O uso da tecnologia tornou-se vital na documentação e conservação do patrimônio histórico, especialmente em circunstâncias difíceis ou urgentes. Após a destruição de diversos marcos da cidade histórica de Palmira durante a guerra na Síria em 2015, equipes de conservação construíram modelos digitais tridimensionais da cidade destruída para auxiliar em sua reconstrução futura. A destruição dos Budas de Bamiyan no Afeganistão em 2001, com pouquíssima documentação prévia, impulsionou ações de salvaguarda de monumentos vulneráveis, como a criação do CyArk. Mais recentemente, levantamentos digitais detalhados e um modelo BIM de patrimônio histórico foram essenciais na restauração da Catedral de Notre-Dame em Paris, após o devastador incêndio de 2019.
À medida que as cidades crescem e o solo disponível se torna mais escasso, a arquitetura de edifícios altos desempenha um papel fundamental no enfrentamento da densidade urbana, ao mesmo tempo que molda novas formas de viver e trabalhar. As edificações em altura estão evoluindo para além de suas funções tradicionais, integrando estratégias ambientais, promovendo o engajamento público e contribuindo para a malha urbana. Arquitetos e arquitetas exploram novos materiais, tecnologias de eficiência energética e configurações espaciais que tornam as torres mais adaptáveis ao seu entorno. Alguns projetos incorporam espaços verdes e áreas comuns para fortalecer a conexão entre o ambiente construído e seus usuários, ao passo que outros introduzem técnicas construtivas inovadoras para ampliar a sustentabilidade e a eficiência.
Entre os projetos desta seleção, enviados pela comunidade do ArchDaily, o *The Residences at 1428 Brickell*, projetado pelo escritório Arquitectonica em Miami, nos Estados Unidos, apresenta uma fachada com captação de energia solar que atende a parte das demandas energéticas do edifício. Em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o *AVA* da SOMA propõe uma transição da escala urbana para um ambiente mais reservado e caracterizado pela presença da água, com foco na moradia de alto padrão. Em Bangkok, na Tailândia, o HAS Design and Research propõe a *Bangkok Civic Center Tower* como uma nova tipologia de espaço público, combinando paisagens verdes com superfícies espelhadas para conectar a cidade à natureza. Esses projetos refletem diferentes abordagens para a arquitetura vertical e destacam como projetistas estão respondendo aos desafios e às oportunidades de ambientes urbanos densos.
Caleb Whiting dogbear869, CC0, via Wikimedia Commons
Dubai evoluiu de um humilde porto comercial para uma metrópole global, renomada por seu skyline futurista e feitos arquitetônicos pioneiros. No início do século XX, sua paisagem era moldada por casas árabes tradicionais com pátios internos e torres de vento, projetadas para resistir ao rigoroso clima árido. A descoberta de petróleo na década de 1960 marcou um ponto de virada, desencadeando uma rápida urbanização. Ao longo das décadas de 1970 e 1980, o boom da construção civil, impulsionado pelas receitas do petróleo, levou ao surgimento de grandes edifícios de concreto e complexos de apartamentos de baixa altura, acomodando o fluxo de expatriados atraídos pela economia próspera dos Emirados Árabes Unidos (EAU). No século XXI, os EAU testemunharam avanços arquitetônicos sem precedentes. Projetos emblemáticos como o Burj Khalifa — o edifício mais alto do mundo — e a Palm Jumeirah — um arquipélago artificial — transformaram a silhueta urbana do país, consolidando a reputação dos EAU como um polo global de ambição e inovação arquitetônica.
Esse rápido crescimento também trouxe diversos desafios em todo o território dos EAU, particularmente na habitação e na dificuldade de garantir condições dignas de vida para a classe trabalhadora. Dubai serve como um exemplo notável de como a expansão urbana transformou o país, mas diferentes geografias e regiões dentro dos EAU têm necessidades distintas, moldadas por seus ambientes e comunidades locais. O concurso House of the Future — organizado pela Buildner em parceria com o Sheikh Zayed Housing Programme — convoca mentes visionárias a repensar a arquitetura residencial em todos os Emirados Árabes Unidos. Com inscrições abertas até 30 de abril, a competição oferece uma plataforma para ideias audaciosas que possam moldar as casas do amanhã, respondendo às demandas variadas de diferentes localidades.
Entre as 45 propostas concorrentes para o Pavilhão do Chile na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2025, o projeto vencedor foi anunciado recentemente. Trata-se de 'Reflective Intelligences', proposta curatorial de Serena Dambrosio, arquiteto/a, pesquisador/a e docente na Universidad Diego Portales; Nicolás Díaz Bejarano, arquiteto/a, pesquisador/a, docente e doutorando/a em Arquitetura e Estudos Urbanos na Pontificia Universidad Católica de Chile; e Linda Schilling Cuellar, arquiteto/a, designer urbano/a, educador/a e doutorando/a no Centre for Research Architecture da Goldsmiths University.
Os Estados Unidos são um país com uma vasta história, com edifícios que preservam legados de épocas passadas. Devido ao seu significado cultural, essas estruturas são amplamente valorizadas e protegidas; no entanto, também costumam ser isentas de certas exigências de eficiência energética. À medida que as cidades avançam em direção às metas climáticas, essas exigências passam a ser questionadas. Especialistas em preservação argumentam que os edifícios históricos merecem proteção contra intervenções potencialmente prejudiciais. Por outro lado, defensores e defensoras da sustentabilidade destacam a necessidade de melhorias na eficiência energética em todos os setores do ambiente construído. O desafio reside em alcançar um equilíbrio entre essas prioridades conflitantes: garantir a manutenção do patrimônio e a responsabilidade ambiental.
Recentemente selecionado para participar da próxima edição da Bienal de Arquitetura Latino-Americana em Pamplona em 2025, o Práctica Arquitectura se consolida como um jovem e promissor escritório da região, especificamente no México. Sua produção arquitetônica centra-se na materialização de projetos que alcancem um alto nível de sensibilidade, tanto para quem os habita quanto para seu entorno imediato, seja ele qual for. Em estreita sintonia com as paisagens e terrenos, seus projetos ganham vida por meio de um desenho meticulosamente pensado em termos de materiais, estruturas e detalhes, garantindo, ao mesmo tempo, uma experiência sensorial e emocional nos espaços que criam.
Em um mundo inundado por milhões de novos produtos e designs a cada ano, identificar e compartilhar aqueles que realmente se destacam não é apenas importante—é essencial. Essa é a motivação por trás do A' Design Awards, uma plataforma dedicada a reconhecer e celebrar designs excepcionais e produtos meticulosamente concebidos. O resultado? Lançar um holofote global sobre esses trabalhos, impulsionar sua visibilidade internacional e inspirar a próxima onda de inovação no design—que não apenas desafia os limites da criatividade, mas também beneficia e faz a sociedade avançar. Em meio a esse vasto mar de talentos, a premiação traz designs extraordinários à superfície.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143227/a-contagem-regressiva-comecou-a-design-awards-and-competition-ultima-chamada-para-inscricoesEnrique Tovar
As portas fazem parte da nossa rotina diária, abrindo e fechando de forma tão natural que raramente pensamos em como funcionam. Por isso, ao discutir inovações em seu design, muitos podem pensar: "se não está quebrado, não conserte". Contudo, o fato de algo funcionar bem não significa que não possa ser aprimorado. As portas não são exceção — seus componentes podem ser otimizados para um melhor desempenho sem alterar sua natureza fundamental. Em vez de se apegar ao que é familiar, por que não abrir as portas para o aperfeiçoamento? As portas pivotantes são um exemplo claro disso. Além de oferecerem versatilidade estética e possibilidades de design quase infinitas, seu sistema de abertura sobre um eixo central permite um movimento fluido e controlado, especialmente em ambientes internos. No entanto, resta um desafio em seu design: mantê-las firmes em diferentes ângulos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143260/e-no-entanto-se-sustenta-um-sistema-de-dobradica-pivotante-que-mantem-as-portas-a-cada-angulo-de-90-degreesEnrique Tovar
O Carnaval é uma das maiores expressões culturais do Brasil. Imagem via Shutterstock
O Rio de Janeiro, frequentemente chamado de "Cidade Maravilhosa", é uma tapeçaria vibrante tecida por diversos fios culturais, históricos e sociais. Sua história começa com os povos indígenas Tupi, Puri, Botocudo e Maxakalí, que originalmente habitavam a região. O nome da cidade deve-se aos exploradores portugueses que chegaram à Baía de Guanabara em 1º de janeiro de 1502 e, acreditando erroneamente que se tratava da foz de um rio, batizaram a região.
Nicolás Valencia conversa com a arquiteta chilena Sofía Carrión Bobadilla e o arquiteto chileno Matías González Ulloa, criadores do Área Verde e líderes do Arquitectura Maulina, uma plataforma digital focada em arquitetura, território e reflexões da inspiradora região de Maule, no Chile.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142705/arquitetura-do-sul-do-mundo-com-matias-gonzalez-e-sofia-carrionArchDaily Team
Para muitos lares na América Latina, fogões e aquecedores alimentados por combustíveis fósseis e biomassa, como o gás natural ou a lenha, constituem uma opção econômica e acessível. No entanto, esses aparelhos apresentam certos desafios: são fontes de emissão de gases de efeito estufa (GEE), contribuem para a poluição interna (ou intradomiciliar) e evidenciam a necessidade de políticas que promovam uma matriz energética residencial mais limpa. Esses desafios tornam-se ainda mais urgentes quando se considera que 2024 foi o ano mais quente já registrado, com um aumento de 1,5 ºC em relação aos níveis pré-industriais, impulsionado por recordes de emissões de GEE decorrentes de atividades humanas. Esse cenário reforça a importância de adotar soluções sustentáveis em escala global em todos os setores, incluindo o residencial.
O co-living no Leste Asiático vem crescendo desde 2020, expandindo-se rapidamente embora ainda esteja em suas etapas iniciais. Ao mesmo tempo, continua a atender a uma demanda significativa de jovens profissionais que trabalham em grandes metrópoles. Um estudo de 2020 da empresa de serviços imobiliários JLL destacou a crescente demanda por co-living na China e em Singapura, citando vantagens fundamentais como a acessibilidade financeira em comparação com estúdios privados e um estilo de vida urbano contemporâneo que promove a abertura e o compartilhamento de experiências. Assim como em outros setores onde a propriedade está perdendo relevância — como serviços de streaming de música, filmes e televisão, ou soluções de mobilidade como o compartilhamento de carros e de bicicletas —, o co-living atrai um público semelhante, que valoriza a flexibilidade e o acesso em detrimento de compromissos de longo prazo.
Diferentemente das iniciativas de co-living na Espanha, que frequentemente focam em espaços compartilhados multigeracionais, o co-living no Leste Asiático visa principalmente jovens profissionais com trajetórias de carreira dinâmicas. Muitas vezes obrigadas a se mudar a cada poucos anos, essas pessoas priorizam a conveniência e a adaptabilidade em vez de investir em uma casa própria permanente. Para esse perfil, comprometer-se com uma residência de longo prazo pode não ser prático, o que torna os espaços de co-living totalmente mobiliados, administrados profissionalmente e equipados com comodidades e serviços de manutenção uma opção atraente. Esses ambientes atendem a estilos de vida urbanos acelerados, nos quais o networking em eventos profissionais muitas vezes antecede o descanso solitário em casa.
Hotel Hyatt Regency Andares / Sordo Madaleno Arquitectos. Image
A água, além de ser um recurso de projeto amplamente valorizado por sua estética e por sua contribuição funcional, pode se transformar em um adversário formidável ao se infiltrar por meio de rachaduras e fissuras nas superfícies construídas. Por essa razão, a impermeabilização não é apenas uma medida de proteção, mas sim uma estratégia essencial para prolongar a vida útil das estruturas, garantir a habitabilidade dos espaços e evitar problemas como infiltrações e deterioração precoce. De terraços e telhados verdes a superfícies de uso intenso, controlar a umidade representa um desafio constante para profissionais de arquitetura, engenharia e construção. Isso se torna especialmente importante em um contexto que exige materiais impermeabilizantes com desempenho cada vez mais eficiente e maior resistência contra fatores ambientais adversos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140835/arquitetura-a-prova-dagua-o-poder-dos-impermeabilizantes-de-alto-desempenhoEnrique Tovar
Nos últimos anos, o rosa evoluiu para além de suas associações tradicionais, tornando-se um elemento sofisticado e versátil na arquitetura e no design de interiores. Definido por um amplo espectro de matizes, o rosa abrange tons quentes e frios, variando de nuances puras de vermelho (R) a misturas com amarelo (Y80R, Y90R) ou azul (R10B, R20B, R30B), conforme classificado pelo Natural Color System (NCS). Embora seja difícil de definir por um único tom, essa cor equilibra vibração e suavidade, o que a torna adaptável a diferentes materiais e contextos. À medida que o rosa continua a ganhar destaque nos interiores contemporâneos, seu papel vai além de uma mera escolha cromática — trata-se de uma estratégia de design. A recente transição dos tons de rosa vibrantes e lúdicos da tendência "Barbiecore" para matizes mais suaves e empoeirados, vistos na moda e no design nas coleções de moda de 2025, destaca a adaptabilidade da cor. Sua presença nas paletas de cores da Pantone para 2025 também reforça seu apelo em diversas disciplinas. Quando aplicado de forma inteligente, o rosa pode transformar espaços, tornando-os acolhedores, amplos ou atemporais.
No coração de Chiang Mai, uma cidade rica em história e cultura do norte da Tailândia, o Panyaden Hall, concluído em 2017, carrega uma história de inovação e tradição, contada por meio do bambu. Combinando a tradição tailandesa centenária de bambu com soluções estruturais modernas, o projeto reflete o ethos da Chiangmai Life Architects , uma empresa dedicada a elevar materiais naturais ao seu mais alto potencial. Neste artigo, exploraremos algumas das soluções estruturais contemporâneas aplicadas a este projeto icônico, revelando ainda mais o verdadeiro potencial do bambu e convidando a uma nova perspectiva sobre arquitetura sustentável e engenharia de estruturas de bambu.
O Modernismo, movimento que buscou romper com as formas tradicionais e abraçar o futuro, lançou as bases para diversos avanços tecnológicos e digitais na arquitetura contemporânea. À medida que a Revolução Industrial trazia a produção em massa, novos materiais e inovações tecnológicas, nomes da arquitetura como Le Corbusier, Walter Gropius e Mies van der Rohe defenderam o princípio de que a "forma segue a função" e uma abordagem racional do projeto. Seus preceitos ressoam na era digital, na qual o projeto computacional e os materiais de alta tecnologia redefinem a forma e a construção.
Os ideais modernistas do século XX — eficiência, simplicidade e funcionalidade — criaram uma base para que arquitetos/as experimentassem a clareza estrutural e a honestidade dos materiais. A arquitetura high-tech, surgida no final do século XX, evoluiu a partir desses princípios, fundindo as linhas limpas do modernismo com engenharia e tecnologia avançadas. Isso abriu caminho para o parametricismo e para os processos de projeto baseados em algoritmos, revolucionando a arquitetura e viabilizando formas complexas anteriormente consideradas impossíveis.
Inaugurado em 1991, o Teatro Estadual Maestro Francisco Paulo Russo de Araras é considerado um dos principais equipamentos culturais da cidade e da região. Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, um dos grandes expoentes do Movimento Moderno, o teatro foi dotado de toda a infraestrutura necessária para eventos culturais locais, nacionais e internacionais entre 1995 e 2005. Niemeyer deixou um legado cuja linha arquitetônica de formas livres se articula com influências de diferentes vertentes, sendo também capaz de dialogar com a identidade de um país tropical.
Nos últimos anos, a região do Golfo emergiu como um polo global de desenvolvimento cultural e arquitetônico, contratando arquitetos/as de renome internacional para projetar seus museus e instituições de maior visibilidade. Esses projetos, que vão do Louvre Abu Dhabi, de Jean Nouvel, ao Museu de Arte Islâmica em Doha, de I. M. Pei, são frequentemente concebidos por arquitetos/as estrangeiros/as, mas buscam se inserir em seu contexto por meio de estratégias que fazem referência à paisagem, ao clima e às tradições arquitetônicas da região. Isso levanta uma questão fundamental: o que define a arquitetura local no século XXI?
O revestimento de fachadas é um elemento essencial na arquitetura, combinando funcionalidade, tecnologia e estética para proteger e valorizar as edificações. Entre os diversos materiais disponíveis, como pedra, madeira e compósitos, o revestimento metálico destaca-se por sua durabilidade, baixa manutenção e flexibilidade de projeto. Além de oferecer resistência às intempéries e segurança contra incêndios, sua capacidade de reciclagem o torna uma solução sustentável e econômica para projetos de todos os portes. Para atender a essas demandas com eficiência e sofisticação, a Parallel Architectural Products oferece uma gama de revestimentos metálicos e outros produtos inovadores projetados para otimizar a instalação, reduzir os custos de mão de obra e garantir acabamentos de alta qualidade.
Guerras, descolonização, crises econômicas, movimentos civis e revoluções industrial-tecnológicas: o século XX foi um período de transformações radicais e de grande alcance. Essas rupturas remodelaram sociedades e redefiniram a forma como as pessoas expressavam suas aspirações em constante evolução, com a arquitetura liderando esse caminho. As máquinas e a industrialização prometiam progresso tecnológico e modernização, defendendo uma ruptura definitiva com os estilos ornamentados e historicistas do passado, ao mesmo tempo que abraçavam uma visão focada na funcionalidade, eficiência e inovação. Essa transição, personificada pelo modernismo, introduziu novos conceitos, métodos e usos de materiais — tudo moldado pela experimentação.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143005/experimentacao-formal-e-material-licoes-fundamentais-dos-pioneiros-da-arquitetura-modernistaEnrique Tovar
Park Hill, um amplo complexo de habitação social em Sheffield, se destaca como um dos exemplos mais ambiciosos de arquitetura modernista na Grã-Bretanha do pós-guerra. Projetado em 1961 por Jack Lynn e Ivor Smith, seu conceito inovador de "ruas no céu" buscava combinar habitação de alta densidade com o espírito comunitário de bairros tradicionais. No final do século XX, o complexo enfrentava uma profunda negligência, marcada por problemas sociais e degradação estrutural que comprometeram tanto sua funcionalidade quanto sua reputação. Gradualmente, Park Hill tornou-se sinônimo de fracasso do modernismo, carregando um pesado estigma social e marginalizando seus moradores. A partir dos anos 2000, começaram esforços significativos para reverter essa narrativa por meio de um processo de revitalização em duas fases. Na primeira fase, liderada pela Urban Splash, em colaboração com os escritórios Hawkins\Brown e Studio Egret West, a abordagem focou na preservação e valorização dos elementos históricos do edifício, introduzindo intervenções modernas para criar um espaço habitável, funcional e atrativo. Essa etapa demonstrou o potencial da reutilização adaptativa em revitalizar comunidades e resgatar ícones arquitetônicos. A segunda fase da renovação, conduzida pelo escritório Mikhail Riches, buscou expandir esse trabalho inicial, introduzindo novos elementos que aprofundaram a conexão entre os espaços existentes e a vida contemporânea. Com uma abordagem que uniu sensibilidade histórica e inovação arquitetônica, Mikhail Riches deu continuidade ao processo de transformar Park Hill em um exemplo emblemático de como a arquitetura modernista pode ser adaptada às necessidades atuais sem perder sua identidade original.
A fachada de concreto exposta foi cuidadosamente restaurada, janelas com eficiência energética substituíram unidades obsoletas e paineis de alumínio de cores vivas animaram o exterior. Os apartamentos foram reconfigurados para atender aos padrões modernos com plantas abertas, enquanto espaços compartilhados como pátios e centros comunitários foram revitalizados para promover a interação social. Medidas de sustentabilidade, incluindo cobertura verde e isolamento aprimorado minimizaram a pegada ambiental, mantendo o caráter brutalista icônico do projeto ao mesmo tempo em que criavam uma vibrante comunidade de uso misto de unidades residenciais, escritórios, espaços de varejo e locais culturais. O projeto destaca o potencial de reutilização adaptativa de projetos modernistas, algo que também carrega enormes desafios, sobretudo em termos programáticos e de materiais e soluções construtivas.
A fragmentação social e as divisões econômicas fraturaram o tecido dos ambientes urbanos. Nesse contexto, as ecovilas surgem como soluções potentes para as crises sociais e ecológicas, microcosmos onde a vida sustentável, a coesão social e a resiliência econômica impulsionam o crescimento urbano. Baseadas na responsabilidade ambiental e em sistemas circulares, as ecovilas oferecem um modelo escalonável para inspirar o desenvolvimento de bairros urbanos regenerativos em todo o mundo. O desenvolvimento urbano e suburbano tradicional levou à dispersão e ao isolamento social, o que gerou efeitos prejudiciais para a coesão comunitária e para o meio ambiente. Paralelamente a esse fenômeno, as cidades tornaram-se desumanas, caracterizadas pelo anonimato, pela moradia inacessível, pelo congestionamento no trânsito e pela poluição. A falta de acesso à natureza consolida esses problemas, afastando a população urbana de elementos que promovem o bem-estar e o sentimento de pertencimento.
O território latino-americano abrange uma grande variedade de climas, atmosferas e temperaturas ao longo de toda a sua extensão. Em meio a paisagens florestais, selvas ou à beira-mar, diversos/as profissionais de arquitetura optam por projetar cabanas imersas em ambientes naturais, buscando promover uma maior conexão com a natureza ao se afastarem da cidade. Embora a experimentação com diferentes materiais e técnicas locais aproxime ainda mais a arquitetura das tradições do lugar e crie uma diferenciação clara entre as produções de cada região, a aplicação de inovações tecnológicas ou novos materiais de construção é capaz de oferecer soluções com maior resistência às mudanças climáticas, além de colaborar com a manutenção a curto e longo prazo, os prazos de execução da obra, entre outros fatores.