sistemas melhores persiste. Embora as visões utópicas possam parecer uma fuga das crescentes complexidades do mundo moderno, o maior desafio para o urbanismo contemporâneo é confrontar essas complexidades, em vez de evitá-las.
Baseado em Florianópolis, Brasil, Eduardo Souza traz uma perspectiva refinada para a arquitetura, moldada por seu envolvimento de longa data com design, pesquisa e prática editorial. Tendo crescido em um ambiente profundamente conectado à arquitetura — seu pai é engenheiro civil e professor —, Eduardo desenvolveu desde cedo um fascínio pela criatividade, pelo fazer artesanal e pelo pensamento espacial. Essa base o levou naturalmente a cursar arquitetura e, mais tarde, a explorar o campo editorial, onde a escrita e a curadoria se tornaram extensões de sua paixão pela arquitetura.
Eduardo juntou-se ao ArchDaily como tradutor em seus primeiros anos e, progressivamente, assumiu diversas funções editoriais, desenvolvendo um profundo interesse pela interseção entre materiais, tecnologias e sistemas construtivos. Seu trabalho editorial concentra-se em revelar inovações que desafiam os modos tradicionais de se fazer arquitetura, enfatizando a coerência entre conceito, execução e contexto. Ele dedica atenção especial a práticas sustentáveis, como a circularidade, o uso de materiais locais e as reinterpretações vernáculas que respondem aos desafios ambientais e culturais de hoje.
O mundo moderno está desconectado. As interações on-line dominam o cotidiano das pessoas em escala global. Essa mudança não resulta apenas da ascensão da internet, mas reflete de forma nítida o declínio dos espaços públicos, em especial dos chamados "terceiros lugares". Os terceiros lugares, outrora essenciais para promover a comunidade e a coesão social, evoluíram drasticamente nas últimas décadas. No atual cenário mercantilizado, esses espaços enfrentam diversas exigências, tanto por parte de usuários/as quanto de designers, o que gera a necessidade de reconsiderar sua acessibilidade e seu propósito.