Segundo Lugar + Prêmio de Estudante Buildner: Silent Equilibrium
A Buildner tem o prazer de anunciar os resultados da Architect's Chair Competition Edition 4, um concurso internacional anual que convida arquitetos/as e designers de todo o mundo a enviar propostas para uma cadeira autoral. Seguindo os passos de figuras icônicas como Charles e Ray Eames, Ludwig Mies van der Rohe, Marcel Breuer e Arne Jacobsen, os/as participantes têm a tarefa de criar cadeiras personalizadas que reflitam suas filosofias e visões de design únicas.
Invenção da cor, de Hélio Oiticica. Imagem via Carlos Reis Wikimedia Commons, CC BY-NC-SA 2.0
Muitas das ideias espaciais que hoje associamos à arquitetura contemporânea, ao uso coletivo e à experiência corporal não se originaram apenas nos edifícios. Na América Latina, esses conceitos foram frequentemente explorados primeiro por meio da arte, em um momento em que artistas questionavam ativamente como o espaço poderia ser ocupado, compartilhado e vivenciado para além das formas tradicionais.
Em meados do século XX, a região passou por uma rápida urbanização e por profundas transformações sociais. Esperava-se cada vez mais que a arquitetura respondesse à vida pública, à coletividade e a novas maneiras de habitar o espaço. Paralelamente, a arte oferecia um campo de experimentação mais flexível, menos condicionado pela função, pelas regulamentações ou pela permanência. Como resultado, muitas questões espaciais foram testadas por meio de práticas artísticas antes de passarem a integrar o pensamento arquitetônico.
Na imagem: F128 PA Black Ambiance Granite, U590 PM/TM Deep Blue, U705 PM/TM Angora Grey, U755 PM/TM Havanna Grey, H1708 ST17 Brighton Chestnut. Imagem cortesia de EGGER
Projetar um espaço interno é, de muitas maneiras, um exercício de orquestração. Assim como um/a maestro/a coordena instrumentos, timbres, ritmos e intensidades para compor uma peça coerente, o/a arquiteto/a reúne materiais, cores, luz, textura e proporção para definir a qualidade espacial e a atmosfera de um ambiente. Nenhuma dessas decisões funciona isoladamente: a escolha de uma superfície influencia o modo como a luz é refletida; um determinado material pode moldar o envelhecimento do espaço ao longo do tempo; a cor, por sua vez, afeta diretamente a percepção de escala.
Materiais derivados de madeira, tais como painéis de partículas de madeira (MDP) decorativos, painéis de MDF ou laminados, podem, portanto, ser compreendidos como mais do que simples acabamentos. Produzidos industrialmente, eles combinam a seleção de padrões decorativos, textura superficial e substrato técnico, definindo tanto sua aparência quanto a maneira como o espaço responde ao uso, à luz e ao tempo. Fatores como estabilidade dimensional, facilidade de manutenção e resistência ao desgaste tornam-se parte integrante das decisões projetuais, sobretudo em interiores sujeitos a uso intensivo.
Cidades em todo o mundo compartilham um objetivo comum: tornarem-se mais saudáveis e verdes, apoiadas por uma infraestrutura cívica que restaure ecossistemas e fortaleça a vida pública. A questão é como alcançar esse objetivo. Metas climáticas globais, códigos de obras locais e normas municipais orientam cada vez mais os/as profissionais de design e planejamento rumo a melhores escolhas. Contudo, muitas cidades ainda enfrentam dificuldades para traduzir essas diretrizes em conforto cotidiano ao nível da rua e em proteção ecológica de longo prazo. O que acontece se a cidade deixar de ser tratada como uma cidade tradicional e passar a ser vista como um parque nacional?
Os parques nacionais operam por meio de sistemas de proteção que tratam o território como uma rede de relações ecológicas, e não como uma coleção de áreas isoladas. Eles estabelecem uma base comum sobre o que deve ser preservado, mantido e tornado acessível ao longo do tempo. Quando essa lógica é aplicada ao ambiente urbano, o sucesso dessa abordagem pode inspirar orgulho e um senso de responsabilidade compartilhada entre projetistas, formuladores/as de políticas públicas e moradores/as, fomentando um compromisso coletivo com a saúde, o habitat e a infraestrutura cívica.
Representação artística do sobrevoo lunar da Orion. Imagem via NASA sob licença CC BY-NC-ND 2.0
Era julho de 1969 e os habitantes do planeta Terra estavam prestes a presenciar um momento histórico para a humanidade: a primeira vez que um ser humano pisaria na superfície da Lua a bordo da missão Apollo 11. Após esse marco, a NASA pousou na superfície lunar mais cinco vezes, sendo a última com a Apollo 17, em 1972. Desde então, a humanidade não tentou retornar à Lua — até este ano de 2026, quando lançará a nave espacial Orion como parte da Missão Artemis II. Com lançamento planejado entre fevereiro e abril de 2026, a Orion ainda não levará pessoas para pousar na Lua; em vez disso, fará um voo de sobrevoo para testar softwares e sistemas. Esse teste servirá de base para um pouso humano real no Polo Sul da Lua como parte da Artemis III, previsto para ocorrer entre 2027 e 2028, inaugurando, em última análise, uma nova era no projeto arquitetônico extraterrestre.
O Shou Sugi Ban é uma técnica tradicional japonesa de preservação de madeira que consiste na carbonização da superfície para a criação de uma camada protetora. Embora suas origens estejam enraizadas na durabilidade prática, o método foi amplamente adaptado ao ambiente construído moderno, definindo uma estética singular e marcante. Trata-se de um material contraditório: ao mesmo tempo que se impõe visualmente por seus tons escuros, ele também se apropria de seu entorno natural e o complementa, permitindo que as casas se insiram discretamente na paisagem.
O acabamento carbonizado das 22 residências selecionadas no Canadá e nos Estados Unidos serve como um fio condutor para lidar com climas extremos. De margens de lagos úmidas a florestas densas, a pele carbonizada atua como um escudo resistente contra as mais diversas intempéries. Indo além da mera proteção, estas casas demonstram como a textura do material se transforma sob a exposição à luz, passando de um tom fosco e plano na sombra para uma superfície cintilante, salpicada de prata, sob o sol direto. Os projetos também evidenciam a capacidade da técnica de definir volumes arquitetônicos, utilizando o revestimento escuro para criar silhuetas monolíticas precisas ou para destacar os vazios na volumetria do edifício, como recuos de entrada e terraços protegidos.
O que importa mais: olhar para o passado ou para o futuro? Reconhecer trajetórias consolidadas ou fomentar caminhos ainda em construção? Talvez esta não seja uma pergunta com resposta única. Tradicionalmente, os prêmios de arquitetura funcionam como dispositivos de consagração, reconhecendo obras concluídas, carreiras consolidadas e soluções já testadas, na maioria das vezes sob uma perspectiva retrospectiva. Mas o que aconteceria se o reconhecimento deixasse de ser um fim em si mesmo e passasse a funcionar como um agente catalisador, investindo menos no que já foi feito e mais no que está por vir?
O desenvolvimento costeiro em grandes cidades há muito tempo se configura como um terreno de oportunidades e disputas—moldado, a um só tempo, pela busca por capital (vistas privilegiadas, escassez de terras e a promessa de aterros), pelas demandas cívicas por acesso público e por uma vida coletiva à beira-mar, e pelas aspirações contemporâneas de sustentabilidade e de uma identidade urbana marcante. Justamente porque essas agendas raramente se alinham, extrair o potencial máximo de áreas de orla nunca é uma tarefa simples.
Contudo, em Nova York e em Hong Kong, é possível traçar as ambições de cada cidade—a despeito de suas diferentes estratégias, prioridades e lógicas políticas—por meio de um conjunto de projetos fundamentais que ancoram suas linhas costeiras. Lidos em conjunto, esses projetos revelam não apenas o que cada cidade escolhe valorizar, mas também do que está disposta a abrir mão para construir no limite.
Espaços de lazer costumam ser locais onde diferentes gerações se cruzam. Sem programas formais ou papéis predefinidos, eles permitem que as pessoas se movimentem, façam pausas e permaneçam juntas, cada uma interagindo com o espaço à sua maneira. Em um ambiente construído cada vez mais moldado pela especialização e pela fragmentação, essas bases espaciais compartilhadas tornaram-se menos comuns, conferindo à arquitetura voltada para o lazer uma relevância renovada.
Os debates em torno do espaço público têm apontado repetidamente para o valor da abertura e da flexibilidade no apoio à vida coletiva. Ao refletir sobre como as pessoas interpretam, habitam e adaptam o espaço, o arquiteto Herman Hertzberger fala da arquitetura não como um conjunto de instruções, mas como uma estrutura de possibilidades — algo que convida à interpretação em vez de prescrever comportamentos. Como ele mesmo define, "o que devemos produzir na arquitetura é algo como competência, possibilidade – algo com o qual as pessoas possam lidar livremente, à sua própria maneira." Em vez de tentar criar a interação diretamente, a arquitetura molda as condições que tornam a convivência possível.
Situada ao longo da histórica Rota da Seda na Ásia Central, Tashkent é uma cidade com uma longa história que remonta a milhares de anos. Sua arquitetura histórica é conhecida pelos pátios, cúpulas e cerâmicas azuis, típicos do patrimônio timúrida. Hoje capital do Uzbequistão, a cidade foi incorporada ao Império Russo no século XIX, antes de se tornar uma república soviética. Durante o período em que integrou a União Soviética, a cidade transformou-se em um modelo de modernização, celebrando as conquistas socialistas na Ásia. Um terremoto devastador em 1966 acelerou esse processo à medida que a cidade era reconstruída, dando origem a muitos dos monumentos modernistas pelos quais Tashkent é conhecida hoje.
"Sabemos que não nascemos para morrer", dizia frequentemente o arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha. "Nascemos para continuar." Na arquitetura, essa ideia de continuidade está no cerne do patrimônio — não como uma herança estática, mas como algo que resiste, se transforma e é constantemente reinterpretado. No entanto, o que continua e o que se permite desaparecer nunca é algo neutro. As decisões sobre preservação são moldadas pelo poder, pela memória e pelo valor, levantando uma questão fundamental para a prática contemporânea: quem define o que vale a pena ser levado adiante, e para quem?
Em toda a América do Sul, o conforto ambiental é compreendido não como uma condição interna estática, mas como algo moldado através do espaço. Em regiões marcadas pelo calor, umidade, luz solar intensa e variações sazonais, a arquitetura há muito tempo se apoia em decisões espaciais para amenizar o clima e acolher a vida cotidiana. O conforto surge da maneira como os interiores são abertos, sombreados, ventilados e habitados ao longo do tempo.
Em vez de isolar os espaços internos de seu entorno, muitos projetos contemporâneos na região cultivam o conforto por meio da profundidade, da porosidade e de zonas intermediárias. A luz é filtrada, e não maximizada; o ar é direcionado por aberturas alinhadas e vazios; e os limiares se transformam em espaços ativos de uso, em vez de bordas residuais. Tais estratégias não buscam um controle ambiental uniforme, mas produzem interiores que permanecem amenos, adaptáveis e intimamente sintonizados com as mudanças nas condições climáticas. Nesse contexto, o conforto ambiental torna-se indissociável da experiência espacial.
Fundado como um escritório que atua na interseção entre arquitetura e projetos de base comunitária, o pk_iNCEPTiON está sediado em Maharashtra, Índia. O estúdio, um dos vencedores do prêmio ArchDaily 2025 Next Practices Awards, desenvolve escolas rurais, casas, bibliotecas e edifícios públicos, sempre com foco na organização espacial e na adaptabilidade. Atuando em diversos contextos sociais e climáticos, o pk_iNCEPTiON aborda o projeto com uma atenção minuciosa ao movimento, à escala e à relação entre a forma construída e o espaço livre.
Uma mesa longa pode ser colocada em quase qualquer lugar e ainda desempenhar a mesma função. Ela pode se estender sob a cobertura de um mercado, alinhar-se ao refeitório de uma escola ou ocupar o centro de uma sala de estar compartilhada, alterando imediatamente a temperatura do ambiente.
É por isso que a mesa longa é menos um objeto e mais um instrumento espacial. Ela não garante uma conexão e raramente parece "inclusiva" por padrão. Em vez disso, estabelece condições: uma borda compartilhada, um ritmo comum de chegada, um campo de visibilidade mútua ou uma regra que transforma o ato de comer em uma cena compartilhada. Estudos sobre alimentação descrevem essa prática como comensalidade, o ato de comer junto e a ordem social que ele pode criar, reforçar ou contestar. No entanto, o que importa aqui não é uma dimensão específica ou a função da mesa, mas a maneira como uma superfície longa comporta a diferença, a conversa e o silêncio; a intimidade e a distância; a decisão de se juntar e o direito de hesitar.
Selecionado como um dos vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o escritório NAAW representa uma nova geração de estúdios de arquitetura que estão remodelando a prática contemporânea na Ásia Central. Fundado em 2019 por Elvira Bakubayeva e Aisulu Uali, o estúdio atua na interseção entre pesquisa, colaboração interdisciplinar e experimentação espacial, posicionando a arquitetura como uma ferramenta de reflexão e um agente ativo na construção da identidade cazaque contemporânea.
Este artigo faz parte da nossa nova seção Opinião, um formato para ensaios baseados em argumentos sobre questões críticas que moldam nossa área.
Tradicionalmente, a visita a um museu é uma ocasião programada, com uma sequência claramente roteirizada. A chegada é marcada de forma cerimonial — por escadarias monumentais ou limiares, por bilheterias e balcões de informações, por um audioguia e um conciso prefácio institucional sobre missão e história. Esse caráter deliberado de "ocasião especial" decorre da forma como os museus foram concebidos por muito tempo: intencionalmente excepcionais, rigidamente curados e organizados em torno de um arco narrativo específico. Nesse modelo, o museu assume uma voz de autoridade — seu conhecimento é profundo, validado e deve ser respeitado, não contestado —, enquanto a arquitetura e a coreografia reforçam uma maneira única de entrar, aprender e lembrar.
Nicolás Valencia conversa com a arquiteta chilena Macarena Cortés, autora de Turismo y Arquitectura Moderna en Chile, um olhar sobre a arquitetura que permitió tornar o Chile um país turístico desde meados dos años trinta por meio da publicidade ferroviária.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093960/hoteis-balnearios-e-trens-a-arquitetura-do-turismo-do-seculo-xx-com-macarena-cortesArchDaily Team
Ao refletir sobre a cidade moderna, Walter Benjamin descreveu o flâneur, uma figura que caminha sem destino definido, atenta aos detalhes, aos encontros casuais e às narrativas que emergem do espaço urbano. Esse modo de estar na cidade, moldado pela observação e pela abertura ao inesperado, há muito tempo está em tensão com os ideais racionalistas e funcionalistas que passaram a orientar o planejamento urbano ao longo do século XX. Ruas projetadas prioritariamente para a eficiência e o fluxo raramente deixam espaço para desvios, pausas ou para a coexistência de diferentes ritmos de vida.
Jane Jacobs também foi uma das vozes a contestar essa lógica predominantemente racionalista, argumentando que ruas verdadeiramente vibrantes são aquelas capazes de sustentar a diversidade da vida cotidiana, suas trocas informais e as formas de cuidado e vigilância natural que delas emergem. O que essas reflexões compartilham é uma percepção fundamental: as ruas não são meras infraestruturas de circulação, mas ecossistemas sociais, moldados pelas relações, usos e encontros que nelas ocorrem.
WORKac é um escritório com sede em Nova York fundado em 2003 por Amale Andraos e Dan Wood. A firma sempre acreditou no "poder da arquitetura e do design de engajar-se em questões ambientais e sociais, criando novas possibilidades para o futuro." Nesse sentido, os/as diretores/as do escritório definem sua abordagem da arquitetura como uma evolução constante. Para eles/as, trata-se de um processo contínuo de aprendizado, questionamento e reaprendizado, alimentado pelo envolvimento do escritório com a cultura, os climas e as histórias locais, além do debate nos campos da ecologia, do paisagismo e do urbanismo. Dessa forma, conseguem integrar esses temas com foco em projetos públicos, culturais e cívicos que buscam reinventar a maneira como as pessoas vivem, trabalham e vivenciam o mundo.
Um novo ano começou e, com ele, chega uma nova edição do Prêmio ArchDaily Building of the Year. Há 17 anos entregamos o poder de decisão a vocês, nossos leitores e leitoras, para escolherem os melhores projetos de arquitetura do ano — e a resposta tem sido sempre extraordinária. Com uma seleção inédita de mais de 3.000 projetos de todo o mundo, chegou o momento de explorar nossa biblioteca de projetos e começar a fazer suas escolhas.
De uma pequena biblioteca na zona rural de Mianmar, premiada na primeiríssima edição do Building of the Year em 2009, a uma inovadora usina de transformação de resíduos em energia em 2025, os vencedores do prêmio sempre foram surpreendentes, inspiradores e, acima de tudo, um reflexo do panorama arquitetônico contemporâneo. Qualquer pessoa pode se cadastrar gratuitamente no ArchDaily para votar. Convidamos você a mergulhar no catálogo de obras publicadas em 2025 — todas qualificadas para participar em uma ou mais das 15 categorias disponíveis — e escolher as suas favoritas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093852/o-premio-archdaily-building-of-the-year-2026-ja-esta-abertoDaniela Porto
Ao operar com apenas cinco notas, a escala pentatônica estabelece um sistema musical estável e intuitivo, no qual a clareza estrutural permite variações sem o risco de dissonâncias excessivas. A partir dessa estrutura consolidada, que serve de base para inúmeros estilos musicais — especialmente a música popular —, o blues introduziu uma inflexão decisiva ao incorporar notas adicionais à escala. Sem entrar em tecnicismos excessivos, trata-se de sutis desvios tonais, pequenas dissonâncias frequentemente associadas a uma sonoridade mais melancólica, conhecidas como blue notes. Executadas de forma passageira, e não como acentos enfáticos, elas tensionam brevemente o sistema, agregando expressividade e profundidade ao mesmo tempo que mantêm intacta a estrutura subjacente.
Se na música a escala de blues opera por meio de um desvio sutil que "tempera" a estrutura subjacente, um princípio semelhante pode ser identificado na arquitetura. Embora comparações entre diferentes linguagens artísticas sejam sempre delicadas, é possível reconhecer projetos que encontram sua força expressiva não na ruptura, mas em inflexões localizadas introduzidas em sistemas claros — sejam eles de modulação, subtração, materialidade ou tipologia. Deslocamentos e assimetrias localizados funcionam como tensões internas que não comprometem a coerência do conjunto, revelando como a expressividade pode emergir do desvio controlado, e não da exceção permanente.
Ao desenvolver um projeto de arquitetura, existem múltiplos pontos de partida possíveis. Há profissionais que começam pelo volume, esculpindo a forma gradualmente em diálogo com o contexto. Outros partem do corte longitudinal, enquanto há quem organize o projeto a partir da distribuição funcional da planta. Não existe um método certo ou errado, mas sim abordagens distintas que refletem diferentes maneiras de pensar e fazer arquitetura. No entanto, desde a ampla adoção dos painéis solares e da energia fotovoltaica, surgiu um padrão recorrente: esses sistemas são quase sempre introduzidos tardiamente no processo, enquadrados como otimizações técnicas ou respostas a exigências regulatórias e de eficiência energética. Como resultado, tendem a ser tratados como elementos secundários, frequentemente relegados a coberturas ou áreas menos visíveis e desvinculados da linguagem arquitetônica do edifício.
A arquitetura residencial continua sendo um dos campos mais ativos para a exploração arquitetônica de projetos não construídos, oferecendo uma lente através da qual arquitetos e arquitetas repensam como o espaço doméstico pode responder à paisagem, ao clima e aos modos de vida contemporâneos. Nesta edição de Projetos Não Construídos, enviada pela comunidade do ArchDaily, as propostas selecionadas reúnem uma variedade de projetos residenciais que abordam casas, vilas e refúgios como locais de recolhimento, mediação e habitação cotidiana. Em vez de tratar a casa como um objeto estático ou isolado, esses projetos a abordam como uma estrutura espacial que negocia exposição, privacidade e conexão com o lugar.
Diferentemente da maioria dos esportes populares, a origem do basquete tem um ano e um criador precisos: foi inventado em 1891, nos Estados Unidos, pelo instrutor de educação física canadense James Naismith como um esporte praticado em ambientes fechados para os atletas do Springfield College durante o inverno, logo após o fim da temporada de futebol americano. A modalidade expandiu-se rapidamente para além das fronteiras dos EUA, sendo incluída nos Jogos Olímpicos em 1936 e alcançando popularidade internacional após a Segunda Guerra Mundial. À medida que o basquete se popularizava, ele também deixava o ambiente controlado dos ginásios para ocupar os mais diversos locais: playgrounds, praças públicas, pátios escolares, acessos de veículos e quintais transformaram-se em quadras informais de lazer e convivência comunitária, reforçando o papel da atividade física como catalisadora da interação social e da regeneração de bairros.