As principais distinções do festival — World Building of the Year (com apoio da GROHE), World Interior of the Year, Future Project of the Year e Landscape of the Year — foram anunciadas hoje, no momento em que centenas de arquitetos e arquitetas de todo o mundo se reuniram para o jantar de gala de encerramento no Miami Beach Convention Center, na Flórida. Diversos Prêmios Especiais, incluindo o American Beauty Prize (com apoio do Royal Fine Art Commission Trust), também foram revelados no evento de encerramento, que celebrou a décima oitava edição do festival. O anúncio ocorre após o último dia do WAF, no qual os projetos vencedores de todas as 43 categorias competiram pelos títulos principais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142801/edificio-do-ano-e-interior-do-ano-revelados-no-world-architecture-festival-2025Enrique Tovar
O teórico André Corboz, conhecido por suas contribuições para a leitura crítica do território, propõe que as cidades devem ser compreendidas como um palimpsesto. Ou seja, uma superfície continuamente reescrita, onde vestígios de camadas anteriores permanecem visíveis mesmo após sucessivas intervenções. Para ele, a cidade não é uma entidade estática, mas um organismo em constante transformação, no qual camadas históricas, funcionais e simbólicas se sobrepõem. Por essa razão, trabalhar em projetos de restauração ou reabilitação de edifícios históricos é algo particularmente complexo, que exige uma reflexão cuidadosa sobre a abordagem a ser adotada: as ampliações e reformas devem buscar total coerência com a linguagem original ou se afirmar como expressões arquitetônicas de seu próprio tempo?
Um projeto pode ser desenhado em linhas gerais, mas é construído nos detalhes. Por mais simples que pareça, uma escada envolve um nível significativo de engenharia. Algumas são visivelmente mais cansativas ou difíceis de subir e descer. Para solucionar isso, no século XVII, o arquiteto François Blondel propôs uma fórmula para garantir a proporção ideal entre espelho e piso — uma equação que, quando respeitada, proporciona um percurso confortável. No entanto, há outro fator igualmente decisivo: todos os degraus devem ser idênticos. Isso pode soar trivial e lógico, mas executar qualquer coisa com precisão é sempre um desafio construtivo. Nosso corpo se adapta rapidamente às dimensões dos degraus, e qualquer variação (mesmo mínima) pode causar tropeços sucessivos ou passos em falso. Um detalhe aparentemente insignificante, quando mal resolvido, pode comprometer o bem-estar e a segurança de um edifício inteiro.
Em 1975, Honduras estava sob um regime militar que já durava mais de uma década, liderado na época pelo general Juan Alberto Melgar Castro. Durante esse período, Tegucigalpa passou por transformações profundas e sem precedentes. O afluxo de pessoas vindas de várias partes do país devido à migração rural transformou a cidade de uma área urbana compacta em uma metrópole em expansão. Esse crescimento inesperado levou o governo a implementar um plano de desenvolvimento e planejamento municipal, projeto que viria a definir o futuro da cidade e a evolução de seu centro histórico. Este artigo foi desenvolvido com a colaboração do arquiteto hondurenho Lisandro Calderón, especialista em Planejamento Urbano e atualmente professor da Universidade Tecnológica de Centro-América (UNITEC), localizada em Tegucigalpa, Honduras.
Preservação do patrimônio e viabilidade econômica há muito são tratadas como prioridades conflitantes no desenvolvimento urbano. Profissionais de arquitetura geralmente enfrentam uma escolha drástica: projetar para a continuidade da comunidade ou projetar para o retorno financeiro. Projetos contemporâneos em Mumbai mostram que essa oposição é falsa. Por meio de programação estratégica, escolhas de materiais e organização espacial, esses projetos viabilizam edifícios que geram receita sustentável ao mesmo tempo em que fortalecem, em vez de desestruturar, as comunidades existentes.
Desafiar convenções tem sido uma constante na produção artística ao longo da história, sempre buscando ressignificar limites estabelecidos. No século XX, transformações sociais, históricas e tecnológicas criaram o contexto ideal para uma profunda reconfiguração arquitetônica. Nesse processo, o modernismo introduziu novas ideias sobre funcionalidade, rompendo com a ornamentação do passado. No entanto, partindo dessa base, o minimalismo refinou ainda mais a redução da forma à sua essência. Ao focar na relação entre espaço, sobriedade e luz, o movimento minimalista transformou a arquitetura contemporânea e o design de interiores, convertendo as janelas em um recurso fundamental para a percepção sensorial e a interação com a atmosfera e o espaço, abrindo um campo de exploração introspectivo, sensível e refinado.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142793/sem-caixilho-e-mais-como-as-janelas-minimalistas-moldam-as-atmosferas-arquitetonicasEnrique Tovar
A reciclagem de alumínio desempenha um papel significativo na redução de emissões e na preservação de recursos no ambiente construído. Com o lançamento do Loop 80, uma liga certificada composta por 80% de material reciclado, a Alumil dá continuidade aos seus esforços para mitigar o impacto ambiental dos materiais arquitetônicos.
Após o lançamento, em 2023, do Loop 60 — o primeiro alumínio certificado com 60% de conteúdo reciclado para sistemas arquitetônicos —, o Loop 80 representa um avanço na eficiência de materiais. Certificado pela TÜV AUSTRIA, o aumento no teor de reciclagem reflete tanto o progresso técnico quanto um alinhamento mais robusto aos princípios da economia circular no desenvolvimento de produtos.
No total, ao longo dos três dias de festival, serão apresentadas mais de 460 defesas de projetos ao vivo pelos finalistas de 2025, diante de um júri internacional composto por mais de 160 profissionais. Hoje, os projetos selecionados de diversas partes do mundo competiram em 22 categorias de prêmios divididas entre Edifícios Concluídos, Projetos Futuros e Interiores. Entre os escritórios premiados estão o WOW Architects, o BIG-Bjarke Ingels Group, o Batlleiroig e o Perkins&Will.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142836/world-architecture-festival-2025-anunciados-os-vencedores-do-primeiro-diaEnrique Tovar
Desde sua inauguração em abril, a Expo de Osaka recebeu milhões de visitantes de todo o mundo, constituindo uma verdadeira vitrine de inovação, arquitetura e design. Entre seus destaques está o Grande Anel, obra do arquiteto japonês Sou Fujimoto, considerada la maior estrutura arquitetônica de madeira do mundo. Sob o lema da Expo 2025 —Designing Future Society for Our Lives—, mais de 150 países, por meio de seus pavilhões, abordaram temas fundamentais para a arquitetura contemporânea, como a circularidade na construção, a memória cultural e a inovação e tecnologia orientadas ao futuro do ambiente construído e sustentável.
A arquitetura está sendo remodelada pela inteligência artificial, pelas mudanças climáticas e pelas transformações nas estruturas sociais. Na SCI-Arc, estudantes aprendem a enfrentar esses desafios de frente, utilizando o design como ferramenta para moldar um mundo em rápida mutação.
Neste semestre, os Ateliês Verticais (Vertical Studios) de nível avançado da SCI-Arc trazem o mundo para dentro da sala de aula. Cada um é liderado por um/a arquiteto/a atuante no mercado e na vanguarda da profissão — desde a fabricação experimental até o design urbano e ambiental. A partir de projetos reais e de sua experiência profissional, o corpo docente desafia os/as estudantes a se engajarem com as realidades do presente e a projetarem com precisão, empatia e imaginação.
Quando o Archigram publicou sua visão fanática de cidades pneumáticas e megaestruturas móveis na década de 1960, parecia estar projetando edifícios. Sob a superfície, os vanguardistas impulsionavam a cultura por meio de alternativas radicais de estilos de vida e formas de organização na cidade. Laboratórios se revelavam entrelinhas nos textos de revistas como Domus ou Casabella, com propostas que funcionavam como verdadeiros projetos para as civilizações do futuro. Da Bauhaus de Gropius em 1919 aos experimentos no deserto de Arcosanti na década de 1970, a arquitetura operava como uma forma de profecia cultural. A forma construída era o argumento. O desenho era a visão. Hoje, vivemos em um mundo que se assemelha notavelmente ao que os/as "starchitects" do século XX imaginaram — construção modular, cidades digitais interconectadas e sistemas automatizados. No entanto, a arquitetura contemporânea raramente propõe cultura com a mesma confiança totalizadora.
Equipe da Biblioteca do Patrimônio de Deir Ez-Zor no local. Imagem cortesia de Deir Ez-Zor Heritage Library
É comum que os países disponham de legislação e instituições para proteger seu patrimônio edificado. Também é frequente a existência de lacunas nas próprias leis ou em sua aplicação, ao passo que certas circunstâncias podem expor o patrimônio de uma nação a vulnerabilidades específicas. Diante disso, paralelamente às instituições estatais, arquitetos/as e pesquisadores/as locais vêm estabelecendo iniciativas independentes para documentar e preservar aspectos de seu patrimônio construído. A Síria é um exemplo de lugar com uma vasta história de monumentos e edifícios de interesse, além de abrigar grupos ativos de restauradores/as e conservadores/as independentes.
A nova Estação Arden, em Melbourne, vai além de seu papel funcional como polo de transporte. Inaugurada como um componente fundamental do projeto Metro Tunnel, a estação expande a infraestrutura ferroviária da cidade ao aliviar a pressão sobre outras linhas e melhorar a frequência dos serviços, ao mesmo tempo em que se estabelece como um elemento determinante na transformação urbana das zonas norte de Melbourne. Localizada em uma antiga área industrial em processo de revitalização, a estrutura ancora o desenvolvimento futuro de um novo distrito projetado para abrigar até 34.000 residentes e 15.000 postos de trabalho nas próximas décadas.
Os museus e centros culturais ocupam uma posição única na sociedade como espaços de aprendizado, comunidade e conexão. Eles servem como plataformas para preservar a história e engajar o público com novas ideias e perspectivas. A arquitetura desempenha um papel fundamental na formação dessas experiências, proporcionando a estrutura física e emocional que aprimora a forma como as pessoas interagem com a arte, a cultura e entre si. De estruturas monumentais a projetos mais íntimos, esses edifícios culturais têm o potencial de refletir identidades locais, defender a sustentabilidade e inspirar visitantes, ao mesmo tempo que criam marcos culturais duradouros.
De Los Angeles a Turku e Vinh Long, esta seleção de projetos conceituais de museus e centros culturais enviados pela comunidade do ArchDaily destaca a diversidade e a criatividade de propostas não construídas. Todos os meses, a equipe editorial do ArchDaily seleciona um conjunto de projetos conceituais focados em um tema ou programa específico, enviados por arquitetos e arquitetas de todo o mundo. Nesta seleção, as propostas variam desde a expansão de um museu infantil nos Estados Unidos até um museu agrícola sustentável no Vietnã, demonstrando como a arquitetura pode responder a contextos locais distintos ao mesmo tempo que promove temas universais de educação, ludicidade e descoberta. Seja celebrando o patrimônio arqueológico no Chipre ou reimaginando espaços públicos na Finlândia, esses projetos exploram como os museus podem funcionar como polos culturais que engajam e transformam suas comunidades.
Nos últimos anos, a região do Golfo emergiu como um polo global de desenvolvimento cultural e arquitetônico, contratando arquitetos/as de renome internacional para projetar seus museus e instituições de maior visibilidade. Esses projetos, que vão do Louvre Abu Dhabi, de Jean Nouvel, ao Museu de Arte Islâmica em Doha, de I. M. Pei, são frequentemente concebidos por arquitetos/as estrangeiros/as, mas buscam se inserir em seu contexto por meio de estratégias que fazem referência à paisagem, ao clima e às tradições arquitetônicas da região. Isso levanta uma questão fundamental: o que define a arquitetura local no século XXI?
Na arquitetura contemporânea, o projeto de hotéis já não é definido unicamente pelo luxo e pela hospedagem. Em vez disso, está se tornando uma plataforma para explorar questões de identidade, ecologia e significado cultural. Mais do que oferecer quartos e comodidades, os hotéis de hoje buscam criar experiências imersivas que conectam viajantes a tradições, paisagens e comunidades locais. Nesta seleção com curadoria de projetos de hotelaria não construídos, enviados pela comunidade do ArchDaily, propostas especulativas e vencedoras de concursos oferecem um vislumbre do futuro do setor, no qual a sustentabilidade e a narrativa são tão fundamentais quanto o conforto e o estilo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142844/trabalho-em-pequim-heli-architects-arquiteto-a-de-conceito-arquiteto-a-de-projeto-designer-de-detalhamento-de-interiores-estagiario-a韩爽 - HAN Shuang
Durante o período pós-guerra no século XX, o Sul Global esteve sob forte influência de profissionais de arquitetura do exterior, frequentemente convidados por governos locais para aportar sua expertise e visão inovadora. Vistos como símbolos de modernidade, edifícios projetados por "starchitects" elevaram a imagem dessas nações. Décadas mais tarde, mesmo com o avanço na capacidade das indústrias locais, o desejo pelo talento estrangeiro persiste. Trata-se de um resultado natural da globalização ou a presença contínua de escritórios internacionais no Sul Global reflete uma dependência persistente?
A água é um catalisador de experiências sensoriais: manifesta-se no contato direto pelo toque, em sua presença ao ser ouvida ou vista refletida, e em suas transformações—seja pela temperatura, do frio ao calor, ou pelo estado físico, do líquido ao vapor. Trata-se de um elemento fundamental no design para os sentidos, capaz de evocar atmosferas percebidas física e emocionalmente. Como sugere Juhani Pallasmaa, a arquitetura não se dirige apenas aos olhos, mas envolve todo o corpo e a memória sensorial. O banheiro, em especial, concentra grande parte da experiência física e emocional associada à água, abrindo possibilidades para criar ambientes que intensificam essa conexão sensorial. Diante disso, surge a questão: quais elementos ou conceitos devem moldar esse espaço para que a experiência do banho escape do comum?
https://www.archdaily.com.br/pt/1142838/o-despertar-do-banheiro-conceitos-de-design-contemporaneo-para-uma-experiencia-sensorialEnrique Tovar
Uma semana atrás, anunciamos os 15 finalistas do Prêmio Obra do Ano do ArchDaily em Espanhol, que celebra a melhor arquitetura da América Latina e da Espanha, convidando nossos leitores e leitoras a atuar como júri e escolher seus projetos favoritos entre os publicados ao longo do ano. Hoje, finalmente, chegou o momento de conhecer os vencedores do Prêmio Obra do Ano 2025.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142842/conheca-os-projetos-vencedores-do-premio-obra-do-ano-2025-do-archdaily-em-espanholArchDaily Team
Campus do College of Europe em Tirana. Imagem cortesia de MIR, projetado por Oppenheim Architects
Tirana, capital da Albânia, está passando por uma transformação notável, impulsionada por uma visão ambiciosa de futuro delineada no Plano Diretor Tirana 2030 (TR030). O plano, elaborado pelo renomado arquiteto italiano Stefano Boeri, visa a remodelar a cidade em um polo urbano sustentável, verde e inclusivo, com foco no adensamento e na melhoria da qualidade de vida de seus/suas habitantes. No centro dessa visão estão projetos como a criação de uma "floresta orbital" com dois milhões de árvores, a revitalização de rios com corredores verdes e o redesenho de espaços públicos como a Praça Skanderbeg, que se tornou a maior área de pedestres dos Bálcans. De acordo com o The Guardian, essas iniciativas buscam reverter o caos do crescimento urbano desordenado que se seguiu à queda do comunismo e acomodar uma população que quadruplicou desde 1992, ao mesmo tempo em que priorizam a qualidade de vida e a acessibilidade.
No centro da transformação de Tirana está um foco renovado na arquitetura como ferramenta de conexão, combinando identidade cultural e design contemporâneo para criar espaços que convidam à interação e ao engajamento público. Projetos recentes anunciados por arquitetos/as de renome e escritórios internacionais, como Coldefy, OODA, Oppenheim Architecture e CHYBIK + KRISTOF, mostram um fio condutor comum: a reimaginação da cidade rejuvenescida para o público. Essas propostas enfatizam a sustentabilidade social, referências culturais e espaços públicos acessíveis, redefinindo a forma como moradores/as e visitantes vivenciam a malha urbana de Tirana. De vilas verticais de uso misto e ruas voltadas para pedestres a campi ecologicamente conscientes e centros cívicos, esses novos empreendimentos destacam coletivamente a ambição da cidade de se posicionar como um modelo progressista de renovação urbana nos Bálcans.
Encontrar o emprego ideal — ou o/a candidato/a certo/a — na indústria de Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC) pode ser um verdadeiro desafio. À medida que o setor evolui, tanto profissionais quanto empresas buscam formas mais eficazes de se conectar, colaborar e crescer. A AECO Space é uma plataforma de empregos e networking desenvolvida especificamente para profissionais de AEC. Ela oferece um espaço para que contratantes e talentos participem de um processo de recrutamento e conexão mais eficiente e focado no setor.
Desde sua inauguração em 1987, o Four Winds Field — casa do time da Minor League AA, o South Bend Cubs — passou por diversas transformações. Em cada uma delas, o tijolo permaneceu como um elemento arquitetônico central, evocando tradição, permanência e um caráter urbano marcante. Agora, com uma grande expansão em andamento, o estádio reafirma esse legado ao mesmo tempo em que adota técnicas construtivas inovadoras, com destaque para a integração do tijolo em plaqueta (thin brick) como uma solução contemporânea que honra o passado sem comprometer o desempenho técnico.
Buildner, em colaboração com a Autoridade de Estradas e Transportes de Dubai (RTA), convida arquitetos/as, designers e visionários/as de todo o mundo a participarem do Dubai Urban Elements Design Challenge. Este concurso internacional busca propostas inovadoras para elementos arquitetônicos de pequena escala que qualifiquem os espaços públicos e contribuam para a identidade urbana em constante evolução de Dubai.