Hoje, o uso que fazemos do espaço — e, por extensão, o nosso espaço construído — abrange uma variedade de funções, dimensões e configurações. No entanto, uma característica fundamental se destaca: a flexibilidade e o design multiuso. Isso marca uma transição em relação ao modelo tradicional, no qual os ambientes eram rigidamente definidos por suas funções, com áreas distintas para trabalhar, descansar ou socializar, separadas por paredes fixas e sólidas. Um exemplo emblemático dessa mudança são as paredes retráteis de dobramento vertical da Skyfold. Com mais de 10.000 instalações, as paredes móveis da Skyfold redefinem os limites espaciais e aumentam a versatilidade, permitindo ajustes dinâmicos que respondem rapidamente às necessidades em constante evolução. Sua ampla adoção reforça sua eficácia em responder aos desafios dos interiores contemporâneos e do projeto de arquitetura.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140322/alcancando-precisao-no-design-flexivel-o-caminho-para-as-100-paredes-dobraveis-verticais-skyfoldEnrique Tovar
Para alguns, a perfeição da natureza revela a assinatura de uma força divina, algo que desafia explicações racionais. Resultado de milhões de anos de adaptação e evolução, as estruturas e organismos naturais operam com uma eficiência difícil de não admirar. Cada forma parece ter um propósito preciso, exibindo uma engenhosidade onde funcionalidade e beleza coexistem harmoniosamente. Das folhas aos menores organismos, a natureza segue uma lógica impecável de economia e precisão, eliminando desperdícios. Demonstra que a simplicidade é, muitas vezes, a mais pura expressão de sofisticação.
As árvores, por exemplo, crescem de forma a maximizar a força e a estabilidade enquanto minimizam o uso de recursos. Essa eficiência estrutural é alcançada ao alinhar fibras ao longo dos caminhos de máxima tensão e ao modelar troncos e galhos para distribuir cargas de maneira ideal. Isso é uma prova de que a natureza, acima de tudo, é uma engenheira magistral.
O movimento *farm-to-table* (da fazenda à mesa) representa uma mudança profunda na forma como os alimentos são cultivados, distribuídos e consumidos. Baseado na sustentabilidade e no apoio às economias locais, o movimento prioriza ingredientes frescos de origem local e promove relações diretas entre produtores e consumidores. Embora o conceito se concentre na comida, os espaços onde essas conexões ocorrem são igualmente importantes na construção da experiência, destacando o papel fundamental da arquitetura.
Combinando experiência, conhecimento, tradição, inovação e experimentação, o Estudio Planta, com sede em Buenos Aires, Argentina, foca em fomentar a relação entre a arquitetura e a natureza, utilizando a vegetação como material construtivo e integrando os espaços externos ao cotidiano. Ao abordar as diferentes características de cada local, a inovação programática, a sustentabilidade, o cuidado com os materiais nobres e os detalhes construtivos, o estúdio define sua identidade, propondo formas de viver em sintonia com os habitantes e compreendendo o legado que, por meio da arquitetura, pode deixar para a sociedade.
Na arquitetura, a forma como comunicamos nossas ideias é tão importante quanto os espaços que projetamos. No entanto, como podemos transmitir esses pensamentos de maneira mais eficaz? Embora as palavras tenham sua força, os recursos visuais são indispensáveis. Assim como uma partitura musical dá forma a uma melodia, os desenhos transformam conceitos abstratos em formas tangíveis, funcionando como uma linguagem comum para arquitetos/as e designers. Eles facilitam a compreensão e o refinamento dos conceitos de projeto, especialmente em uma era digital em que a precisão da comunicação gráfica é essencial para traduzir a experiência do espaço. Sob essa perspectiva, o Architecture Candy explora a representação gráfica na arquitetura para otimizar e aprimorar a comunicação visual no dinâmico campo profissional da área, que depende cada vez mais de fluxos de trabalho e ferramentas digitais avançadas. O estúdio busca ser uma referência para elevar o nível das propostas com clareza, combinando design e storytelling para traduzir conceitos complexos por meio de uma linguagem minimalista.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140268/conceito-storytelling-e-visualizacao-o-poder-da-comunicacao-grafica-na-arquiteturaEnrique Tovar
No século XXI, o vidro se tornou um material fundamental para a arquitetura. Antes limitado a esquadrias e aberturas, hoje o vidro domina fachadas inteiras, especialmente em edifícios altos, onde o fechamento transparente é preferido para maximizar as vistas. Os avanços tecnológicos do vidro têm sido notáveis, transitando de painéis de vidro simples, como os usados nas esquadrias de ferro da Bauhaus, para os sistemas atuais de vidro triplo com preenchimento de gases especializados, como o argônio, projetados para solucionar as antigas limitações térmicas do material.
As transações de direitos sobre o espaço aéreo tornaram-se fundamentais no desenvolvimento urbano, permitindo que as cidades cresçam verticalmente ao mesmo tempo em que preservam recursos de solo limitados. Tipicamente definidos como o direito de usar ou vender o espaço acima de uma propriedade, esses direitos permitem que proprietários/as de imóveis transfiram o coeficiente de aproveitamento (FAR) não utilizado para lotes vizinhos, gerando maior densidade e oportunidades de ganho financeiro. Contudo, essa definição pode variar de acordo com a localidade e a região, uma vez que cada país interpreta de maneira distinta os direitos sobre o espaço aéreo e a capacidade de construí-lo ou transferi-lo. À medida que os centros urbanos enfrentam pressões crescentes devido à escassez de terras e ao crescimento populacional, esses direitos continuam a oferecer uma solução criativa que fomenta a inovação arquitetônica e a eficiência econômica.
O Aedes Architectural Forum, em Berlim, apresenta ao longo dos próximos dois meses a trajetória e as obras de Christoph Hesse Architects. A exposição, intitulada "Rural Rebellion", concentra-se nos projetos arquitetônicos do escritório que abordam os desafios de se trabalhar em áreas rurais, especialmente em Korbach — cidade natal de Hesse — e em outros vilarejos da Alemanha. A mostra destaca como a prática reimagina e reinterpreta métodos construtivos tradicionais, traduzindo-os para contextos contemporâneos e enfatizando uma abordagem coletiva e colaborativa da arquitetura.
Uma superfície faz mais do que simplesmente cobrir um espaço — ela o transforma, infundindo personalidade, ritmo e alma. Deixa de ser um mero pano de fundo para se tornar um elemento ativo que molda a atmosfera por meio da interação entre material, forma e luz. O equilíbrio do toque, a espessura, as incisões, os tons e os reflexos luminosos podem transformar superfícies em experiências sensoriais. Texturas podem evocar estabilidade ou leveza, sulcos introduzem dinamismo, cores definem estados de espírito e a luz esculpe profundidade e movimento. A cerâmica, com sua versatilidade estética e funcional, é particularmente adequada para esse papel, oferecendo a arquitetos e arquitetas uma ampla paleta de possibilidades criativas.
A Bienal de Arquitetura Beta 2024, em Timișoara, na Romênia, marca o décimo aniversário deste influente evento. Com curadoria de Oana Stănescu, a edição deste ano, intitulada "cover me softly", explora as nuances da relação entre originalidade e influência, desafiando noções convencionais de cópia, imitação e apropriação. Além do Beta Awards, que busca destacar contribuições significativas para a arquitetura na Romênia, Hungria e Sérvia, a exposição principal oferece uma interpretação singular de temas recorrentes no campo da arquitetura.
A acessibilidade na arquitetura é fundamental para a criação de ambientes construídos que acolham pessoas de todas as idades, desde crianças pequenas até idosos/as. Tanto em edifícios públicos quanto privados — sejam residências, infraestruturas ou instalações —, o projeto de fluxos internos, áreas de circulação e entradas e saídas deve priorizar a segurança, a clareza e a eficiência. Essa abordagem facilita as atividades cotidianas e, em última análise, melhora a qualidade de vida. A ASSA ABLOY Entrance Systems oferece uma ampla gama de produtos, incluindo portas automáticas, industriais e comerciais, além de soluções digitais, para atender às necessidades dos/as usuários/as.
A Villa Cavrois se consolida como um poderoso testemunho do modernismo inicial e da visão do arquiteto Robert Mallet-Stevens. Construída entre 1929 and 1932 em Croix, na França, esta residência histórica foi encomendada por Paul Cavrois, um importante industrial do setor têxtil, com o objetivo de materializar os valores modernos e abrigar sua família em crescimento. O projeto de Mallet-Stevens funde os ideais modernistas a uma estética luxuosa e funcional que rompe drasticamente com os estilos tradicionais, configurando um espaço definido por linhas puras, proporções equilibradas e materiais inovadores.
Muito mais do que uma casa de família, a Villa Cavrois foi concebida como um manifesto arquitetônico, apresentando novas e ousadas ideias para o desenho residencial que inspirariam gerações futuras. Sua distribuição espacial meticulosamente planejada, seus recursos tecnológicos avançados e a conexão harmoniosa com a paisagem circundante a posicionaram como um símbolo do habitar moderno.
La Valiente Focaccería + Maíz / OHIO Estudio. Image Cortesía de OHIO Estudio
Criar espaços de interação social envolve processos de projeto que buscam enfrentar a individualização do ser, fomentando os vínculos e as conexões entre as pessoas. Embora o avanço das tecnologias de informação e comunicação traga novas ferramentas que otimizam o desenvolvimento de certas atividades e funções, seu impacto na sociedade tende, por vezes, a intensificar práticas individuais como o trabalho remoto, atividades físicas à distância por aplicativos ou o consumo digital de bens, serviços e eventos, entre outros. Da arquitetura ao design de interiores, passando pelo urbanismo, inúmeros escritórios emergentes enfrentam o desafio de consolidar espaços de interação social por meio de estratégias de projeto, usos e conexões naturais que evitem a substituição do espaço físico pelo virtual.
Buildner anunciou os resultados de seu concurso, o Last Nuclear Bomb Memorial No. 4. A competição é realizada anualmente em apoio à proibição universal de armas nucleares. Em 2017, no 75º aniversário dos bombardeios de 1945 em Nagasaki e Hiroshima, que tiraram a vida de mais de 100 mil pessoas, a Organização das Nações Unidas adotou o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares.
Em reconhecimento a esse tratado, a Buildner convida o desenvolvimento de projetos conceituais para um memorial a ser implantado em qualquer local conhecido de testes de armas nucleares desativado. O memorial conceitual busca refletir sobre a história e a ameaça contínua das armas nucleares, com o objetivo de promover a conscientização pública sobre o desarmamento nuclear.
Playtime movie (Jaques Tati 1967) . Image via screenshot
Espera-se que a crítica de arquitetura e o jornalismo anunciem “o bom, o ruim e o feio” na arquitetura e no ambiente construído. Seus propósitos, porém, vão além disso. Como disse Michael Sorkin, “vendo além da novidade brilhante da forma, é papel da crítica avaliar e promover os efeitos positivos que a arquitetura pode trazer à sociedade e ao mundo em geral”. Em outras palavras, ao nos dizer o que estão vendo, os críticos também estão nos mostrando onde olhar para identificar e abordar os problemas que assolam nosso ambiente construído.
O campo do jornalismo de arquitetura tem sido liderado por escritoras mesmo em tempos nos quais que a busca pela carreira na arquitetura era desencorajada e inacessível para as mulheres. Ada Louise Huxtable estabeleceu a profissão de jornalista de arquitetura ao ocupar o primeiro cargo em tempo integral de crítica de arquitetura em um jornal americano de interesse geral. Em 1970, ela também recebeu o primeiro Prêmio Pulitzer de crítica. Esther McCoy começou sua carreira como desenhista em um escritório de arquitetura mas, por causa de seu gênero, foi desencorajada a se formar como arquiteta profissional, apesar de suas ambições de se especializar na área. Através de seus escritos, ela conseguiu chamar atenção para a cena arquitetônica negligenciada da costa oeste americana e defender os valores do modernismo regional.
Documentário “Women in Architecture”: Tosin Oshinowo. Imagem cortesia de SkyFrame
A arquitetura é uma disciplina em que teoria e prática se encontram, transformando ideias abstratas em espaços que moldam e respondem às vidas e identidades humanas. Para a arquiteta e curadora nigeriana Tosin Oshinowo, essa dinâmica está no cerne de seu trabalho. Como fundadora do Oshinowo Studio e curadora da Trienal de Arquitetura de Sharjah de 2023, ela traçou um caminho singular na arquitetura contemporânea, combinando especificidade cultural, consciência climática e relevância global.
Dois museus na África construídos em meados do século XX levam o nome de "Museu Nacional". Eles refletem a trajetória histórica de suas respectivas nações e estão vinculados a noções de identidade nacional. Ambos também são exemplos de uma arquitetura refinada, baseada nos princípios do Modernismo, movimento associado à construção nacional na África. Contudo, suas concepções e propósitos seguiram caminhos bastante distintos. Este artigo explora a arquitetura — ainda pouco divulgada — do Museu Nacional de Gana em Acra e do Museu Nacional do Sudão em Cartum.
Qual papel desempenham as superfícies de vidro na conexão entre a arquitetura contemporânea, a natureza e a experiência de quem habita os espaços interiores? A evolução do fechamento de vidro acompanha o desenvolvimento da arquitetura contemporânea, tendo na transmissão da luz natural uma de suas principais qualidades. Além disso, a versatilidade do material e seu caráter transparente permitem diluir os limites entre interiores e exteriores, ao mesmo tempo em que despertam diversas percepções sensoriais e psicológicas, entre outras virtudes. Em sua busca constante por inovação, a Glasstech oferece uma ampla gama de soluções em vidro, envolvendo-se de maneira integral desde a concepção do projeto até a sua instalação. Para ilustrar suas diversas aplicações, apresentamos a Casa Bosque, no Chile, como um exemplo notável de arquitetura em harmonia com seu entorno natural.
O mundo perdeu 60% de suas populações de animais desde 1970. Esse declínio impressionante reflete as crescentes pressões sobre os ecossistemas, desde a destruição de habitats até as mudanças climáticas. Além disso, um milhão de espécies enfrentam hoje a ameaça de extinção. À medida que esses problemas continuam a se agravar, a importância de preservar a biodiversidade e restaurar os ecossistemas torna-se cada vez mais evidente.
Antigas civilizações indianas floresceram às margens dos muitos rios do país, consolidando uma conexão entre a água e a cultura que resiste até hoje. Os rios sempre foram fundamentais para as diversas comunidades da Índia, servindo como recursos essenciais para a vida cotidiana e as práticas espirituais. Historicamente, esses corpos d'água contavam com um forte senso de custódia coletiva, sendo cuidados de forma comunitária pelas populações que deles dependiam. Hoje, a responsabilidade sobre os rios divide-se entre múltiplos agentes, exigindo um esforço conjunto que reconheça sua importância cultural.
Em uma paisagem urbana em rápida evolução, o novo edifício residencial redefine o conceito de vida em comunidade. O Gardea Residencial está localizado em Miralbueno, um dos 15 bairros da cidade de Zaragoza, uma área caracterizada pela expansão de empreendimentos residenciais. O projeto exemplifica um design funcional e sustentável, materializado em dois blocos lineares, cada um otimizando o espaço disponível com um subsolo, um pavimento térreo e pavimentos adicionais—dois em um bloco e três no outro. Com seu desenho elegante, o edifício concebido pelo escritório Tash&Partners apresenta uma fachada ventilada feita de placas cerâmicas extrudadas de porcelanato da Faveker. Estas placas, além de serem recicláveis, potencializam a sustentabilidade e a eficiência do conjunto.
A Forestier colabora com designers de renome para criar peças de iluminação que misturam formas geométricas e orgânicas, valorizando qualquer espaço interior. Imagem cortesia de Forestier
Lida isoladamente, a premissa da Maison Forestier de uma constante "busca pela originalidade perpétua e o domínio do delicado equilíbrio entre a natureza e o design" pode soar um pouco abstrata. No entanto, a marca parisiense de iluminação – desde sua fundação inspirada na topiaria por Bernard Forestier em 1992 – conquistou um nicho singular em seu setor, unindo paixão, liberdade e descoberta para criar peças radiantes que mesclam uma estética única com extrema funcionalidade, adaptando-se aos mais diversos ambientes.