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Arquitetos: Studio Okami Architects
- Área: 352 m²
- Ano: 2023


A paisagem arquitetônica da Hungria passou pelas décadas socialistas sendo redesenhada de cima para baixo, com suas fazendas cooperativas consolidadas a partir de propriedades familiares e seus blocos habitacionais padronizados distribuídos pelo território de uma forma que teria sido idêntica em qualquer outro lugar. A socióloga Virág Molnár, cujo livro Building the State traça os usos políticos da arquitetura na Hungria e na Alemanha Oriental do pós-guerra, defende que essa reconfiguração do ambiente construído foi um dos principais instrumentos do projeto político, e não um subproduto dele — uma mobilização que se estendeu pela modernização socialista e avançou pela transição que se seguiu. O crítico britânico Owen Hatherley, cuja obra Landscapes of Communism explora os conjuntos habitacionais de Budapeste ao lado dos de Varsóvia e Kyiv, descreve o extremo dessa mesma herança, em que os edifícios sobreviveram à ideologia que os encomendou e continuam ocupados por pessoas que têm pouco interesse em defender a lógica por trás deles.

Este segundo ano de pandemia foi uma excelente oportunidade para dar continuidade à reflexão e ao debate sobre os temas mais urgentes da arquitetura. Nesse sentido, quisemos que nossos/as leitores/as participassem ativamente, contribuindo com suas experiências e conhecimentos. Ao longo do ano, a cada mês fizemos um convite para que enviassem seus comentários e reflexões sobre os mais diversos assuntos — desde o futuro das cidades, a automatização e o design multidisciplinar, até a infraestrutura verde, a reconversão, a migração, a equidade e o bem-estar.
Após ler e compilar todas as mensagens recebidas, tanto de profissionais da construção civil quanto de estudantes e pessoas interessadas em arquitetura, chegou a hora de apresentar os principais posicionamentos. Agradecemos imensamente por suas opiniões!

Hoje, 20 de fevereiro, as Nações Unidas celebram o Dia Mundial da Justiça Social sob o tema "Compromisso Renovado com o Desenvolvimento Social e a Justiça Social". A celebração deste ano ocorre após a realização da Segunda Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Social em Doha e a adoção da Declaração Política de Doha, renovando os compromissos originalmente articulados na Declaração de Copenhague de 1995: a erradicação da pobreza, o pleno emprego produtivo, o trabalho decente para todas as pessoas e a inclusão social como pilares interdependentes do desenvolvimento. Em um momento marcado pelo aumento das desigualdades e pela aceleração das transições ambientais e tecnológicas, a comemoração de 2026 convoca a traduzir as afirmações políticas em ações práticas mensuráveis e intersetoriais.

Este artigo faz parte da nossa nova seção de Opinião, um espaço para ensaios argumentativos sobre questões críticas que moldam nossa área.
Quem projeta a arquitetura hoje? Em um panorama profissional cada vez mais definido por fluxos de trabalho colaborativos, softwares gerativos e equipes distribuídas, a figura do/a arquiteto/a como autor/a criativo/a singular parece tanto anacrônica quanto insuficiente. Este artigo defende que a autoria arquitetônica não é mais um ato individual, mas sim uma condição coletiva e distribuída, moldada por instituições, tecnologias e formas compartilhadas de trabalho. A transição da autoria individual para a coletiva não é mera consequência de escritórios maiores ou de ferramentas digitais; ela sinaliza uma mudança estrutural profunda no modo como a arquitetura é produzida, comunicada e validada.

A produção de vinho há muito tempo está ligada ao local, ao clima e à cultura e, nas últimas décadas, a arquitetura tornou-se parte central dessa relação. As vinícolas já não são compreendidas apenas como instalações funcionais para fermentação, armazenamento e distribuição, mas também como espaços onde a paisagem, a materialidade e a experiência do/a visitante se cruzam. De adegas subterrâneas escondidas sob os campos a marcos escultóricos que se erguem em territórios rurais, esses edifícios moldam a identidade das regiões vinícolas ao mesmo tempo que oferecem aos/às visitantes um encontro cuidadosamente coreografado com o processo de produção.
Na interseção entre agricultura, turismo e cultura, as vinícolas apresentam aos/às arquitetos/as oportunidades únicas de fundir requisitos técnicos com uma narrativa espacial. Devem responder às condições ambientais, gerenciar a temperatura e a umidade com precisão e integrar-se a ecossistemas delicados, ao mesmo tempo que oferecem espaços para degustação, encontros e celebrações. Como resultado, essa tipologia deu origem a uma ampla gama de soluções arquitetônicas. Enquanto algumas estão enraizadas na tradição e no artesanato local, outras exploram tecnologias avançadas e formas contemporâneas.

O fotógrafo Marc Goodwin expandiu seu Atlas of Architectural Atmospheres para a Bélgica, registrando os espaços de trabalho de escritórios de arquitetura em Antuérpia, Bruxelas e Gante. A série inclui grandes escritórios, como B-architecten, POLO e Binst Architects, além de escritórios de menor escala, como Studio Okami, Stand Van Zaken e Bruno Spaas Architectuur. Muitos deles ocupam edifícios com múltiplas camadas históricas, que vão de antigas oficinas a cinemas, e de depósitos a estruturas à beira-mar.
Além de fotografar os estúdios, Goodwin fez a mesma pergunta a cada escritório: "O que constitui um bom espaço de escritório e uma boa cultura de trabalho para você?" Suas respostas acompanham as imagens, oferecendo uma perspectiva de como os/as arquitetos/as definem a atmosfera de seus ambientes de trabalho. O Studio Okami descreve seu local de trabalho como um "home office fora de casa", enquanto o Brut destaca o papel das refeições compartilhadas e da vegetação para suavizar o espaço de sua cobertura.

De 6 de setembro a 15 de outubro de 2025, o Aedes Architecture Forum em Berlim receberá uma exposição sobre o escritório de arquitetura finlandês Helin & Co. A mostra busca examinar o papel do escritório na configuração de Helsinque ao longo das últimas duas décadas. Intitulada Heart and Horizon, a exposição reflete a abordagem profissional de combinar a escala humana ("Coração") com uma forte relação com o espaço urbano ao longo da orla ("Horizonte"). O foco central está voltado para três projetos fundamentais para a transformação de Helsinque: o Centro Kamppi, um bairro urbano conectado com nós de mobilidade, áreas culturais e residenciais; o Centro Kalasatama, um novo distrito no antigo porto que combina densidade urbana com vistas para o mar; e o Centro do Distrito de Sello, em Espoo, um complexo multifuncional com biblioteca, escola de música e sala de concertos.




O legado arquitetônico do Porto é moldado há muito pelo peso da história e pela clareza da forma. Da obra de Álvaro Siza à densa rede de escritórios que emergem das escolas da cidade, o Porto oferece uma mistura única de continuidade e reinvenção. Aqui, a arquitetura não é apenas uma questão de projeto, mas muitas vezes de resistência — de trabalhar sob restrições, desenhar com precisão e navegar por um ambiente construído marcado pela permanência e pela aversão ao espetáculo.
No entanto, diante desse contexto persistente, uma nova geração de profissionais da arquitetura vem redefinindo o campo com discreta determinação. Frequentemente atuando em espaços compartilhados, esses escritórios equilibram autonomia com colaboração, além de um detalhamento meticuloso com preocupações urbanas mais amplas. Seus estúdios costumam refletir esse ethos: modestos em escala, definidos pelo reuso adaptativo e enraizados na realidade material da cidade. Nesses espaços de trabalho, a arquitetura se desdobra como um processo — às vezes especulativo, às vezes pragmático —, mas sempre reflexivo de uma prática profundamente local e cada vez mais global.



O ano de 2024, após um período de incerteza global, testemunhou uma complexa interação de desafios e avanços. Embora as tensões geopolíticas e os efeitos remanescentes de crises passadas tenham continuado evidentes, o foco se voltou para a reconstrução, com comunidades de todo o mundo buscando soluções locais e formas de progredir apesar das adversidades. O panorama arquitetônico de 2024 apresentou uma exploração crescente de novos sistemas construtivos e tecnologias, muitas vezes inspirados em soluções vernáculas. Em escala urbana, os espaços são reconsiderados por seu potencial de transição para atividades mais voltadas para pedestres, mais áreas naturais e oportunidades de encontro comunitário e organização de eventos.
Discussões sobre descolonização, a preservação de técnicas construtivas tradicionais e a integração de narrativas locais nos projetos continuaram a ganhar força. O foco esteve menos em estruturas singulares e icônicas e mais em projetos ambientalmente responsáveis e socialmente conscientes que atendessem às necessidades específicas das comunidades. Paralelamente, novas tecnologias, como os sistemas de IA, continuaram a impactar a profissão, mas são compreendidas cada vez mais não como substitutos, mas sim como ferramentas à disposição de profissionais de arquitetura e design para aprimorar seus processos.