Com a aceleração da urbanização global, a demanda por estratégias inovadoras de desenvolvimento urbano e construção é mais urgente do que nunca, visto que se estima que 80% da população mundial viverá em cidades até 2080 — especialmente no Oriente Médio, na África e no Sul da Ásia. De 26 a 29 de novembro, o Big 5 Global, em conjunto com os eventos integrados LiveableCitiesX, GeoWorld e Future FM, sediará cinco cúpulas estratégicas, reunindo 1.500 líderes dos setores público e privado para moldar o futuro das comunidades urbanas.
Liverpool Waterfront, local do Maritime Museum & International Slavery Museum, Liverpool por Feilden Clegg Bradley Studios, imagem de drone 2024. Imagem cortesia de National Museums Liverpool
A requalificação do International Slavery Museum (ISM) e do Maritime Museum em Liverpool, no Reino Unido, obteve aprovação de planejamento no outono de 2024. Na ocasião, o editor do ArchDaily, Mohieldin Gamal, teve a oportunidade de conversar com Kossy Nnachetta, sócia no Feilden Clegg Bradley Studios, escritório responsável pelo projeto. Ela discute sua trajetória na arquitetura, os princípios fundamentais de sua prática profissional e os desafios e oportunidades de projetar o Museu Marítimo e o Museu Internacional da Escravidão — um projeto conjunto que precisou abordar diversas questões sensíveis e historicamente cruciais. Apoiando-se em uma abordagem de design centrada nas pessoas e voltada para a comunidade, Kossy descreve como este empreendimento se baseia no amplo portfólio de projetos culturais, reuso adaptativo e restaurações históricas do Feilden Clegg Bradley Studios.
Propostas de destaque. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner tem o prazer de anunciar os resultados da segunda edição anual do seu Architect's Chair Competition, que recebeu excelentes propostas de todo o mundo. À medida que a série de concursos ganha força e gera mais interesse, a Buildner anuncia com entusiasmo o lançamento do concurso Architect's Chair Edition 3, com prazo de inscrição até 15 de janeiro de 2025. A Buildner também publicou seu primeiro livro sobre o tema, destacando as principais ideias e os projetos de destaque de edições passadas.
Atualmente, grande parte dos profissionais da construção civil sabe que mitigar as emissões de carbono provenientes do ambiente construído é fundamental para enfrentar o desafio climático. No entanto, saber por onde começar pode ser um desafio para muitos/as profissionais. É por isso que a educação e a capacitação em toda a cadeia de valor — de arquitetos/as a urbanistas, e de incorporadores/as imobiliários/as a engenheiros/as — são essenciais para promover práticas de construção sustentável.
Em uma era marcada pela rápida urbanização, por emergências climáticas e pela evolução das necessidades sociais, a arquitetura desempenha um papel complexo e tem a responsabilidade de se engajar de forma ativa, porém sensível, com questões culturais, políticas e econômicas. Nesse contexto, Níall McLaughlin se destaca por sua abordagem equilibrada, enraizada em contextos históricos, mas atenta e responsiva aos desafios contemporâneos. Seu escritório, Niall McLaughlin Architects, adota uma abordagem centrada no diálogo, fomentando um ambiente colaborativo. A editora sênior do ArchDaily, Maria-Cristina Florian, teve a oportunidade de conversar com Níall McLaughlin sobre sua perspectiva a respeito do papel da arquitetura na sociedade atual e dos desafios emergentes do ensino de arquitetura.
Um conjunto de países do sul da Ásia experimentou em meados do século XX uma catarse coletiva do domínio colonizador. O período seguinte desencadeou em uma era de ideias e filosofias para um novo futuro. Durante este tempo, os arquitetos foram fundamentais na criação de estruturas modernistas que definiram as identidades pós-coloniais, pós-partição e pós-imperiais dos países. Arquitetos do sul da Ásia usaram o design como expressão de uma visão social de esperança. Mesmo com este sucesso na construção da nação, as mulheres arquitetas não são creditadas na formação da história do sul da Ásia.
Carl Pruscha é um arquiteto austríaco que dedicou a maior parte de sua carreira profissional a investigar e trabalhar de perto com a arquitetura regional no Oriente — um território negligenciado em uma época em que o movimento moderno na arquitetura e no resto do mundo estava em plena expansão. Através de uma retrospectiva de sua vida, destacamos algumas de suas obras mais relevantes no Nepal e no Sri Lanka, compreendendo como Pruscha conseguiu imprimir sua visão singular de arquitetura e de cidade em seus projetos construídos.
Lord Norman Foster foi anunciado como o laureado com o Prêmio Andrée Putman pelo Conjunto da Obra 2025 pelo Créateurs Design Awards. O prêmio, que chega à sua quinta edição, reconhece as contribuições significativas de Foster para o desenho urbano e para o movimento ambientalista na arquitetura. Este reconhecimento destaca sua influência duradoura e suas contribuições para a área desde a fundação do escritório Foster + Partners em 1967. A cerimônia de premiação acontecerá em Paris no dia 18 de janeiro de 2025.
A arquiteta hondurenha Angela Stassano vem contribuindo para a paisagem arquitetônica da América Central com sua pesquisa aplicada sobre projetos bioclimáticos. Sediada em San Pedro Sula, em Honduras, seus projetos partem de técnicas do patrimônio local para atender às demandas de ambientes tropicais quentes e úmidos. Stassano desenvolveu sua especialidade ao longo de mais de 30 anos de pesquisa prática, culminando em um guia de arquitetura bioclimática que detalha seus métodos construtivos para essa região. Um de seus projetos mais notáveis, o Las Casitas, é um complexo residencial que materializa essa pesquisa. O projeto engloba várias residências tropicais energeticamente eficientes que tiram proveito do clima local, resultando em baixos custos operacionais e de energia.
“Um dos primeiros resultados que encontrei quando estava pesquisando sobre arquitetura feminina no Google foi um arranha-céu na Austrália, cujos arquitetos disseram ter se inspirado nas curvas de Beyoncé quando o construíram”, narrou a arquiteta holandesa Afaina de Jong em sua última palestra do TEDxAmsterdamWomen em 2021. “É sério? O corpo dela? Beyoncé? Claro, ela é incrível, mas literalmente traduzir seu corpo em um prédio... Isso é arquitetura feminina?”, continuou ela, indignada.
De Jong é fundadora do estúdio AFARAI, onde trabalha com uma metodologia interdisciplinar combinando teoria e pesquisa com design. Ela considera seu ateliê “uma prática feminista que incentiva a mudança em questões sociais e espaciais e que acomoda as diferenças”, então Afaina provavelmente está familiarizada com o conceito de 'interseccionalidade'.
Reconhecido por realizar 36 projetos públicos distintos, porém coesos, em todo o México em apenas 36 meses, o Colectivo C733 evidencia o impacto do design colaborativo nos espaços públicos e nas comunidades. Os 36 projetos fizeram parte de um esforço nacional para revitalizar áreas urbanas e rurais vulneráveis no México, o que lhes rendeu o Obel Award de 2024, focado no tema "Architectures With". A equipe por trás dos projetos, o Colectivo C733, é um grupo colaborativo formado pela união dos escritórios dos/as arquitetos/as Gabriela Carrillo (Taller Gabriela Carrillo), Carlos Facio, e José Amozurrutia (TO), além de Eric Valdez (Labg) e Israel Espin. Em uma conversa recente com a editora-chefe do ArchDaily, Christele Harrouk, o coletivo discutiu sua abordagem sobre a arquitetura pública, o processo de integração de vozes diversas e a importância de manter-se flexível diante dos desafios das condições locais.
Conferências, eventos e exposições globais influenciaram profundamente a evolução da arquitetura e do design, funcionando como catalisadores de inovação, novas ideias e debates fundamentais. Alguns encontros, como o histórico Congrès International d'Architecture Moderne, impactaram profundamente a disciplina. Outros, por sua vez, como a Bienal de Veneza e a Capital Mundial do Design (WDC, na sigla em inglês), continuam moldando a paisagem arquitetônica por meio de suas edições periódicas. Iniciada em Turim, na Itália, a WDC celebra uma cidade diferente a cada dois anos como um polo de reflexão e criatividade em design. Na edição mais recente, a região binacional de Tijuana-San Diego fez história como a primeira WDC transfronteiriça, emergindo como um epicentro criativo com uma programação rica e inovadora que merece atenção especial.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140683/tijuana-san-diego-como-farol-criativo-explorando-a-crescente-influencia-da-capital-mundial-do-designEnrique Tovar
Buildner anunciou os resultados do Kharkiv Housing Challenge, o primeiro concurso de uma série de duas partes focada na reconstrução da Ucrânia. Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, foi profundamente afetada pelo conflito em andamento, e este concurso faz parte de um esforço mais amplo para reconstruir suas habitações e espaços públicos.
A supertempestade Sandy inundou Lower Manhattan, causando bilhões de dólares em danos a propriedades e infraestrutura. Visando à proteção contra futuras inundações, ressacas e a elevação do nível do mar, arquitetos/as paisagistas estão desenvolvendo uma combinação inovadora de soluções verdes e cinzas ao longo da costa sul de Manhattan.
Não se trata de soluções baseadas na natureza, mas sim de formas de blindagem. Projetistas e designers demonstram como essa armadura pode ser integrada ao espaço público, criando novas tipologias de infraestrutura. O desenho inteligente viabiliza comportas e barreiras retráteis, taludes paisagísticos e plataformas elevadas — sem a necessidade de muros de concreto que isolem as comunidades entre si ou as afastem da orla.
A reconfiguração do Museu Internacional da Escravidão (International Slavery Museum) e do Museu Marítimo (Maritime Museum) em Liverpool, no Reino Unido, foi oficialmente aprovada. Liderado pelo escritório Feilden Clegg Bradley Studios, o projeto intitulado "Two Museums, One Vision" ("Dois Museus, Uma Visão") busca transformar os dois espaços na orla de Liverpool em ambientes atraentes e acolhedores que abordem de forma adequada questões contemporâneas e revelem histórias não contadas, narrando de maneira abrangente a história marítima da Grã-Bretanha juntamente com seu envolvimento no tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. Ambos os locais devem fechar no início de 2025 para o início das obras de reforma, de acordo com o National Museums Liverpool. A conclusão está prevista para 2028.
A enxertia arquitetônica, conceito popularizado recentemente por Jeanne Gang emThe Art of Architectural Grafting, apresenta uma abordagem transformadora para a regeneração urbana e a sustentabilidade. Inspirando-se em práticas botânicas e hortícolas — nas quais novos brotos são implantados em plantas existentes para aumentar sua resiliência —, esse método arquitetônico integra novas estruturas às preexistentes, permitindo que coexistam e se adaptem. Em vez de recorrer à demolição, a enxertia prioriza a adaptação, prolongando a vida útil dos edifícios e salvaguardando sua importância cultural e histórica.
Embora o Studio Gang tenha desempenhado um papel fundamental na difusão desse método, a enxertia arquitetônica incorpora um princípio mais amplo que profissionais de arquitetura vêm utilizando há muito tempo para aumentar a sustentabilidade, conservar recursos e valorizar o patrimônio. Em diferentes escalas — de edifícios individuais a paisagens urbanas —, a enxertia remodela a relação entre o passado e o presente, adaptando estruturas existentes às necessidades contemporâneas ao mesmo tempo que atende às demandas ambientais. Ao propor novos usos para edifícios históricos, essa abordagem fomenta uma evolução sustentável das paisagens urbanas.
Até hoje, o Cairo ostenta uma história vibrante, além de uma rica cultura arquitetônica e patrimonial que, sob uma perspectiva externa, continuam a ser a representação mais viva e marcante da cidade. Mas o que é o Cairo de hoje para além de ser a capital do Egito, do Nilo, dos desertos, das ruas movimentadas, dos museus, dos sítios arqueológicos e de seus edifícios históricos? A cidade passou por uma rápida transformação urbana nas últimas décadas, adquirindo um caráter notavelmente diferente daquele que as gerações passadas e recentes lembram de sua juventude nas ruas, bairros e edifícios locais.
O Cairo viu sua população saltar de 4 milhões de habitantes na década de 1960 para mais de 20 milhões atualmente, ao passo que sua área urbana expandiu-se cerca de 400% desde então. A área construída representa quase metade da região metropolitana, com uma taxa de crescimento urbano anual de 2% a 4% — muito superior à média de 1% típica de países como Canadá, Alemanha, Japão, Itália e Suécia. Em decorrência dessa rápida urbanização, as terras agrícolas hoje constituem menos de 10% da área total do Grande Cairo. A cidade configura-se como um mosaico em constante evolução de mais de 50 bairros distintos, cada um com identidade e composição demográfica próprias, que enriquecem o diversificado tecido urbano do Cairo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140239/cairo-um-mosaico-de-narrativas-urbanas-contrastantesHadir Al Koshta
O escritório Snøhetta venceu um concurso internacional para o projeto das novas estações do teleférico urbano de Koblenz, na Alemanha. Como a localização está inserida no Vale do Médio Reno Superior, um Patrimônio Mundial da UNESCO, o projeto exige uma abordagem sensível e respeitosa em relação ao contexto histórico. As estações propostas foram concebidas como propostas arquitetônicas contemporâneas que harmonizam com o patrimônio existente, integrando-se ao entorno.
O Governo da Austrália Ocidental anunciou a futura reforma do Perth Concert Hall, uma casa de espetáculos de 51 anos de idade tombada pelo patrimônio histórico e conhecida por seu papel significativo no cenário cultural da cidade. Projetada originalmente por Jeffrey Howlett e Don Bailey, a sala de concertos passará por uma ampla modernização liderada pela filial australiana do OMA em colaboração com o escritório WITH Architecture Studio, sediado em Perth. O início das obras está previsto para o início de 2025, com o objetivo de oferecer uma sede moderna para a Orquestra Sinfônica da Austrália Ocidental (WASO) e aprimorar as instalações para os visitantes por meio de novos espaços públicos, comodidades modernizadas e assentos melhorados.
O escritório de arquitetura WXCA revelou seu projeto para um novo museu com o objetivo de homenagear a revolta patriótica de 1918-1919 e a vitória do povo da Grande Polônia. Situado próximo à histórica Colina de Santo Adalberto, que abriga uma igreja de 800 anos, o museu deve se tornar um importante marco cultural e histórico. Além de preservar a história, a instituição busca oferecer à população de Poznań um espaço público contemporâneo para valorizar esse patrimônio coletivo. A equipe de arquitetura do WXCA venceu o concurso de 2019 para o projeto do museu e o conceito urbano. As obras do projeto começaram no início de 2024, com previsão de abertura ao público para 2026.
Toda inovação traz consigo fricções, disrupções e, acima de tudo, aprendizados. Na construção civil — um setor historicamente resistente a mudanças — novos sistemas construtivos costumam ser recebidos com certo estranhamento, exigindo uma análise cuidadosa dos desafios que surgem. O sistema wood frame, amplamente adotado em países como Estados Unidos, Japão e Alemanha, nunca se popularizou no Brasil, devido a fatores que mantêm o setor intensivo em mão de obra e fortemente vinculado aos métodos convencionais de alvenaria e concreto.
No entanto, com a diminuição da oferta de mão de obra e novas demandas por eficiência e sustentabilidade, o setor da construção civil tem, gradualmente, explorado alternativas inovadoras. Nesse contexto, o edifício Parkside Carvoeira, em Florianópolis, destaca-se como um marco de inovação, sendo o edifício em wood frame mais alto da América Latina. Desenvolvido em parceria entre a Parkside, o escritório Desterro Arquitetos e a construtora local Tecverde, o projeto pioneiro adota o sistema como uma solução sustentável e eficiente para atender às necessidades da construção contemporânea no país.
Situada em um estuário do Lago Prien, na divisa entre a Louisiana e o Texas, a Pelican House exala a estética de uma cabana sofisticada. Revestida de cedro-vermelho-ocidental e adornada com colunas de calcário Lueder do Texas, amplos beirais e vigas de madeira aparente, trata-se de uma impressionante residência à beira do bayou ancorada por paredes de vidro que a conectam à paisagem circundante — mantendo-a segura diante da fúria da natureza.
“É uma localização muito pitoresca, mas, como se pode imaginar, também muito sujeita a tempestades”, afirma o/a arquiteto/a Winn Wittman, que projetou a residência para integrar os espaços internos e externos sob o clima da Costa do Golfo. Abraçada e castigada pela natureza, a Pelican House resistiu a quatro furacões, tanto durante quanto após a sua construção. “A única evidência dos furacões é que a madeira, que inicialmente era lisa, agora apresenta um aspecto jateado de areia”, diz Wittman.
A cada ano, as premiações de design superam limites criativos de forma surpreendente, estabelecendo novos parâmetros para arquitetos/as e designers em todo o mundo. Essas competições não apenas celebram a inovação — elas a impulsionam, inspirando a próxima onda de projetos que rompem barreiras. Graças a tais plataformas, temos o privilégio de testemunhar a extraordinária fusão de beleza, engenhosidade e técnica que reverbera por toda a indústria criativa.
O German Design Council certamente consolidou sua posição ao revelar recentemente os vencedores do prestigioso ICONIC AWARDS 2024: Innovative Architecture — e os resultados são simplesmente espetaculares. Esta cobiçada premiação homenageia todo o espectro das disciplinas arquitetônicas e criativas, desde conceitos espaciais visionários e projetos de edifícios inovadores até design de produto de ponta, comunicação de marca notável e uso inventivo de materiais.