A identidade global da Índia tem se desenvolvido paralelamente a suas aspirações por um futuro arquitetônico único. Ao longo do tempo, a paisagem arquitetônica do país evoluiu das tradições vernáculas para as influências estrangeiras, passando por resgates pós-coloniais até chegar às expressões digitais modernas. O design computacional tem desempenhado um papel influente na definição dos estilos contemporâneos, capacitando escritórios locais de arquitetura a experimentar com formas e estruturas.
Este ano consolidou mais um marco para os/as arquitetos/as indianos/as na ampliação dos limites da prática contemporânea em todo o país. Uma tendência notável entre os projetos apresentados no ArchDaily tem sido a adoção de formas fluidas, uma sutil homenagem às práticas vernáculas que caminha lado a lado com um distanciamento gradual do legado da retórica de design modernista da Índia. A práxis da arquitetura indiana evoluiu para refletir um compromisso mais profundo com os contextos locais, somado a uma disposição de experimentar influências globais. Essa abordagem provavelmente persistirá nos próximos anos, abrindo caminho para novas expressões arquitetônicas no país.
Ao transcender as geometrias rígidas para celebrar a fluidez, os/as arquitetos/as de todo o subcontinente reinventam as experiências espaciais com formas que fluem, se fundem e respiram. Ao desafiar os paradigmas arquitetônicos convencionais, esses projetos continuam a se inspirar e a proliferar narrativas culturais profundamente enraizadas. No caso da Índia, a adoção da fluidez na arquitetura reflete um jogo de influências entre temas como materialidade, memória, artesanato e o contexto vivo do espaço.
As viagens aéreas abriram novos caminhos para as experiências de viagem. Recentemente, esses espaços de transição se tornaram destinos por si sós, com aeroportos como o Aeroporto Internacional de Hong Kong e o Aeroporto Internacional de Incheon registrando mais de 60 milhões de visitantes por ano. Os aeroportos costumam ser a primeira e a última impressão de uma cidade, e profissionais de design e planejamento urbano reconhecem cada vez mais seu papel em contar a história da marca de um lugar. Como hubs de viagem e turismo, esses aeroportos buscam conciliar funcionalidade e engajamento cultural, oferecendo aos/às passageiros/as uma prévia da identidade local antes mesmo de saírem do terminal.
Nicolás Valencia conversa esta semana no podcast TERRAZA com o arquiteto e crítico brasileiro Guilherme Wisnik sobre seu livro En la niebla (Editorial Bifurcaciones), uma série de ensaios em que a névoa serve de metáfora para o estado de incerteza do mundo atual, costurando debates contemporâneos sobre espaço, arte e política.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140390/guilherme-wisnik-em-um-mundo-efemero-a-arquitetura-tem-que-se-tornar-imagemArchDaily Team
Dequindre Cut, Detroit / The High Line Network, SmithGroup. Imagem cortesia de The Dirt
Ao longo da história, tornou-se evidente que a chave para projetos duradouros e sustentáveis é lançar bases sólidas. Nossa sociedade caminha para um futuro mais urbano, no qual a densidade das metrópoles será cada vez maior. Por isso, esse amanhã mais urbano exige um planejamento urbano moderno, capaz de erguer estruturas inovadoras, sustentáveis e flexíveis. Afinal, a única forma de fazer com que a nossa sociedade viva melhor é construir melhor.
No projeto arquitetônico, os materiais transmitem narrativas, moldando a forma como os espaços são percebidos e vivenciados. O aço patinável, frequentemente conhecido por sua marca registrada que se tornou genérica, o aço Corten, destaca-se por sua capacidade de evoluir, transformando-se em um meio que conta sua própria história. Trata-se de um grupo de ligas de aço que desenvolvem uma camada externa estável de ferrugem, a qual dispensa a necessidade de pintura para proteção do metal, ao mesmo tempo que lhe permite transformar-se ao longo do tempo. Sua pátina envelhecida funciona como mais do que um escudo funcional; torna-se uma linguagem estética, um testemunho da interação entre arquitetura e natureza. Essa superfície em constante mutação conecta o efêmero e o duradouro, oferecendo a arquitetos e arquitetas um material que se torna mais rico com o passar do tempo.
Ao longo de diversas civilizações históricas e movimentos artísticos, da Grécia e Roma Clássicas ao Renascimento e à Bauhaus, a colaboração entre arte e arquitetura sempre constituiu uma expressão social significativa. No entanto, os ideais modernistas do século XX e a produção em massa resultaram no declínio e no quase desaparecimento da arte no interior dos edifícios.
Como resposta, muitos países europeus assumiram a responsabilidade de promover a colaboração entre arte e arquitetura. Foram criados programas determinando que um percentual do custo total de um novo edifício, praça ou espaço público deveria ser destinado à arte. Essa legislação, comumente conhecida como "Percentual para a Arte" (Percentage for Art), teve origem na França e, ao longo dos anos, vem sendo explorada por artistas e arquitetos/as para criar novas experiências arquitetônicas.
Qual papel desempenham as superfícies de vidro na conexão entre a arquitetura contemporânea, a natureza e a experiência de quem habita os espaços interiores? A evolução do fechamento de vidro acompanha o desenvolvimento da arquitetura contemporânea, tendo na transmissão da luz natural uma de suas principais qualidades. Além disso, a versatilidade do material e seu caráter transparente permitem diluir os limites entre interiores e exteriores, ao mesmo tempo em que despertam diversas percepções sensoriais e psicológicas, entre outras virtudes. Em sua busca constante por inovação, a Glasstech oferece uma ampla gama de soluções em vidro, envolvendo-se de maneira integral desde a concepção do projeto até a sua instalação. Para ilustrar suas diversas aplicações, apresentamos a Casa Bosque, no Chile, como um exemplo notável de arquitetura em harmonia com seu entorno natural.
Por séculos, as práticas de sepultamento em várias culturas associaram a homenagem aos mortos à terra, com cemitérios firmemente enraizados no solo como um símbolo de paz eterna. No entanto, como discutido em um de nossos artigos, Sem espaço para os vivos ou para os mortos: Explorando o futuro dos sepultamentos na Ásia, a escassez de terras em áreas urbanas densamente desenvolvidas apresenta desafios significativos para as práticas tradicionais de sepultamento, especialmente em sociedades como o Japão, que enfrentam o envelhecimento de sua população. Diante dessas restrições espaciais, como projetar cemitérios acima do solo e columbários para oferecer um local de descanso digno e tranquilo, respeitando os valores culturais?
Nicolás Valencia conversa esta semana no podcast TERRAZA com a arquiteta argentino-espanhola Zaida Muxí, autora do livro “Mulheres, casas e cidades”, publicado pela dpr-Barcelona em 2018.
Em “Mulheres, casas e cidades”, Muxí propõe uma reescrita da história da arquitetura e do urbanismo ao incorporar as contribuições de tantas mulheres que foram silenciadas nas histórias gerais.
“Se quisermos entrar em jogos de mercado, a moradia nunca será um direito”, postula Muxí nesta entrevista.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140624/zaida-muxi-ninguem-resolve-uma-vida-familiar-em-35-metros-quadradosArchDaily Team
Local Comunal San Martín de Orúe, en La Balanza, Comas. Image Cortesía de BIAU
Em meio ao dinamismo e à velocidade que caracterizam a nossa vida no mundo contemporâneo, especialmente em relação às nossas cidades e ambientes construídos, torna-se inevitável reconhecer a importância de preservar espaços de pausa e reflexão, essenciais para abordar e debater os temas fundamentais da arquitetura e do urbanismo de que a nossa sociedade necessita com urgência hoje. A última edição da XIII Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo, realizada de 2 a 6 de dezembro em Lima, no Peru, propiciou um encontro único para esse tipo de reflexão e diálogo. Sob o lema 'CLIMAS: Ações para o bem viver', o evento reuniu arquitetos/as e referências do setor, que durante uma semana participaram de mesas-redondas e palestras, nas quais a discussão se concentrou nos desafios do habitar contemporâneo global, especialmente naqueles compartilhados entre a Espanha e a América Latina, atuando, assim, como uma ponte de conhecimento entre ambos os contextos.
Com a valorização crescente do solo nos centros urbanos, observa-se uma forte tendência de deslocar os espaços públicos do nível da rua para posições elevadas, como coberturas ou embasamentos entre edifícios. Do ponto de vista do desenvolvimento imobiliário, maximizar a área útil tornou-se crucial à medida que os ambientes urbanos se expandem. Os espaços no nível do térreo são altamente cobiçados pelo comércio devido à sua localização estratégica, que atrai fluxo de pedestres e potenciais clientes, impulsionando a economia e o desenvolvimento das cidades.
Essa lógica financeira, que frequentemente orienta as atividades construtivas e os rumos dos centros urbanos, contradiz os princípios projetuais defendidos durante a era modernista em prol de melhores espaços públicos ao ar livre, como o conceito de 'liberação do solo'. Arquitetos/as como Le Corbusier defenderam esse conceito em projetos como a Villa Savoye e a Unité d'Habitation. Esses projetos modernistas vislumbravam um futuro em que os edifícios seriam elevados para restituir espaços externos abertos e acessíveis no nível do solo para seus/suas usuários/as. No entanto, pelas razões expostas, muitos projetos contemporâneos buscam, em vez disso, replicar a função dos espaços públicos térreos dentro da própria estrutura do edifício.
A nova sede do Chicago Park District demonstra como uma arquitetura consciente pode aproximar comunidades, ao mesmo tempo em que prioriza a sustentabilidade. Apresentado no episódio mais recente da série Design Matters, produzida pelo Chicago Architecture Center, este projeto exemplifica como o design inovador pode moldar positivamente a vida cotidiana.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140639/por-dentro-da-nova-sede-do-chicago-park-districtArchDaily Team
O ano de 2024, após um período de incerteza global, testemunhou uma complexa interação de desafios e avanços. Embora as tensões geopolíticas e os efeitos remanescentes de crises passadas tenham continuado evidentes, o foco se voltou para a reconstrução, com comunidades de todo o mundo buscando soluções locais e formas de progredir apesar das adversidades. O panorama arquitetônico de 2024 apresentou uma exploração crescente de novos sistemas construtivos e tecnologias, muitas vezes inspirados em soluções vernáculas. Em escala urbana, os espaços são reconsiderados por seu potencial de transição para atividades mais voltadas para pedestres, mais áreas naturais e oportunidades de encontro comunitário e organização de eventos.
Discussões sobre descolonização, a preservação de técnicas construtivas tradicionais e a integração de narrativas locais nos projetos continuaram a ganhar força. O foco esteve menos em estruturas singulares e icônicas e mais em projetos ambientalmente responsáveis e socialmente conscientes que atendessem às necessidades específicas das comunidades. Paralelamente, novas tecnologias, como os sistemas de IA, continuaram a impactar a profissão, mas são compreendidas cada vez mais não como substitutos, mas sim como ferramentas à disposição de profissionais de arquitetura e design para aprimorar seus processos.
A acessibilidade na arquitetura é fundamental para a criação de ambientes construídos que acolham pessoas de todas as idades, desde crianças pequenas até idosos/as. Tanto em edifícios públicos quanto privados — sejam residências, infraestruturas ou instalações —, o projeto de fluxos internos, áreas de circulação e entradas e saídas deve priorizar a segurança, a clareza e a eficiência. Essa abordagem facilita as atividades cotidianas e, em última análise, melhora a qualidade de vida. A ASSA ABLOY Entrance Systems oferece uma ampla gama de produtos, incluindo portas automáticas, industriais e comerciais, além de soluções digitais, para atender às necessidades dos/as usuários/as.
Anthem+™ - Ambiente de chuveiro. Imagem cortesia de Kohler
A incorporação da tecnologia na arquitetura transformou a maneira como projetamos e vivenciamos os ambientes em várias escalas, estendendo-se do desenvolvimento urbano aos espaços internos. Hoje, o conceito de "espaços inteligentes" materializa a fusão entre inovação e design para elevar o bem-estar e a qualidade de vida em nossas atividades cotidianas. Isso é alcançado por meio de uma integração tecnológica fluida, que abrange uma série de funções e sistemas controlados por softwares, ferramentas digitais e dispositivos de uso diário, como smartphones. Como resultado, atividades cotidianas como o banho vêm passando por avanços significativos, evoluindo para uma experiência multissensorial digital que oferece controle personalizado sobre os fatores ambientais, potencializando o relaxamento e o bem-estar. Essas inovações aprimoram a interação entre tecnologia, design e os/as usuários/as, fomentando novas maneiras de interagir com os espaços e enriquecendo sutilmente nossas rotinas diárias.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140612/criando-uma-experiencia-de-banho-digital-multissensorial-para-bem-estar-relaxamento-e-controleEnrique Tovar
Em áreas urbanas densas, a possibilidade de se conectar com o exterior para lazer e bem-estar torna-se crucial. Isso ficou particularmente evidente durante a pandemia da COVID-19, quando milhões de pessoas em todo o mundo tiveram que permanecer confinadas em suas casas por longos períodos. Independentemente disso, à medida que o mundo se urbaniza cada vez mais, o projeto habitacional de qualidade é vital, o que inclui o acesso ao ambiente externo. Em uma cidade como Londres, essa necessidade foi reconhecida, e garantir um espaço externo em cada habitação tornou-se obrigatório por volta do ano de 2010. Em edifícios multifamiliares de múltiplos pavimentos, a provisão desse espaço externo costuma assumir a forma de uma varanda. As possibilidades de projeto são infinitas; portanto, quais são as principais considerações ao incorporar varandas em um edifício residencial urbano?
Passar longos períodos sentado/a é uma realidade diária em muitos espaços de trabalho, o que pode levar a uma rotina perigosamente sedentária. Diante disso, o design das cadeiras de escritório torna-se um elemento crucial tanto para a produtividade quanto para o bem-estar geral. O design ergonômico leva em consideração as necessidades do corpo humano, incluindo postura, conforto, suporte e saúde. Uma boa cadeira ergonômica é ajustável, permitindo maior controle e configurações personalizadas que sustentam a coluna e promovem uma posição natural para as articulações do corpo. Uma cadeira ergonômica ainda melhor utiliza a tecnologia para se adaptar a todas as nuances do ato de sentar — incluindo desleixos ocasionais na postura, apoio para o pescoço e movimentos contínuos do quadril, entre outros —, ajudando a manter uma postura corporal adequada em todos os momentos.
A Bienal de Arquitetura Latino-Americana (BAL), evento que conquistou significativa relevância no cenário arquitetônico contemporâneo, celebrará no próximo ano a sua nona edição. O encontro reúne em Pamplona, na Espanha, escritórios de arquitetura latino-americanos emergentes com o objetivo de compartilhar e divulgar seus trabalhos, fomentando o diálogo e o debate sobre o estado atual da disciplina, além de funcionar como uma ponte entre a América Latina e o contexto espanhol. Nesta edição, a Costa Rica será o país convidado, acompanhada por Honduras, El Salvador, Panamá, Guatemala e Nicarágua. Como parte deste convite, a programação incluirá uma exposição e seminários específicos dedicados a analisar o panorama da arquitetura nesses países.
Estação Ferroviária de Salford Central, Manchester. Imagem cortesia de Pilkington
A infraestrutura compreende os serviços essenciais que as áreas urbanas devem fornecer para garantir o acesso a padrões fundamentais de saúde e bem-estar, tais como saneamento básico, energia, vias públicas, transporte e comunicação. Mais do que uma rede funcional, ela desempenha um papel transformador na maneira como as pessoas vivem, trabalham e se conectam. As estações de trem, por exemplo, vão além de suas funções de mobilidade para se tornarem centros de interação social, polos econômicos e símbolos de desenvolvimento sustentável. Seu projeto reflete um equilíbrio delicado entre funcionalidade, segurança e valor arquitetônico, ilustrando como a infraestrutura pode aprimorar e transformar as experiências urbanas.
Oferecendo um equilíbrio entre estética e conforto, o design de decks de madeira em espaços externos como pátios, terraços, passadelas, varandas, jardins ou piscinas representa uma alternativa para criar espaços de descanso, entretenimento e lazer ao ar livre. Em relação a piscinas, fontes ou espelhos d'água, sua aplicação em diferentes dimensões, cores e acabamentos é capaz de combinar o aconchego da madeira com a clareza da água, desde que instalada levando em consideração uma série de tratamentos e cuidados que maximizem sua durabilidade ao longo do tempo e otimizem sua manutenção. De fato, o Deck Forta da Leaf Panel traz uma solução renovável, reciclável e de alta qualidade para superfícies de pisos externos, destacando a importância de reduzir a pegada de carbono em produtos de construção e estudando as características da madeira acetilada para melhorar seu desempenho sob as intempéries.