Zaha Hadid Architects acaba de revelar o projeto do Cityzen Tower, um arranha-céu de 42 andares que se tornará um marco em Tbilisi, na Geórgia. Situada no distrito de Saburtalo, a torre faz parte do empreendimento Cityzen, um novo polo urbano que integra espaços residenciais, comerciais e públicos. Projetada como uma extensão vertical do novo Central Park de Tbilisi, a torre unirá a vida urbana à natureza por meio de terraços em cascata e áreas verdes.
Globalmente, a arquitetura contemporânea continua investigando ferramentas e metodologias de projeto para integrar a natureza nos espaços habitáveis, dados os seus comprovados benefícios e contribuições para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Embora existam diferentes crenças religiosas ao redor do mundo, a arquitetura religiosa geralmente vai além de seus usos e funções para conectar-se com o sagrado. Sentidos, memórias e emoções são transmitidos nesses espaços a partir do uso de certos materiais, organizações espaciais e até sons e aromas que potencializam as experiências em atmosferas de espiritualidade, divindade e reflexão. No México, Chile, Equador, Brasil ou Uruguai, projetos de espaços de culto abertos para o exterior revelam uma arquitetura capaz de se adaptar a diferentes ambientes naturais, mantendo a premissa de que cada religião está ligada a uma identidade social e exige um vínculo particular com sua comunidade e a paisagem circundante.
A sustentabilidade na arquitetura é frequentemente abordada como um desafio universal, resultando em soluções padronizadas que priorizam a eficiência em detrimento do contexto. No entanto, a arquitetura está intrinsecamente ligada ao seu ambiente — os edifícios interagem com o clima, a topografia e a história cultural de maneiras que exigem especificidade. Em vez de depender de listas de verificação de sustentabilidade padronizadas, como a arquitetura pode adotar soluções específicas para o local? Essa discussão está profundamente conectada ao conceito de Genius Loci, ou o espírito do lugar, introduzido por Christian Norberg-Schulz e adotado por arquitetos/as que defendem projetos em sintonia com seu entorno. Essa filosofia sugere que a arquitetura não deve ser imposta a um terreno, mas sim emergir dele, informada por seus materiais, clima e relevância cultural. Esse pensamento contesta a aplicação generalizada de tecnologias sustentáveis genéricas, propondo, em contrapartida, que a sustentabilidade deve estar intrinsecamente ligada ao local onde se insere.
Para a edição de 5º aniversário do "Monaco Smart & Sustainable Marina Rendezvous", a M3 Monaco revela o novo tema de seu concurso internacional de arquitetura anual. Estudantes, jovens arquitetos/as e profissionais da área têm o desafio de conceber uma nova visão ou repensar o desenvolvimento da infraestrutura da Ilha de Certosa, em Veneza, criando um diálogo singular que integre o turismo regenerativo, a jornada marítima, o título de Patrimônio Mundial da UNESCO e o próprio contexto de "La Serenissima."
Render aéreo. Imagem cortesia de Foster + Partners
Em setembro de 2024, a Foster + Partners anunciou sua contratação pelo Manchester United para o desenvolvimento de um plano diretor para a região do estádio de Old Trafford. A peça central do plano diretor é um novo estádio, projetado para se tornar a maior arena de futebol do Reino Unido, com capacidade para 100 mil espectadores. Esta semana, o escritório revelou imagens do projeto do estádio, juntamente com os espaços públicos circundantes, incluindo parques, empreendimentos de uso misto, um cinema ao ar livre e uma estação de trem revitalizada. Essas imagens contêm conceitos ilustrativos que servirão de base para estudos de viabilidade mais detalhados, consultas e planejamento à medida que o projeto avança para novas etapas.
A fusão criativa entre arte e ativismo nos espaços urbanos impulsionou o coletivo britânico Led by Donkeys ao centro das atenções, acumulando milhões de visualizações com suas intervenções nas redes sociais. Suas ocupações visuais críticas — sejam mensagens em outdoors durante o dia ou projeções em grande escala à noite — levantam uma questão instigante: qual meio possui maior poder de persuasão? O livro "Led by Donkeys: Adventures in Art, Activism and Accountability" oferece um mergulho profundo em sua abordagem conceitual, mapeando sua rápida evolução ao longo de seis anos. O que começou como uma reação londrina ao Brexit expandiu-se para uma crítica global à hipocrisia política, abordando questões na Europa, no Oriente Médio e nas Américas. Para Peter Weibel, ex-diretor do ZKM Center for Art and Media em Karlsruhe, Alemanha, a fusão inovadora entre ativismo e arte — ou "Artivismo" — representa a primeira nova forma de arte do século XXI. Anos de experiência no ativismo ambiental proporcionaram ao grupo percepções cruciais sobre as engrenagens da comunicação política, a organização de intervenções públicas e os desafios para alcançar mudanças sociais significativas.
À medida que a indústria da construção intensifica seus esforços em direção à sustentabilidade, arquitetos/as e incorporadores/as buscam ativamente soluções inovadoras para reduzir a pegada ambiental dos edifícios. A Trimo, líder global em soluções de fachadas e coberturas arquitetônicas, está na vanguarda dessa transformação com sua linha de produtos NEXT — Qbiss One NEXT e Trimoterm NEXT —, que está estabelecendo novos padrões de sustentabilidade. Projetados para apoiar a transição global para uma construção de carbono zero, esses produtos incorporam tecnologia de ponta, baixas emissões de carbono e alta reciclabilidade, tudo isso sem abrir mão de desempenho e estética superiores.
"Living Scaffolding" (Andaimes Vivos) é o nome da proposta selecionada para representar o Peru na 19ª Mostra Internacional de Arquitetura – La Biennale di Venezia. Com curadoria dos/as arquitetos/as Alex Hudtwalcker, Sebastián Cillóniz e Gianfranco Morales, junto ao/à historiador/a José Ignacio Beteta, a exposição conta a história de uma embarcação de junco (totora) que, em 1988, partiu em uma viagem marítima rumo a outros portos da América do Sul e da Polinésia. Essa expedição sem precedentes começou na costa peruana, ao sul de Lima, e durou 54 dias no mar. A embarcação foi fruto de um esforço coletivo e artesanal, representando um grande desafio estrutural. A mostra busca destacar a importância dos saberes ancestrais no enfrentamento desses desafios, celebrar materiais essenciais para o patrimônio cultural peruano e evidenciar o valor da inteligência coletiva.
O escritório MVRDV acaba de apresentar o projeto do LuLa Light Mall, um shopping center ao ar livre em construção em Luxelakes Eco-City, na cidade de Chengdu, na China. A proposta consiste em volumes sobrepostos com espaços abertos entre eles, criando terraços, passarelas e escadarias que integram o entorno natural e oferecem vistas para o lago vizinho. Luxelakes Eco-City, um distrito em desenvolvimento no sul de Chengdu, abrange 5,5 quilômetros quadrados e conta com 1,4 quilômetro quadrado de lagos e áreas verdes. A localização do shopping, situado entre a paisagem natural ao sudeste e edifícios de grande altura ao noroeste, funciona como uma transição entre os ambientes urbano e natural.
Coberturas impressas em 3D da NEOM. Imagem cortesia de MEAN*
Reconhecido como uma das Melhores Novas Práticas de 2024 do ArchDaily, o escritório MEAN* (Middle East Architecture Network) está redefinindo o panorama arquitetônico da região ao fundir design computacional, fabricação digital e pesquisa de materiais com o patrimônio local. Fundado em 2016, o estúdio adota uma abordagem inovadora, desenvolvendo soluções arquitetônicas site-specific que equilibram a inovação tecnológica com a continuidade cultural. Seu trabalho abrange projetos de diversas escalas, desde móveis experimentais, como a Cadeira Mawj, até intervenções de escala urbana, como o The Adaptive Majlis — uma reinterpretação fabricada digitalmente de espaços sociais e de resfriamento tradicionais. Ao integrar ferramentas avançadas como design paramétrico, IA e impressão 3D com materiais locais, o MEAN* está moldando uma nova linguagem arquitetônica que reflete tanto as aspirações do futuro quanto a profundidade do passado.
O mundo observa o desenvolvimento da China com uma mistura de admiração, curiosidade e apreensão. De gigantescas obras de infraestrutura, como hidrelétricas e uma moderna rede ferroviária de alta velocidade, ao surgimento de cidades inteiras praticamente do zero, o país evidencia um ambicioso projeto de crescimento e uma impressionante capacidade de execução. No entanto, esse avanço também traz desafios e contrastes marcantes. Se, por um lado, a modernidade se impõe em arranha-céus futuristas e tecnologias de ponta, por outro, permanece a necessidade de preservar a rica herança cultural e histórica do país, refletida em templos ancestrais, palácios imperiais e cidades tradicionais.
O rápido crescimento urbano também trouxe problemas como superlotação, poluição ambiental, aumento da desigualdade social e perda de terras agrícolas. A urbanização em larga escala levou ao desaparecimento de aldeias tradicionais, à degradação ambiental e à homogeneização da arquitetura e do estilo de vida em muitas cidades chinesas. É nesse cenário que Liu Jiakun, laureado com o Prêmio Pritzker de 2025, se destaca por uma uma arquitetura de gestos sutis, mas profundamente transformadora, que responde a estes e outros desafios da sociedade chinesa enquanto valoriza materiais e técnicas tradicionais, bem como a criação de espaços comunitários.
Leonardo.ai. Imagem gerada por IA pelo ZIGURAT Institute of Technology. Imagem: Cortesia de ZIGURAT
"Estamos à beira de uma revolução na construção civil. A introdução da Inteligência Artificial transformará inevitavelmente um setor que, até agora, tem sido tradicional e pouco digitalizado. Em breve, testemunharemos uma mudança de paradigma na forma como abordamos cada etapa do processo construtivo, e os/as profissionais do setor devem liderar essa mudança", alerta Lilian Ho, BIM & Digital Leader na indústria de AEC.
Desert X é uma exposição internacional de arte site-specific realizada este ano no Coachella Valley, Califórnia. Sua quinta edição, com curadoria do diretor artístico Neville Wakefield e da cocuradora Kaitlin Garcia Maestas, foi inaugurada em 10 de março de 2025, apresentando 11 instalações de artistas internacionais integradas à paisagem do deserto. Artistas receberam o convite para propor formas alternativas de perceber um mundo "cada vez mais cercado pelos efeitos transformadores da natureza e da humanidade", por meio de instalações físicas em locais específicos do deserto da Califórnia. Nesse contexto, a arquitetura é compreendida como a evidência mais visível da transformação humana, enquanto elementos imateriais, como o vento e a luz, destacam os efeitos transformadores não apenas da atividade humana, mas também da própria natureza. A exposição é gratuita e aberta ao público, estendendo-se até 11 de maio de 2025. Abaixo, veja as imagens e descrições das 11 instalações de arte apresentadas na exposição Desert X deste ano.
Diller Scofidio + Renfro revelou o projeto da nova Frederick S. Pardee School for Global Studies na Boston University, uma proposta que busca integrar sustentabilidade, densidade urbana e colaboração interdisciplinar. Com cerca de 6.500 metros quadrados, o edifício terá 56,7 metros de altura, tornando-se a mais alta torre de madeira engenheirada (mass timber) do nordeste dos Estados Unidos. Implantada em um antigo estacionamento no coração do campus da universidade, a estrutura ocupará apenas 10% do lote, permitindo a criação de uma área verde central no futuro.
Ambientes úmidos apresentam alguns dos desafios mais complexos no projeto arquitetônico. Desde o período de monções tropicais no Sudeste Asiático ao calor equatorial da África Central, esses contextos exigem soluções que considerem a umidade intensa, as altas temperaturas e o combate constante ao mofo, à deterioração e à estagnação do ar. No entanto, há séculos, as comunidades dessas regiões desenvolvem técnicas arquitetônicas que não lutam contra a umidade, mas trabalham em harmonia com ela, aproveitando materiais locais, design responsivo ao clima e técnicas de resfriamento passivo para criar espaços sustentáveis e habitáveis. Ao considerar a atmosfera como um fenômeno sensorial e climático, arquitetos e arquitetas criarão espaços que não são apenas evocativos, mas também responsivos, adaptáveis e sustentáveis.
Desafiar convenções tem sido uma constante na produção artística ao longo da história, sempre buscando ressignificar limites estabelecidos. No século XX, transformações sociais, históricas e tecnológicas criaram o contexto ideal para uma profunda reconfiguração arquitetônica. Nesse processo, o modernismo introduziu novas ideias sobre funcionalidade, rompendo com a ornamentação do passado. No entanto, partindo dessa base, o minimalismo refinou ainda mais a redução da forma à sua essência. Ao focar na relação entre espaço, sobriedade e luz, o movimento minimalista transformou a arquitetura contemporânea e o design de interiores, convertendo as janelas em um recurso fundamental para a percepção sensorial e a interação com a atmosfera e o espaço, abrindo um campo de exploração introspectivo, sensível e refinado.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142793/sem-caixilho-e-mais-como-as-janelas-minimalistas-moldam-as-atmosferas-arquitetonicasEnrique Tovar
Na arquitetura moderna, a promenade architecturale destacou-se como uma estratégia projetual essencial para concretizar os princípios de funcionalidade, estética e integração ao contexto urbano. Projetos icônicos de Le Corbusier, como a Villa Savoye (1929), ilustram esse conceito ao guiar o visitante por um percurso ascendente que culmina na contemplação do terraço-jardim, um espaço aberto onde a edificação dialoga harmoniosamente com a natureza. Passados cem anos, o conceito continua influenciando projetos contemporâneos, explorando a relação entre movimento e espaço em diferentes tipologias arquitetônicas como casas, museus, bibliotecas e parques.
Neste Dia Internacional da Mulher, celebramos as contribuições das mulheres na arquitetura, um campo tradicionalmente dominado por homens. Embora as narrativas dominantes muitas vezes ignorem seu impacto significativo, a história da arquitetura está repleta de exemplos de mulheres que moldaram a profissão de forma sutil, mas poderosa. Quando limitada a um cargo de desenhista, Ester McCoy deu um passo atrás, não para se afastar, mas para observar melhor. Ela se tornou a primeira crítica e historiadora de arquitetura a notar o caráter único do modernismo que se desenvolvia na Costa Oeste dos EUA durante a década de 1950, trazendo nomes como Richard Neutra ou Luis Barragán para o centro dos debates arquitetônicos. Da mesma forma, o nome de Aline Louchheim pode não ser amplamente conhecido entre arquitetos/as, mas, graças a ela, o de Eero Saarinen certamente é. A profissão de relações-públicas na arquitetura também surgiu dessa colaboração. Essas histórias nos lembram que reconhecer as conquistas das mulheres na arquitetura não se trata de celebrar o gênero, mas sim de admitir um viés histórico que limitou o progresso de toda a disciplina.
Longe de ser apenas um material pré-fabricado produzido atualmente em larga escala, a aplicação dos blocos de concreto na arquitetura continua evoluindo para atender às demandas e necessidades das sociedades contemporâneas, em constante transformação. Seja em espaços interiores ou exteriores, seu uso se alinha a conceitos de economia circular, eficiência de recursos, sustentabilidade, entre outros, com o objetivo de criar espaços habitáveis e, ao mesmo tempo, explorar suas vantagens e desvantagens construtivas, além de suas qualidades expressivas e estéticas.
Render do Plano Diretor Geral. Imagem Cortesia de Sasaki
Salalah é o maior porto logístico de Omã e sua segunda maior cidade. Localizada a duas horas de voo de Dubai e a 90 minutos de voo de Mascate, a cidade atraiu mais de um milhão de turistas em 2024. Como parte do plano de investimento Oman Vision 2040, o Ministério de Habitação e Planejamento Urbano de Omã encomendou à Sasaki o desenvolvimento de um plano diretor para redesenhar a orla da cidade. O plano inclui a renovação dos espaços públicos costeiros da cidade e a construção de novas moradias e infraestrutura para acomodar o crescimento projetado. A iniciativa integra um esforço mais amplo para duplicar a contribuição do turismo para o PIB do país até 2030, com o início das obras no local previsto para o final deste ano, em 2025.
O escritório de arquitetura Henning Larsen acaba de lançar uma nova iniciativa em Esbjerg, na Dinamarca, com o objetivo de repensar os espaços urbanos sob a perspectiva de garotas adolescentes. Desenvolvido em colaboração com o Município de Esbjerg, Ramboll, Catapult Projects e KOMPAN, o projeto se baseia nas pesquisas do framework Urban Minded para explorar de que forma a cocriação pode moldar ambientes públicos mais inclusivos. Apoiada por um subsídio de 2,3 milhões de coroas dinamarquesas (DKK) da Fundação Villum e 485.000 DKK da Fundação Ramboll, a iniciativa busca atender a um grupo demográfico frequentemente negligenciado no planejamento urbano. À medida que as cidades continuam a evoluir, as discussões sobre espaços urbanos inclusivos em termos de gênero vêm ganhando força, especialmente em alusão ao Dia Internacional da Mulher.