Existem muitos materiais de construção que passaram por poucas mudanças desde sua introdução original no campo da arquitetura. No entanto, isso não significa que estejam obsoletos, mas sim que suas qualidades e simplicidade os tornam altamente versáteis, demonstrando a resiliência e a durabilidade de materiais que resistem ao teste do tempo. Um exemplo disso é o tijolo, um material atemporal que soube se adaptar ao longo dos anos, desempenhando funções como paredes, revestimentos e pavimentos, entre outras. Partindo dessa premissa, Louis Kahn referiu-se às possibilidades expressivas do tijolo, afirmando: "Até um tijolo quer ser algo. Ele tem aspirações."
Graças ao avanço de novas tecnologias aplicadas aos materiais, surgiram propostas disruptivas que convergem em novos sistemas construtivos. Frequentemente, essas novas tecnologias são combinadas com materiais considerados "tradicionais", gerando novos conceitos em que elementos como o tijolo encontram novas aplicações e possibilidades. Um desses novos conceitos é o Flexbrick, um tecido cerâmico com sistema industrializado que combina telas flexíveis para envelopar espaços arquitetônicos. Isso abre novas possibilidades de aplicação na vanguarda da revolução da arquitetura paramétrica, utilizando um material flexível, adaptável e sustentável.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138121/arquitetura-baseada-em-algoritmos-tijolos-flexiveis-para-envolver-espacos-arquitetonicosEnrique Tovar
Como parte da agenda cultural do Centro Cultural España en México, é apresentada a mostra "Copias del abandono", fruto de uma colaboração entre a artista mexicana Sandra Calvo e comunidades migrantes de Tlaxcala. Trata-se de uma investigação iniciada em 2016, composta por um filme, arquivos, plantas e depoimentos. Esta investigação – que foi apresentada durante a 17ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza em 2021 – serve como reflexo de uma arquitetura resultante dos processos migratórios entre o México e os Estados Unidos, centrando-se na reflexão sobre os paralelismos arquitetônicos entre as casas onde migrantes trabalham nos Estados Unidos e as casas que constroem com remessas em suas comunidades de origem.
Apesar de aparentes avanços e retrocessos, a migração na América do Norte continua ocorrendo sob condições de desigualdade e violência. Até o momento, a população mexicana segue representando o maior percentual de migrantes radicados nos Estados Unidos, e as pontes culturais entre as localidades são cada vez mais evidentes.
A partir da produção de um apartamento decorado totalmente novo em Londres, fica claro que a dupla de designers do 2LG Studio está de olho tanto no passado quanto no futuro. Com uma mistura de móveis de design contemporâneo, peças vintage e obras de arte exclusivas, o interior parece atual e moderno. Imagem cortesia de BoConcept
Reflexivo, cativante e espetacular: os/as designers de interiores de hoje demonstram com ousadia como criar conceitos marcantes em espaços internos. Seja expressando um minimalismo reservado, uma ludicidade exuberante ou uma naturalidade orgânica, os conceitos de interiores desenvolvidos atualmente costumam ser fundamentados por uma ideia forte e elaborada. Basta observar o crescimento e a popularidade dos hotéis de design, bem como o número de restaurantes singulares e altamente estilizados. O impacto que o ambiente físico exerce sobre nós — formas, cores, materiais e iluminação — desempenha um papel central no desenvolvimento de novos espaços comerciais e de hospitalidade. O design de interiores proporciona experiências marcantes e, por isso, pode ser inteligentemente aplicado para dialogar com os nossos sentidos, despertando emoções e reações específicas.
Formas arredondadas: com os padrões de paginação Arc e Lune, a Amtico é uma das primeiras fabricantes a adicionar curvas ousadas e geometrias circulares dinâmicas à sua coleção principal. Imagem cortesia de Amtico
Ele nos acompanha ao longo do dia, nos dá suporte, mostra o caminho e desperta nossos sentidos. Isso pode parecer a descrição do parceiro ideal, mas, neste caso, estamos falando do chão sob nossos pés. Dia após dia, ano após ano, entramos em contato diário com ele, embora, de modo geral, ele se funda ao fundo, seja tido como garantido e acabe passando despercebido. É hora, portanto, de lhe dar a devida atenção. Afinal, há muito mais sob sua superfície do que se pode ver à primeira vista.
Teatro Municipal reconstruído após o incêndio de 1870. Fotografia de autor desconhecido. Fonte: Arquivo fotográfico do Museu Histórico Nacional. Imagem via Edições ARQ
Este artigo de Germán Hidalgo Hermosilla foi publicado originalmente no número 113 da revista ARQ. Discutindo as reformas no edifício do Teatro Municipal de Santiago, desde sua inauguração em 1857 até quase um século depois, Germán Hidalgo reconta as forças que impulsionam as mudanças: desastres naturais, debates estilísticos, modernização urbana, entre outras. O foyer ocupa um papel central nessa narrativa como um espaço de apresentação e representação: onde as demandas técnicas do teatro se encontram com as aspirações de uma instituição, de uma cidade e dos/as sucessivos/as arquitetos/as do edifício.
O projeto 'Construye para Crecer', de Susana Biondi Antunez de Mayolo e René Poggione Gonzáles (Poggione+Biondi Arquitectos), foi o vencedor da XIX Bienal Nacional de Arquitetura do Peru 2022 com uma "proposta integral de sustentabilidade vinculada à eficiência da gestão da água, da energia e do ciclo de vida dos materiais propostos", como indicou o júri. O aspecto mais interessante é que a proposta não busca apenas criar uma zona úmida artificial que contribui para a ecologia da região, mas também se materializa principalmente em madeira.
Isso tornaria o complexo residencial um dos mais altos construídos em madeira na América do Sul, abordando a questão do uso do material e da eficiência energética no país: por um lado, estimulando a indústria florestal por meio de prácticas de manejo sustentável e, por outro, oferecendo uma opção com menor impacto ambiental em nosso planeta, exigindo um consumo mínimo de energia com baixíssimo impacto em seu ciclo de vida.
Como parte da agenda cultural da LIGA, Espacio para arquitectura na Cidade do México, no final de junho foi inaugurada a mostra "Arquitectura para dioses". Trata-se de um registro contemporâneo do edifício do Heroico Colegio Militar, projetado por Agustín Hernández Navarro e Manuel González Rul em 1976, uma obra emblemática da arquitetura mexicana de sua época.
1 De Haro / Perkins&Will. Imagem cortesia de Quebec Wood Export Bureau
Profissionais de arquitetura sempre adaptaram seus projetos aos principais indicadores da construção de sua época. Após décadas de foco na eficiência energética, o carbono incorporado está se tornando rapidamente o principal indicador para a próxima geração de edifícios. No entanto, a maioria de nós está apenas começando a compreender o trabalho da análise de ciclo de vida (ACV), fundamental para avaliar os impactos ambientais dos produtos de construção antes, durante e após a construção.
Recentemente, viajei para Liubliana, na Eslovênia, em busca da arquitetura religiosa do célebre (mas em grande parte desconhecido nos EUA) arquiteto esloveno Jože Plečnik (1872–1957). Escrevo bastante sobre a arquitetura da espiritualidade e tinha curiosidade sobre as igrejas e capelas de Plečnik — o que a forma idiossincrática de classicismo do arquiteto dizia sobre a fé na era moderna. O que eu não esperava encontrar era o caráter universal da obra de Plečnik como urbanista: um redesenho da capital eslovena que nos traz lições valiosas hoje.
Ao construir casas como a residência Latypi em encostas, podemos reduzir o impacto que a construção tem na paisagem, mantendo as vistas para nós mesmos. Imagem
Desde que a humanidade começou a construir (há cerca de 10.000 anos), as pessoas que buscavam locais para fundar novas aldeias ou assentamentos seguiam uma lista simples de critérios: acesso à água, proximidade de terras cultiváveis e, idealmente, um terreno o mais plano possível. Hoje, as novas frentes de desenvolvimento urbano buscam conexões industriais e de transporte em vez de água e terras agrícolas; no entanto, um terreno nivelado continua sendo a opção preferida.
Seja realizando cortes e aterros na paisagem por meio de muros de arrimo, seja equilibrando a estrutura sobre a encosta com pilotis, construir em terrenos inclinados sempre adiciona tempo, custo e complexidade ao projeto. Contudo, diante das vistas deslumbrantes e do espaço extra criado tanto interna quanto externamente, os resultados podem compensar o esforço adicional.
Os projetos residenciais são um dos desafios mais complexos de desenvolver, devido à diversidade de usos e preferências de estilo que podem convergir em um mesmo espaço. No entanto, essa variedade também representa uma oportunidade, pois abre um amplo leque de possibilidades e variantes em cada projeto. O paradigma do design de uma casa é tão importante que Luis Barragán afirmava: “Minha casa é meu refúgio, uma peça emocional de arquitetura, não uma peça fria de conveniência”. Por isso, o processo de projeto residencial exige uma consideração cuidadosa para satisfazer as necessidades emocionais e funcionais de quem habitará esses espaços.
A combinação de usos, estilos e materiais permite criar espaços que transcendem o puramente funcional, tornando-se refúgios emocionais que refletem a identidade e o caráter de seus moradores. Com isso em mente, os revestimentos Lamosa oferecem uma ampla seleção para ambientes residenciais. Com uma variedade de tamanhos e estilos, viabilizam diversas visões criativas, proporcionando soluções para necessidades técnicas e preferências estéticas específicas. A seguir, por meio de moodboards, exploramos a combinação de diferentes tipos de revestimento nas áreas que podem compor um mesmo projeto residencial.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138551/combinando-texturas-e-estilos-9-moodboards-de-revestimentos-para-projetos-residenciaisEnrique Tovar
Vectura CampusF / Schmidt Hammer Lassen Architects. Imagem cortesia de Schmidt Hammer Lassen Architects _ Por WAX
Explorar projetos não construídos pode trazer insights valiosos sobre o processo de projeto e as principais estratégias empregadas por escritórios de arquitetura contemporâneos, revelando soluções inesperadas, abordagens experimentais e conceitos de design inovadores. A seleção com curadoria desta semana de Melhor Arquitetura Não Construída destaca projetos enviados por escritórios de arquitetura consagrados. Desde a regeneração da orla de um fiorde e um centro de pesquisa oceanográfica até uma sede corporativa projetada para refletir a atividade principal da empresa ou um restaurante adaptado a condições extremas, esta compilação de projetos não construídos apresenta a variedade de conceitos, filosofias projetuais e programas propostos por importantes escritórios de arquitetura globais.
Apresentando escritórios reconhecidos internacionalmente como CRA-Carlo Ratti Associati, Herzog & de Meuron, OODA, KCAP e Aedas, esta seleção apresenta propostas globais que ilustram intervenções arquitetônicas e cívicas em diversas escalas e programas. Seja lidando com a restauração de monumentos, intervenções em espaços públicos ou a transformação da orla de uma cidade, cada um desses projetos busca oferecer uma resposta adequada às exigências espaciais, funcionais, sociais e ecológicas de seu contexto.
O que implica uma restauração, uma transformação ou uma reforma arquitetônica? Quais fatores intervêm em seus processos? Ao adentrarmos no interior das residências espanholas, propusemo-nos a descobrir as diferentes metodologias, ferramentas e estratégias em nível técnico e construtivo que costumam ser desenvolvidas tendo a pedra como elemento protagonista principal.
O Concurso Internacional de Design Criativo para a Rota Cênica nº 1 do Parque Nacional da Montanha Wuyi destacará o posicionamento estratégico de transformar a Montanha Wuyi em um destino turístico de classe mundial e no cartão de visitas da província de Fujian, apresentando ao mundo a incomparável beleza natural e cultural do Parque. Impulsionado pela criatividade e pela inovação, o concurso busca propostas globais de melhoria arquitetônica e urbanística para 14 pontos inicialmente selecionados ao longo da Rota Cênica nº 1.
Ao reunir talentos criativos do mundo todo, a premiação visa impulsionar a valorização dos recursos naturais e culturais no Cinturão de Conservação e Desenvolvimento do Entorno do Parque Nacional da Montanha Wuyi, potencializar de forma sistemática o valor dos produtos ecológicos e fazer avançar a construção da civilização ecológica. Dessa forma, busca-se criar rotas cênicas e áreas rurais de nível internacional, consolidando o Grande Círculo Turístico de Wuyi. O concurso é promovido pelo Governo Popular Municipal de Nanping, organizado pelo Escritório do Grupo de Liderança de Nanping para as Obras do Cinturão de Conservação e Desenvolvimento do Entorno do Parque Nacional da Montanha Wuyi, e coorganizado pelo Departamento de Comunicação do Comitê Municipal do PCCh de Nanping, pela Secretaria Municipal de Recursos Naturais de Nanping, pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Nanping, pelo Governo Popular do Distrito de Jianyang, pelo Governo Popular Municipal de Wuyishan, pelo Comitê Administrativo da Nova Área de Wuyi e pela Fujian Wuyi Tourism Group Co., Ltd.
James Wines, arquiteto de Nova York e artista ambiental, tem se dedicado a uma espécie de missão. Ele acredita que a arquitetura precisa ser libertada de si mesma. Esse ato de libertação se expressa em muitos dos projetos radicais que ele e sua empresa, SITE (Sculpture In The Environment), realizaram em 11 países. Wines é mundialmente famoso por projetos como Ghost Parking Lot (Hamden, CO, 1977), Highrise of Homes (projeto teórico, 1981), Highway 86 (Vancouver, Canadá, 1986), Fondazione Pietro Rossini Pavilion (Briosco, Itália, 2008) e o Showroom da Off-White para Virgil Abloh (Ginza, Tóquio, 2021). A própria essência do trabalho do arquiteto se expressa em suas fascinantes lojas para a BEST Products Company, o foco principal de nossa conversa realizada via Zoom em 10 de agosto de 2022, após muitos de nossos encontros presenciais.
Sabe-se que a exposição a mais espaços verdes e a um ar mais puro gera impactos profundos na saúde e na psicologia humana. Esse tipo de contato está associado à redução do estresse, à melhora da função cognitiva e ao estímulo à criatividade. Esses santuários oferecem alívio, permitindo que o ser humano se reconecte com o mundo natural. Servindo frequentemente como refúgios da agitação urbana, essas residências variam de casas de veraneio a moradias para a aposentadoria. Diante disso, à medida que o apelo global por práticas sustentáveis se torna mais urgente, o papel dos elementos naturais na arquitetura passa a ser imperativo.
Hoje, o trabalho fora do escritório tornou-se a norma em diversos setores, transformando nossa dinâmica de trabalho e a interação com membros da equipe e clientes. Diante dos possíveis desafios do trabalho remoto (como conexão e estabilidade de internet), as organizações precisam desenvolver sistemas adequados para manter a produtividade e promover o mesmo senso de equipe e cultura encontrado nos escritórios tradicionais. Como sabem as equipes de arquitetura, engenharia e construção (AEC), a colaboração é a chave para impulsionar a criatividade e é essencial para a conclusão bem-sucedida de qualquer projeto de design.
Uma forma de empregar a cor é através da monocromia, uma técnica de design que consiste em utilizar uma única tonalidade ou cor em um espaço. Na arquitetura, a monocromia é uma ferramenta poderosa que permite criar um jogo de diferentes tonalidades a partir do uso de luzes e sombras, gerando espaços que oferecem experiências únicas a seus habitantes.
O desenho à mão livre sempre foi uma parte essencial do processo criativo na arquitetura. Um exemplo clássico disso é o arquiteto I.M. Pei, que esboçou seu projeto preliminar para a Ala Leste da National Gallery of Art em um guardanapo de papel.
Os esboços arquitetônicos modernos combinam a intenção do projeto com dados e restrições. O croqui ganha definição à medida que camadas de informação são adicionadas por diferentes colaboradores. Os profissionais de arquitetura hoje utilizam tanto ferramentas táteis quanto digitais para desenhar. O grande dilema tem sido escolher entre a flexibilidade oferecida pelos modeladores livres e a riqueza de dados proporcionada pelas ferramentas BIM.
Piscinas de design agregam status a residências de luxo e a espaços hoteleiros cinco estrelas. No entanto, somar os benefícios refresfantes, calmantes, revigorantes e ambientais de um corpo d'água hiperlocal a uma residência pode superar, e muito, o custo de instalação. Além disso, com uma variedade de opções de paisagismo viáveis a curto e longo prazo, o luxo se torna acessível para qualquer orçamento.
A maioria das piscinas é construída abaixo do nível do solo para manter as linhas visuais desobstruídas na superfície. Embora todas as piscinas enterradas comecem da mesma forma — com a escavação, seguida pela conexão dos sistemas hidráulico e de filtragem —, a principal diferença reside na construção da estrutura do tanque. O método mais simples e rápido consiste em posicionar um tanque pré-fabricado de plástico reforçado ou de concreto pré-moldado na cavidade, realizando em seguida a conexão da tubulação e o aterro do recuo com areia. Essa solução, contudo, só é adequada para piscinas prontas com geometrias simples. A fim de aproveitar o espaço disponível da maneira mais eficiente, formatos e dimensões sob medida são mais bem alcançados por meio da aplicação de concreto moldado in loco ou jateado sobre uma armadura de vergalhões ou fôrmas de madeira.
Seja por um esforço motivado pela culpa para reduzir a própria pegada de carbono, por uma redução nas contas de energia visando a economia ou simplesmente para aproveitar um programa de incentivo governamental, as escolhas de design e construção sustentável já não são exclusividade das pessoas mais conscientes ecologicamente, mas sim de qualquer pessoa atenta tanto ao custo atual da energia quanto ao custo futuro de sua obsolescência.
Independentemente da motivação, enquanto tentamos reduzir a nossa dependência autodestrutiva de combustíveis fósseis, nossas casas e edifícios estão gradualmente dando as costas ao gás — um dos últimos obstáculos entre nós e uma residência de carbono zero. Esses sistemas e eletrodomésticos alternativos funcionam com eletricidade renovável, rompendo nossa dependência de produtos poluentes movidos a gás e utilizando tecnologias elétricas inovadoras para aprimorá-los ainda mais.
Nos últimos anos, a densidade populacional em Santiago do Chile tem ganhado grande relevância como tema urbano e arquitetônico, mas também econômico, político, social e ambiental. Sua grande repercussão, tanto positiva quanto negativa, tem gerado opiniões divergentes entre especialistas, o que nos faz refletir: devemos adensar Santiago?