Na busca por fomentar o sentido de pertencimento de seus habitantes, valorizar suas culturas ancestrais e preservar sua identidade, o território latino-americano reconhece uma arquitetura com amplas nuances e características regionais. O uso de técnicas construtivas e materiais locais, ou o diálogo entre o modular e o vernáculo, entre outras questões, revelam a intenção de promover a participação de comunidades nativas, estudantes e suas famílias, povos originários e construtores locais durante o processo de projeto e construção de uma grande variedade de escolas rurais ao longo de toda a América Latina.
Ao longo dos últimos anos, o discurso arquitetônico tem sido moldado pela emergência de novas vozes, territórios redescobertos e por um compromisso crescente com formas compartilhadas de conhecimento. Essas preocupações permanecem plenamente presentes em 2025 como debates contínuos que ganham cada vez mais densidade e nuance. Questões sobre quem produz arquitetura, a partir de quais contextos e sob quais condições continuam centrais, cada vez mais informadas por práticas que operam de forma coletiva, interdisciplinar e para além da autoria individual.
Essa continuidade se reflete em como a arquitetura é entendida menos como um objeto acabado e mais como um processo contínuo integrado a sistemas sociais, culturais e ambientais. Persistem as discussões sobre agência, participação e produção de conhecimento, acompanhadas de uma atenção contínua a contextos rurais, periféricos e historicamente marginalizados. Em vez de privilegiar uma única escala ou geografia, a arquitetura é abordada como uma prática que transita entre territórios, reconhecendo as condições desiguais que moldam como os espaços são projetados, construídos, mantidos e habitados.
Al agua patos de K37.lab (Carlos Iraburu Elizalde, Álvaro Oriol, José Rodríguez-Losada, Carlos Iraburu Bonafé), España.. Image Cortesía de k37.lab
O consolidado festival de arquitetura efêmera e cidade, Concéntrico, prepara-se para sua décima primeira edição, que, como todos os anos, acontecerá na cidade de Logroño. Em 2025, o encontro será de 19 a 24 de junho, com uma programação que incluirá diversas atividades, conferências e percursos para refletir sobre o espaço público, as cidades e nossa forma de intervir e interagir com elas.
As pedras guardam o tempo. Algumas são formadas pela solidificação repentina do magma, como o basalto, cuja estrutura densa e cor escura resultam do resfriamento rápido na superfície. Outras, como o granito, nascem lentamente em profundas câmaras magmáticas, onde o resfriamento gradual permite o crescimento de cristais visíveis, criando padrões e cores únicos. Há também as rochas sedimentares, formadas pela compactação de detritos minerais e orgânicos ao longo de milhões de anos, com tons que refletem sua composição química e o ambiente em que foram depositadas. Ao transformar essa diversidade geológica em uma superfície contínua única, o terrazzo surge como um composto cimentício ou mineral no qual fragmentos de mármore, granito, quartzo, basalto e outras litologias são incorporados a uma matriz aglutinante e, em seguida, polidos para revelar a estrutura e o brilho de cada partícula. Diferentemente de uma superfície homogênea, o terrazzo atua como uma vitrine mineralógica, onde cada agregado preserva sua identidade ao mesmo tempo em que contribui para um todo coerente, podendo se transformar em pisos, revestimentos de parede ou até mesmo mobiliário.
Projetado por Barozzi Veiga, o Musée des Beaux-Arts em Lausanne está equipado pela Arbonia com portas corta-fogo, portas de madeira embutidas e elementos de isolamento acústico feitos de madeira.
Sob a marca suíça Arbonia, estão representadas 14 marcas individuais e duas subsidiárias. Embora a marca, que agora faz sua há muito esperada estreia pública, possa parecer nova, o portfólio de projetos realizados certamente não o é. Um olhar sobre o arquivo de referências, apresentado com destaque pela Arbonia, comprova isso. Entre eles estão projetos de construção para o setor de saúde, escritórios e administração, edifícios históricos, instituições de ensino, hotelaria e empreendimentos residenciais. Três destaques específicos se sobressaem por personificarem de forma única o lema da Arbonia: 'aberto às aspirações'.
A famosa atriz Mae West certa vez descreveu a curva como "a distância mais encantadora entre dois pontos". Embora ela estivesse se referindo ao corpo humano, essa observação vai além da aparência física e toca no cerne daquilo que conforta e acalma a psique humana no design da natureza.
Colinas ondulantes, o arco de uma onda no oceano, o brilho intenso do amanhecer no horizonte—essas formas naturais evocam paz e serenidade a quem as observa. Ao projetar ambientes de trabalho e espaços comuns, é importante que os/as profissionais de design se lembrem de que existem pouquíssimas linhas retas na natureza. Quando bordas suaves, tetos em arco e paredes curvas são aplicados ao interior de um edifício, o design da natureza é trazido para dentro.
A arquitetura nunca se limitou ao ato de construir. Ela negocia constantemente entre a prática material e a reflexão intelectual; no entanto, ao longo dos séculos XX e XXI, muitos/as arquitetos/as sentiram que o projeto construído, por si só, era insuficiente para responder à totalidade das questões que se colocavam à disciplina. Pressões econômicas, contextos políticos e exigências programáticas frequentemente limitavam o escopo da prática profissional.
Em contrapartida, as exposições e plataformas curatoriais criaram espaços de experimentação e crítica, abrindo arenas onde a arquitetura podia interrogar a si mesma, onde seu passado podia ser reinterpretado, seu presente desafiado e seu futuro projetado. Nessa tensão, surgiu a figura do/a arquiteto/a-curador/a, tratando a própria curadoria como uma forma de projeto — não de paredes ou fachadas, mas de discursos, narrativas e estruturas de significado.
A ilha de Taiwan apresenta um contexto natural e topográfico variado, caracterizado por uma área territorial de 36.197 quilômetros quadrados e uma alta densidade populacional de 644 habitantes por quilômetro quadrado. Sua localização geológica, situada na divisa entre as placas tectônicas da Eurásia e do Mar das Filipinas, resulta em uma topografia predominantemente montanhosa e acidentada. Embora essa condição force a maioria dos 23 milhões de habitantes a residir em grandes centros urbanos nas planícies costeiras ocidentais, a ilha mantém um setor agrícola ativo, com cerca de 22% de suas terras destinadas ao cultivo.
Bratislava, a capital de rápido desenvolvimento da Eslováquia—localizada no coração da Europa—continua a fortalecer sua presença no mapa arquitetônico europeu. Como um polo crescente de design contemporâneo—que já abriga projetos de Zaha Hadid Architects, Massimiliano & Doriana Fuksas, Stefano Boeri, Studio Egret West e Snøhetta—, a cidade agora alcançou outro marco importante: foi anunciado um concurso internacional de arquitetura e desenho urbano para moldar o futuro do Zváračák, um dos últimos grandes vazios industriais próximos ao centro da cidade.
Em diferentes climas e paisagens, arquitetos e arquitetas estão reimaginando a casa como um lugar profundamente enraizado em seu entorno, onde a arquitetura e o meio ambiente trabalham em conjunto para promover o bem-estar. Esta seleção curada de residências não construídas, enviadas pela comunidade do ArchDaily, foi concebida como uma série de santuários que oferecem refúgio do ritmo da vida urbana, aproveitando as qualidades restauradoras do verde, da água e do ar livre. A natureza atua como uma presença ativa, moldando pátios, orientando a circulação e influenciando a escolha de materiais e cores.
Castelo de Edimburgo na capital da Escócia. Imagem de 瑞丽江的河水, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Edimburgo, a capital da Escócia, é reconhecida há muito tempo por sua rica história cultural e por sua intrincada malha urbana. A cidade pulsa através de seus museus, de seus edifícios residenciais tradicionais (tenements) e de seu comércio integrado a edifícios georgianos. Em 2022, a Time Out elegeu Edimburgo como a melhor cidade do mundo, destacando sua eficiência na coesão comunitária e em sistemas urbanos como o transporte público. Contudo, à medida que os efeitos das mudanças climáticas se tornam progressivamente visíveis no nível urbano, a cidade inevitavelmente se depara com um dilema urgente: como sustentar essa qualidade de vida sob condições cada vez mais desafiadoras.
O caminho em direção a esse equilíbrio envolve diversas estratégias interligadas — como o retrofit, o reuso adaptativo, o design circular e a colaboração comunitária —, onde cada uma delas contribui para consolidar a visão em constante evolução de Edimburgo rumo a um futuro urbano sustentável.
Nas últimas décadas, uma revolução silenciosa vem transformando a maneira como interagimos com os objetos e sistemas no nosso cotidiano. O que antes exigia manivelas ou mecanismos rotativos, e posteriormente o pressionar de um botão, agora dá lugar a experiências cada vez mais fluidas, intuitivas e livres de toque. Essa mudança é evidente em banheiros públicos, onde a minimização do contato físico promove uma melhor higiene e reduz a propagação de patógenos. Ela também reflete uma transformação mais ampla nos paradigmas de conforto, acessibilidade e eficiência. Dispositivos sem toque, antes restritos a aplicações isoladas em hospitais, aeroportos ou edifícios corporativos, tornaram-se padrão em projetos que priorizam a experiência de uso e a sustentabilidade.
O futuro das cidades tem sido definido há muito tempo pela inteligência: redes de sensores, dados e sistemas de engenharia. De algoritmos de fluxo de tráfego a painéis de controle climático, a cidade inteligente prometia tornar a vida urbana otimizada, mensurável e previsível. No entanto, em meio a essa abundância tecnológica, algo essencial parece ausente: a sensibilidade. As cidades estão se tornando cada vez mais equipadas para processar informações, mas menos capazes de perceber a atmosfera, a emoção ou o cuidado.
Como revelam os debates globais recentes sobre inovação urbana, o próximo desafio não é adicionar mais dispositivos, mas sim cultivar novas formas de consciência. Uma cidade sensível escuta seu clima, se adapta a seus habitantes e responde aos ritmos sutis do ambiente. Nessa transição da computação para a percepção, a arquitetura e o desenho urbano estão redescobrindo a inteligência como uma forma de empatia.
A intersecção entre arquitetura e medicina moldou profundamente o design modernista, campo no qual a transparência, a luz e o ar se tornaram ferramentas essenciais na busca pela saúde. Surgidos a partir da crise de tuberculose do final do século XIX e início do século XX, os sanatórios evoluíram de instalações médicas para campos de testes de inovação arquitetônica. A necessidade de ar fresco, luz solar e esterilidade transformou esses espaços em protótipos para os princípios modernistas, influenciando a organização espacial, as escolhas de materiais e as filosofias de projeto que se estenderam muito além dos cuidados de saúde.
Mais do que locais de tratamento, os sanatórios materializavam as teorias médicas contemporâneas na forma construída. Numa época em que a tuberculose — frequentemente chamada de peste branca — devastava populações em todo o mundo, profissionais da medicina prescreviam a exposição ao ambiente como a principal terapia. A arquitetura adaptou-se a essa demanda, produzindo edifícios com terraços amplos, grandes janelas e interiores de linhas depuradas projetados para otimizar a ventilação e maximizar a luz natural.
Serpentine Gallery Pavilion 2011, projetado por Peter Zumthor. Foto por Walter Herfst
Em 1902, o físico Philipp Lenard descobriu que a fragmentação das gotículas de água em ondas, cachoeiras, chuva ou névoa libera íons negativos no ar. Isso ocorre porque, ao se romperem, as gotículas separam suas cargas elétricas: os elétrons, menores e mais leves, aderem às partículas suspensas no ar, enquanto as cargas positivas permanecem na água ou se dissipam rapidamente. Esse fenômeno aumenta a concentração de íons negativos no ambiente, o que pode influenciar diretamente nosso corpo e mente, interagindo com neurotransmissores e funções celulares essenciais. Não é por acaso que muitas pessoas relatam sensações de bem-estar, energia e clareza mental após passarem algum tempo em praias, cachoeiras ou florestas. No Japão, essa conexão com a natureza é explorada na prática do Shinrin-Yoku, ou "banho de floresta", que promove relaxamento e revitalização simplesmente através do contato com o ambiente natural.
Nos Estados Unidos, quase 1 em cada 10 crianças é afetada pela asma, uma condição com taxas significativamente mais altas nas áreas urbanas do país. No entanto, em uma comunidade nos arredores de Atlanta com uma população de mais de 300 crianças, não foi registrado um único caso da doença. Isso é intencional. A maioria das cidades e bairros do país não é projetada levando em consideração a biologia humana — uma negligência que contribui para a prevalência crescente de doenças cardiovasculares e problemas de saúde mental. Estaríamos tratando condições crônicas como questões puramente médicas quando, na verdade, elas podem ser sintomas de um planejamento urbano deficiente?
À medida que a arquitetura navega por um mundo em rápida mudança, moldado pela urgência ecológica, pela transformação social e pela aceleração tecnológica, a noção de inteligência se transforma. Não mais restrita à cognição individual ou à computação artificial, a inteligência pode emergir da memória cultural, de práticas coletivas e de sistemas adaptativos. Nesse sentido mais amplo, a arquitetura torna-se um campo de convergência onde as inteligências natural, artificial e social se cruzam para oferecer novas formas de projetar e construir.
As tradições vernáculas incorporam gerações de conhecimento ambiental, frequentemente transmitidas por meio de materiais, técnicas de construção e lógicas espaciais finamente sintonizadas com as condições locais; as plataformas participativas expandem a tomada de decisões para comunidades mais amplas para que participem da modelagem de seus ambientes, redistribuindo a agência no processo de projeto; e os processos computacionais simulam e respondem a dados complexos em tempo real, trazendo a capacidade de analisar, simular e responder a variáveis complexas — sejam ambientais, sociais ou comportamentais — oferecendo novas formas de adaptabilidade.
À medida que a inteligência artificial (IA) se torna cada vez mais integrada à sociedade, torna-se essencial pausar e refletir sobre os fundamentos que a sustentam — e as dimensões até as quais ela se estende. No cerne do aprendizado da IA estão os conjuntos de dados (datasets), cuja estrutura e conteúdo moldam a maneira como esses sistemas interpretam e respondem ao mundo. Essa dependência cria uma profunda interdependência — que não apenas informa as capacidades da IA, mas também define seus potenciais pontos cegos. Diante disso, cabe perguntar: quais formas de compreensão esse processo pode excluir, especialmente aquelas difíceis de serem capturadas em formato digital?
Há uma conscientização crescente em torno da sustentabilidade — e do custo ambiental de se demolir prematuramente edifícios seguros e estruturalmente íntegros apenas para substituí-los por novas construções. No esforço mais amplo para reduzir as emissões de carbono, corporações e instituições vêm dando maior ênfase ao desempenho ESG (impacto ambiental, responsabilidade social e governança). Muitas agora exigem inventários de carbono, definem metas "carbono neutro" ou compram créditos de carbono para compensar suas pegadas ecológicas.
Essa mudança, somada a uma onda de projetos exemplares de reúso adaptativo pelo mundo — como o Tai Kwun do Herzog & de Meuron em Hong Kong, o Powerhouse Arts no Brooklyn, o The Ned Doha de David Chipperfield e as transformações de fábricas, pedreiras e fortalezas de terra batida de Xu Tiantian na China —, acelerou uma revisão profunda do reúso como estratégia principal de desenvolvimento. No entanto, apesar de seus inúmeros benefícios, o reúso adaptativo ainda não é tão difundido quanto poderia ser. Por quê? E quais seriam os principais obstáculos e tensões envolvidos?
Em meio à grade ordenada do Giardini della Biennale, o Pavilhão Suíço surge quase reticente. Seus volumes brancos e baixos, concluídos in 1952 por Bruno Giacometti, parecem se distanciar da exibição de orgulho nacional que o cerca. O edifício encarna uma vertente do modernismo que resiste à monumentalidade, na qual a precisão e a contenção substituem o espetáculo, e a arquitetura se torna menos um objeto e mais uma estrutura para o encontro.
Surgido de uma Europa em reconstrução, o pavilhão reflete um momento em que as nações reimaginavam sua presença no mundo. Para a Suíça, a neutralidade era há muito tempo tanto uma postura política quanto uma condição cultural, e Giacometti traduziu essa identidade em uma sequência de salas comedidas dispostas em torno de um pátio aberto, definidas não pelo que contêm, mas por como acolhem a luz, o movimento e a pausa. O resultado é uma arquitetura que não clama por pertencimento, mas convida à atenção por meio do equilíbrio e do cuidado.
A cada ano, a equipe de curadoria de projetos e obras construídas do ArchDaily em Espanhol seleciona o melhor da arquitetura regional. O objetivo não é apenas compartilhá-lo com o nosso público, mas também destacar e promover as boas práticas na arquitetura contemporânea. Este trabalho minucioso busca identificar projetos que se destaquem não apenas por seu design, mas também pelo seu impacto positivo no entorno, pelo uso inovador de materiais e técnicas, e por sua capacidade de responder às necessidades atuais.
Os concursos de arquitetura há muito constituem um meio para as nações moldarem sua identidade, suas paisagens culturais e seu ambiente construído. Eles oferecem uma plataforma para que arquitetos/as internacionais contribuam com projetos nacionais, frequentemente refletindo ambições mais amplas de modernização e reconhecimento global. Em 1976, o Bahrein lançou aquele que seria potencialmente o seu primeiro grande concurso de arquitetura — uma chamada de projetos para um Centro Cultural Nacional, trazendo alguns/mas dos/as principais arquitetos/as do mundo para o discurso arquitetônico emergente do Golfo. Embora o projeto vencedor de Timo Penttilä nunca tenha sido construído, o concurso continua sendo um momento fundamental na história do Bahrein, ilustrando os desafios de traduzir visões externas em realidades locais.
O ambiente construído da Índia tem, nos últimos anos, ganhado visibilidade por meio de um número crescente de projetos transformadores de arquitetura e infraestrutura. Cidades e povoados crescem em escala mais rapidamente a cada ano, apesar das crescentes preocupações com a volatilidade climática e econômica. O país tem demonstrado resiliência ao equilibrar a rápida urbanização com a escassez de recursos; um feito nada desprezível. As práticas arquitetônicas da Índia raramente se apoiam apenas na novidade; elas se estruturam sobre sistemas que existem há séculos. Por meio do especial Building for Billions, do ArchDaily, histórias recorrentes têm destacado a inteligência social e a capacidade adaptativa incorporadas a essas práticas, revelando uma arquitetura que opera menos como forma isolada e mais como infraestrutura.