As etapas iniciais de projeto podem ser o ponto de partida de tudo, mas, sem uma análise criteriosa, também são o momento em que tudo pode desmoronar. Em média, os escritórios relatam que quase 15% de todo o trabalho realizado não gera faturamento, sendo grande parte disso associada ao estudo preliminar. Trabalhando com uma colcha de retalhos de ferramentas como Rhino, Excel, Revit e Miro, profissionais de arquitetura costumam passar semanas alternando entre plataformas apenas para finalizar um conceito e uma apresentação. Os dados ficam presos em capturas de tela, o retrabalho se acumula e, no momento em que o modelo finalmente está pronto para a documentação no Revit, o fôlego criativo já se perdeu. O Snaptrude 3.0 foi desenvolvido para resolver justamente isso.
Os edifícios precisam mudar mais rápido do que o ritmo para o qual foram concebidos. A constante transformação nas necessidades dos inquilinos, o endurecimento das políticas climáticas e o aumento da vacância de escritórios expõem o custo do patrimônio imobiliário estático: desperdício, ruído, períodos de inatividade e, na pior das hipóteses, ativos obsoletos. A consequência é clara: edifícios de todas as tipologias devem ser projetados para se adaptarem ao longo do tempo. A edição inaugural da Adaptable Building Conference (ABC), que ocorrerá em 22 de janeiro de 2026 no Nieuwe Instituut, em Roterdã, reunirá o setor para transformar a adaptabilidade de princípio em prática.
Série 8670 - Janela Maxim-Ar. Imagem cortesia de Western Window Systems
As janelas há muito desempenham um papel ambivalente na arquitetura, pois definem e delimitam os interiores ao mesmo tempo em que criam uma conexão com o exterior. Essa dupla função vai além de simplesmente atender às necessidades construtivas ou fornecer luz natural, influenciando diretamente a forma como os ocupantes vivenciam e se relacionam com a paisagem. O século XX testemunhou a introdução de materiais como o aço, o alumínio e o vidro, que viabilizaram diferentes tipos de janelas com caixilhos mais esguios e grandes painéis, aumentando a transparência e reforçando a conexão visual com o entorno.
Nomes da arquitetura norte-americana como Frank Lloyd Wright e Philip Johnson exploraram essas possibilidades para harmonizar a arquitetura com a paisagem. Na Casa da Cascata (Fallingwater), as janelas e os terraços conectam de forma fluida a residência à cachoeira e à floresta circundante, ao passo que a caixilharia mínima da Glass House praticamente dissolve o limite entre interior e exterior, trazendo o ambiente natural para dentro da casa. Ao longo de sua evolução, as janelas se tornaram um elemento que une espaço, materialidade e percepção, abrindo novos caminhos para explorar a relação entre a arquitetura e seu entorno.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142749/emoldurando-interiores-e-paisagens-em-aluminio-e-vidro-para-dominar-a-vistaEnrique Tovar
A Buildner divulgou os resultados do Morocco Oasis Retreat Competition, um concurso internacional de projetos que convidou arquitetos/as, designers e urbanistas a conceberem um oásis autossustentável no deserto marroquino. Os/as participantes tiveram como tarefa projetar uma intervenção arquitetônica que respondesse ao clima extremo da região, integrando abrigo, estratégias de conservação de água e eficiência energética.
O concurso incentivou a exploração de como a arquitetura pode promover a resiliência em ambientes remotos, inspirando-se tanto em técnicas construtivas tradicionais quanto em princípios modernos de sustentabilidade. Os/as concorrentes tiveram flexibilidade para definir a escala e o propósito de seus projetos. Entre as principais premissas estavam estratégias de resfriamento passivo, gestão de recursos e integração com a paisagem desértica. O prêmio destaca o papel da arquitetura na criação de espaços funcionais e sustentáveis em contextos desafiadores. Detalhes completos sobre os projetos vencedores estão disponíveis no site do Morocco Oasis Retreat Competition.
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Geração de conceito arquitetônico alimentada por IA. Imagem cortesia do AIRI Lab
À medida que as ferramentas de inteligência artificial avançam sobre as indústrias criativas, a arquitetura se depara com um momento decisivo: como adotar sistemas que ampliem o pensamento de projeto sem desgastar a autoria ou o ofício. Para compreender como a profissão está reagindo, o AIRI Lab realizou uma pesquisa com designers e lideranças de escritórios como LWK+P, MVRDV, Gensler, Büro Ole Scheeren, CUBE, HUAYI, entre outros. Suas respostas revelam uma visão nuançada e pragmática: a IA atua como colaboradora, e não como um substituto.
Profissionais de arquitetura hoje atuam em múltiplos universos: desde o design de mobiliário, paisagismo e quadras urbanas até a criação de cenários cinematográficos, fotografias e vídeos. Restauram e realizam o retrofit de edifícios antigos em vez de construir do zero, ao mesmo tempo em que escrevem, pesquisam e publicam. Alguns/as projetam espaços virtuais para videogames ou especulam sobre habitats no espaço sideral e subaquáticos. Outros/as se engajam diretamente com a sociedade por meio da política, do ativismo ou de projetos comunitários. Muitos/as experimentam com a biologia, testam novos materiais e assumem o papel de cientistas. Ao descolonizar narrativas antigas e descarbonizar a indústria da construção, e ao entrelaçar paixões pessoais com desafios sociais e ambientais urgentes, esses/as profissionais expandem o escopo da profissão e tensionam seus limites.
Diante de tantas transformações na profissão, especialmente nos últimos anos, cabe perguntar: como o papel do/a arquiteto/a está evoluindo em resposta às crises globais e às mudanças nas necessidades da sociedade? De que maneiras a interdisciplinaridade pode expandir o escopo e o impacto da prática arquitetônica? E quais habilidades que vão além do projeto tradicional estão se tornando essenciais para esses/as profissionais no mundo de hoje?
No extremo sul de Viena, um conjunto de terraços monumentais ergue-se sobre a paisagem urbana, com varandas escalonadas repletas de vegetação em cascata e coberturas coroadas por piscinas. Trata-se do Wohnpark Alterlaa, um dos projetos de habitação social mais ambiciosos da Europa do pós-guerra. Projetado pelo arquiteto austríaco Harry Glück e construído entre 1973 e 1985, o complexo fundamentou-se em um princípio provocativo: a habitação municipal não deve apenas fornecer abrigo acessível, mas também oferecer os prazeres e as comodidades normalmente reservados aos mais ricos.
Com mais de 3.000 apartamentos que abrigam quase 9.000 residentes, Alterlaa foi concebido como uma cidade dentro da cidade. Paralelamente às suas torres residenciais, o complexo incorpora lojas, escolas, serviços médicos e instalações culturais, garantindo que a vida cotidiana possa se desenrolar inteiramente dentro de seus limites. O projeto reflete um momento de otimismo na política urbana de Viena, quando a habitação era entendida como infraestrutura para o bem-estar coletivo, e não como mercadoria.
Mais um ano se passa e celebramos mais uma edição de sucesso do ArchDaily China Building of the Year Awards! Mais uma vez, a premiação se consolida como o maior prêmio de arquitetura baseado na opinião do público. Em um processo de escolha coletiva, os projetos mais relevantes do ano foram indicados e selecionados por nosso público leitor.
O China Building of the Year Awards 2025 é apresentado por Dornbracht, marca reconhecida por seus designs de vanguarda para arquitetura, presentes em banheiros e cozinhas de prestígio internacional.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142738/vencedores-do-premio-archdaily-china-obra-do-ano-2025韩爽 - HAN Shuang
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Vencedor do Primeiro Prêmio: Edge of presence. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner anunciou os resultados do Re-Form: New Life for Old Spaces, um concurso internacional de ideias que investiga o reuso adaptativo de edificações existentes em pequena escala. O certame convidou profissionais de arquitetura e design a propor transformações de estruturas usadas, abandonadas ou negligenciadas com uma área de implantação aproximada de 250 metros quadrados, localizadas em qualquer parte do mundo. Sem terreno ou programa predefinidos, estimulou-se a busca por alternativas à demolição e a novas construções por meio de estratégias de reuso fundamentadas em preocupações sociais e ambientais contemporâneas.
Por ser um concurso de formato aberto, o Re-Form priorizou a sustentabilidade, a viabilidade e o impacto comunitário em detrimento de restrições formais ou tipológicas. As propostas enviadas variaram de inserções urbanas precisas a intervenções rurais mais especulativas, refletindo uma ampla gama de abordagens no trabalho com o tecido preexistente. Muitos projetos focaram em como espaços limitados e, frequentemente, marginais poderiam ser reativados para viabilizar novas formas de uso coletivo, respondendo simultaneamente a condicionantes materiais, climáticas e ecológicas.
Por muito tempo, a arquitetura foi entendida como uma atividade essencialmente individual, dependente da figura de um gênio criativo e centrada na habilidade de resolver problemas por meio do desenho. Com o tempo, essa imagem começou a se desgastar. O protagonismo outrora concentrado em poucos nomes atingiu seu auge na era dos *starchitects* e, gradualmente, passou a se distribuir entre escritórios, coletivos e equipes multidisciplinares. Hoje, profissionais da arquitetura expandem suas fronteiras para outros campos, como gastronomia, música, design e o ambiente corporativo, aplicando o pensamento espacial para enfrentar desafios de diversas naturezas. À medida que as crises sociais, ambientais e políticas se aprofundam, o papel do/a arquiteto/a continua a evoluir, deixando de lado a autoria solitária para se consolidar em uma atuação baseada na mediação, no ativismo e na agência coletiva de transformação. Essa mudança reflete um despertar ético e o reconhecimento de que o projeto, a regulamentação e o cuidado são dimensões indissociáveis da prática contemporânea.
Na construção civil, cada tarefa requer ferramentas específicas e cada necessidade, uma solução particular. Aspectos como a tipologia do edifício, os requisitos construtivos, a geração de resíduos, os tempos de execução e o contexto influenciam diretamente a qualidade e a complexidade da obra, o que torna fundamental basear as decisões de especificação nesses fatores. Os métodos tradicionais podem dificultar o processo devido à sua rigidez e limitações, tornando necessário recorrer a abordagens mais eficazes e flexíveis que se adaptem às demandas específicas de cada projeto. Isso é comum em obras residenciais, hotéis e hospitais, onde a rapidez e o desempenho são essenciais. Nesses casos, as soluções leves e a seco —que utilizam placas de Volcanita ou fibrocemento sobre estruturas metálicas leves— representam uma alternativa eficaz e de alto desempenho, melhorando a funcionalidade e, consequentemente, a experiência do/a usuário/a.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142752/guia-para-especificar-solucoes-construtivas-sustentaveisEnrique Tovar
A arquitetura jamais deixará de buscar a funcionalidade, pois nela reside um de seus princípios essenciais. A essa condição somam-se fatores como a estética e a operacionalidade, que também influenciam na valorização do design contemporâneo. Com o tempo, o conceito de funcionalidade evoluiu, estendendo-se para além da resolução e da eficiência, vinculando-se à criação de experiências. Assim, a qualidade de um ambiente depende tanto de seu design quanto da forma como seus elementos e sistemas se articulam para gerar uma experiência global de habitar. Inovar, nesse sentido, implica conceber ambientes fluidos e intuitivos, onde cada componente contribui para que a vivência seja natural e segura, algo especialmente relevante em espaços de uso cotidiano como os banheiros.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142739/do-funcional-ao-sensorial-como-se-projeta-a-experiencia-de-um-banheiro-sem-contatoEnrique Tovar
Há mais de 125 anos, a Tarkett fabrica pisos de linóleo com base em sua formulação original de 1898. Reconhecido por profissionais de arquitetura em todo o mundo, este revestimento natural é uma referência em sustentabilidade, durabilidade e design atemporal. Hoje, o Linóleo Tarkett é conhecido não apenas por sua tradição, mas também por sua aplicação inovadora na arquitetura contemporânea — especialmente no setor educacional. Saiba mais sobre o impacto de Lino Materiale da Tarkett nos espaços contemporâneos.
O que as nossas edificações existentes podem nos ensinar sobre como construir para o futuro? Em uma época de recursos escassos, cresce a demanda para que profissionais de arquitetura dialoguem—com o local, com sua história e com o potencial inexplorado do que já está de pé. Em vez de optar imediatamente pela demolição e por uma nova construção, o futuro da arquitetura pode residir na descoberta de possibilidades de inovação em edifícios que já resistiram ao teste do tempo.
A inovação está prosperando em todo o mundo — e os resultados mais recentes do A' Design Award & Competition deixam isso claro. A edição de 2024–2025 reconheceu 1.823 projetos notáveis de 115 países em 157 áreas criativas. Da arquitetura e design de produtos à moda e comunicação, esses trabalhos destacam o que acontece quando a imaginação se alia à maestria técnica.
Selecionados por um júri internacional de especialistas em design, os vencedores deste ano oferecem novas perspectivas e ideias ousadas. O A' Design Award vai além do mero reconhecimento — trata-se de celebrar o pensamento original e as mentes criativas que estão remodelando a maneira como interagimos com o mundo.
Inaugurado em outubro de 2024, o Cemitério de Järva oferece a todas as pessoas, independentemente de credo ou crença, um espaço de memória, dando continuidade à longa tradição histórica de sepultamentos em Estocolmo. Após superar significativos obstáculos de planejamento, o local, projetado por Kristine Jensen Tegnestue e Poul Ingemann, foi criado para receber sepultamentos e cerimônias fúnebres, dispondo de opções para caixões, urnas, bosques de cinzas e uma floresta memorial. Durante a última edição do Open House Stockholm, o público pôde explorar as paisagens naturais do entorno e se conectar com o espaço.
Comparação entre Ghibli e Disneyworld. Imagem via J-LIGHTS / Koichiro Itamura e Theme Park Tourist no Wikipedia sob licença CC BY 2.0
No que diz respeito a projetar para a imaginação infantil, o panorama da arquitetura apresenta duas filosofias distintas. A Disneyland e o Studio Ghibli, ambos mestres na narrativa imaginativa, representam essa divisão fundamental. Suas abordagens, longe de serem casuais, refletem visões divergentes sobre como as crianças vivenciam e interagem com o espaço. Um dos modelos proporciona o espetáculo de uma fantasia construída, ao passo que o outro oferece uma paisagem propícia para uma magia latente. Esses dois modelos colocam os/as arquitetos/as diante de uma escolha fundamental ao abordar esse tipo de projeto: desenhar espaços que atendam à necessidade inata da criança por descobertas sensoriais e pessoais, ou criar uma fantasia que dialogue com sua capacidade crescente de compreender narrativas e espaços mais complexos.
Forte de Mehrangarh, Jodhpur, Rajastão, Índia. Foto por Sanhitasinha. Licença Creative Commons Attribution-Share Alike 4.0 International
Os palácios e antigos armazéns coloniais da Índia estão testemunhando um novo tipo de restauração, que ocorre abaixo da superfície. De suportes discretos de aço embutidos atrás de alvenarias centenárias a sensores digitais inseridos em tetos com afrescos, a tecnologia está remodelando silenciosamente a forma como o patrimônio histórico é protegido para o futuro. Essas intervenções focam mais na precisão sutil do que no espetáculo — verdadeiras maravilhas invisíveis da engenharia.
À medida que o mundo avança em direção ao reúso adaptativo, profissionais de arquitetura e engenharia enfrentam o desafio constante de tornar as estruturas históricas seguras para o acesso público, mantendo ao mesmo tempo a autenticidade de sua arquitetura. Seja na modernização de palácios para um resfriamento eficiente ou no reforço sísmico de antigos armazéns vitorianos, o objetivo vai além da preservação: trata-se da coexistência inteligente entre o antigo e o novo.
O Juneteenth, celebrado anualmente em 19 de junho, comemora a emancipação dos afro-americanos escravizados nos Estados Unidos, marcando um momento de libertação e reflexão sobre uma história complexa e frequentemente negligenciada. Originalmente celebrado no Texas, o Juneteenth passou a simbolizar temas mais amplos de liberdade, resiliência e identidade cultural, promovendo debates sobre justiça e representatividade. Este dia também se apresenta como uma oportunidade para destacar as formas pelas quais a arquitetura pode servir como um meio de preservar e apresentar a história e os valores culturais afro-americanos.
Para além de suas qualidades funcionais e estéticas, a arquitetura pode refletir e reunir narrativas, valores e histórias ocultas, conferindo uma presença tangível e visual a comunidades que costumam ser sub-representadas nas paisagens urbanas. Edifícios dedicados à história e cultura afro-americanas tornam-se marcos físicos que ancoram essas narrativas no cotidiano das cidades. Funcionam como locais de aprendizado, reflexão e celebração, gerando espaços significativos que engajam o público e fortalecem o sentido de identidade comunitária.
Quase três anos após a inteligência artificial capturar a atenção do mundo, a arquitetura ainda busca um terreno firme nessa discussão. Entre declarações categóricas e testes cautelosos, profissionais da área ainda se questionam se — e como — a IA está de fato transformando a prática cotidiana.
Um novo white paper da Chaos aborda essa questão por meio de entrevistas com profissionais da área e de uma profunda pesquisa interna, revelando como a tecnologia começa a remodelar a produtividade, a autoria e a identidade criativa em todo o setor.
O white paper oferece um olhar aprofundado sobre onde a IA gera valor, onde deixa a desejar e como arquitetos e arquitetas podem navegar pelo que vem a seguir.
Em 2025, os projetos de design de maior impacto na Índia desenrolaram-se, em grande parte, longe dos olhos do público. Enquanto a atenção pública convergia para museus, marcos culturais e fachadas de forte apelo visual, a arquitetura que moldou de forma mais decisiva a vida cotidiana situava-se no subsolo, nas franjas urbanas ou no interior de complexos de segurança que poucos habitantes chegariam a adentrar. Redes de esgoto foram reconstruídas, túneis de escoamento de enchentes foram escavados sob bairros densos, subestações foram elevadas acima de planícies de inundação e data centers se multiplicaram pelas paisagens periurbanas. Estas não eram obras periféricas de engenharia; eram os sistemas espaciais que permitiram às cidades indianas manterem-se funcionais sob ondas de calor recordes, monções erráticas e um crescimento urbano acelerado.
Na histórica Stone Town, a principal cidade de Zanzibar, na Tanzânia, a história de um edifício de cinema e sua iminente restauração reflete tanto a história da cidade quanto a própria trajetória das salas de cinema em geral. O início do século XX testemunhou o surgimento da construção de cinemas, com um auge em meados do século, seguido por um declínio decorrente da concorrência com os multiplexes e a televisão doméstica. Embora muitos tenham sido demolidos ou alterados de forma irreversível, outros tantos permaneceram abandonados, como cápsulas do tempo de uma época passada. Eles constituem um registro instantâneo dos estilos e métodos arquitetônicos de seu tempo, funcionando como um lembrete de seu papel social. Restaurar e adaptar um cinema como o Majestic é um reconhecimento de seu valor patrimonial e comunitário.
Perspectivas internacionais são representadas através de destaques em países como o Brasil (acima) ou a Itália (abaixo). Fotos: Cortesia de Bell'Arte (acima) e Gaspare Asaro SRL (abaixo)
A ICFF retorna ao Javits Center de Nova York de 18 a 20 de maio deste ano com um senso de propósito renovado e uma perspectiva global. Sob o tema de 2025, 'Designing in Harmony' (Projetando em Harmonia), a feira se propõe a explorar como o design pode construir pontes — entre materiais e métodos, culturas e climas, passado e futuro.
Em uma época na qual o equilíbrio parece difícil de alcançar, a ICFF busca criá-lo por meio de uma curadoria de mobiliário, iluminação, objetos e debates sobre regeneração, resiliência e colaboração, apresentados como diretrizes práticas. A Architonic conversou com as diretoras de marca da ICFF, Odile Hainaut e Claire Pijoulat, antes da feira, para detalhar essa linha condutora e antecipar o que mais esperar do evento.
A arquitetura vernacular em Hong Kong originou-se como uma série de pequenos assentamentos costeiros — comunidades simples, semelhantes a vilas, que refletiam a identidade primordial da cidade como um polo pesqueiro. Essas vilas litorâneas eram tipicamente compostas por casas de baixa altura e estrutura de madeira, agrupadas ao redor de templos, formando comunidades coesas e intimamente ligadas aos ritmos das águas.
Um exemplo notável é Tai Hang, um dos primeiros assentamentos estabelecidos pelo povo Hakka em Hong Kong. Originalmente situada ao longo de um canal de água que descia das montanhas próximas em direção ao mar, a área servia como um ponto vital de lavagem para os moradores da vila — daí seu nome, que significa literalmente "Grande Drenagem". Antes de grandes obras de aterro marítimo, Tai Hang ficava muito próxima da linha de costa. Hoje, localiza-se a quase 700 metros terra adentro.