As crianças vivenciam o espaço de forma diferente das pessoas adultas. Para elas, o mundo ainda não está racionalizado em termos de função e circulação, sendo experimentado por meio da emoção e da curiosidade. Enquanto as pessoas adultas tendem a percorrer os ambientes pelo hábito, as crianças os habitam pela imediatez. Um feixe de sol torna-se um acontecimento. A curva de um corredor convida ao explorar. O som dos passos sobre a madeira ou a suavidade de um tecido sob a ponta dos dedos não são mero plano de fundo, mas sim informação. Aquilo que as pessoas adultas costumam descartar como momentos periféricos medeia silenciosamente seu senso de segurança, autonomia, pertencimento e possibilidade. A arquitetura é a oportunidade para a pedagogia se materializar.
O movimento modernista mid-century foi mais do que uma transição estética ou material nos Estados Unidos; ele representou uma resposta a um mundo em rápida transformação. Emergida após a Segunda Guerra Mundial, essa revolução arquitetônica rejeitou os estilos ornamentados e tradicionais do passado em favor de linhas limpas, design funcional e da incorporação de materiais marcantes como o aço, o vidro e o concreto. O modernismo representou uma ruptura com a tradição, concentrando-se na simplicidade, na eficiência e em uma visão de futuro. Refletia o otimismo de uma nação em reconstrução, onde a tecnologia e a inovação moldavam desde as paisagens urbanas até as residências suburbanas.
Após duas intensas semanas de indicações, o público leitor do ArchDaily avaliou mais de 500 projetos e selecionou os 15 finalistas do Prêmio Building of the Year da China. Profissionais da arquitetura e entusiastas participaram do processo de indicação, escolhendo projetos que exemplificam o que significa impulsionar a disciplina. Estes finalistas são as obras que mais inspiraram o público do ArchDaily, revelando também as tendências crescentes da arquitetura chinesa.
Entre os 15 finalistas do Prêmio Building of the Year da China 2025, é possível observar uma mudança gradual de foco, que migra de edifícios públicos de grande escala para a revitalização rural, espaços públicos comunitários, a exploração de novas tipologias escolares e espaços internos de menor escala. Nota-se uma atenção maior às necessidades pessoais e às experiências de habitar, bem como aos espaços circundantes. Também fica evidente como diferentes escritórios estão respondendo às demandas das cidades e de seus usuários e usuárias neste período de transição do mercado imobiliário.
Antes de apresentar a lista de finalistas, gostaríamos de destacar os valores que norteiam esta premiação: como a maior plataforma de arquitetura do mundo, temos plena consciência de nossa responsabilidade para com a profissão e para com o avanço da arquitetura como disciplina. Uma vez que nossa missão está diretamente ligada à arquitetura do amanhã — inspirando e educando as mentes que projetarão o tecido urbano do futuro —, a confiança depositada em nós por nosso público para refletir as tendências arquitetônicas de todas as regiões do planeta gera desafios que assumimos com entusiasmo. De votação democrática e centrado em nossa comunidade de leitores e leitoras, o prêmio Building of the Year é um dos pilares da nossa resposta a esses desafios, com o objetivo de derrubar hierarquias estabelecidas e barreiras geográficas. Apresentamos a seguir os 15 finalistas do Prêmio Building of the Year da China 2025. O período de votação ocorre de 2 a 9 de abril de 2025, até as 23h59 (horário de Pequim), e os projetos vencedores serão anunciados em 10 de abril de 2025. Clique aqui para conferir os detalhes e saber como votar.
Guerras, descolonização, crises econômicas, movimentos civis e revoluções industrial-tecnológicas: o século XX foi um período de transformações radicais e de grande alcance. Essas rupturas remodelaram sociedades e redefiniram a forma como as pessoas expressavam suas aspirações em constante evolução, com a arquitetura liderando esse caminho. As máquinas e a industrialização prometiam progresso tecnológico e modernização, defendendo uma ruptura definitiva com os estilos ornamentados e historicistas do passado, ao mesmo tempo que abraçavam uma visão focada na funcionalidade, eficiência e inovação. Essa transição, personificada pelo modernismo, introduziu novos conceitos, métodos e usos de materiais — tudo moldado pela experimentação.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143005/experimentacao-formal-e-material-licoes-fundamentais-dos-pioneiros-da-arquitetura-modernistaEnrique Tovar
Situado próximo às ruínas da Abadia de Fonthill, no interior da Inglaterra, o Pavilhão Upper Lawn — também conhecido como Pavilhão Solar — é um experimento de arquitetura experimental modesto, mas profundo, projetado por Alison e Peter Smithson. Construído entre 1959 e 1962 como um refúgio de fim de semana e laboratório de ideias, o pavilhão incorpora o ethos da dupla de economia, honestidade material e respeito pelo contexto, refletindo o espírito pioneiro do Novo Brutalismo.
A cuidadosa interação de Upper Lawn entre o novo e o existente é particularmente instigante. Construído sobre os remanescentes de uma casa de campo inglesa do século XVIII, o pavilhão reaproveita as espessas paredes de alvenaria da estrutura original, incorporando ao projeto elementos como o poço, as árvores e o gramado. Utilizando materiais pré-fabricados como madeira, vidro e alumínio, os Smithson construíram um espaço repleto de luz que se harmoniza com o entorno, materializando seu princípio de "arquitetura como encontrada" — conceito fundamentado em honrar e se adaptar às condições preexistentes em vez de se impor a elas.
O Utopian Hours retorna a Turim como o principal festival da Europa dedicado à construção de cidades (*city making*) e à inovação urbana. Serão três dias repletos de inspiração, com masterclasses, palestras, workshops, mesas-redondas e exposições. Fórmulas e estudos de caso de todo o mundo revelam como ocorre a inovação urbana (e social) — e como o próprio conceito de fazer cidade está sendo ampliado em direções ousadas e inéditas. Mais de 40 convidados/as internacionais, os veículos de mídia mais influentes, grandes referências do urbanismo e os/as gestores/as públicos/as mais dinâmicos/as da Europa se reunirão em Turim para trocar ideias, ferramentas, experiências, soluções, desejos e paixões.
Em tempos de colapso ecológico e crescente insegurança alimentar, a arquitetura é cada vez mais chamada a se engajar não apenas com as paisagens, mas com os sistemas que as sustentam e regeneram. Entre esses sistemas, a agricultura ocupa um papel paradoxal, sendo ao mesmo tempo uma das principais responsáveis pela degradação ambiental e um agente potencial de recuperação ecológica. A agricultura industrial esgotou os solos, fragmentou habitats e impulsionou as mudanças climáticas por meio de monoculturas, dependência de combustíveis fósseis e padronização territorial. Em resposta, a agroecologia surge como uma contraprática enraizada na biodiversidade, no conhecimento local e nos ritmos cíclicos da natureza. Ela ressignifica o cultivo não como extração, mas como regeneração dos ecossistemas, das comunidades e do próprio solo.
Esse reposicionamento abre espaço para que a arquitetura dê contribuições significativas. Alinhar-se à agroecologia não significa apenas apoiar a produção de alimentos, mas comprometer-se com as condições culturais, espaciais e ecológicas mais amplas que a sustentam. Isso implica projetar considerando as variações sazonais, apoiar o uso compartilhado e construir de modo a respeitar tanto a terra quanto quem nela trabalha. A arquitetura torna-se mais do que um invólucro — transforma-se em mediadora do cultivo, da reciprocidade e da coexistência.
No cerne do design está a intersecção entre técnica e criatividade — um espaço onde ideias ganham forma e os ambientes são reimaginados. Em um mundo repleto de objetos produzidos em massa, o foco se volta para algo mais intencional, no qual cada decisão abre novas possibilidades e permite que o design se liberte do convencional. Pense na poltrona LC1 de Le Corbusier ou na cadeira Barcelona de Mies van der Rohe — não meramente mobiliários, mas sim resultados que ilustram a liberdade criativa de um ateliê, onde ideias, materiais e acabamentos dialogam em vez de simplesmente se conformarem. Essas peças não apenas preenchem um espaço; elas o reimaginam. Esse espírito de inovação estende-se hoje a cada detalhe, dos metais de cozinha aos de banheiro, nos quais a gama de escolhas — materiais, formas e funções — torna-se uma oportunidade para criar algo verdadeiramente único.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142999/torneiras-de-cisne-metais-de-concha-quadriculados-e-a-nova-fronteira-do-design-sob-medidaEnrique Tovar
A história dos eletrodomésticos reflete com fidelidade a transformação do lar moderno e da vida doméstica ao longo do século XX. Originados dos avanços técnicos da Revolução Industrial e impulsionados pela eletrificação urbana, esses aparelhos foram criados para mecanizar tarefas cotidianas como cozinhar, limpar e conservar alimentos. Um marco fundamental nessa evolução foi a Cozinha de Frankfurt, projetada em 1926 pela arquiteta austríaca Margarete Schütte-Lihotzky. Considerada a precursora da cozinha moderna, ela incorporava princípios de eficiência inspirados na organização científica do trabalho, com espaços otimizados e equipamentos integrados para agilizar as tarefas domésticas. Desenvolvida para a habitação social em Frankfurt, essa cozinha sintetiza o espírito funcionalista da Bauhaus e estabelece uma conexão direta com as inovações do design alemão — contexto no qual a Gaggenau também consolidaria sua identidade, aliando precisão técnica e sofisticação estética.
Por meio da manipulação criativa de materiais de construção comuns e da exploração de elementos como forma, luz, textura e espaço, a arquitetura transcende a mera funcionalidade para se tornar uma expressão artística. Seja pela ousadia de um design inovador, pela harmonia de proporções equilibradas ou pelo uso evocativo de materiais, um edifício pode se transformar em uma obra de arte que inspira, intriga e desperta emoções. O projeto do restaurante de sushi Ginza 41, com projeto de arquitetura assinado por Àfrica Sabé, exemplifica essa abordagem. Sua fachada se destaca no entorno graças às soluções fornecidas pela Kriskadecor, empresa especializada em revestimentos metálicos sob medida. Ao utilizar um sistema de fachada tensionada de correntes que apresenta um design singular, o projeto redefine a integração entre arquitetura e branding visual.
Em parceria com o European Cultural Center (ECC), o ArchDaily lança sua exposição inaugural como parte da sétima edição da Time Space Existence, uma mostra de arquitetura realizada simultaneamente à 19ª Bienal de Arquitetura de Veneza. Aberta de 10 de maio a 23 de novembro de 2025 em diversos locais de Veneza, esta edição se concentra no tema "Reparar, Regenerar e Reutilizar", promovendo abordagens inovadoras e sustentáveis na arquitetura. A contribuição do ArchDaily está localizada no Palazzo Mora, complementando outros espaços como o Palazzo Bembo, os Jardins de Marinaressa e o Palazzo Michiel.
Na arquitetura contemporânea de banheiros, o ralo evoluiu de um componente puramente funcional para um elemento de design que orienta o layout, a acessibilidade e o desempenho a longo prazo. Quando o escoamento, a geometria do caimento e a impermeabilização são projetados como um sistema integrado, a superfície revestida alcança tanto o refinamento estético quanto a funcionalidade confiável — qualidades fundamentais para hotéis, spas e residências. A Schluter® estabelece essa conexão essencial entre o ralo e a impermeabilização em um ambiente fabril controlado, em vez de depender da montagem em obra.
Os concursos de arquitetura há muito constituem um meio para as nações moldarem sua identidade, suas paisagens culturais e seu ambiente construído. Eles oferecem uma plataforma para que arquitetos/as internacionais contribuam com projetos nacionais, frequentemente refletindo ambições mais amplas de modernização e reconhecimento global. Em 1976, o Bahrein lançou aquele que seria potencialmente o seu primeiro grande concurso de arquitetura — uma chamada de projetos para um Centro Cultural Nacional, trazendo alguns/mas dos/as principais arquitetos/as do mundo para o discurso arquitetônico emergente do Golfo. Embora o projeto vencedor de Timo Penttilä nunca tenha sido construído, o concurso continua sendo um momento fundamental na história do Bahrein, ilustrando os desafios de traduzir visões externas em realidades locais.
O ambiente construído da Índia tem, nos últimos anos, ganhado visibilidade por meio de um número crescente de projetos transformadores de arquitetura e infraestrutura. Cidades e povoados crescem em escala mais rapidamente a cada ano, apesar das crescentes preocupações com a volatilidade climática e econômica. O país tem demonstrado resiliência ao equilibrar a rápida urbanização com a escassez de recursos; um feito nada desprezível. As práticas arquitetônicas da Índia raramente se apoiam apenas na novidade; elas se estruturam sobre sistemas que existem há séculos. Por meio do especial Building for Billions, do ArchDaily, histórias recorrentes têm destacado a inteligência social e a capacidade adaptativa incorporadas a essas práticas, revelando uma arquitetura que opera menos como forma isolada e mais como infraestrutura.
A inteligência material refere-se à forma como os materiais se comportam, se adaptam e interagem com os sistemas ecológicos e culturais. Ela analisa como a pedra, o aço ou a madeira respondem a forças interligadas, como esses materiais são obtidos e montados, e como persistem após a demolição. Profissionais de projeto estão colocando a inteligência material no centro da construção de nossas cidades em uma geração marcada pela incerteza ambiental e por cadeias de suprimentos sobrecarregadas.
Do design de interiores de estabelecimentos voltados à prática esportiva a espaços de bem-estar, a arquitetura contemporânea continua experimentando a incorporação de diferentes usos, instalações e materialidades que permitem a expansão para públicos amplios, a criação de novas espacialidades e o incentivo ao desenvolvimento de diferentes atividades simultâneas. Embora cada esporte demande seu próprio tipo de arquitetura — como, por exemplo, o treino de escalada —, da Austrália aos Países Baixos, profissionais de arquitetura e design apostam na criação de atmosferas onde o exercício se torna não apenas uma experiência física, mas também psicológica, conectando corpo e mente a um estado de renovação física, relaxamento e sociabilidade.
Uma boa conversa pode fazer o tempo parecer passar mais rápido. No entanto, será que esse efeito se deve exclusivamente à troca verbal, ou nossa percepção do tempo poderia ser moldada pelas condições espaciais ao nosso redor? Existem ambientes que, por sua escala, distribuição e atmosfera, favorecem o encontro, a escuta ou a pausa, influenciando, assim, a experiência humana. Talvez não sejam as palavras compartilhadas, mas o espaço em que falamos que realmente molda nossa compreensão do tempo. Algumas teorias sociológicas sobre nossa sociedade e o ambiente construído vão além de considerá-lo um mero recipiente físico, sugerindo que a arquitetura, em sua própria dualidade, pode atuar tanto como inibidora quanto como catalisadora de nossas experiências temporais, impactando nosso bem-estar.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142949/bem-estar-e-espacos-lentos-a-arquitetura-pode-distorcer-a-maneira-como-experienciamos-o-tempoEnrique Tovar
O reuso adaptativo tornou-se uma palavra de ordem na arquitetura. Apresentada como uma solução sustentável e econômica para a decadência urbana, a prática tem sido adotada por cidades que enfrentam as pressões das mudanças climáticas, restrições imobiliárias e a necessidade de preservação cultural. Profissionais de arquitetura são cada vez mais contratados/as para reabilitar o antigo em vez de construir o novo. No âmbito desse discurso, surge uma reflexão crescente sobre quem tem o direito de reutilizar e como.
O espaço tornou-se um luxo em muitas das cidades mais densamente povoadas do mundo — uma realidade crescente que é difícil de ignorar. Megacidades como Tóquio, Xangai, Mumbai, Cidade do México e São Paulo já contam com populações que superam os 20 milhões de habitantes, ao passo que outros centros urbanos na Ásia e na África continuam a se expandir rapidamente. Entre eles, Deli se destaca: se as tendências atuais persistirem, a projeção é que se torne a cidade mais populosa do mundo até 2028. À medida que essas metrópoles crescem, a habitação — especialmente os novos empreendimentos — passa a seguir uma lógica inédita: conforme o metro quadrado encolhe, o mobiliário se adapta e a vida cotidiana aprende a se acomodar e a prosperar em ambientes de alta densidade. Essa mudança não diz respeito apenas às dimensões físicas; ela reflete um novo modo de vida. Onde antes predominava a amplitude, hoje impera a densidade. Cada canto ganha valor espacial e comercial, com a cozinha emergindo como um dos maiores desafios do projeto residencial contemporâneo.
Há quase quatro décadas, ABB, a multinacional sueco-suíça líder em engenharia elétrica, está na vanguarda da inovação e da expertise técnica. Uma iniciativa de destaque em seu portfólio é a série de vídeos Frozen Music,uma produção que apresenta projetos arquitetônicos excepcionais e os/as arquitetos/as que os concebem.Como explica Katrin Förster, Gerente Global de Key Accounts na ABB: "Ao produzir um episódio para a série Frozen Music, sempre começo enviando um questionário personalizado ao/à arquiteto/a".Para o Episódio #24, uma conversa com Mustafa Chehabeddine, Diretor de Design da KPF, ajudou a moldar a narrativa, enfatizando as qualidades formais e funcionais da nova sede do Ziraat Bank em Istambul.
Na produção arquitetônica argentina dos últimos anos, surgiram inúmeros escritórios que, por meio de sua prática, investigações e obras, ganharam relevância no âmbito da disciplina contemporânea. Vale destacar que muitos/as jovens arquitetos/as, mesmo com trajetórias incipientes em termos de obra construída, conseguiram se posicionar, demonstrando voz própria e uma marca definida em seu trabalho.