Concreto, aço, madeira, vidro. Todos os anos, milhões de toneladas de materiais de construção são descartadas, acumuladas em aterros e silenciadas sob o peso do próximo edifício. Estruturas inteiras desaparecem para dar lugar a outras, reiniciando um ciclo voraz de extração de recursos, produção de materiais e substituição. Junto com o entulho que se acumula, perde-se também algo mais profundo: o tempo, o trabalho humano, as histórias e a memória coletiva incorporadas na matéria. Em um momento no qual as metas climáticas exigem a redução de emissões e o prolongamento da vida útil do que já existe, a demolição é cada vez mais reconhecida como uma forma de amnésia urbana — que apaga não apenas a continuidade cultural, mas também a energia incorporada dos edifícios. E, embora se diga frequentemente que o edifício mais sustentável é aquele que já existe, esse princípio raramente sobrevive quando outros interesses entram em jogo.
Profissionais de arquitetura e design em todo o mundo estão expandindo os limites do design contemporâneo, e a Corian® Solid Surface está sendo moldada, curvada e flexionada para viabilizar as visões mais ousadas de arquitetos/as e designers.
Em espaços de hotelaria, por exemplo, cada superfície tem o potencial de moldar a experiência do/a hóspede desde o primeiro instante de acolhimento. Designers visionários/as utilizam seu talento para contar a história de um lugar, transmitir a emoção de uma estética e expressar a essência de uma marca. Com o material adequado, é possível influenciar profundamente a atmosfera e a funcionalidade de um espaço para os/as visitantes, utilizando desde balcões de recepção elegantes e acolhedores até áreas de banho relaxantes que remetem a spas, ou painéis escultóricos retroiluminados imponentes como tela de criação.
Santuario de la Naturaleza Humedal Río Maipo. Imagem cortesia de Fundación Cosmos
No Dia da Terra de 2025, celebrado anualmente em 22 de abril, somos mais uma vez lembrados dos urgentes desafios ambientais e de sustentabilidade que o nosso planeta enfrenta — desafios que continuam a evoluir juntamente com as transformações econômicas, políticas e culturais globais. O setor da construção civil continua sendo um dos mais críticos no esforço para gerenciar e reduzir as emissões globais de carbono. Este ano, essas questões estão sendo abordadas sob perspectivas cada vez mais diversas, exigindo abordagens mais holísticas e integradas. É fundamental que encaremos a sustentabilidade não como uma solução única e universal, mas sim como um esforço multiescalar — que abrange desde o desenvolvimento urbano em grande escala e o planejamento estratégico até o avanço de materiais sustentáveis e, inclusive, intervenções temporárias e provocativas, como exposições e instalações. Ao fazê-lo, reafirmamos nosso compromisso de reduzir nossa pegada de carbono coletiva, ao mesmo tempo em que moldamos um ambiente construído que promove o bem-estar humano e a saúde do planeta.
A cada uma das mais de 23.000 respirações diárias que realizamos, o ar viaja pelo sistema respiratório até os pulmões, onde ocorre uma troca gasosa vital: o oxigênio é absorvido e o dióxido de carbono é expelido. Esse ato involuntário e essencial também desencadeia outro processo, menos visível, mas profundamente impactante: a nossa percepção do olfato. À medida que o ar passa pela cavidade nasal, as moléculas de odor entram em contato com receptores olfativos localizados no epitélio olfativo. Esses receptores enviam sinais diretamente para o bulbo olfativo, que faz parte do sistema límbico — a área do cérebro associada à memória e às emoções. Longe de ser um sentido secundário, o olfato atua como uma ponte direta entre o ambiente e as nossas respostas emocionais mais profundas. Os aromas carregam o poder singular de evocar memórias vívidas, provocar conforto ou aversão imediata e influenciar nosso estado emocional de forma quase instantânea.
Nos deltas de baixa altitude de Bangladesh, a água define tanto a vida quanto a perda. Todos os anos, milhões de pessoas são forçadas a reconstruir suas vidas após as inundações levarem suas casas, plantações e meios de subsistência. Nesses territórios precários, o ato de construir tornou-se um ato de resiliência. É nesse contexto que o Khudi Bari surge como uma proposta modesta, porém radical. Projetado por Marina Tabassum Architects, o projeto oferece uma habitação leve, modular e acessível para comunidades deslocadas pelas mudanças climáticas. Reconhecido como um dos vencedores do Prêmio Aga Khan de Arquitetura de 2025, ele representa uma forma de arquitetura que capacita em vez de se impor.
Antes restritos às indústrias aeroespacial e automotiva, os materiais compósitos passaram a desempenhar um papel cada vez mais central na arquitetura contemporânea. Ao associar dois ou mais componentes, como fibras e polímeros, eles oferecem leveza e resistência, alta durabilidade, liberdade formal e um melhor desempenho ambiental. Sua incorporação à prática arquitetônica marca uma profunda transformação na maneira como projetamos, fabricamos e habitamos o espaço.
A Escandinávia é moldada por condições ambientais que testam tanto a resistência humana quanto a engenhosidade arquitetônica, com invernos longos definidos pela luz do dia limitada, baixos ângulos solares, neve profunda e ventos gelados que transformam o movimento cotidiano, o encontro e o habitar em atos deliberados. Nesse contexto, a arquitetura nunca é neutra, e a hospitalidade nunca é incidental. Edifícios que acolhem visitantes em cidades, florestas e litorais devem responder diretamente à escuridão e ao frio, não ao negá-los, mas ao criar mundos interiores que oferecem orientação, calor e alívio psicológico. O ato de acolher na Escandinávia é, portanto, indissociável do clima, fundamentado na compreensão de que o abrigo, a luz e a presença humana são recursos fundamentais em ambientes árticos.
O Centro Nacional de Atletismo de Budapeste representa um marco significativo na regeneração urbana e na inovação arquitetônica. Situado em uma antiga área industrial às margens do Danúbio, este projeto transformador revitaliza um terreno degradado (*brownfield*), transformando-o em um polo vibrante de esportes, lazer e engajamento comunitário. Com projeto assinado por Marcel FERENCZ, da NAPUR Architect Ltd., paisagismo desenvolvido pela S-TÉR e centenas de peças de mobiliário da VPI Concrete, o Centro é fundamental para conectar o norte de Csepel à cidade e impulsionar o desenvolvimento urbano.
A prestigiada BAU Munique, a principal feira mundial de arquitetura, materiais e sistemas, serviu de palco para as mais recentes inovações da Orama Minimal Frames em tecnologia de esquadrias arquitetônicas. A exposição ofereceu uma plataforma para conexões do setor e apresentou avanços que desafiam os limites convencionais no design de esquadrias.
Quais materiais assumiram o papel de destaque no discurso arquitetônico de 2025? Quais projetos redescobriram novas práticas e métodos construtivos por meio da inovação material? Embora o futuro dos materiais de construção ainda pareça incerto, ano após ano, a experimentação e a pesquisa continuam a revelar diversas práticas, iniciativas e esforços dedicados a compreender seu valor e responsabilidade no ambiente construído. Desde resíduos agrícolas que reduzem a pegada de carbono até plásticos reciclados que ganham uma nova vida, passando por materiais vivos que dialogam com tecnologias emergentes ao mesmo tempo em que se reconectam com a natureza, o ano de 2025 destacou e fortaleceu o papel de arquitetos/as como mediadores/as entre materiais, disciplinas, saberes e interesses de diversas origens.
Em meio a ajustes econômicos globais e a um foco nacional no desenvolvimento de alta qualidade, Xangai implementou uma mudança estratégica em sua abordagem de desenvolvimento urbano — transitando da "expansão incremental" para a "qualificação intrínseca". Orientada pelo conceito de uma "cidade voltada para as pessoas", a metrópole elevou a construção urbana de uma mera agregação de espaços físicos para um esforço abrangente voltado a otimizar a qualidade funcional, revitalizar a vitalidade espacial e impulsionar a resiliência residencial por meio de iniciativas de renovação urbana. Essa transformação se configura não apenas como uma resposta à escassez de recursos, mas também como uma abordagem intencional em relação aos princípios de desenvolvimento urbano. Sua proposta central consiste em: sob o marco político de controle rigoroso do uso incremental do solo, como liberar o potencial de desenvolvimento através da "reprodução" dos espaços existentes.
Portas estão entre os elementos arquitetônicos mais utilizados em qualquer edificação habitada, funcionando como limiares móveis que articulam a transição entre os espaços privados e públicos. Elas facilitam tanto a conexão quanto a separação entre coabitantes. Contudo, apesar de seu papel fundamental, as portas costumam ser um dos elementos de projeto mais negligenciados, especialmente pelos/as clientes. Em diálogos com profissionais do setor sobre diversos projetos de interiores, surge um consenso comum: os/as clientes geralmente prestam pouca atenção aos tipos e detalhes de portas, desde que o sentido de abertura corresponda às suas expectativas. No entanto, o universo do design de portas é complexo, oferecendo uma infinidade de possibilidades de acabamentos, métodos de instalação e modos de funcionamento — cada um deles capaz de moldar significativamente a experiência espacial, indo muito além da simples direção de abertura.
A escolha do tipo de porta e de seus detalhes pode definir ou redefinir completamente um espaço. Algumas portas oferecem um isolamento acústico superior, ao passo que outras permanecem abertas para conectar ambientes, potencializando a fluidez espacial de forma contínua. Certos modelos exigem uma instalação minuciosa e manutenção constante, enquanto outros são praticamente livres de manutenção. Além disso, o tipo de porta selecionado — especialmente o tipo de dobradiça — influencia não apenas a construção da parede, mas também as camadas de piso e as transições de acabamento, acrescentando uma camada extra de complexidade ao processo de projeto.
O termo abóbada na arquitetura refere-se a uma estrutura em arco autoportante que forma um teto ou cobertura, capaz de criar, de forma eficaz, um amplo espaço livre de pilares. Enquanto as abóbadas de alvenaria tradicionais transferem as cargas para paredes e contrafortes, as versões contemporâneas são definidas de forma mais ampla como qualquer teto que acompanha a linha da cobertura, criando um interior alto e curvo. Estes tetos modernos costumam ser estruturados com materiais como concreto, madeira ou aço, que oferecem a flexibilidade estrutural necessária para criar o efeito dramático de uma abóbada sem suas restrições históricas. A abóbada de arco pleno, em particular, parece ser uma das formas prediletas recentemente por sua geometria simples e elegante, bem como por sua capacidade de se adaptar a uma variedade de estilos residenciais contemporâneos.
No coração do Cairo, em meio a seus marcos históricos e a uma malha urbana em evolução, um movimento arquitetônico modernista singular tomou forma nas décadas de 1950 e 1960. Essa vertente refletia a resposta da cidade às rápidas transformações políticas, econômicas e sociais. Em sua chegada, o modernismo no Cairo não foi mero estilo importado, mas sim uma "resposta pragmática às necessidades de uma cidade em crescimento". Os/as arquitetos/as concentraram-se na funcionalidade, na eficiência e na adaptação dos projetos ao clima e ao contexto cultural local. Após a revolução de 1952, o Egito passou por transformações significativas sob a liderança do presidente Gamal Abdel Nasser. De fato, o governo buscava construir uma nova identidade nacional que refletisse o progresso e a autossuficiência do país. A arquitetura desempenhou um papel crucial nesse esforço, com forte ênfase na modernização e no desenvolvimento. O Estado investiu em projetos de grande escala para atender às demandas de uma população em rápido crescimento e de indústrias em expansão. Este período marcou uma transição das influências da era colonial em direção à busca por uma identidade arquitetônica própria, alinhada às aspirações políticas e sociais da época.
Os espaços públicos são mais do que meros vazios físicos no tecido urbano — constituem palcos para a interação social, a expressão cultural e a memória coletiva. Em tempos de fragmentação social e estresse ambiental, esses espaços podem atuar como catalisadores de cura, oferecendo ambientes seguros onde as comunidades podem se reconectar. Por meio de um desenho atento e de processos participativos, as intervenções no espaço público têm o potencial de reconstruir a confiança, promover o bem-estar mental e fomentar um sentimento renovado de pertencimento entre integrantes da comunidade.
Em distritos históricos de Praga a Paris, uma contagem regressiva começou: o tempo restante para que incontáveis tesouros arquitetônicos se tornem, literalmente, sem valor. Não pela erosão lenta do tempo ou pelas mudanças erráticas do gosto cultural, mas pela matemática inevitável da química atmosférica. Em UrbanDecarbonisation: Destranding Cities for a Post-fossil Future, Paolo Cresci, Francesca Galeazzi e Aurel von Richthofen introduzem o conceito de "carbon stranding" (desvalorização por emissões de carbono), um cenário no qual edifícios se tornam financeiramente inviáveis devido ao endurecimento das regulamentações de carbono. Isso ameaça tornar distritos históricos inteiros financeiramente obsoletos antes mesmo de completarem seus centenários.
Nicolás Valencia conversa no Centro Cultural FIESP de São Paulo com a artista brasileira Giselle Beiguelman sobre inteligência artificial, data centers e golpistas, a partir de seu livro Políticas da imagem, de sua exposição Venenosas, Nocivas e Suspeitas e de sua pesquisa Domingo no Golpe.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143117/giselle-beiguelman-brasilia-inteligencia-artificial-e-plantas-venenosasArchDaily Team
Coding Plants: An Artificial Reef and Living Kelp Archive. Cortesia de Terreform ONE
Esta seleção de projetos da Bienal de Arquitetura de Veneza 2025 explora como arquitetos/as e designers estão repensando a relação entre o ambiente construído e a água em resposta à crise climática global. Com o aumento do nível do mar e a intensificação de eventos climáticos extremos, a água deixou de ser uma ameaça distante para se tornar uma condição imediata de projeto. Em vez de resistir a ela, estes projetos investigam como a arquitetura pode coexistir, adaptar-se e até mesmo se regenerar por meio das forças da natureza. Coletivamente, as propostas sugerem uma mudança de perspectiva em direção ao trabalho em harmonia com os elementos, reconhecendo a água não como um limite para a construção, mas como participante ativa na configuração dos ambientes do futuro.
Na busca por fomentar o sentido de pertencimento de seus habitantes, valorizar suas culturas ancestrais e preservar sua identidade, o território latino-americano reconhece uma arquitetura com amplas nuances e características regionais. O uso de técnicas construtivas e materiais locais, ou o diálogo entre o modular e o vernáculo, entre outras questões, revelam a intenção de promover a participação de comunidades nativas, estudantes e suas famílias, povos originários e construtores locais durante o processo de projeto e construção de uma grande variedade de escolas rurais ao longo de toda a América Latina.
Ao longo dos últimos anos, o discurso arquitetônico tem sido moldado pela emergência de novas vozes, territórios redescobertos e por um compromisso crescente com formas compartilhadas de conhecimento. Essas preocupações permanecem plenamente presentes em 2025 como debates contínuos que ganham cada vez mais densidade e nuance. Questões sobre quem produz arquitetura, a partir de quais contextos e sob quais condições continuam centrais, cada vez mais informadas por práticas que operam de forma coletiva, interdisciplinar e para além da autoria individual.
Essa continuidade se reflete em como a arquitetura é entendida menos como um objeto acabado e mais como um processo contínuo integrado a sistemas sociais, culturais e ambientais. Persistem as discussões sobre agência, participação e produção de conhecimento, acompanhadas de uma atenção contínua a contextos rurais, periféricos e historicamente marginalizados. Em vez de privilegiar uma única escala ou geografia, a arquitetura é abordada como uma prática que transita entre territórios, reconhecendo as condições desiguais que moldam como os espaços são projetados, construídos, mantidos e habitados.
Al agua patos de K37.lab (Carlos Iraburu Elizalde, Álvaro Oriol, José Rodríguez-Losada, Carlos Iraburu Bonafé), España.. Image Cortesía de k37.lab
O consolidado festival de arquitetura efêmera e cidade, Concéntrico, prepara-se para sua décima primeira edição, que, como todos os anos, acontecerá na cidade de Logroño. Em 2025, o encontro será de 19 a 24 de junho, com uma programação que incluirá diversas atividades, conferências e percursos para refletir sobre o espaço público, as cidades e nossa forma de intervir e interagir com elas.
As pedras guardam o tempo. Algumas são formadas pela solidificação repentina do magma, como o basalto, cuja estrutura densa e cor escura resultam do resfriamento rápido na superfície. Outras, como o granito, nascem lentamente em profundas câmaras magmáticas, onde o resfriamento gradual permite o crescimento de cristais visíveis, criando padrões e cores únicos. Há também as rochas sedimentares, formadas pela compactação de detritos minerais e orgânicos ao longo de milhões de anos, com tons que refletem sua composição química e o ambiente em que foram depositadas. Ao transformar essa diversidade geológica em uma superfície contínua única, o terrazzo surge como um composto cimentício ou mineral no qual fragmentos de mármore, granito, quartzo, basalto e outras litologias são incorporados a uma matriz aglutinante e, em seguida, polidos para revelar a estrutura e o brilho de cada partícula. Diferentemente de uma superfície homogênea, o terrazzo atua como uma vitrine mineralógica, onde cada agregado preserva sua identidade ao mesmo tempo em que contribui para um todo coerente, podendo se transformar em pisos, revestimentos de parede ou até mesmo mobiliário.