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Erope: O mais recente de arquitetura e notícia

Transformando a orla de Barcelona: uma história de renovação urbana

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Ao caminhar pela orla de Barcelona, a linha da costa parece sempre ter estado ali: areia, palmeiras, um longo calçadão, restaurantes, lojas e hotéis modernos. No entanto, a realidade é que nem sempre foi assim. Até a década de 1980, a frente marítima de Barcelona era uma barreira ativa de linhas ferroviárias, fábricas e habitações informais, com águas residuais escoando diretamente para o Mediterrâneo. A partir de 1987, a cidade começou a criar continuamente grandes calçadões e passagens entre o tecido urbano e o mar, moldando um ambiente que hoje muitos podem interpretar como um espaço outrora vazio, mas que, na verdade, resulta de décadas de intervenções de infraestrutura e complexidade social, somadas a um esforço municipal para transformar o território urbano e sua relação com a água. Acompanhar essa transformação levanta três questões que estruturam este artigo: quem foi deslocado para abrir a orla, quem a governa hoje e quem a mantém de pé?

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Ágoras urbanas: Como as pistas de skate podem devolver o espaço público à cidade

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Criado por surfistas da Califórnia que queriam trazer as linhas do surfe para o asfalto, o skate logo superou seu papel de mera alternativa para os dias sem ondas. Estabeleceu-se como uma prática que lê a cidade sob uma lógica diferente, reinterpretando degraus, corrimãos, muros e espaços intersticiais como possíveis linhas, desafios e oportunidades. Ao longo do tempo, evoluiu para uma cultura urbana global, uma forma de habitar e transformar o espaço público por meio do movimento. O que antes era marginal tornou-se um catalisador para a coesão comunitária e para novos usos em espaços negligenciados. Em sua essência, o skate revela como diversas cidades coexistem dentro de uma mesma cidade, a depender de quem se desloca por ela e de como cada pessoa é capaz de reinterpretar o que está ao seu redor.

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Bunkers e arcas: escapando do futuro que nós mesmos construímos

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Invertendo a narrativa convencional, esta história começa pelo fim: o dia seguinte ao colapso do mundo. Enquanto quase toda a população luta para sobreviver a chamas e tempestades solares, uma fração ínfima é recebida por um guarda fortemente armado na entrada do Survival Condo Project, um antigo silo de mísseis no Kansas convertido há alguns anos em apartamentos de luxo.

Esqueça, portanto, a figura do eremita que estoca comida enlatada no porão ou o profeta do fim dos tempos. Nos últimos anos, o sobrevivencialismo expandiu-se para círculos mais abastados, criando raízes no Vale do Silício entre profissionais de tecnologia de nível executivo e da gestão de fundos de hedge. O que antes poderia ser visto meramente como excentricidade tornou-se também uma forma de pensar o futuro e, para algumas pessoas, uma oportunidade de investimento.

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Projetando o entre-lugar: das intervenções táticas à política urbana em Barcelona

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Na Europa, as cidades enfrentam o desafio de adaptar as condições urbanas existentes a um clima em transformação e a verões cada vez mais quentes, ao mesmo tempo em que melhoram o acesso à natureza, a espaços públicos de qualidade e aos recursos da rotina diária. O ReGreeneration, uma iniciativa do programa Horizon Europe que atua em nove cidades europeias, aborda esse desafio por meio da renaturalização urbana na escala do bairro. Combinando estratégias para bairros completos, espaços comunitários e soluções baseadas na natureza para cidades, o projeto de Barcelona examina como a adaptação climática se insere nos espaços residuais e periféricos da vida cotidiana. Como parte de uma série que acompanha o ReGreeneration pelas cidades participantes, este artigo se volta para Barcelona, onde o projeto atua no bairro de Trinitat Nova para explorar como espaços urbanos pequenos e muitas vezes negligenciados contribuem para modelos mais amplos de regeneração.

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ONU-Habitat reconhece cinco abordagens para moradia adequada com o Prêmio Pergaminho de Honra de 2026

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A ONU-Habitat anunciou os cinco premiados do Scroll of Honour Award de 2026, reconhecendo contribuições para a habitação adequada e o desenvolvimento urbano sustentável no Brasil, Myanmar, Paquistão, Tunísia e Reino Unido. Os vencedores deste ano incluem uma organização de habitação que trabalha com comunidades afetadas por conflitos e deslocamentos forçados, um/a pesquisador/a que desenvolve materiais de construção a partir de resíduos locais e de mineração, uma aldeia indígena no Brasil, uma agência de habitação pública no Paquistão e o prefeito de Londres, Sadiq Khan. Selecionados entre 101 candidaturas enviadas de toda a África, Ásia, Europa e Américas, os premiados representam uma variedade de abordagens para enfrentar os desafios de habitação e desenvolvimento urbano.

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Um novo olhar sobre o patrimônio moderno: ArchDaily firma parceria com o World Monuments Fund

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O que torna um edifício digno de preservação? A idade é a resposta mais comum, mas nem sempre a melhor. Um edifício das décadas de 1950 ou 1970 pode ter tanta relevância histórica quanto uma catedral medieval; a questão exige apenas uma abordagem diferente, que pondere o contexto político, o significado cultural e a inovação arquitetônica em vez da mera passagem do tempo. Isso se aplica sobretudo à arquitetura modernista no chamado Sul Global, onde o movimento assumiu formas de expressão singulares.

É justamente esse debate que o ArchDaily e o World Monuments Fund (WMF) estão abrindo juntos. O WMF traz sua expertise prática em conservação ao redor do mundo, enquanto o ArchDaily entra com a capacidade editorial para contextualizar esse trabalho e conectá-lo a um público global. O objetivo é atuar em duas frentes simultâneas: preservar lugares e contar suas histórias, moldando a compreensão do patrimônio modernista para muito além do próprio campo da preservação.

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A necessidade como invenção: O laboratório de renovação da Irlanda

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A paisagem e os assentamentos dispersos da Irlanda são conhecidos por sua natureza indômita. Despenhadeiros escarpados encontram o Atlântico, campos verdes se estendem pelo interior e a chuva e o vento transformam o cenário a cada hora. Um olhar mais atento revela um território trabalhado, onde muros históricos de pedra dividem campos agrícolas, estradas e caminhos conectam cidades ao litoral, e ruínas de castelos ao lado de chalés registram séculos de ocupação. A mudança é a condição inerente da ilha, moldada tanto por mãos humanas quanto pela geologia e pelo clima, e a prática de tratar o contexto existente como matéria-prima para adaptação e modificação é algo profundamente enraizado.

A Irlanda possui um vasto patrimônio edificado herdado, que vai de chalés vernáculos e complexos agrícolas a casarios urbanos georgianos e vitorianos, ao passo que uma parcela crescente desse acervo permanece vazia ou abandonada, em um momento no qual a habitação segue escassa e cara. As diretrizes de planejamento e de preservação do patrimônio definem o que pode ser alterado, enquanto a crescente atenção ao carbono incorporado torna a demolição cada vez mais difícil de se justificar. Diante dessas pressões, as estratégias projetuais de reforma configuram uma das áreas mais inventivas do design irlandês contemporâneo. Arquitetos/as intervêm em estruturas antigas para permitir a entrada de luz, justapõem novos materiais aos antigos e redesenham edifícios para as vidas e rotinas contemporâneas.

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Liberdade e Arquitetura: Anneke Abhelakh sobre "The Albanian Files"

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Nas últimas duas décadas, a Albânia tem sido um dos territórios de construção mais ativos da Europa. Dezenas de arquitetos e arquitetas internacionais têm trabalhado no país em projetos que prometem alterar o desenho, a estrutura e as cidades de uma nação que ainda se recupera dos regimes do século passado. Reconhecer esse crescimento e essas transformações na paisagem significa também admitir que, por trás de cada forma, há uma história, e que existem arquivos capazes de nos dizer mais do que a própria arquitetura.

Editado por Anneke Abhelakh e publicado pela Lars Müller Publishers, com prefácio do primeiro-ministro Edi Rama, The Albanian Files compila duas décadas de trabalho de sessenta escritórios internacionais de arquitetura na Albânia. Trata-se de uma publicação densa cujo formato, cor e presença marcante constituem, por si só, um manifesto sobre a leitura da história recente do país. O livro funciona como um documento expandido, uma cartografia dos vestígios deixados por esses processos. Grande parte do que ganha corpo em suas páginas descreve estruturas de poder, padrões de contratação e posicionamentos cujas consequências se revelaram controversas. Revelar é um gesto de transparência, mas também um sinal de que certas coisas jamais deveriam ter sido ocultadas. A Albânia, hoje mais do que nunca — em meio a suas aspirações de abertura territorial e ao desejo crescente de se integrar ao cenário global (por meio do turismo e da perspectiva de adesão à União Europeia) —, necessita dessa clareza.

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Uma nova iniciativa pelo direito à moradia na Europa e os finalistas de dois concursos: o resumo da semana

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Esta semana começou com a celebração do Dia Internacional da Paz pelas Nações Unidas, um convite para refletir sobre as condições necessárias para cultivar a não violência, a estabilidade social e o respeito à dignidade humana. Diante de um cenário de crescente isolamento individual, autoritarismo e uma crise material multidimensional, reunimos artigos nos quais a arquitetura atua como mediadora entre o conflito e a coexistência por meio da construção de espaços de encontro e memória. Outras notícias desta semana destacam uma ferramenta disciplinar que une esses dois conceitos: a transformação do ambiente já construído para adaptá-lo às nossas necessidades e aspirações atuais, ao mesmo tempo em que um novo conjunto de projetos de grande escala e alta visibilidade é inaugurado no Norte Global. Em nosso radar, também analisamos novos projetos em Dubai, Oxford, Portland e Paris, assinados por grandes escritórios internacionais.

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"As casas do amanhã já estão construídas": Iniciativa de Cidadãos Europeus pelo Direito à Moradia abre coleta de assinaturas

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"Right to Housing! Now and Forever" é uma Iniciativa de Cidadania Europeia (ICE) oficial para exigir habitação acessível, sustentável e justa em toda a União Europeia. A ICE é uma ferramenta de governança que permite que a população proponha novas leis para consideração da Comissão Europeia. As iniciativas devem ser organizadas por um grupo de pelo menos sete cidadãos e cidadãs da UE residentes em sete países diferentes e devem reunir 1 milhão de assinaturas válidas no prazo de um ano a partir do recebimento da aprovação oficial. A coleta de assinaturas para a iniciativa "Right to Housing! Now and Forever" foi lançada em 14 de setembro de 2026, com o objetivo de reunir 1,2 milhão de assinaturas em toda a UE para exigir que a Comissão Europeia responda e se posicione formalmente sobre a proposta. O projeto baseia-se na Iniciativa de Cidadania Europeia HouseEurope!, que focava estritamente na renovação de edifícios e foi encerrada sem sucesso em 31 de janeiro de 2026. Proposta por uma coalizão mais ampla, esta nova iniciativa abrange não apenas a renovação, mas também ferramentas de financiamento e medidas para garantir o acesso.

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SAGA Space Architects e 3DCP Group concluem vila estudantil de 36 unidades impressa em 3D na Dinamarca

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O 3DCP Group concluiu o Skovsporet, um empreendimento de habitação estudantil impresso em 3D em Holstebro, na Dinamarca, projetado pelo escritório SAGA Space Architects em colaboração com o MS+. Localizado próximo à VIA University College, o projeto é composto por 36 apartamentos térreos distribuídos em seis blocos de edifícios, totalizando uma área de 1.650 metros quadrados. Construído ao longo de 12 meses, o Skovsporet aplica a impressão 3D de concreto em larga escala no âmbito de um empreendimento residencial, combinando elementos estruturais impressos com métodos tradicionais de construção. O projeto foi desenvolvido para a NordVestBO e está programado para receber seus primeiros estudantes este mês.

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Guia de arquitetura de Oslo: 12 edifícios que contrastam o design histórico e o contemporâneo

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Oslo é a capital e maior cidade da Noruega, servindo como o centro político, econômico e cultural do país. Situada na cabeceira do Fiorde de Oslo e cercada por colinas florestais, abriga cerca de 700.000 pessoas em sua área urbana, com mais de um milhão de habitantes em sua região metropolitana. Fundada há cerca de mil anos, Oslo tem uma longa história como entreposto comercial e sede administrativa. No entanto, grande parte de seu caráter moderno foi moldada depois que um grande incêndio no século XVII levou a uma reconstrução completa sob o domínio dinamarquês, época em que foi temporariamente rebatizada de Cristiania. Hoje, a cidade figura constantemente entre as mais habitáveis do mundo, valorizada por sua harmonia entre a vida urbana e o fácil acesso à natureza.

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Governos municipais transformam edifícios industriais em hubs de construção circular em Nova York, Londres e Bruxelas

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Na última semana de agosto, o governo da cidade de Nova York anunciou um novo projeto para o MADE Bush Terminal, em Sunset Park, Brooklyn. A iniciativa consiste na transformação de um antigo edifício industrial em um centro de recuperação, armazenamento, triagem e redistribuição de materiais de construção durante um programa piloto de um ano. A proposta acompanha uma onda de centros de construção circular semelhantes lançados ou anunciados recentemente na Europa: um galpão adaptado em Bruxelas, a conversão de uma área industrial nas Royal Docks, no leste de Londres, e uma rede transfronteiriça apoiada pela CirCoFin que abrange Munique, Copenhague, Lisboa e Escócia. Cada um desses projetos reaproveita edifícios e infraestruturas industriais para apoiar o reuso de materiais de construção.

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O direito à ingenuidade: como a arquitetura transformou a inocência em um posicionamento

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Desde a crise de 2008, um conjunto disperso de pequenos escritórios (nenhum com mais de quinze anos de existência e nenhum grande o suficiente para precisar de um manifesto no sentido tradicional) chegou, de forma independente, a alguma versão de uma mesma recusa: a de parecer assertivo demais, cedo demais, em uma disciplina que havia passado a década anterior vendendo a autoconfiança como acabamento. É provável que esses escritórios resistam a ser classificados sob um único rótulo, mas a própria coincidência reside no fato de que exercer a arquitetura após 2008 fez com que a inocência parecesse a única postura que valia a pena tentar.

Pelo menos a partir de 2019, o Fala passou a divulgar uma descrição de si mesmo em duas palavras, repetida textualmente em dezenas de veículos de arquitetura: um "escritório de arquitetura ingênuo" (naïve architecture practice). Sem notas de rodapé, sem ironia, apenas um escritório, fundado em 2013, que construiu uma década de casas, casas de passarinho e encomendas institucionais com base em um termo que a arquitetura passara um século tentando superar. A questão que a frase levanta não é se os edifícios são bons (pois geralmente são), mas sim o que significa para um escritório escolher a inocência como posicionamento público. Onde termina a pós-ironia e começa o marketing?

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Pensar através das mãos: Atelier CRAFT sobre projeto e fazer

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Que narrativas os materiais carregam e como os "rastros" visíveis dos/as artesãos/ãs podem dialogar com os processos de fabricação e com a industrialização? Entre a concepção e a construção, o ato de pensar através do fazer pode se tornar o princípio norteador de uma filosofia de projeto. Combinando madeira, materiais industriais e objetos reaproveitados, a abordagem do Atelier CRAFT está enraizada na arquitetura reversível, guiada por seu manifesto: "Transformar o projeto através do fazer". Sediado em Saint-Ouen, Paris, o escritório explora as relações entre o ser humano e a matéria, o ato de fazer e os processos de fabricação.

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Elia Zenghelis, cofundador do OMA e educador de arquitetura, falece aos 89 anos

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Elia Zenghelis, arquiteto grego, cofundador do Office for Metropolitan Architecture (OMA) e um dos mais influentes educadores de arquitetura do final do século XX, faleceu ontem, 30 de agosto de 2026, aos 89 anos. Sua morte marca a partida de uma figura cuja influência no pensamento arquitetônico foi muito além dos edifícios que projetou, moldando a formação intelectual de várias gerações de arquitetos/as ao longo de décadas de docência na Europa e nos Estados Unidos.

Nascido em Atenas em 1937, Zenghelis estudou arquitetura na Architectural Association School of Architecture (AA) em Londres, concluindo seus estudos em 1961. Integrou o escritório Douglas Stephen and Partners, onde trabalhou até 1971, ao mesmo tempo em que iniciava sua trajetória docente na AA, em 1963. Na instituição, tornou-se uma voz proeminente em defesa de um discurso arquitetônico mais radical e de vanguarda, contribuindo para transformar a AA em um terreno fértil para ideias radicais.

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Alcatraz na colina: a ascensão e a sobrevida de Rozzol Melara, em Trieste

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O pátio interno de Rozzol Melara mede duzentos metros de cada lado, o que o torna maior do que qualquer praça em Trieste. Dois blocos em L de concreto aparente o circundam, sendo um deles com o dobro da altura do outro, subindo de sete a quinze pavimentos à medida que a encosta desce em direção ao golfo, quatro quilômetros abaixo. Pilares de concreto, espaçados a cada quinze metros, sustentam os blocos sobre um declive que eles nunca chegam a tocar de fato, abrindo pórticos profundos o suficiente para a circulação de pedestres, enquanto acima deles as fachadas se resolvem em loggias na escala de um único cômodo. Visto da estrada costeira, nada disso é legível; percebe-se apenas uma linha cinza traçada sobre as colinas.

No interior do complexo, o Istituto Autonomo Case Popolari de Trieste construiu o equivalente a uma cidade. Os 648 apartamentos ocupam uma parcela menor do projeto do que as escolas, a agência de correios, o centro de saúde, o salão paroquial, as cerca de vinte lojas e a garagem de dois níveis, todos acessados por ruas cobertas que percorrem toda a extensão dos blocos e cruzam o pátio em uma passarela elevada, de forma que o trajeto diário entre a porta de entrada e uma mercearia ou sala de aula passa pelo espaço coletivo sem que seja preciso sair ao ar livre. Uma equipe de vinte e nove arquitetos/as trabalhou no projeto sob a coordenação de Carlo Celli, baseando-se em estudos sociológicos encomendados antes do início do projeto.

Da seleção à criação: quando profissionais da arquitetura passam a produzir seus próprios materiais

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Profissionais de arquitetura recebem treinamento para escolher materiais, comparar suas propriedades e decidir como devem ser usados. No entanto, alguns escritórios estão assumindo uma tarefa diferente: desenvolver o próprio material.

Para o Material Cultures, o BC architects e o Studio Ossidiana, esse processo pode começar com o cultivo de cânhamo para a construção civil, terra escavada de canteiros de obras ou misturas de concreto, pigmentos, pedras e conchas. Seu trabalho conecta a pesquisa de materiais com o processamento, a fabricação e a construção.

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