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Por que a continuidade da informação importa na arquitetura contemporânea

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Ao contrário de muitas outras atividades que hoje ocorrem inteiramente em ambientes digitais, o resultado final do trabalho na indústria de arquitetura, engenharia e construção não permanece em uma tela. Arquivos se tornam edifícios, modelos se transformam em estruturas e as decisões tomadas durante o processo de projeto acabam moldando ruas, bairros e cidades inteiras. Um edifício costuma durar décadas, às vezes séculos, e os impactos das escolhas feitas durante seu desenvolvimento estendem-se muito além do momento da entrega, influenciando o cotidiano de milhares de pessoas.

Residência Van Wassenhove: Vivendo a continuidade radical de Juliaan Lampens

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A história da arquitetura frequentemente avança por meio de gestos icônicos ou avanços tecnológicos; no entanto, certas obras permanecem influentes precisamente por resistirem ao espetáculo. Construída entre 1972 e 1974 em Sint-Martens-Latem, na Bélgica, a Residência Van Wassenhove destaca-se como um desses projetos silenciosos, mas decisivos. Concebida como um volume único e contínuo de concreto implantado em uma paisagem arborizada, a casa desafia as ideias convencionais de conforto doméstico, privacidade e hierarquia espacial. Sua presença é direta e intransigente, evitando, contudo, a monumentalidade, posicionando-se, em vez disso, como uma estrutura vivenciada, moldada por rituais cotidianos e pela habitação de longo prazo.

A casa foi projetada por Juliaan Lampens, uma figura que atuou em grande parte à margem das narrativas arquitetônicas dominantes de sua época. Trabalhando principalmente em Flanders e frequentemente em encomendas privadas, Lampens desenvolveu uma obra centrada na redução espacial radical, na honestidade material e em uma abordagem quase ética da construção. A Residência Van Wassenhove é frequentemente descrita como sua obra mais completa, não por introduzir novas ideias, mas por consolidar muitos dos princípios que perpassam consistentemente sua carreira.

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O concreto está arruinando a promessa da madeira engenheirada?

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A madeira engenheirada deixou de ser um nicho experimental para se tornar parte central do debate contemporâneo sobre construção sustentável. A combinação de menor carbono incorporado, sistemas pré-fabricados e cronogramas de obra mais rápidos ajudou a posicionar soluções como CLT (madeira laminada cruzada) e DLT (madeira cavilhada) como alternativas viáveis ao concreto e ao aço em edifícios residenciais, escritórios, escolas e equipamentos públicos em todo o mundo. A isso somam-se a previsibilidade dos processos construtivos e as qualidades ambientais associadas à madeira, frequentemente vinculadas ao conforto de quem utiliza o espaço e à experiência espacial.

Justiça na Mobilidade: Equidade Urbana em uma Era de Inovação

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Toda cidade abriga dois sistemas de transporte. Um deles é a rede visível de ruas, ferrovias, calçadas e rotas de ônibus mapeada nos documentos de planejamento urbano. O outro é a geografia invisível de privilégio e exclusão nela incorporada: os bairros que receberam rodovias em vez de parques, as comunidades cujas linhas de ônibus foram cortadas, as calçadas que terminam abruptamente no limite de um distrito. Durante muitos anos, profissionais do ambiente construído trataram a infraestrutura como um desafio técnico. A justiça de mobilidade insiste que se trata, fundamentalmente, de um desafio político.

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Um coração que pulsa e sangra: corpos, ruas e as políticas de cuidado em Bogotá

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É época de chuvas, mas o temporal desta manhã pouco afeta o ritmo ao longo da La Carrera Séptima. Ciclistas e pedestres desviam de comerciantes ambulantes com seus carrinhos de abacates, doces de gengibre e capinhas de celular. Carrinhos de brinquedo, lâmpadas e joias de miçangas feitas à mão brilham com as gotas de chuva, organizados meticulosamente sobre lonas que demarcam os territórios dos/as vendedores/as. Policiais se aproximam de um/a catador/a que recolhe garrafas; um/a turista pechincha o preço de uma jaqueta; duas mulheres se encontram no meio da rua, abraçando-se enquanto seus casacos ficam pesados sob a chuva.

La Séptima, ou a Sétima Avenida de Bogotá, é a via mais emblemática de Bogotá, percorrida por mais de dois milhões de pessoas todos os dias. Ao longo desta única via — que é em parte mercado, rota de protesto e polo de transportes — a história de Bogotá se desenrola. Por quase um ano, acompanhei seus ritmos como pedestre, usuário/a do transporte, habitante e pesquisador/a. Em todos esses momentos e em suas encarnações históricas, uma imagem persistiu: a rua é um corpo vivo. Ela é imaginada como a espinha dorsal de Bogotá, sua artéria vital, seu coração. Sangra, carrega cicatrizes e exige cuidados.

Diagnosticando a Desordem

Sobrevidas Agrícolas: Quando os Resíduos se Tornam Arquitetura

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Um material de construção raramente começa sua trajetória no momento em que a arquitetura o encontra. Quando o concreto chega ao canteiro de obras, seu calcário já foi extraído, processado e transformado. A madeira chega muito depois da floresta. O vidro surge desconectado da areia da qual foi feito. No momento em que os materiais entram na construção, grande parte da paisagem e da indústria que os produziu já desapareceu de vista.

Por toda a Índia e na região SWANA (Sudoeste Asiático e Norte da África), outra cadeia de suprimentos de materiais começa a se tornar visível. Cascas de arroz, fibras de coco, bagaço de cana-de-açúcar e resíduos de tamareiras, outrora tratados como sobras agrícolas, entram cada vez mais na arquitetura como isolamento, painéis compostos, chapas de fibra e substitutos do cimento. Engenhos de arroz, plantações de coco, usinas de açúcar e fazendas de tâmaras tornam-se, progressivamente, parte da cadeia de suprimentos da arquitetura.

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Semeando o futuro e redefinindo o impacto da arquitetura

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O que importa mais: olhar para o passado ou para o futuro? Reconhecer trajetórias consolidadas ou fomentar caminhos ainda em construção? Talvez esta não seja uma pergunta com resposta única. Tradicionalmente, os prêmios de arquitetura funcionam como dispositivos de consagração, reconhecendo obras concluídas, carreiras consolidadas e soluções já testadas, na maioria das vezes sob uma perspectiva retrospectiva. Mas o que aconteceria se o reconhecimento deixasse de ser um fim em si mesmo e passasse a funcionar como um agente catalisador, investindo menos no que já foi feito e mais no que está por vir?

Portas em grande escala: destaques do Concurso de Melhor Porta Pivotante 2026

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Ao deslocar a rotação das dobradiças tradicionais e distribuir o peso verticalmente, as portas pivotantes foram desenvolvidas para responder a um desafio arquitetônico específico: como movimentar painéis de portas grandes e pesados com precisão, durabilidade e o mínimo de interferência visual. Esses sistemas permitem que as portas ganhem dimensões significativas em termos de escala, peso e ambição material, frequentemente diluindo a fronteira entre porta, parede e superfície arquitetônica. Com o tempo, essa inovação técnica expandiu o papel das portas na arquitetura, permitindo que funcionassem não apenas como pontos de acesso, mas também como limiares espaciais, dispositivos de composição e elementos expressivos na envoltória do edifício.

Para destacar essa evolução, a FritsJurgens criou o Best Pivot Door Contest, com o objetivo de apresentar projetos nos quais a precisão da engenharia e a intenção arquitetônica convergem. Fundada nos Países Baixos, a empresa é reconhecida internacionalmente por seus sistemas pivotantes embutidos, capazes de suportar portas excepcionalmente grandes e pesadas. Esses sistemas proporcionam a arquitetos/as maior liberdade em termos de escala e materialidade, mantendo a precisão, a confiabilidade e a clareza arquitetônica.

O que acontece quando a energia solar é tratada como material de construção?

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À medida que a responsabilidade ambiental se consolida na cultura de projeto, o envelope do edifício passa a ser reconsiderado não apenas como uma pele protetora, mas como uma superfície ativa de produção de energia. Tratar a tecnologia solar como um material, e não como um mero acessório, reformula a maneira como a arquitetura é concebida e detalhada. Cor, textura, ritmo e montagem tornam-se indissociáveis do desempenho. A tecnologia fotovoltaica integrada a edifícios (BIPV) opera justamente nessa definição ampliada de materialidade. Ao integrar a tecnologia solar em fachadas e fachadas ventiladas desde as etapas iniciais de um projeto, arquitetos e arquitetas podem reduzir redundâncias, alinhar metas energéticas às intenções de projeto e repensar a composição dos envelopes. No entanto, traduzir essa ambição em sistemas construtivos viáveis exige precisão técnica e inteligência executiva.

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Como a arquitetura está aprendendo a gerar sua própria energia

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Além de ser uma fonte de vida, a força do sol na arquitetura está há muito tempo atrelada à necessidade da humanidade de aproveitá-la e controlá-la como um recurso vital. Desde a antiguidade, a energia solar tem sido utilizada para medir o tempo, apoiar o plantio e a colheita, e oferecer proteção contra o calor e o frio. Hoje, a radiação solar desempenha um papel significativo no consumo global de energia. Soluções arquitetônicas baseadas em materiais, tecnologias e análises ambientais são desenvolvidas a partir da compreensão da capacidade da energia solar de transformar o ambiente interno das edificações. Mas como as edificações podem ser transformadas em fontes de energia limpa?

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Prêmio Europeu de Habitação Coletiva abre inscrições para sua segunda edição

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A habitação coletiva é uma marca registrada da Europa. Em sua segunda edição, a premiação busca projetos que evidenciem seu impacto social e os marcos regulatórios e de políticas públicas que os viabilizam. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 30 de abril.

A modernidade pós-industrial gerou uma ampla gama de modelos de habitação coletiva que deixaram uma marca duradoura nas cidades europeias e na história da arquitetura: desde os Hofs de Viena e a Weissenhofsiedlung até a Unité d'habitation de Le Corbusier e as obras apresentadas na Interbau de Berlim.

Os excessos do movimento moderno projetaram uma longa sombra sobre a habitação social — um estigma que a pós-modernidade não foi capaz de dissipar. Contudo, desde a virada do milênio, novas formas de habitação coletiva têm ressurgido, reconectando-se com os ideais do Estado de bem-estar social diante das pressões da urbanização, das tensões do mercado imobiliário e da urgência ecológica.

Obra do Ano 2026: Começa a premiação da melhor arquitetura do mundo hispânico

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A arquitetura da América Latina e da Espanha é testemunho da riqueza e diversidade de culturas, tradições, necessidades e soluções que definem esses territórios. Com mais de 700 projetos construídos em países de língua espanhola publicados no ArchDaily em Español, chegou o momento de explorar, debater e escolher os favoritos para o prêmio Obra do Ano 2026.

Em sua décima sétima edição, o Obra do Ano reafirma seu lugar como o maior prêmio de arquitetura do mundo hispânico, decidido por sua comunidade. A partir de hoje, 24 de março, as leitoras e os leitores assumem a responsabilidade de escolher as melhores obras arquitetônicas de 2025.

Durante as próximas três semanas, a inteligência coletiva de nossa comunidade percorrerá centenas de projetos construídos em países de língua espanhola: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

O trabalho curatorial como construção da cidade: Marisa Yiu, do Design Trust, reflete sobre exposições e agência espacial

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Em Hong Kong, onde a arquitetura é frequentemente impulsionada pela lógica imobiliária, pela infraestrutura e pelo desenvolvimento acelerado, o espaço para a experimentação cívica em escala humana pode ser surpreendentemente limitado. É aí que o Design Trust se destaca. Como uma plataforma de fomento e viabilização de projetos, a organização apoia intervenções espaciais que transitam entre arquitetura, pesquisa e programação pública — um trabalho que costuma ser modesto, coletivo ou incerto demais para se encaixar nos fluxos convencionais entre cliente e arquiteto/a.

No centro desse trabalho está Marisa Yiu, cuja liderança posiciona o Design Trust tanto como agente viabilizador quanto como ator cultural. Por meio de iniciativas como o Micro-Parks Hong Kong, além de exposições e programas públicos, a organização trata o discurso e a prototipagem como formas de agência espacial, conectando designers, comunidades, instituições e debates sobre políticas públicas, ao mesmo tempo em que coloca em primeiro plano questões de gestão, manutenção e a "sobrevida" do espaço público.

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7 casas não construídas moldadas pelo terreno, clima e condicionantes

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A arquitetura residencial continua a oferecer um terreno fértil para a exploração de projetos não construídos, revelando como arquitetos e arquitetas respondem ao contexto, ao clima e às restrições na escala doméstica. Nesta edição de Não Construídos, enviada pela comunidade do ArchDaily, os projetos selecionados reúnem uma série de propostas que reconsideram a casa não como um objeto isolado, mas como um sistema espacial moldado por seu entorno. Essas obras posicionam a arquitetura como uma estrutura que faz a mediação entre terreno, material e habitabilidade, muitas vezes surgindo diretamente das condições do próprio local.

Em geografias variadas, de Kerala e Cartagena a Amã, Tromsø e Zwolle, os projetos demonstram respostas diversas à arquitetura doméstica. Eles incluem moradias urbanas compactas organizadas por meio de estratificação vertical, casas com pátio parcialmente inseridas no terreno, residências adaptadas a topografias em declive e transformações tipológicas moldadas por restrições regulatórias. Alguns projetos exploram sequências espaciais lineares enraizadas em proporções tradicionais, ao passo que outros organizam a vida doméstica em torno de átrios ou vazios escavados que medeiam luz, ventilação e privacidade. Juntas, essas propostas examinam como a casa pode ser estruturada através do corte, do material e do desempenho ambiental, em vez de se limitar à expressão formal.

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Café ou Chá: Terceiros Lugares, Quiosques e a Arquitetura de Varejo da Duração

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"Café ou chá?" é uma daquelas frases que nos acompanham em diversos contextos: ouvida em aviões, após as refeições, em lounges de hotéis e em salas de reunião. Soa como uma pergunta simples — mera preferência, uma rápida ramificação no roteiro de atendimento. No entanto, ela também carrega uma sutil herança cultural. O chá traz consigo a longa história do ritual e do ritmo doméstico, ligada a antigas geografias de comércio e à etiqueta cotidiana. Já o café surge de uma linhagem diferente de circulação, posteriormente industrializada no café moderno e em seus rituais públicos. Em ambos os casos, a bebida nunca é apenas uma bebida; trata-se de uma relação praticada com o tempo e o espaço.

No Leste Asiático contemporâneo, no entanto, "café ou chá" assume cada vez mais outro significado: imperceptível ou inconscientemente, a frase torna-se uma escolha sobre onde se deseja estar. Cada bebida agora carrega uma expectativa espacial. O café pressupõe um ambiente que se pode ocupar — frequentemente um lugar para pausar, trabalhar, encontrar pessoas ou refrescar-se. O chá, apesar de culturalmente onipresente, manifesta-se de forma mais difusa pela cidade — ora como um destino dedicado, ora como um quiosque de alta rotatividade e, muitas vezes, como uma opção padrão integrada a tipologias gastronômicas. O resultado é que uma pergunta formulada em termos de paladar passa a funcionar como um indicador sutil de preferência espacial: se o que se busca é permanência ou velocidade, confinamento ou fluxo, um terceiro lugar ou um nó rápido na rua.

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MASS: Um modelo de arquitetura sem fins lucrativos a serviço da sociedade

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Na época em que este texto foi escrito, um artigo de Martyn Evans perguntava "A arquitetura está em crise?". No mesmo ano, Reinier de Graaf publicou o livro "Architecture Against Architecture", no qual expôs quatorze problemas da profissão e da disciplina. A questão de uma crise na arquitetura é perene. No que se refere à arquitetura como profissão, esse debate costuma vir à tona especialmente quando crises econômicas são previstas ou já estão em pleno curso. Paralelamente, persistem questionamentos sobre a eficácia da arquitetura em lidar com os problemas mais urgentes do planeta e da sociedade — habitação, mudanças climáticas e desenvolvimento humano. Uma iniciativa que busca enfrentar essas questões é o MASS, fundado em Ruanda pouco tempo após a crise financeira de 2008. A pista está no próprio nome, uma sigla para Model of Architecture Serving Society (Modelo de Arquitetura a Serviço da Sociedade). O MASS foi criado como uma forma diferente de praticar a arquitetura.

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Do presídio espanhol à malha americana: as raízes hispânicas do núcleo urbano de San Diego

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Muito próxima à fronteira mexicana, no extremo sudoeste dos Estados Unidos, fica a cidade de San Diego. Sua história urbana teve início em 1769 com a chegada de uma expedição militar espanhola comandada por Gaspar de Portolá, marco do primeiro assentamento permanente no território então conhecido como Alta Califórnia. No entanto, diferentemente das capitais administrativas e vilas mais formalmente urbanizadas do México e da América Central, San Diego foi concebida como um posto avançado de fronteira. Hoje, tornou-se a segunda maior cidade da Califórnia, atrás apenas de Los Angeles, e sua malha urbana conta a história de uma herança hispânica que se entrelaça com o cenário cultural contemporâneo dos Estados Unidos.

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O Controle Suave do Espaço: Design para a Tomada de Decisões

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"Não há espaço sem acontecimento, não há arquitetura sem ação." Ao escrever essas palavras, Bernard Tschumi articulava um princípio fundamental da prática da arquitetura. A arquitetura trata de comportamento. Cada traço de caneta em uma planta baixa é uma proposição sobre como os/as ocupantes se moverão ou quais ações se tornarão possíveis.

Desenhar é arquitetar uma realidade. Contudo, apesar desse poder, a arquitetura não comanda. Ela não emite instruções nem impõe conformidade; em vez disso, opera por meio de um controle sutil — um modo de influência que molda o comportamento ao estruturar a percepção e guiar a atenção.

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Fernando Pérez Oyarzún: “A história da arquitetura moderna está repleta de interrupções e releituras”

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Nicolás Valencia conversa com o arquiteto chileno e Prêmio Nacional de Arquitetura 2022, Fernando Pérez Oyarzún, sobre o terceiro volume de ⁠Arquitectura en el Chile del siglo XX⁠, no auditório do Campus Lo Contador da Pontifícia Universidade Católica do Chile.

O período abrange de 1950 a 1980, época em que o Chile desenvolve uma arquitetura que reflete o que foram os anos de reconstrução europeia e o surgimento de uma nova ordem mundial, marcada pelo domínio internacional dos Estados Unidos e pela Guerra Fria.

Conforto Projetado, Conforto Comprado: Projeto Passivo e Ar-Condicionado em Hong Kong

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Estabelecer o conforto térmico já exigiu uma inteligência arquitetônica muito mais deliberada e calibrada—uma interação entre orientação, volumetria, comportamento dos materiais, potencial de ventilação, sombreamento e a maneira como a luz e as superfícies absorvem e liberam calor. Isso não era apenas uma questão de preferência, mas de necessidade. Quando muitos dos edifícios modernistas do pós-guerra de Hong Kong foram construídos, no final dos anos 1960 e 1970, formando uma parcela substancial da habitação social e do parque residencial da cidade, o ar-condicionado ainda não era um serviço onipresente e padrão. O resfriamento, quando existia, era limitado e distribuído de forma desigual; o conforto precisava ser negociado por meios passivos, através do corte, da profundidade da fachada, de aberturas operáveis e de detalhamentos climáticos. Foi apenas mais tarde, sobretudo ao longo das décadas de 1970 e 1980, à medida que o ar-condicionado se padronizava na região, que o resfriamento mecânico começou a substituir essa matriz anterior de tomada de decisões arquitetônicas.

O ar-condicionado afetou negativamente o espaço arquitetônico, especialmente em Hong Kong e na região vizinha? A afirmação mais precisa é que a dependência generalizada do ar-condicionado reorganizou profundamente a estrutura de incentivos do projeto de edifícios.

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Pavilhão cultural reversível ativa espaço público em Frankfurt 2026

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Em um momento no qual a arquitetura é impelida a responder de forma mais direta às pressões ambientais e sociais, o pavilhão da Espanha para a Capital Mundial do Design Frankfurt Rhein-Main 2026 posiciona-se como mais do que uma instalação temporária. Embora a materialidade esteja no centro de seu projeto, a proposta explora como uma infraestrutura cultural reversível pode ativar o espaço público sem a necessidade de construções permanentes. Discussões sobre o uso de materiais, circularidade e reutilização na arquitetura estão intimamente ligadas a contextos culturais, condições ambientais e influências históricas que revelam como o tempo molda o ambiente construído. Além de sua dimensão construtiva, o pavilhão espanhol expressa identidade ao reinterpretar o método arquitetônico de Antoni Gaudí, criador da Sagrada Família e do Parque Güell. O projeto também demonstra como os setores criativo e industrial da Espanha enfrentam os desafios atuais com soluções construtivas inovadoras.

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Construindo com árvores: repensando a relação da arquitetura com o terreno

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As árvores costumam ser as primeiras a desaparecer quando uma obra tem início. Limpar o terreno é, há muito tempo, um dos atos mais imediatos da arquitetura: remover o preexistente para abrir espaço para o novo. Mesmo quando a vegetação é preservada, ela geralmente é tratada como uma camada secundária, reintroduzida como paisagismo em vez de estruturar o próprio projeto.

Contudo, alguns projetos partem de outro ponto. Em vez de iniciar o desenho a partir de um terreno limpo, eles trabalham com o que já existe no local. As árvores são mantidas, não como meros elementos a serem emoldurados, mas como condicionantes que orientam a organização espacial, a incidência da luz e a própria formalização da arquitetura.

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Depois de Le Corbusier: Como o Sudeste Asiático transformou a cidade-satélite em um megaprojeto de transporte

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O Sudeste Asiático é frequentemente descrito como uma espécie de playground arquitetônico—uma arena onde os ideais modernos e contemporâneos foram testados em escala real por meio de edifícios singulares e icônicos. É fácil traçar uma linhagem por meio de nomes que ajudaram a moldar o imaginário das silhuetas urbanas da região: o Lippo Centre de Paul Rudolph em Hong Kong e o The Concourse em Cingapura; o OCBC Centre de I.M. Pei e a Bank of China Tower em Hong Kong; a Suprema Corte de Cingapura de Norman Foster e o HSBC Main Building em Hong Kong; a Prefeitura de Hong Kong de Ron Phillips; e o Marina Bay Sands de Moshe Safdie. Contudo, essa história familiar—contada por meio de objetos, colonialismo, autoria e formas de assinatura—corre o risco de ignorar uma camada de influência mais profunda e consequente: as lógicas de planejamento e as estruturas de infraestrutura que silenciosamente organizaram a maneira como essas cidades se expandem, se adensam e distribuem a vida cotidiana.

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Repensando o escritório de arquitetura para a Era da IA

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A inteligência artificial inseriu-se em praticamente todas as etapas dos fluxos de trabalho profissionais, levando o setor de arquitetura a repensar sua forma de atuar. Para se adaptarem a essa mudança, os escritórios agora enfrentam os limites de um modelo que pouco mudou nas últimas décadas.

O que mudou, e de forma notória, foi a pressão por produtividade. Espera-se que os escritórios atuais entreguem mais trabalho de forma mais rápida e com maior precisão, ao mesmo tempo em que gerenciam orçamentos mais enxutos, regulamentações complexas e expectativas crescentes por parte dos clientes. Na prática, isso se traduz em cronogramas reduzidos e em uma demanda constante por precisão que deixa pouco espaço para erros. Frequentemente, grande parte dessa pressão recai sobre um pequeno grupo de pessoas que detém o conhecimento crítico do projeto.

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