O AC Milan e a FC Internazionale Milano (Inter) revelaram o projeto do Generali Stadium, uma arena com capacidade para 71.500 espectadores planejada para ser a casa compartilhada dos dois clubes de futebol em Milão, Itália. Projetado por Foster + Partners e MANICA, o novo estádio será construído ao lado do atual San Siro, integrando um plano de reurbanização de 281 mil metros quadrados da área no entorno. O projeto é fruto de anos de debates sobre o futuro da histórica arena, que os clubes adquiriram em 2025 com o intuito de substituí-la. A previsão é de que a construção comece em 2028, e a partida inaugural ocorra na temporada de 2031/32, dependendo das aprovações regulatórias.
Museo Nacional del Ecuador (MuNA) por SANAA, Estudio A0, Caá Porá Arquitectura, Jerome Haferd Studio, Taller Capital Landscape. Imagem cortesia de Jerome Haferd Studio
A arquitetura na América Latina este mês reflete uma ênfase crescente na adaptação, seja respondendo a riscos ambientais, repensando instituições culturais ou estendendo a vida útil de edifícios existentes. Os desdobramentos recentes revelam um debate regional moldado pela resiliência, patrimônio e espaço público, onde a arquitetura é cada vez mais compreendida como parte de sistemas urbanos, sociais e ambientais mais amplos. Das consequências dos grandes terremotos na Venezuela ao debate em torno do futuro Museu Nacional do Equador, as histórias deste mês destacam como o design está interligado a questões de identidade, vida cívica e sustentabilidade a longo prazo.
Nesta semana na arquitetura, debates sobre a vida útil dos edifícios, a evolução das instituições culturais e o projeto responsivo ao clima destacaram como a prática contemporânea se estende cada vez mais para além do momento da construção. De discussões sobre demolição e reuso adaptativo a novos museus que integram paisagem e desempenho ambiental, os acontecimentos da semana refletem a mudança de prioridades em torno da permanência, da transformação e do valor público. Paralelamente a esses projetos, importantes anúncios institucionais, desde os finalistas do Prêmio RIBA Stirling até a eleição da nova liderança da UIA, oferecem um panorama das agendas arquitetônicas que moldam a profissão em diferentes escalas e geografias.
Grand Stade Hassan II no Marrocos por Populous e Oualalou + Choi. Imagem cortesia de Oualalou + Choi
O encerramento da Copa do Mundo da FIFA 2026 marca o fim da maior edição do torneio até hoje. Sediada no Canadá, México e Estados Unidos, a competição foi expandida para 48 seleções nacionais e reuniu dezesseis cidades-sede distribuídas por três países. Há décadas, as Copas do Mundo da FIFA servem como catalisadoras para a produção arquitetônica. Cada edição gerou um conjunto singular de estádios, investimentos em transporte, espaços públicos e intervenções urbanas que frequentemente permanecem integrados às cidades-sede muito após o encerramento do torneio. Embora as competições recentes tenham sido associadas a projetos de estádios monumentais e programas nacionais de construção ambiciosos, a edição de 2026 seguiu uma trajetória diferente, apoiando-se principalmente em arenas existentes adaptadas aos requisitos técnicos e operacionais da FIFA.
Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milano Cortina 2026 foram oficialmente abertos na sexta-feira, 6 de fevereiro, com uma cerimônia realizada em quatro locais no norte da Itália. O principal evento de abertura ocorreu no Estádio San Siro, um dos marcos modernistas mais significativos de Milão, unindo dança e artes performáticas em uma homenagem à cultura italiana, com apresentações de artistas internacionais, incluindo a estrela pop Mariah Carey. Embora diversas competições já tivessem começado no dia 4 de fevereiro, a cerimônia de abertura marcou o início de um programa mais amplo de eventos esportivos, sociais e culturais distribuídos por Milão e pelas três regiões alpinas anfitriãs: Cortina d'Ampezzo, Valtellina e Val di Fiemme. Os Jogos estão programados para seguir até 22 de fevereiro, encerrando-se com uma cerimônia de encerramento na Arena de Verona, antecedendo os Jogos Paralímpicos, que ocorrerão de 6 a 15 de março. Como um evento internacional de grande escala, as Olimpíadas impõem demandas significativas sobre a infraestrutura esportiva, redes de transporte, hospedagem e capacidade turística, oferecendo os primeiros indícios dos impactos urbanos, arquitetônicos e territoriais de longo prazo que os Jogos podem deixar para trás.
Diferentemente da maioria dos esportes populares, a origem do basquete tem um ano e um criador precisos: foi inventado em 1891, nos Estados Unidos, pelo instrutor de educação física canadense James Naismith como um esporte praticado em ambientes fechados para os atletas do Springfield College durante o inverno, logo após o fim da temporada de futebol americano. A modalidade expandiu-se rapidamente para além das fronteiras dos EUA, sendo incluída nos Jogos Olímpicos em 1936 e alcançando popularidade internacional após a Segunda Guerra Mundial. À medida que o basquete se popularizava, ele também deixava o ambiente controlado dos ginásios para ocupar os mais diversos locais: playgrounds, praças públicas, pátios escolares, acessos de veículos e quintais transformaram-se em quadras informais de lazer e convivência comunitária, reforçando o papel da atividade física como catalisadora da interação social e da regeneração de bairros.
O escritório de Perkins+Will foi escolhido para projetar um novo complexo esportivo de uso misto em Dubai. O elemento central do equipamento será o estádio Mohammed bin Rashid, com capacidade para 60.000 pessoas, que, quando completo, será o maior estádio dos Emiratos Árabes Unidos. Outros equipamentos incluirão salas de treinamento, um campo de treinamento, áreas de aquecimento, estacionamento para 5.000 carros, um museu e um centro de esportes multifacetado, lojas, restaurante e praças públicas.
O Coliseu Romano é indiscutivelmente o local versátil mais icônico do mundo. Embora essa estrutura não tenha sido projetada para atividades esportivas, sediou diversos eventos, desde os conhecidos combates de gladiadores até performances teatrais e a dramática naumachia (batalhas navais). Isso demonstra que o uso flexível do espaço é relevante desde os tempos antigos. Séculos depois, no contexto do sempre mutável ambiente construído e desenvolvimento urbano, os locais esportivos também evoluíram, tornando-se exemplos notáveis de espaços multifuncionais.
Esses complexos atléticos se transformaram de locais altamente especializados em estruturas dinâmicas e multifuncionais. Seja sediando grandes eventos internacionais, como os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, ou servindo como pontos de encontro para comunidades locais, esses espaços encontram um delicado equilíbrio entre atender às necessidades de esportes específicos e manter a flexibilidade para acomodar uma variedade de atividades. Como essas funções diversas coexistem e se interconectam? Esta análise explorará como as instalações esportivas são configuradas como centros flexíveis para outras disciplinas e atividades do dia a dia.
https://www.archdaily.com.br/pt/1020514/de-conchas-de-madeira-a-paineis-de-policarbonato-os-materiais-que-moldam-espacos-esportivos-flexiveisEnrique Tovar
O benefício comunitário é um dos principais aspectos destacados ao anunciar um novo projeto público, especialmente no caso dos ginásios esportivos, que prometem melhorias no bem-estar e na coesão social. Existem duas tipologias de ginásios esportivos, cada uma com diferentes níveis de envolvimento com a comunidade: por um lado, há grandes arenas dedicadas a competições internacionais, que podem acomodar milhares de pessoas e se tornam marcos modernos, semelhantes aos estádios. Por outro lado, existem ginásios de menor escala, geralmente anexados a escolas e localizados em bairros ou áreas rurais com acesso limitado a outros serviços públicos. Embora muitas vezes sua presença seja subestimada, esses ginásios desempenham um papel multifuncional importante, oferecendo oportunidades para praticar esportes, promover conexões, organizar eventos e apoiar diversas atividades comunitárias.
Para as cidades, sediar um evento olímpico é uma honra e uma oportunidade significativa de crescimento, mas também representa um desafio importante. Com mais de 200 nações participando dos Jogos, eles se destacam como a maior competição esportiva do mundo. No entanto, adaptar a infraestrutura pública e esportiva para acomodar o aumento repentino de pessoas e a escala desses eventos pode resultar em problemas após o encerramento, como estruturas subutilizadas conhecidas como "elefantes brancos". Apesar disso, as Olimpíadas incentivam transformações urbanas, levando as cidades a investir em melhorias em transporte, moradia e espaços públicos. Um exemplo marcante é Paris, que inaugurou sua primeira linha de metrô durante a segunda edição dos Jogos Olímpicos, em 1900.
Quando se trata dos locais olímpicos, surge o desafio da reutilização adaptativa: a arquitetura precisa encontrar maneiras de transformar esses espaços, inicialmente projetados para acomodar milhares de pessoas durante os Jogos, de modo a se tornarem parte sustentável da oferta esportiva da cidade após o evento. Em várias partes do mundo, alguns desses locais têm conseguido prolongar sua utilidade além do encerramento dos jogos, integrando-se às comunidades locais e oferecendo uma variedade maior de eventos esportivos e de lazer. Apesar dos altos custos de construção, muitos desses espaços se tornaram ícones da identidade local e atrações turísticas populares, continuando a ser utilizados décadas após receberem as multidões olímpicas.
Guillaume Bontemps/Ville de Paris. Imagem cortesia dos Jogos Olímpicos de Paris 2024
A história recente de Paris está entrelaçada com os Jogos Olímpicos. Em 1900, Paris sediou a segunda edição dos Jogos, marcando o início de uma série de adaptações urbanas e desenvolvimentos arquitetônicos para preparar a cidade. Uma das mudanças mais notáveis foi a introdução da Linha 1 do metrô, inaugurada em 1900, que conectava os locais da Exposição Universal aos Jogos Olímpicos em Vincennes. Apenas 24 anos depois, Paris sediou uma das edições mais influentes dos Jogos Olímpicos, a primeira a ser transmitida por rádio, o que aumentou significativamente a popularidade do evento. Foi nessa edição que nasceu o conceito de Vila Olímpica. Muitas das infraestruturas e locais construídos há mais de um século ainda estão em uso em Paris, e alguns deles serão novamente utilizados como sedes de eventos olímpicos.
Os estádios de futebol são muito mais do que meros locais para a prática esportiva; são verdadeiros ícones culturais que abrigam a paixão de torcedores e a história dos clubes que representam. No entanto, o impacto desses espaços vai além das arquibancadas e do gramado. Envolve também os bastidores, onde uma equipe dedicada de profissionais trabalha incansavelmente para garantir que os jogos aconteçam sem problemas. É fundamental reconhecer que o ambiente construído desses estádios desempenha um papel crítico na qualidade de vida e no bem-estar mental desses trabalhadores.
https://www.archdaily.com.br/pt/1008137/neuroarquitetura-e-esportes-uma-analise-do-estadio-de-braga-de-eduardo-souto-de-mouraTeresa Patrícia Fernandes Ribeiro e Ciro Férrer H. Albuquerque
Bem-estar, combate ao sedentarismo, saúde mental e, até mesmo, inclusão social. Ao ser palco de práticas esportivas e culturais, os ginásios possuem um relevante papel para a sociedade. Pensar este espaço de forma adequada para receber esportistas e a comunidade de forma confortável, ao mesmo tempo que se busca por um diálogo com o entorno e uma identidade própria, é papel do arquiteto por trás do projeto.
Os escritórios Effect Arquitetura, do Brasil, e Ben-Avid, da Argentina, projetaram em parceria uma área poliesportiva e de eventos com capacidade para cerca de três mil espectadores. O edifício foi desenvolvido para ser a principal sede dos Jogos Centro-Americanos de 2021 de Santa Tecla, El Salvador.
Localizado em um terreno de aproximadamente 260 metros de comprimento por 60 metros de largura, o edifício é cercado por um riacho, uma avenida principal que o conecta ao resto da cidade e uma pequena rua local. A topografia apresenta três níveis escalonados, descendo em direção à parte de trás do terreno ao longo da avenida.
Como ressignificar espaços públicos degradados? Cores vibrantes, um traçado geométrico e a ajuda comunitária. Ao menos esta poderia ser a resposta do artista carioca Antonio Ton. Inspirado pelas trocas que encontra na rua e a partir de um diálogo com as comunidades locais, suas obras vão além de revitalizar quadras esportivas e pistas de skate. Ton nos demonstra como a arte favorece a construção de um lugar de encontro e lazer. Conversamos com ele para entender como acontece todo o seu processo artístico e quais resultados suas pinturas oferecem.
No País dos Arquitectos é um podcast criado por Sara Nunes, responsável também pela produtora de filmes de arquitetura Building Pictures, que tem como objetivo conhecer os profissionais, os projetos e as histórias por trás da arquitetura portuguesa contemporânea de referência. Com pouco mais de 10 milhões de habitantes, Portugal é um país muito instigante em relação a este campo profissional, e sua produção arquitetônica não faz jus à escala populacional ou territorial.
Neste episódio da quarta temporada, Sara conversa com Tomás Salgado, do ateliê Risco, sobre a Cidade do Futebol, um equipamento da Federação Portuguesa de Futebol. Ouça a conversa e leia parte da entrevista a seguir.
Pela primeira vez na história das Copas do Mundo o torneio de seleções será realizado entre os meses de novembro e dezembro. Essa decisão se deu devido ao clima extremo do país-sede nos meses de junho e julho, quando o Qatar atinge temperaturas médias de 40 a 50°C.