O 3DCP Group concluiu o Skovsporet, um empreendimento de habitação estudantil impresso em 3D em Holstebro, na Dinamarca, projetado pelo escritório SAGA Space Architects em colaboração com o MS+. Localizado próximo à VIA University College, o projeto é composto por 36 apartamentos térreos distribuídos em seis blocos de edifícios, totalizando uma área de 1.650 metros quadrados. Construído ao longo de 12 meses, o Skovsporet aplica a impressão 3D de concreto em larga escala no âmbito de um empreendimento residencial, combinando elementos estruturais impressos com métodos tradicionais de construção. O projeto foi desenvolvido para a NordVestBO e está programado para receber seus primeiros estudantes este mês.
Oslo, Noruega. Foto por Collection Maykova, via Shutterstock
Oslo é a capital e maior cidade da Noruega, servindo como o centro político, econômico e cultural do país. Situada na cabeceira do Fiorde de Oslo e cercada por colinas florestais, abriga cerca de 700.000 pessoas em sua área urbana, com mais de um milhão de habitantes em sua região metropolitana. Fundada há cerca de mil anos, Oslo tem uma longa história como entreposto comercial e sede administrativa. No entanto, grande parte de seu caráter moderno foi moldada depois que um grande incêndio no século XVII levou a uma reconstrução completa sob o domínio dinamarquês, época em que foi temporariamente rebatizada de Cristiania. Hoje, a cidade figura constantemente entre as mais habitáveis do mundo, valorizada por sua harmonia entre a vida urbana e o fácil acesso à natureza.
Na última semana de agosto, o governo da cidade de Nova York anunciou um novo projeto para o MADE Bush Terminal, em Sunset Park, Brooklyn. A iniciativa consiste na transformação de um antigo edifício industrial em um centro de recuperação, armazenamento, triagem e redistribuição de materiais de construção durante um programa piloto de um ano. A proposta acompanha uma onda de centros de construção circular semelhantes lançados ou anunciados recentemente na Europa: um galpão adaptado em Bruxelas, a conversão de uma área industrial nas Royal Docks, no leste de Londres, e uma rede transfronteiriça apoiada pela CirCoFin que abrange Munique, Copenhague, Lisboa e Escócia. Cada um desses projetos reaproveita edifícios e infraestruturas industriais para apoiar o reuso de materiais de construção.
Desde a crise de 2008, um conjunto disperso de pequenos escritórios (nenhum com mais de quinze anos de existência e nenhum grande o suficiente para precisar de um manifesto no sentido tradicional) chegou, de forma independente, a alguma versão de uma mesma recusa: a de parecer assertivo demais, cedo demais, em uma disciplina que havia passado a década anterior vendendo a autoconfiança como acabamento. É provável que esses escritórios resistam a ser classificados sob um único rótulo, mas a própria coincidência reside no fato de que exercer a arquitetura após 2008 fez com que a inocência parecesse a única postura que valia a pena tentar.
Pelo menos a partir de 2019, o Fala passou a divulgar uma descrição de si mesmo em duas palavras, repetida textualmente em dezenas de veículos de arquitetura: um "escritório de arquitetura ingênuo" (naïve architecture practice). Sem notas de rodapé, sem ironia, apenas um escritório, fundado em 2013, que construiu uma década de casas, casas de passarinho e encomendas institucionais com base em um termo que a arquitetura passara um século tentando superar. A questão que a frase levanta não é se os edifícios são bons (pois geralmente são), mas sim o que significa para um escritório escolher a inocência como posicionamento público. Onde termina a pós-ironia e começa o marketing?
Que narrativas os materiais carregam e como os "rastros" visíveis dos/as artesãos/ãs podem dialogar com os processos de fabricação e com a industrialização?Entre a concepção e a construção, o ato de pensar através do fazer pode se tornar o princípio norteador de uma filosofia de projeto. Combinando madeira, materiais industriais e objetos reaproveitados, a abordagem do Atelier CRAFT está enraizada na arquitetura reversível, guiada por seu manifesto: "Transformar o projeto através do fazer". Sediado em Saint-Ouen, Paris, o escritório explora as relações entre o ser humano e a matéria, o ato de fazer e os processos de fabricação.
Elia Zenghelis. Foto: Harvard Graduate School of Design
Elia Zenghelis, arquiteto grego, cofundador do Office for Metropolitan Architecture (OMA) e um dos mais influentes educadores de arquitetura do final do século XX, faleceu ontem, 30 de agosto de 2026, aos 89 anos. Sua morte marca a partida de uma figura cuja influência no pensamento arquitetônico foi muito além dos edifícios que projetou, moldando a formação intelectual de várias gerações de arquitetos/as ao longo de décadas de docência na Europa e nos Estados Unidos.
Nascido em Atenas em 1937, Zenghelis estudou arquitetura na Architectural Association School of Architecture (AA) em Londres, concluindo seus estudos em 1961. Integrou o escritório Douglas Stephen and Partners, onde trabalhou até 1971, ao mesmo tempo em que iniciava sua trajetória docente na AA, em 1963. Na instituição, tornou-se uma voz proeminente em defesa de um discurso arquitetônico mais radical e de vanguarda, contribuindo para transformar a AA em um terreno fértil para ideias radicais.
O pátio interno de Rozzol Melara mede duzentos metros de cada lado, o que o torna maior do que qualquer praça em Trieste. Dois blocos em L de concreto aparente o circundam, sendo um deles com o dobro da altura do outro, subindo de sete a quinze pavimentos à medida que a encosta desce em direção ao golfo, quatro quilômetros abaixo. Pilares de concreto, espaçados a cada quinze metros, sustentam os blocos sobre um declive que eles nunca chegam a tocar de fato, abrindo pórticos profundos o suficiente para a circulação de pedestres, enquanto acima deles as fachadas se resolvem em loggias na escala de um único cômodo. Visto da estrada costeira, nada disso é legível; percebe-se apenas uma linha cinza traçada sobre as colinas.
No interior do complexo, o Istituto Autonomo Case Popolari de Trieste construiu o equivalente a uma cidade. Os 648 apartamentos ocupam uma parcela menor do projeto do que as escolas, a agência de correios, o centro de saúde, o salão paroquial, as cerca de vinte lojas e a garagem de dois níveis, todos acessados por ruas cobertas que percorrem toda a extensão dos blocos e cruzam o pátio em uma passarela elevada, de forma que o trajeto diário entre a porta de entrada e uma mercearia ou sala de aula passa pelo espaço coletivo sem que seja preciso sair ao ar livre. Uma equipe de vinte e nove arquitetos/as trabalhou no projeto sob a coordenação de Carlo Celli, baseando-se em estudos sociológicos encomendados antes do início do projeto.
Profissionais de arquitetura recebem treinamento para escolher materiais, comparar suas propriedades e decidir como devem ser usados. No entanto, alguns escritórios estão assumindo uma tarefa diferente: desenvolver o próprio material.
Para o Material Cultures, o BC architects e o Studio Ossidiana, esse processo pode começar com o cultivo de cânhamo para a construção civil, terra escavada de canteiros de obras ou misturas de concreto, pigmentos, pedras e conchas. Seu trabalho conecta a pesquisa de materiais com o processamento, a fabricação e a construção.
Protótipos arquitetônicos são frequentemente usados para testar decisões antes que a construção comece. No entanto, em alguns escritórios, a prototipagem se inicia enquanto essas decisões ainda estão tomando forma. Transportar uma ideia do desenho para a matéria introduz questões que dependem do próprio fazer: como um material pode ser cortado ou unido, quanto pesa uma peça, como um encaixe se articula, se as partes podem ser reutilizadas ou até mesmo que forma o projeto deve assumir.
TAKK, salazarsequeromedina e Ensamble Studio fazem da experimentação física parte de seus processos de projeto, mas buscam respostas distintas por meio dela. Para o TAKK, os protótipos ajudam a testar como materiais e componentes se unem para formar um sistema construtivo. Para o salazarsequeromedina, maquetes e sistemas construídos permanecem abertos ao desmonte, à recombinação e a usos posteriores. O Ensamble Studio utiliza experimentos físicos para gerar geometria e conhecimento técnico-construtivo que possam ser aplicados na engenharia e na construção em escala real. O que distingue essas abordagens não é simplesmente o fato de prototiparem, mas sim o que cada escritório espera aprender por meio do protótipo.
O caçador de geometrias_Simon Prize_Foto de Matilda Vidal_1
Living Places – Premio Simon de Arquitectura, uma iniciativa da Simon desenvolvida pela Fundació Mies van der Rohe, tem como vocação distinguir arquiteturas de excelência que potencializam a capacidade de adaptação dos espaços, buscando o conforto de seus habitantes. Arquiteturas que se tornam lugares de qualidade para as pessoas no seu dia a dia: para trabalhar, para aprender, para brincar... Arquiteturas para serem vividas!
A arquitetura de Birmingham reflete a história da cidade como um dos primeiros centros industriais da Inglaterra. A riqueza gerada na cidade e na região circundante deu origem à imponência da era vitoriana no século XIX. Os intensos bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial causaram destruição generalizada. A esse período seguiu-se uma rápida reconstrução entre as décadas de 1950 e 1970, que introduziu o modernismo racional e a ambição brutalista que hoje caracterizam grande parte do centro da cidade. Algumas décadas mais tarde, o apagamento urbano retornou a Birmingham, trazendo consigo a revisão de decisões tomadas em meados do século XX. Notadamente, o Bullring Centre e a Biblioteca de Birmingham foram demolidos para dar lugar a novos projetos do século XXI, acrescentando novas camadas de riqueza ao ambiente construído da cidade.
Em um volume esguio de capa com bordas amarelas, publicado recentemente pela editora portuense Circo de Ideias, o arquiteto Paulo Martins Barata (sócio fundador do Promontório) faz uma afirmação cuja audácia se esconde sob uma aparente simplicidade: a de que a arquitetura produzida na Europa desde a Grande Recessão não pertence a nenhum dos dois campos que estruturaram o debate disciplinar mais acirrado do século XX.
The Language of Metamodern Architecture toma emprestado seu título, com evidente ironia, de The Language of Post-Modern Architecture (1977), de Charles Jencks — o livro que declarou celebremente a morte da arquitetura moderna às 15h32 de 15 de julho de 1972, com a demolição de Pruitt-Igoe. Sua aposta é de que outra morte, nunca oficialmente certificada, ocorreu por volta de 2008, e de que a arquitetura tem vivido, em grande parte sem perceber, naquilo que cresceu ao redor do túmulo.
Poucas condições moldaram o discurso arquitetônico contemporâneo de forma tão profunda quanto a incerteza. Em bienais, exposições e fóruns internacionais, a arquitetura projeta cada vez mais sua relação com o mundo por meio da flexibilidade, da reversibilidade e da capacidade de resposta — qualidades destinadas a lidar com emergências climáticas, instabilidade política e uma mobilidade humana sem precedentes. Edifícios são projetados para se transformar, infraestruturas para evoluir e cidades para acolher condições que parecem cada vez mais imprevisíveis. Essa ênfase na agilidade expandiu a capacidade da disciplina de dialogar com as mudanças ambientais, oferecendo estratégias valiosas para um mundo em constante transformação.
No entanto, essa evolução aponta para uma mudança mais profunda na forma como a arquitetura media a condição humana. Há muito tempo a arquitetura funciona como um mecanismo de orientação existencial — uma maneira de a consciência humana esculpir uma coordenada inteligível em meio a um cosmos indiferente, ancorando a memória e a identidade a um ponto fixo. Em grande parte do discurso arquitetônico contemporâneo, a incerteza aparece cada vez menos como uma condição externa a ser mitigada e mais como o próprio horizonte a partir do qual o pensamento arquitetônico se inicia. A experiência espacial é cada vez mais moldada por ambientes projetados em torno de um fluxo persistente, onde pontos de referência estáticos dão lugar a condições de transformação contínua.
Ilustração em tons de turquesa apresentando uma grade inspirada em azulejos de cerâmica, o título "Tile of Spain Awards", as categorias "Arquitetura" e "Design de Interiores" e o site tileofspainawards.com.
Destaque seu projeto na 25ª edição do Tile of Spain Awards
Proposta para o Museu Nacional do Equador (MuNA). Imagem cortesia de Studio Campo Baeza
O anúncio da proposta vencedora para o novo Museu Nacional do Equador (MuNA) desencadeou um dos debates arquitetônicos mais significativos do país nos últimos anos. Desde então, a resposta do público remodelou o próprio concurso, ao mesmo tempo em que levantou questões mais amplas sobre como um museu nacional dá forma arquitetônica à interpretação de uma nação. Embora a discussão tenha começado com um único projeto, ela expôs um desafio que se estende muito além do Equador.
Não se espera dos museus nacionais que apenas representem uma nação; espera-se que lhe deem forma arquitetônica. Contudo, a identidade não pode ser construída de forma direta. Antes de se tornar arquitetura, ela deve primeiro ser interpretada e traduzida por meio de decisões de projeto.
O potencial de edifícios existentes para moldar cidades e comunidades em constante transformação por meio do reuso e da adaptação é o foco central do HouseEurope! e de seu ativismo: enfrentar o desafio premente em grande parte da Europa, onde costuma ser mais fácil, barato e rápido demolir edifícios do que renová-los. Durante décadas, as políticas de construção, as práticas industriais e as dinâmicas de mercado favoreceram os novos empreendimentos, frequentemente subestimando a importância cultural, social e ambiental das estruturas existentes. Por seu trabalho em prol de uma mudança sistêmica na arquitetura, o HouseEurope! recebeu o Prêmio OBEL 2025 sob o tema "Ready Made". Em conversa com o ArchDaily, Alina Kolar e Olaf Grawert, integrantes do coletivo HouseEurope!, discutiram a abordagem da organização em relação à arquitetura, às políticas públicas e à ação coletiva. Operando como um laboratório de políticas públicas sem fins lucrativos, o HouseEurope! conecta a prática arquitetônica com a legislação, a pesquisa e a participação pública. Seu trabalho começa pela análise do que já existe, traduzindo essas reflexões em diretrizes práticas para legisladores/as e profissionais da área. Projetos de conversão como a renovação de 530 moradias pelo escritório Lacaton & Vassal exemplificam essa "pesquisa pela ação", mostrando como o reuso adaptativo pode ser viável e, ao mesmo tempo, um motor para mudanças sistêmicas com benefícios sociais e ecológicos. Como explica Grawert:
Contexto Urbano Europeu. Imagem Cortesia de ReGreeneration
O projeto ReGreeneration, uma iniciativa do programa Horizon Europe liderada pela Inetum e apoiada pelo C40 Cities, pela ARUP, pela Placemaking Europe, entre outros parceiros, atua como uma colaboração ativa entre governos locais, empresas privadas, academia e organizações da sociedade civil na interseção entre regeneração urbana, espaços públicos verdes e desenho em escala de bairro. Sua premissa aborda como as cidades europeias são construídas e mantidas, e de que forma vivenciam as mudanças climáticas, defendendo que os centros urbanos precisam mudar estruturalmente para continuarem habitáveis diante das crescentes pressões climáticas.