Nesta semana, a relação da arquitetura com a cultura ganhou destaque por meio de exposições, projetos públicos e novas infraestruturas que expandem o discurso arquitetônico para além do edifício em si. Ao mesmo tempo que grandes exposições na Austrália, em Xangai, Barcelona e Copenhague investigaram temas como habitação, paisagem e lugar por meio de pesquisa e projeto, obras recém-reveladas na China e na Itália demonstram como museus, espaços de performance e complexos de uso misto são cada vez mais concebidos como paisagens públicas abertas, e não como instituições isoladas. Paralelamente, novas mostras e marcos de construção refletem a experimentação contínua em reuso adaptativo, projetos responsivos ao contexto e ambientes urbanos flexíveis.
O projeto Grand Paris Express consiste em 200 quilômetros de novas linhas de metrô totalmente automatizadas, 68 novas estações e quatro novas linhas perimetrais (15, 16, 17 e 18), além da extensão da Linha 14. A rede está sendo entregue em etapas entre 2024 e 2031: as 8 estações da Linha 14 estão totalmente operacionais após sua extensão em 2024; a Linha 18 é a mais avançada das novas linhas, com testes em andamento antes de sua primeira inauguração; e a engenharia civil está praticamente concluída em muitos trechos, com trilhos, sistemas, acabamento arquitetônico e testes avançando estação por estação. Cada uma das 68 estações foi atribuída a um/a arquiteto/a ou equipe de arquitetura específica, por vezes em colaboração com arquitetos/as paisagistas para os elementos de superfície.
Em 1968, o designer de mobiliário e professor da RCA David Pye publicou The Nature and Art of Workmanship, livro estruturado em torno da distinção entre o "ofício do risco" (workmanship of risk) e o "ofício da certeza" (workmanship of certainty). Pye não estava escrevendo sobre arquitetura e, a despeito de como essa expressão é empregada hoje, tampouco tratava propriamente do embate entre mãos e máquinas. Ele destacava que uma prensa tipográfica, embora inteiramente mecânica, ainda depende de alguém que avalie a tinta e o registro, ao passo que um/a profissional do torno de madeira, trabalhando manualmente, pode seguir um modelo de forma tão rigorosa que quase nada é deixado ao acaso.
O ofício do risco, na definição de Pye, refere-se a qualquer processo em que o resultado final não é previamente determinado, mas depende do julgamento, da destreza e da atenção de quem o executa enquanto o trabalho está em andamento. O ofício da certeza representa a condição oposta, uma vez que o resultado é estabelecido antes mesmo de a produção começar — fixado em um gabarito, molde ou programa —, de modo que todas as etapas seguintes se limitam à execução. Pye teve o cuidado de observar que nenhum dos modos é intrinsecamente superior, e que uma máquina de controle numérico, calibrada para admitir desvios, pode estar mais próxima do risco do que uma ferramenta manual operada sob um modelo rígido.
Como pilares da nossa paisagem cultural, muitas obras-primas do Movimento Moderno são frequentemente demolidas, abandonadas ou alteradas, independentemente do contexto em que estão inseridas. Preservar esse legado arquitetônico destaca o papel dos/as profissionais de arquitetura e design na configuração de ambientes construídos onde a continuidade entre o passado e o presente reforça o senso de lugar das comunidades. Em Long Island, uma coalizão de defensores uniu forças para salvar a Casa A. Conger Goodyear, projetada em 1938 por Edward Durell Stone. Considerada um dos exemplos mais notáveis do Estilo Internacional nos Estados Unidos, a residência atraiu grande atenção ao longo da década de 1940, figurando em periódicos especializados, livros e publicações de grande circulação.
Vila de Arte Bihailou por MVRDV. Imagem cortesia de MVRDV
Projetado pelo escritório MVRDV, o Bihailou Art Village é um centro cultural e comercial de uso misto atualmente em construção em Shenzhen, na China. Localizado no bairro de Shatoujiao, próximo à fronteira com Hong Kong, o empreendimento de uso misto combina programas culturais, comerciais e públicos em uma composição empilhada verticalmente, derivada do conceito "Vertical Village" desenvolvido pelo escritório. Concebido para abrigar espaços de funcionamento independente ao mesmo tempo que mantém a circulação de acesso público, o complexo reinterpreta a escala e o caráter espacial da malha urbana do entorno por meio de uma série de volumes distintos.
O projeto do pavilhão de exposições e do parque da Shenzhen Bay Culture Square, desenvolvido pelo escritório MAD, de Ma Yansong, teve início em 2018, com a etapa de projeto finalizada em 2020. O edifício de 188.000 m² ocupa um terreno de aproximadamente 51,000 m² à beira-mar, no coração de Houhai, no distrito de Nanshan — polo corporativo da Greater Bay Area de Shenzhen. O plano diretor da área, que inclui o Pavilhão de Design Criativo, o Museu de Ciência e Tecnologia de Shenzhen e uma ampla área verde pública, foi anunciado pelo MAD em 2020 com previsão de conclusão para 2023. Após oito anos de trabalho, a obra, liderada por Ma Yansong, Dang Qun e Yosuke Hayano, está concluída e servirá como um equipamento cultural voltado ao design e ao intercâmbio cultural.