Hoje em dia, é fundamental incorporar aos conceitos de projeto e funcionalidade estratégias que ajudem a limitar as emissões geradas pelos edifícios durante sua vida útil para combater as mudanças climáticas. Isso torna a redução do carbono incorporado na construção uma questão urgente, fazendo com que profissionais da área a levem cada vez mais em consideração para construir com uma menor pegada de carbono, em consonância com os princípios de circularidade, desenvolvimento sustentável e eficiência energética.
Para desenvolver materiais que satisfaçam as necessidades do futuro, é importante considerar os desafios do passado e do presente. O concreto, um material de construção amplamente utilizado, mantém sua composição básica desde sua concepção moderna no século XIX, com a invenção do cimento Portland por Joseph Aspdin. O concreto é altamente valorizado por sua resistência e coesão, tornando-se um dos materiais mais utilizados no mundo. Graças às suas características técnicas e estéticas, arquitetos e arquitetas ergueram obras como o edifício da CEPAL e a capela de Palmira, as quais se tornaram marcos da produção arquitetônica atual. Atualmente, porém, tais características já não são o único critério para avaliar o valor de um material, dada a crescente necessidade de criar soluções com foco sustentável. A indústria do concreto, por sua vez, emite uma quantidade significativa de poluentes na atmosfera, representando cerca de 8% das emissões globais de CO₂.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138201/concreto-fotocatalitico-uma-abordagem-sustentavel-para-a-qualidade-do-ar-na-construcaoEnrique Tovar
As cidades precisam se preparar para uma onda de declínio dos templos religiosos. Enquanto as instituições de fé, ao menos as cristãs, vêm se perguntando "O que Jesus faria?" (WWJD, na sigla em inglês), as administrações municipais precisam induzi-las a fazer outra pergunta: "O que Jane Jacobs faria?" (WWJJD). Esse questionamento pode abrir caminho para um novo modelo de templos verdadeiramente comunitários.
À medida que o setor da construção civil transita para um modelo mais sustentável, a transparência se torna cada vez mais indispensável. Com a crescente ênfase em práticas de menor impacto ecológico, profissionais de arquitetura, planejamento e outras áreas querem garantir que os materiais utilizados tenham o menor impacto possível no planeta. As Declarações Ambientais de Produto (EPDs, na sigla em inglês) são ferramentas fundamentais para mensurar esse impacto com precisão.
Em janeiro, a Holcim Alemanha tornou-se a primeira empresa na Europa a publicar EPDs para todo o seu portfólio de cimento. Além disso, é a primeira empresa alemã a disponibilizar a seus clientes EPDs específicas de produto para concreto usinado.
O brutalismo é um estilo arquitetônico que surgiu na década de 1950 e se popularizou na década de 1960. Seu nome deriva do francês "béton brut", que significa "concreto bruto", já que esse material é um dos elementos mais característicos do estilo. Suas principais características incluem o uso do concreto aparente, proporcionando visuais em que a textura e a tonalidade natural são as protagonistas das edificações. Os edifícios brutalistas costumam apresentar uma estética austera e massiva, com formas geométricas simples e repetitivas. O uso de materiais industriais e técnicas construtivas inovadoras também é comum no brutalismo.
O espaço transparente de transição: como mostra esta renderização, o Proline T da Solarlux pode envolver completamente os edifícios com superfícies de vidro, com módulos que se dobram de forma variável para economizar espaço. Imagem cortesia de Solarlux
Para os moradores urbanos, as varandas podem ser uma verdadeira bênção. Elas fazem a mediação entre moradias compactas sobrepostas e a vastidão e vivacidade do bairro ao redor. Podem ser transformadas em pequenos oásis paisagísticos, e é possível até mesmo passar as férias na "varanda". Para arquitetos/as, elas oferecem um elemento muito bem-vindo para estruturar a fachada. No entanto, elas também representam um desafio, já que nem toda varanda está voltada para um jardim ou uma rua lateral tranquila.
O elo entre a fotografia de arquitetura e a arqueologia em meu trabalho é bastante pessoal. Trata-se mais de experiências capazes de moldar a visão estética individual do que de uma estrutura teórica subjacente e consciente. Evidentemente, essa estrutura existe, assim como um modo particular de observar as estruturas e a materialidade das superfícies que decorre diretamente do repertório técnico adquirido por meio da pesquisa arqueológica.
A importância da iluminação no design de interiores é inquestionável: quando bem executada, ela não apenas acenta os elementos arquitetônicos de um espaço, mas também faz com que os/as habitantes se sintam à vontade. Como explica Carmelo Zappulla, do estúdio de iluminação External Reference, em uma entrevista à Architonic, a luz é uma ferramenta crucial para adicionar um elemento emocional e "animar um espaço".
Há uma infinidade de opções de iluminação artificial disponíveis. A escolha da melhor opção geralmente depende da natureza do interior em questão e do efeito espacial desejado. Uma das técnicas mais comuns é a iluminação indireta. Esse recurso utiliza luminárias para direcionar a luz sobre superfícies que atuam como refletores, suavizando os raios emitidos para evitar feixes concentrados e volumosos, em prol de um brilho distribuído de maneira mais uniforme.
No universo da arquitetura contemporânea e das tendências de design, o tema da biofilia está se espalhando de forma implacável por plantas baixas, mood boards e interiores finalizados, como manteiga em um pão quente. Assim, falar de espaços ao ar livre com materiais naturais, ar puro, luz natural e vistas amplas pode parecer um disco riscado, mas às vezes tudo o que se quer é continuar apertando o "repetir". Afinal, assim como a manteiga no pão quente, o que é bom nunca é demais.
Estes espaços de banho se abrem, tanto figurada quanto literalmente, para o ambiente externo em uma variedade de climas ao redor do mundo, sem esquecer seu propósito principal: proporcionar um santuário de calmaria e conforto em um mundo estressante.
Buscando valorizar a riqueza e a variedade do patrimônio arquitetônico da cidade de Madri, na Espanha, surge “Fachadas de Madrid”, um projeto de ilustração digital que alia representação artística e divulgação arquitetônica. Representando por meio de desenhos de elevação as fachadas de seus edifícios mais icônicos e emblemáticos, bem como daqueles com especial interesse sob a perspectiva arquitetônica, histórica ou patrimonial, Laura Arribas está à frente da produção desta série de ilustrações que cresce a cada dia, revelando um estilo intencionalmente técnico com um alto nível de detalhamento.
Portas de correr embutidas economizam espaço e desaparecem dentro das paredes para criar conexões fluidas entre ambientes adjacentes. Imagem cortesia de Ermetika
Em um mundo ideal, as portas poderiam desaparecer e reaparecer de forma fluida, criando conexões e barreiras quando necessário para proporcionar a máxima flexibilidade. Os interiores residenciais combinam cada vez mais trabalho e lazer, exigindo tanto convivência quanto privacidade, e o mesmo se aplica aos espaços de trabalho, que adotam de forma crescente soluções adaptáveis para conectar diferentes zonas e atividades. Conceitos espaciais consagrados, como a planta livre ou a divisão em várias salas pequenas e compartimentadas, já não são suficientes, pois, por si só, não oferecem flexibilidade e adaptabilidade reais.
A Bienal de Arquitetura de Mídia 2023 (MAB23) acontece de 14 a 15 de junho (online) e de 21 a 23 de junho (presencial) em Toronto, no Canadá. O evento, que conta com palestras, mesas-redondas e premiações, busca oferecer uma plataforma para comunidades de pesquisa e de prática profissional voltadas à mídia e ao ambiente construído. A MAB23 reunirá estudantes, a comunidade acadêmica e profissionais das áreas de arquitetura, arte, design, planejamento urbano, mídia e comunicação, informática urbana e políticas públicas para compartilhar novas ideias e moldar esse campo em constante evolução.
As reformas não são apenas uma forma popular de atualizar e modernizar residências, escritórios e outras estruturas, mas também um componente crítico para reduzir as emissões de carbono e alcançar as metas do Acordo de Paris. O parque imobiliário existente é responsável por uma parcela significativa das emissões globais de carbono, sendo os edifícios de baixa eficiência energética um dos principais fatores contribuintes.
De acordo com um relatório do Financial Times, há um grande déficit de eficiência energética no parque habitacional do Reino Unido, com muitos edifícios aquém do seu potencial de desempenho energético. Como era de se esperar, os edifícios antigos no Reino Unido são apontados como um dos principais fatores que contribuem para essa lacuna de eficiência energética.
A moradia não é apenas o lugar onde vivemos. É um reflexo da nossa sociedade, da nossa cultura e das nossas aspirações. É um espaço que influencia nossa qualidade de vida, nossa saúde e nosso bem-estar. E em um mundo que muda a ritmos sem precedentes, no qual as tecnologias avançam a passos largos, a população cresce e os recursos escasseiam, é fundamental refletir sobre como habitamos e como podemos tornar nossas moradias melhores.
O ArchDaily abriu o debate sobre o tema da habitação contemporânea durante todo o mês de abril. Fizemos um convite a nossos leitores e leitoras para que se somassem à discussão sobre seu estado atual e seu futuro. Após analisar uma imensa quantidade de comentários e opiniões, tanto de profissionais da construção civil quanto de estudantes e pessoas interessadas em arquitetura, foi uma surpresa encontrar pontos em comum sobre como, antes de mais nada, a habitação contemporânea diz muito tanto sobre adaptabilidade, inovação e diversidade, quanto sobre especulação imobiliária, falta de políticas públicas adequadas e desigualdade econômica. Conheça em detalhes os principais pontos de vista a seguir.
Como criar o melhor ambiente possível para que as pessoas idosas vivam e desfrutem da maturidade? Esta parece ser a questão central por trás da casa de repouso Wentworth Grange, no norte da Inglaterra. Aqui, a palavra 'cuidado' assume uma grande variedade de significados. Aspectos essenciais como acomodação, nutrição e serviços de enfermagem receberam máxima atenção, combinando-se para oferecer uma experiência ideal para esse período da vida. A perspicaz interpretação do cuidado adotada pela Wentworth Grange é visível na arquitetura, no jardim, nos interiores e até nos uniformes da equipe, demonstrando sensibilidade e a compreensão de como o ambiente físico influencia o bem-estar diário.
Como resultado de um seminário-oficina organizado por COMUNAL, no qual foram realizadas leituras e reflexões críticas tendo como ponto de partida textos sobre o habitar e a autonomia, a Produção e Gestão Social do Habitat, o Desenho Participativo e a Pedagogia crítica, foi lançado um fanzine coletivo que pode ser baixado gratuitamente neste link. O documento surge como uma proposta que permite imaginar e construir novas narrativas para produzir e compartilhar saberes.
Perspectiva exterior por Nicolás Belcic. Image Cortesía de Bruno Stagno
A partir da Costa Rica, o arquiteto Bruno Stagno não apenas reflete sobre como as respostas ao meio ambiente podem constituir a base principal de inspiração e identidade da arquitetura, mas propõe ir além, apresentando uma arquitetura tropical contemporânea voltada para toda uma latitude.
O que acontece quando esses limites se expandem? O que ocorre quando tais motivações extrapolam o contexto tropical? Bruno Stagno nos apresenta aqui o projeto “Um Manguezal para Berlim”, sua proposta para o concurso de 1995 voltado à reconstrução da Academia de Arquitetura de Berlim ("Berliner Bauakademie"), obra emblemática do arquiteto Friedrich Schinkel.
Como resultado do projeto de pesquisa MuWo - Mulheres na cultura arquitetônica (pós)moderna espanhola (1965-2000), foi apresentado o mapa interativo digital de arquiteturas idealizadas por mulheres na Espanha, que busca estudar e dar visibilidade ao trabalho das mulheres na arquitetura. Sendo uma delas a arquiteta Myriam Goluboff Scheps, propusemo-nos a investigar sua história, seus ideais e pensamentos a partir de uma de suas obras mais reconhecidas: as piscinas descobertas para a Deputação de A Coruña.
Visualização e tecnologia andam juntas há muito tempo. Trata-se, afinal, de um meio de representação da arquitetura que sempre dependeu do avanço tecnológico para acompanhar as demandas de um público crescente em diversos setores. Contudo, o fato de serem inseparáveis não significa que a tecnologia deva ditar o modo como a visualização é empregada. À medida que a tecnologia avança, ela se torna menos intrusiva, permitindo que o conhecimento técnico fique em segundo plano para dar protagonismo ao processo criativo e à exploração projetual.
A nova versão do Lumion chega a um cenário de visualização que se transformou drasticamente na última década. A busca pelo fotorrealismo, que dominou grande parte do desenvolvimento tecnológico da visualização, foi amplamente alcançada pela grande maioria de quem a utiliza. Hoje, uma visualização eficaz já não é uma exceção à regra, mas sim uma expectativa crescente. Como explica Remko Jacobs, fundador e Diretor de Tecnologia do Lumion: “o fotorrealismo está consolidado, especialmente na representação externa de edifícios. É muito mais fácil criar algo que tenha uma boa aparência”.
Aplicación de colección XTONE Cyclone Black. Image Cortesía de Porcelanosa
Este ano, a Porcelanosa celebra 50 anos inspirando arquitetos e arquitetas, estimulando sua exploração criativa no design e dando vida a projetos que permanecem na memória. Desde sua fundação em 1973, em Vila-real (Espanha), a Porcelanosa tornou-se uma referência para a arquitetura, o design e o design de interiores, concentrando sua produção em pisos, revestimentos monoporosos, grés e porcelanato. Ao transformar a tradicional fabricação com argila vermelha, José Soriano e os irmãos Hector e Manuel Colonques introduziram o toque distintivo da cerâmica no design.
Além do desenvolvimento de soluções integrais para o design de espaços, ano após ano, a Porcelanosa lança tendências em materiais, texturas e decoração de interiores. Além disso, desde 2018 a marca organiza uma mostra internacional onde apresenta as tendências anuais no design de pisos, revestimentos, cozinhas, banheiros e outros elementos, como armários, mobiliário e iluminação.
A madeira maciça, utilizada desde a pré-história e ainda muito valorizada hoje em dia, é extraída diretamente das árvores sem passar por processos de laminação, prensagem ou colagem. Embora continue sendo um material de uso universal na arquitetura, sua ampla utilização gerou um aumento na demanda e uma gestão de recursos menos eficiente. Diante disso, busca-se otimizar seu uso nos processos produtivos e reduzir seu consumo sem perder suas propriedades e beleza característica. Para enfrentar problemas como empenamento, envelhecimento e os altos custos ambientais associados à madeira maciça, foram desenvolvidos materiais como o Technowood. Ao combinar tecnologia e compostos de alta resistência com lâminas de madeira natural, o Technowood mantém a beleza e as características da madeira maciça, porém com maior durabilidade e uma abordagem sustentável, apresentando-se como uma alternativa viável.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138307/criando-fachadas-decorativas-e-duradouras-com-madeira-natural-e-tecnologiaEnrique Tovar
Nesta primeira matéria, conversamos com a coordenadora do Comitê Científico, Mette Ramsgaard Thomsen, professora e chefe do CITA (Centro de TI e Arquitetura) na Escola de Arquitetura, Design e Conservação da Real Academia Dinamarquesa de Belas Artes. Ela também co-preside o painel design para Repensar Recursos ao lado de Carlo Ratti, professor e diretor do Senseable City Lab do MIT e sócio-fundador do escritório CRA-Carlo Ratti Associati.
Embora menos conhecida, a cidade húngara de Veszprém é uma das mais antigas e importantes do país. Nomeada Capital Europeia da Cultura em 2023, Veszprém ostenta uma longa história, visível em seus monumentos arquitetônicos em constante evolução, mas bem preservados. De fato, ao caminhar por suas ruas, uma das primeiras observações notáveis é o ecletismo e as camadas de edifícios historicamente diversos que surgem de forma esporádica. Apesar da diferença de estilos e linguagens arquitetônicas, essas estruturas contam, coletivamente, a história da região e sua relevância espiritual e política. Suas ruas propícias para pedestres, além de numerosos parques e espaços públicos, conectam os monumentos de Veszprém, convidando a um passeio histórico.
O Minimaforms apresenta The Order of Time na galeria da Architectural Association School of Architecture. Trata-se de uma instalação imersiva que busca conectar as preocupações da física, da arte e da arquitetura, revelando a ordenação dos espaços e as relações construídas por meio da experiência direta.
Três instalações escultóricas são o destaque da exposição. Organizações esféricas implantadas através de uma lógica matemática e projetadas para ampliar o espaço dentro de caixas de luz reflexivas, oferecendo ao espectador um novo momento de imersão a cada passo. O ArchDaily teve a oportunidade de conversar com Theodore Spyropoulos, artista, arquiteto/a no Minimaforms e diretor/a do Design Research Lab da Architectural Association, sobre temas que abordam a natureza interdisciplinar da arquitetura, o processo criativo da instalação e como ela influencia a criação de espaços, edifícios e cidades.